Desenhos, Poses E Fotografias
6 Surpresas
Notas iniciais
Aquele dia estava regado de surpresas.
Inicialmente, foi quando, naquela manhã, estava pegando as contas no correio e uma carta diferente estava no meio destas. Abriu-a, não contendo a curiosidade. E quando viu seu conteúdo, animou-se em meio a uma expressão de surpresa.
Era a carta de um velho amigo seu, Link Howard. Conheceu-o ainda na universidade, mas passaram a não se falarem tanto depois que Link fora para a Suécia. No papel estava escrito numa bela letra, o convite para a inauguração de uma confeitaria.
– Wah! Link realmente conseguiu! – Sorriu animado.
No conteúdo ainda continha algumas coisas, como o amigo lhe dizendo para levar algum acompanhante, já que ficaria o tempo todo ocupado, mas que gostaria muito de ter sua presença naquele momento.
– Mas é claro que irei! – Riu sozinho, guardando o convite.
Agora, restava pensar em quem o acompanharia.
~K.A.~
– Desculpa Allen! – Lavi e Lenalee tinham uma expressão chorosa, enquanto agarravam o braço do albino.
– Por causa de uma cena no dorama, vamos viajar justamente um dias antes da inauguração! – O ruivo fingiu chorar, abraçando Allen, enterrando o rosto na barriga dele. – Eu sou um péssimo amigo! – Lenalee permaneceu segurando seu braço, mas riu do drama do mais velho.
– Tudo bem! – Walker riu. – Eu entendo. Quando vocês estiverem livres, eu os levo lá, que tal?
– Por mim, tudo bem! – A morena sorriu. – Mas sabe, que tal levar o Kanda?
– Hm? O Kanda?
– Sim! Boa ideia Lenalee!! O Yuu vai ir, com certeza!
– Não sei... – Allen ficou pensativo. – É uma loja de doce, apenas... Kanda não me parece uma pessoa que goste de doce.
– Você está certo, Kanda não gosta de doces... – O três ficaram em silêncio, pensando. – Hm... Mas eu acho que ele iria, se você pedisse. Que tal, ao menos ver se ele está livre? – Lenalee sorriu.
– Tá bom... – O albino sentia suas bochechas corarem só de imaginar pedindo algo para o moreno. Porém ele não queria ir sozinho. O jeito era ser forte!
...
Muito forte.
~K.A.~
Por fim, durante três dias não conseguiu falar com Kanda. Lhe faltava coragem, e quase nunca conseguia o ver naquele tempo. Então chegava a duvidar que ele tivesse alguma folga.
E quando pensava em desistir, lá vinha Lavi e Lenalee, dizendo que, se ele chamasse Kanda, no dia que eles saírem, pagariam o que Allen quisesse comer. Nem é necessário dizer que ele aceitou né? Então, tomando folego, sentia suas mãos tremerem e um nervosismo apossar-se de seu corpo enquanto procurava o nome de Yuu em seus contatos na agenda do celular. Levou o aparelho à orelha, ouvindo os toques se seguirem.
“Por que estou tão nervoso?!”, se questionava em pensamentos, mas nem conseguia uma resposta. Apenas a ideia de falar com Kanda por telefone fazia com que quase tivesse um ataque cardiaco.
E então ouviu a melodiosa voz grave atender a ligação.
Teve que respirar fundo se não quisesse gaguejar. Iria parecer patético.
– Moyashi?
– Oi, K-Kanda... – Merda, havia gagejado. “Seja homem, Allen!”
– O que foi, moyashi?
– E-está ocupado? Senão, posso ligar outra hora... – Mexia nervosamente em sua blusa, olhando para o chão de sua sala, que tinha várias folhas espalhadas.
– Estou em minha pausa, pode falar.
– E-então... sabe o que é... Bem... Eu...
– Fale de uma vez moyashi! – Fechou os olhos, se encolhendo no sofá. Mesmo que o moreno não estivesse ao seu lado, ainda era assustador ouvi-lo gritar.
– É que eu queria saber se você está livre na segunda que vem... – Sua voz saiu baixa, mas Kanda havia ouvido muito bem.
– Hm, por quê?
– V-vai ser a inauguração da confeitaria de um amigo meu... E eu queria levar alguém.
– Por que não chama o Lavi ou a Lenalee? Afinal, não gosto de doces.
– Eles vão viajar por causa do dorama.. Bem, eu irei levar minhas irmãs mais novas, mas ainda queria levar outra pessoa para acompanhar sabe... – Sentiu-se chateado, sabia que Kanda recusaria. É claro que ele não iria. Ah, tanto esforço para nada.
