Desenhando Futuros
19 Capitulo 19
Notas iniciais
" Olá Quinn. Espero que esteja tudo bem. Deixo-te em anexo a digitalização do cartão da agente imobiliária que me vendeu a minha casa, como prometido. Ontem não consegui enviar, desculpa. E desculpa também a minha saída repentina, mas achei que era o melhor momento. Espero que tenhas muita sorte na procura pela tua casa. Beijo — Rachel Berry "
Estava a desenhar quando ouviu o som da recepção do email no ecrã do seu computador. Ao ver o nome de Rachel parou tudo e abriu de imediato o mesmo. Um sorriso desenhou-se nos seus lábios e decidiu responder com o coração.
"Olá Rachel. Obrigada pelo contacto, já guardei. Em relação a ontem, não desculpo. A não ser que venhas jantar comigo hoje, tenho uma coisa para te contar. Diz-me qualquer coisa. Beijo — Q. "
Não chegaram a passar 5 minutos e Quinn estava a atender o telefone a Rachel com um sorriso engraçado na cara.
— Tu não gostas muito de emails, não é? — diz ela quando atende.
— É. São impessoais. — responde a morena com carinho e simpatia. — O convite está de pé se for por telefone? — Quinn riu-se com uma sonora gargalhada.
— Que disparate, como é que podes ponderar que eu vou manter esse convite se não for por email?! — respondeu Quinn a brincar.
— Estás muito engraçada hoje. — a loira conteve-se de maneira automática e Rachel percebeu que tinha metido a pata na poça. — Pode ser num sitio fora de NY?
— Porquê?
— Porque não vá aparecer a Valentina ou o George, sabes que eles andam aos pares. — Quinn ri-se de novo.
— Realmente nunca tinha pensado nisso. Eles aparecem sempre na mesma altura, que coincidência. — Rachel sorri. — Vou pesquisar um sitio então.
— Não é preciso. Vamos a Newark a um restaurante italiano modesto e pequeno mas que tem a melhor comida do mundo. — Quinn torceu o nariz mas acabou por concordar.
— Já lá foste?
— Vou todos os meses. Passo a buscar-te às 19h00 em casa, pode ser?
— Pode, combinado então.
— Vemo-nos logo. Beijinho, bom trabalho.
— Obrigada, igualmente.
—x-
A campainha dos Fabray toca e a empregada abre a porta. Quando Rachel lhe dá as boas noites, Russell, que está na sala, percebe imediatamente que é a morena e levanta-se entusiasmado.
— Minha Rachel, que surpresa boa. — diz ele feliz. Rachel dá-lhe um abraço apertado com um sorriso na cara.
— Boa noite, como estás?
— Bem e eu?
— Também. Vim buscar a Quinn para jantar. — disse ela explicando o que fazia ali. Russell sorriu simpático mas depois revirou os olhos.
— Vê se lhe metes juízo naquela cabeça. Ela não pode aceitar casar com o George. — depois de o ter dito e ver a cara de Rachel, Russell percebeu que ela não sabia do pedido. A estilista perdeu a cor e sentiu o sangue a fugir-lhe do corpo, mas ainda assim fez uma tentativa de sorriso amarelo. Antes de Russell poder reagir, apareceu Quinn que percebeu de imediato que alguma coisa estava mal.
— Olá. — diz ela curiosa. — Está tudo bem aqui?
— Sim. Vão lá jantar vá. Não te prendo mais Rachel. — diz Russell sem jeito, mas acaba por dar um abraço a Rachel que o devolve.
— Eu devolvo inteira. — diz ela simpática para cortar a incomodidade de Russell que lhe dá um beijo na testa com carinho. Quinn não sabia como cumprimentar Rachel, mas percebeu que a morena não o ia fazer e portanto não quis passar por esse momento incómodo, saindo atrás dela.
Quinn percebeu na segunda quadra pela que passaram que Rachel não estava normal, as suas respostas eram simples e sem desenvolvimento, e decidiu calar-se até que fosse ela a dizer qualquer coisa. Rachel só o fez já a passar a ponte de Brooklyn, em que lhe explicou qual era o restaurante que iam e o que ela gostava mais de comer por lá, mas o seu semblante era triste.
—x-
Já no restaurante, a postura de Rachel acalmou ao ver-se sentada em frente a Quinn, que tinha um ar pacifico e preocupado.
— Disse ao meu pai que ia sair de casa e, contrariamente ao esperado, ele aceitou bem. — disse a loira com um sorriso feliz. Rachel devolveu o sorriso mas com carinho.
— Fico muito feliz por ti, por te ver entusiasmada com isso. Eu não esperava outra coisa do Russell.
— A sério? Eu achei que ia ser um filme.
— Tens o teu pai em muito má conta, ele adora-te só quer o melhor para ti.
— Ele ultimamente tem-me surpreendido muito. Acho que desde que te conheceu. — Rachel manteve o olhar no dela com carinho. — Ontem quando ele disse aquilo do George e que ficamos sem perceber, foi porque o George foi-lhe dizer que... — Quinn fez uma pausa dramática e respirou fundo antes de soltar de cabeça baixa — ... me ia pedir em casamento. — Quando voltou a levantar a cabeça, a expressão da Rachel era igual à que tinha antes, com um sorriso carinhoso. Quinn sentiu-se mais à vontade para concluir. — E pediu.
— E tu?
— Eu o quê?
— O que lhe respondeste? Se não for muita intromissão perguntar.
— Não respondi nada ainda. Ele apanhou-me de surpresa. — Rachel sorri com mais intensidade.
— Estás a ponderar? — pergunta a estilista com curiosidade.
— O George é meu amigo há muito tempo, conhece-me muito bem, e é muito boa pessoa.
— Eu sei. Mas isso não costumam ser os motivos para que alguém se case.
— O casamento é um contrato. — diz Quinn utilizando as palavras de Rachel. Ela sorri de novo, desta vez quase que solta uma gargalhada.
— Bem metida. — diz ela divertida. Quinn acaba por se rir. — Mas sabes que normalmente é um contrato para assegurar a vida de quem se ama.
— Achas que não devo aceitar? — pergunta Quinn com receio da resposta. Rachel olha para ela fixamente e sem pestanejar.
— Tu sabes muito bem o que eu acho disso, não precisas que te responda a essa pergunta. — e Quinn voltou a conter a respiração, como tem feito nos últimos dias em que está com a morena.
— Estou confusa. — diz ela para cortar a tensão.
— Com o quê? — pergunta Rachel genuinamente curiosa. Mas a sua curiosidade fica adiada com o reboliço que se começa a ouvir no restaurante. — Desculpe? — diz Rachel chamando o empregado de mesa, que vem com prontidão. — O que se passa?
— Acaba de sair um alerta vermelho em NY. Uma ameaça de bomba na entrada Sul da cidade. Fecharam todos os acessos e só devem reabri-los ao amanhecer. Normalmente estas coisas demoram muitas horas.
— Mas existe confirmação? — pergunta Quinn um bocado nervosa.
— Ainda não, é um pacote suspeito, mas correm rumores de que na ponte de Brooklyn há outro, então eles fecharam os acessos todos.
Rachel percebeu automaticamente que Quinn tinha ficado preocupada, agradeceu ao empregado e depois tranquilizou-a.
— Não faz mal. Ficamos no Hilton até amanhã. — disse a morena desvalorizando a situação. Quinn concordou.
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