Desenhando Futuros
20 Capitulo 20
Tinham chegado ao Hall do hotel e já tinham as chaves dos respectivos quartos na mão quando Rachel decidiu despedir-se de Quinn.
— Descansa, amanhã voltamos fresquinhas. — diz ela parada no Hall.
— Não vais subir? — Quinn estranhou que ela não caminhasse para o elevador.
— Não. Não tenho sono, vou sentar-me um bocadinho no bar.
— E queres estar sozinha ou posso ficar? — Quinn não queria ir já para o quarto e precisava de falar com alguém, ainda que esse alguém fosse a pessoa que mais a confundia com as sensações que despertava nela.
— Claro que podes. Aliás, temos uma conversa pendente. — sorriu Rachel com carinho.
Já sentadas no bar do hotel, Rachel decidiu sacar o tema onde o tinham deixado.
— Então conta lá, o que é que te deixa confusa? — perguntou Rachel sem vergonha.
— A reacção do meu pai. Ele disse ao George que não estava de acordo e que por ele não havia casamento nenhum.
— Qual é a confusão exactamente? — perguntou de novo a morena, mas agora com um sorriso mais sarcástico. — Eu percebei que isso te deixou a pensar, mas não percebo porquê. O teu pai só quer o melhor para ti.
— Porque é que dizes isso?
— Porque o teu pai sabe perfeitamente que o George não é o melhor para ti, ele nunca poderia concordar com isso. — Rachel percebe o desconforto de Quinn e decide acrescentar. — É fácil de perceber que tu não estás apaixonada pelo George, e o teu pai sabe disso.
— O meu pai não quer saber disso. — diz Quinn defendendo-se mas enterrando-se porque acabava de dar razão a Rachel, que sorriu descaradamente. — O que eu quero dizer é que ele quer que eu me case com alguém da alta sociedade, de boas familias, como sempre apregoou toda a vida. O George encaixa perfeitamente nesse papel.
— Quinn... o teu pai só quer que tu sejas feliz, ele não te deseja que sejas infeliz a vida toda, isso é um disparate. Ele sabe, e está habituado a ver o George como teu amigo desde sempre, é perfeitamente perceptível que tu não olhas para ele de outra maneira.
— Essa é uma visão romântica da vida Rachel, tu sabes que isso não funciona assim. As pessoas não se apaixonam e casam e são felizes para sempre.
— Claro que não, é isso mesmo que estou a dizer. Que o teu pai não quer isso para ti. — Quinn não responde e fica a pensar no que diz Rachel. A verdade é que para ela não era válida a visão romântica de que Rachel falava. Ela jamais ia poder ficar com quem desperta nela a capacidade de sentir.
—x-
Estavam no corredor dos quartos, o primeiro era o de Rachel e um bocado mais ao fundo do corredor era o de Quinn. Depois de ambas dizerem boa noite, Rachel ia entrar no seu quarto mas parou de frente para a porta. Quinn já tinha aberto a porta do seu quando ouviu a morena chamar.
— Quinn... — disse Rachel tranquila. A loira olhou para ela de maneira instintiva e ela acrescentou sem pudor: — O teu pai sabe perfeitamente que o melhor para ti sou eu. — E depois de largar a bomba, entrou no quarto com um sorriso torto nos lábios, deixando Quinn petrificada no mesmo sitio.
A designer tinha feito já muitos exercícios de concentração, de reaprender a respirar, de reanimação da própria pulsação desde que conhecera Rachel, mas nenhuma das soluções lhe passou pela cabeça para aprender a andar naquele momento. Os poucos passos que deu para entrar no quarto e fechar a porta, nem se deu conta deles. Quando percebeu, estava deitada em cima da cama de barriga para baixo. Quinn não pestanejava, e só quando sentiu a primeira lágrima cair foi quando o seu corpo reagiu e se agarrou à almofada.
Nenhuma das duas ia poder dormir, e Rachel manteve-se deitada a olhar para o tecto durante quase uma hora.
Depois desse tempo, ouviu o seu telemóvel vibrar, e agarrou-o para ver o que era.
"Nunca mais voltes a fazer isso por favor. Deixa-me desconfortável."
Rachel levantou-se num ápice e saiu porta fora em direcção ao quarto de Quinn. Bateu à porta e a designer demorou a atender. Voltou a bater e foi quando Quinn abriu a porta e Rachel sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés. Quinn estava empapada em lágrimas e com a maquilhagem toda borrada.
— Desculpa. Eu não volto fazê-lo. — diz Rachel com uma tristeza clara na expressão. Quinn baixa a cabeça para esconder a sua mas ainda assim fica curiosa com o que Rachel ia dizer inicialmente.
— Quando bateste à porta não era isso que ias dizer. — a loira sente vergonha por Rachel a ver assim. — A tua expressão mudou ao olhar para mim neste estado.
— Ia dizer que prefiro falar destas coisas cara a cara em vez de mensagens, mas não importa. — Quinn começa a tremer e Rachel sente um aperto no coração.
— Nós somos diferentes. — responde a designer sem parar de tremer. Rachel ia responder mas calou-se de maneira automática. — Estás a fazer outra vez. Prometeste que não o fazias. O que ias dizer?
— Ia dizer uma coisa que te ia deixar desconfortável de novo, por isso calei-me.
— Diz de uma vez. — responde Quinn fechando os olhos com força.
— Os opostos atraem-se. — e Quinn já não conseguiu segurar mais o pranto, nem Rachel se conseguiu segurar a si e abraçou-a com força.
A loira só soube chorar desconsoladamente agarrada a Rachel e a morena entrou no quarto com muita calma e preocupação enquanto a agarrou para a deitar na cama e a arropar. Fez isso com muito carinho e depois deitou-se por cima do edredon atrás de Quinn abraçando-a pelas costas. Com uma mistura de preocupação e de vergonha por mostrar fragilidade em frente a Rachel, e uma vontade incontrolável de se deixar levar pelo que sente, Quinn não cessou o choro. Rachel preocupou-se e nos seus olhos começaram a formar-se algumas lágrimas silenciosas, mas o seu primeiro instinto foi sussurrar no ouvido de Quinn "não te preocupes, está tudo bem, vai ficar tudo bem". Mas ela chorou até adormecer, e Rachel não a largou, tanto que terminaram por ficar naquela posição até de manhã.
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