– Tudo bem. Converso com minha produtora e consigo minha folga para segunda. – Não conseguiu evitar sorrir.
– Mesmo?! – Ouviu Kanda rir soprado, e só de imaginar essa cena, fez seu coração falhar uma batida. Sua mão coçava para desenha-lo... E iria!
– Sim... – A voz do japonês saiu risonha. Oh, era demais para Allen.
– Yay! Obrigado, Kanda! – Sabia que se ele estivesse em sua frente, teria o abraçado. E bem.. ele se sentia decepcionado por não poder fazer isso.
Trocaram mais algumas palavras e logo desligaram.
Allen ficou sorrindo a todo instante, arrumou sua sala quase no automatico, e em seguida ligou para a casa de seus pais, avisando que pegaria as meninas para sairem na segunda.
Entrou em um aplicativo de seu celular, entrando na conversa em grupo que tinha com Lavi e Lenalee. Contaria a novidade à eles.
Allen Walker
Adivinha que teve o convite aceito pelo Kanda?
Lenalee Lee
Eu disse que você conseguiria!
Lavi B.
Nem Yuu Kanda resiste ao seu charme Allen!
Allen Walker
Charme??
Que ideia é essa Lavi?
Lavi B.
Isso mesmo! Charme!
Você é pura charmosura!!
Lenalee Lee
Essa palavra não existe Lavi...
Lavi B.
Quem se importa? Eu criei! E ela define perfeitamente
o Allen!
Allen Walker
Não sei de onde você tiras essas ideias.
Lavi B.
É que eu sou um gênio!
Lenalee Lee
Acho melhor ignorarmos ele...
Allen Walker
Também acho...
Lavi B.
Não sejam cruéis!
Não conseguia aguentar a risada, Lavi era realmente um idiota.
Terminou de ajeitar suas coisas, e jogou-se em sua cama.
Queria que a tão almejada segunda-feira chegasse logo.
~K.A.~
Kanda permaneceu encarando a tela de seu celular por alguns minutos, antes de, por fim, bloquear a tela novamente. Suspirou, deixando o aparelho de lado quando foi chamado para voltarem à sessão.
O que ficava em sua cabeça era o fato de que, só porque Allen se mostrou um pouco triste por telefone, cedeu ao seu pedido, aceitando ir à uma confeitaria apenas porque isso o faria feliz. O que é que tinha na cabeça? Por que sempre aceitava tudo apenas por causa do albino? Ele, por algum acaso, sabia magia negra e lançou-lhe um feitiço para que sempre fizesse o que ele queria? “Você está viajando demais Yuu.”, pensou consigo mesmo.
Aquele dia estava sendo cansativo. Havia acordado cedo mais mais um dia de ensaios fotográficos e dois comerciais. Não entendia como sua agenda havia se tornado tão apertada, não tendo tempo nem para respirar direito. Todo o dia esta dormindo super tarde e acordando muito cedo, e isso estava desgastando-o.
E mesmo que não quisesse admitir, se sentia relaxando com a presença de Allen, como se, apenas com o sorriso dele, sua fadiga simplesmente esvaiasse. Então, não faria mal algum tirar uma folga só para sair com ele, certo?
– Kanda. – Sua produtora havia o chamado, olhou-a cansado. Queria apenas ficar algumas horas parado. – Eu imagino que esteja cansado. – Ela sorriu compreensiva. – Consegui adiar um dos comerciais para amanhã, haverá apenas mais um ensaio para a revista XX e já iremos embora, certo? – Yuu olhou a hora em seu celular, suspirando em alivio.
– Certo. Estou precisando de uma boa noite de sono hoje... Obrigado Catherine. – Levantou-se, seguindo a mulher.
– Não me agradeça. Percebi que tem andado muito cansado...
Catherine, uma mulher bem simples, de cabelos loiros e olhos castanhos, estatura baixa, com um corpo proporcional, sem nada em exagero e de personalidade simpática, porém forte. Ela fora uma das poucas pessoas a menter contado com ele depois que... Aquilo aconteceu. Não lhe julgou ou falou alguma coisa, apenas lhe sorriu docemente, e disse que estaria ali para o que ele precisasse. Kanda era realmente agradecido a ela.
– Seu sucesso tem voltado com um estrondo. – Comentou a loira. – Antes você não recebia tantos trabalhos. Acho que deixaram de se importar com o que aconteceu, e admitiram que você é bom no que faz. – Colocou a mão sobre o ombro do japonês, sorrindo.
