Tinham chegado ao Hall do hotel e já tinham as chaves dos respectivos quartos na mão quando Rachel decidiu despedir-se de Quinn.

— Descansa, amanhã voltamos fresquinhas. — diz ela parada no Hall.

— Não vais subir? — Quinn estranhou que ela não caminhasse para o elevador.

— Não. Não tenho sono, vou sentar-me um bocadinho no bar.

— E queres estar sozinha ou posso ficar? — Quinn não queria ir já para o quarto e precisava de falar com alguém, ainda que esse alguém fosse a pessoa que mais a confundia com as sensações que despertava nela.

— Claro que podes. Aliás, temos uma conversa pendente. — sorriu Rachel com carinho.

Já sentadas no bar do hotel, Rachel decidiu sacar o tema onde o tinham deixado.

— Então conta lá, o que é que te deixa confusa? — perguntou Rachel sem vergonha.

— A reacção do meu pai. Ele disse ao George que não estava de acordo e que por ele não havia casamento nenhum.

— Qual é a confusão exactamente? — perguntou de novo a morena, mas agora com um sorriso mais sarcástico. — Eu percebei que isso te deixou a pensar, mas não percebo porquê. O teu pai só quer o melhor para ti.

— Porque é que dizes isso?

— Porque o teu pai sabe perfeitamente que o George não é o melhor para ti, ele nunca poderia concordar com isso. — Rachel percebe o desconforto de Quinn e decide acrescentar. — É fácil de perceber que tu não estás apaixonada pelo George, e o teu pai sabe disso.

— O meu pai não quer saber disso. — diz Quinn defendendo-se mas enterrando-se porque acabava de dar razão a Rachel, que sorriu descaradamente. — O que eu quero dizer é que ele quer que eu me case com alguém da alta sociedade, de boas familias, como sempre apregoou toda a vida. O George encaixa perfeitamente nesse papel.

— Quinn... o teu pai só quer que tu sejas feliz, ele não te deseja que sejas infeliz a vida toda, isso é um disparate. Ele sabe, e está habituado a ver o George como teu amigo desde sempre, é perfeitamente perceptível que tu não olhas para ele de outra maneira.

— Essa é uma visão romântica da vida Rachel, tu sabes que isso não funciona assim. As pessoas não se apaixonam e casam e são felizes para sempre.

— Claro que não, é isso mesmo que estou a dizer. Que o teu pai não quer isso para ti. — Quinn não responde e fica a pensar no que diz Rachel. A verdade é que para ela não era válida a visão romântica de que Rachel falava. Ela jamais ia poder ficar com quem desperta nela a capacidade de sentir.

—x-

Estavam no corredor dos quartos, o primeiro era o de Rachel e um bocado mais ao fundo do corredor era o de Quinn. Depois de ambas dizerem boa noite, Rachel ia entrar no seu quarto mas parou de frente para a porta. Quinn já tinha aberto a porta do seu quando ouviu a morena chamar.

— Quinn... — disse Rachel tranquila. A loira olhou para ela de maneira instintiva e ela acrescentou sem pudor: — O teu pai sabe perfeitamente que o melhor para ti sou eu. — E depois de largar a bomba, entrou no quarto com um sorriso torto nos lábios, deixando Quinn petrificada no mesmo sitio.

A designer tinha feito já muitos exercícios de concentração, de reaprender a respirar, de reanimação da própria pulsação desde que conhecera Rachel, mas nenhuma das soluções lhe passou pela cabeça para aprender a andar naquele momento. Os poucos passos que deu para entrar no quarto e fechar a porta, nem se deu conta deles. Quando percebeu, estava deitada em cima da cama de barriga para baixo. Quinn não pestanejava, e só quando sentiu a primeira lágrima cair foi quando o seu corpo reagiu e se agarrou à almofada.

Nenhuma das duas ia poder dormir, e Rachel manteve-se deitada a olhar para o tecto durante quase uma hora.

Depois desse tempo, ouviu o seu telemóvel vibrar, e agarrou-o para ver o que era.

"Nunca mais voltes a fazer isso por favor. Deixa-me desconfortável."

Rachel levantou-se num ápice e saiu porta fora em direcção ao quarto de Quinn. Bateu à porta e a designer demorou a atender. Voltou a bater e foi quando Quinn abriu a porta e Rachel sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés. Quinn estava empapada em lágrimas e com a maquilhagem toda borrada.

— Desculpa. Eu não volto fazê-lo. — diz Rachel com uma tristeza clara na expressão. Quinn baixa a cabeça para esconder a sua mas ainda assim fica curiosa com o que Rachel ia dizer inicialmente.

— Quando bateste à porta não era isso que ias dizer. — a loira sente vergonha por Rachel a ver assim. — A tua expressão mudou ao olhar para mim neste estado.

— Ia dizer que prefiro falar destas coisas cara a cara em vez de mensagens, mas não importa. — Quinn começa a tremer e Rachel sente um aperto no coração.

— Nós somos diferentes. — responde a designer sem parar de tremer. Rachel ia responder mas calou-se de maneira automática. — Estás a fazer outra vez. Prometeste que não o fazias. O que ias dizer?

— Ia dizer uma coisa que te ia deixar desconfortável de novo, por isso calei-me.

— Diz de uma vez. — responde Quinn fechando os olhos com força.

— Os opostos atraem-se. — e Quinn já não conseguiu segurar mais o pranto, nem Rachel se conseguiu segurar a si e abraçou-a com força.

A loira só soube chorar desconsoladamente agarrada a Rachel e a morena entrou no quarto com muita calma e preocupação enquanto a agarrou para a deitar na cama e a arropar. Fez isso com muito carinho e depois deitou-se por cima do edredon atrás de Quinn abraçando-a pelas costas. Com uma mistura de preocupação e de vergonha por mostrar fragilidade em frente a Rachel, e uma vontade incontrolável de se deixar levar pelo que sente, Quinn não cessou o choro. Rachel preocupou-se e nos seus olhos começaram a formar-se algumas lágrimas silenciosas, mas o seu primeiro instinto foi sussurrar no ouvido de Quinn "não te preocupes, está tudo bem, vai ficar tudo bem". Mas ela chorou até adormecer, e Rachel não a largou, tanto que terminaram por ficar naquela posição até de manhã.

Notas finais
Ainda não foi desta, mas calma, muita calma, porque não falta muito já. Comentários? Obrigada do fundo do coração a quem tem comentado. Vocês são maravilhosos. Beijo!!