– Sim... – Suspirou, olhando para frente. Até que lembrou-se do pedido de Allen. – Ah, Catherine, gostaria de lhe pedir um favor.
– O que seria, querido?
– Tem como agendar meu dia livre para segunda?
– Hm? Por quê? – Ela lhe olhou curiosa. – Tem um encontro, é? – Seu sorriso mudou-se para algo como malicioso, cutucando-lhe na costela com o cotovelo. – Ahh, seu garanhão! – A loira gargalhou.
– N-não é um encontro... – Se martirizou por gaguejar. Ele era idiota?
– E com quem é? – Ignorou a fala do moreno. – É aquele fotógrafo novo super fofo? Como era o nome dele... Alan... Alvin... – Chutava os nomes, tentando lembrar-se.
– Allen.... – Murmurou.
– Isso! Allen Walker, certo? Ah! Ele é uma fofura! Tão gentil. – Kanda não conseguia entender Catherine, ela era louca por acaso? – Tudo bem! Mas em troca, vai ter que me contar tudo depois~!
– Eu já disse que não é um encontro!
– Certo, certo. Vou fingir que acredito~. – A loira riu, andando na frente.
Kanda realmente nunca conseguiria entendê-la.
~K.A.~
Allen soltou um muxoxo, enquanto permanecia sentado no sofá de sua casa, ouvindo a risada Anna e Alexa, que brincavam com alguma coisa pela casa.
– Kanda está atrasado... – Olhou a hora mais uma vez. Já se passaram 40min desde a hora em que combinaram de o moreno aparecer em sua casa. – Acho que ele não vem. – Constatou o fato, ficando ainda mais chateado. Não havia jeito. Pegaria um ônibus com as meninas, havia prometido a si mesmo que iria à inauguração da loja de Link.
Pegou sua bolsa, chamando as meninas. Trancou a porta de casa, segurou a mão das gêmeas, saindo andando. Mas nem bem havia chego na esquina e ouviu uma busina, virou o rosto, vendo o carro de Kanda parado ali.
– Entra. – Ficou parado, olhando a figura morena pela janela aberta. – Tá esperando o que?
– É que... Eu pensei que não viria. – Não conseguiu conter o tom chateado. – Vamos meninas. – Abriu a porta do banco de trás. – Coloquem o cinto. – Deu a volta no carro, sentando-se no banco do passageiro.
– Desculpe, houve uns contratempos, por isso atrasei. – Era mentira. Entretanto, Allen não saberia disso.
Atrasou-se porque seu orgulho falou mais alto. Não consegui aceitar o fato de que o albino lhe acalmava; que cedia a tudo que ele queria. Estava sendo um imbecil, claro, mas depois do que havia acontecido consigo, não conseguia aceitar facilmente que estava confiando em Allen de forma tão imprudente. E daí que ele era amigo de Lavi? Isso não significava nada. Não era só porque Lavi foi um dos que ficou ao seu lado naquele problema, que signifique que o albino era confiável.
Todavia, algo em seu inconciente lhe disse que ele se arrependeria se não fosse. E só de pensar nos olhos pratas chateados, mudou de ideia. Engoliu seu orgulho, indo até a casa do albino, tendo sorte de encontra-lo ainda na rua.
– É seu amigo Allen? – Perguntou Anna.
– Sim... Este é Kanda, ele trabalha comigo. – Sorriu para as meninas.
– Hm... Kanda... Tem o mesmo nome daquele modelo que a mamãe adora! – Falou Alexa animada.
– Ah! Ele é lindo! – A duas então começaram a travar uma conversa euforica do tal modelo, cujo estava no mesmo carro, segurando a risada.
– Ahn... Desculpe Kanda... – Allen envergonhou-se por suas irmãs, se encolhendo no banco.
– Tudo bem... – Deixou um breve riso escapar. – Ei, meninas. – Chamou-as, que logo olhou para o japonês, que, aproveitando o sinal fechado, tirou os óculos. – Sou eu. – Anna e Alexa permaneceram um minuto em silêncio, antes de soltarem gritinhos.
– A mamãe vai morrer de inveja!! – Disseram juntas, rindo.
– Meninas! Se comportem! – Allen as repreendeu.
– Desculpa irmão. – Elas se aquietaram por uns istantes, antes de voltarem a rir.
O albino soltou um suspiro, ouvindo Kanda rir novamente.
– Elas são animadas, hein. – E o moreno estava achando impressionante o fato de que não estava se irritando com isso.
– É...
Durante a viagem toda Alexa e Anna conversavam sobre qualquer coisa, fazendo questão de perguntarem muitas coisas a Kanda, que até estava conseguindo manter um dialogo sem palavrões ou frases mal-humoradas. E Allen não podia evitar sorrir ao ver essa nova faceta de Yuu.
Chegaram na confeitaria, e logo entrando, se surpreendendo ao vê-la um pouco cheia.
– Walker. – Allen ouviu uma voz que lhe era conhecida, procurou o dono desta, encontrando Link, seu amigo de faculdade ali, indo em sua direção.
– Link! – O albino sorriu, abraçando o amigo ao correr até ele. – Há quanto tempo! Como tem passado? Como foi sua estádia na Suécia? Quando voltou?
– Uma pergunta de cada vez, Walker. – O menor riu, desculpando-se.- Voltei tem uns meses, mas estava tão ocupado com tantas coisas, que não tive como contacta-lo.
– Tudo bem, eu entendo. – Sorriu. — Que bom que conseguiu sua loja! Estou muito feliz por você!
– Obrigado. Bem, vamos, deixei uma mesa reservada para você, e por ser meu convidado de honra, pode pedir o que quiser. Apenas não estrapole.
– Não posso aceitar isso Link! – Mas ficou quieto quando loiro sorriu, bagunçando seus cabelos.
– Vamos, você foi uma das poucas pessoas a me apoiar. Tenho que mostrar minha gratidão.
Allen ficou quieto. Link levou-os até a mesa, sorrindo e cumprimentando as gêmeas, que o conheciam. Porém, Kanda, sentiu um mau humor abater-lhe no momento em que o albino abraçou o outro. Sentou-se ao lado dele, apenas pedindo a coisa menos doce possível que tinha ali, enquanto Anna e Alexa já vieram querendo bolo de chocolate com morango.
Tão logo as meninas começaram a conversar sobre alguma banalidade. Allen e Kanda permaneceram quietos, cada um por sua razão. Mas o moreno não conseguia vê-lo assim, sentia uma vontade absurda de ouvi-lo falar e sorrir... Droga, o que acontecia consigo?
– Por que está tão quieto? – Perguntou por fim.
– Ahn.. É que... Bem, na época da faculdade, Link foi apaixonado por mim. E eu sinto como se tivesse abusando disso, sabe? Não sei se ele continua gostando de mim ou não.. – Já não havia ido com a cara desse loiro, e agora, só de saber que ele era apaixonado pelo albino, sua antipatia aumentou.
– Hm...
– Sabe... – Começou Alexa.
– Nós parecemos uma família! – Anna completou, rindo em seguida.
– A mamãe, o papai e as filhas!
– E quem seria a mãe? – Allen encarou as meninas. “Elas inventam cada coisa.”.
– Você! – E riram.
– Você parece com a mamãe, Allen. No jeito e tudo! – Disse Alexa.
Allen suspirou, decidido a ignorar aquele papo. A verdade é que, ele ficou extremamente sem jeito com aquilo. Como é que elas podiam dizer uma coisa dessas para uma pessoa que elas nem conhecem direito? Virou o rosto para o lado, impedindo de Kanda visse suas bochechas rosadas, o que fora uma tentativa falha, pois o moreno viu muito bem, e o achou muito bonito corado.
“É uma droga, mas tenho que admitir... O moyashi faz totalmente meu tipo.”– pensou Kanda, suspirando.
A conversa havia sido interrompida por Link, que no meio da loja começou um pequeno discurso, dizendo que agradecia a todos por comparecerem, e falando mais um monte de coisa que Kanda não estava nem um pouco afim de saber. Virou a cara, passando a observar um certo albino. Isso sim era interessante.
Depois do discurso, entregaram os pedidos. Yuu comia lentamente, enquanto observava as gêmeas se acabarem no bolo que pediram, voltou seus olhos para o albino, sorrindo ao notar sua boca um pouco suja pelo chantili. Não conseguindo resistir a tentação, levou sua mão ao local, passando o dedo e lambendo o doce em seguida.
– Esta sujo. – Apenas viu que, de branco, Allen tornou-se vermelho. Este escondeu o rosto em sua mão.
– K-Kanda! Não faça isso... – Sua voz fraquejou. E o japonês se divertiu ainda mais ao notar que até mesmo sua orelha estava vermelha.
Apoiou o rosto na mão, sorrindo para o albino. E se fosse possível, ele ficou ainda mais vermelho ao olha-lo. Não tinha como ele não se divertir e.. Bem, admitindo mais uma vez, não se encantar em ver as reações de Allen.
Anna e Alexa não contiveram a risada, provocando o irmão também.
Kanda realmente sentia que se daria muito bem com essas duas.
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