Desejos libertos
3 Torturas
Notas iniciais
Tive um momento de semi lucidez mas não consegui abrir meus olhos: eles estavam pesados por causa da droga; nem conseguia raciocinar direito, estava confuso naquela sensação de quando você não sabe se está acordado ou sonhando.
Mãos, havia mãos me segurando, passeando pelo meu corpo, puxando a minha roupa; eu queria gritar, impedi-los de fazer isso mas meu corpo não me obedecia. Tantas mãos ...talvez três ou quatro pessoas. Senti algo escorregadio ser esfregado em todo meu corpo , algum tipo de pomada ou unguento, ele aquecida a pele e formigava. Logo depois desmaiei novamente.
Acordei sonolento com o som de um estalido e uma dor nas costas. Estava de bruços sobre uma espécie de cavalete, se é que se pode chamar assim: uma tábua estreita apoiava o meu tórax e parte do meu abdome, minhas mãos estavam amarradas acima da minha cabeça, fixas por uma corda na ponta da tábua que era, pelo menos acolchoada para dar o mínimo de conforto.
Minha camisa estava aberta, mas o pior era que estava nú da cintura para baixo, minhas pernas estavam imobilizadas, amarradas cada uma numa perna do cavalete, algo estava amarrado nos meus tornozelos, acho que era uma barra, obrigando-me a ficar de pernas abertas. Eu estava completamente exposto e imobilizado, a posição deixava o meu traseiro descoberto e empinado, uma corda fina prendia a minha cintura na prancha.
Senti correias de couro deslizarem pela linha da coluna. Logo depois o estalo e a dor aguda na minha nádega direita, travei a mandíbula para não gritar de dor.
_ Ora, a princesinha acordou. Nada como um estímulo não é? — o chicote voltou a descer, contraí o corpo pela dor, ele riu e voltou a golpear.
Então era isso? Um clube de sado-masoquismo que usava meninos. A ideia era muito torpe.
Havia outros homens ali, todos vestidos com longas capas vermelha e dourada, estavam em torno de mim, me observando atrás das suas máscaras venezianas, não queria nem pensar aonde estavam as suas mãos.
Minha traseira estava quente, latejava pelos golpes e formigava.
Na quinta chicotada um gemido de dor escapou da minha boca. Na oitava, o gemido já não era somente de dor, o que me deixou com mais ódio. O produto que haviam passado em mim tornava a pele muito mais sensível que o normal.
A dor serviu para dissipar um pouco os efeitos da droga, mesmo assim me sentia dopado, a mente mandava eu gritar mas o corpo não obedecia. Tentei virar meu rosto para ver quem era o homem com o chicote, mas não consegui, eu estava bem amarrado, provavelmente era o “patrão” mas não tinha como ter certeza, até a voz estava diferente, abafada. O homem puxou meus cabelos, pressionando meu rosto na prancha de madeira, me obrigando a ficar mais imóvel do que eu já estava. Outra chicotada desceu, com mais força agora.
As chicotadas continuaram, marcando a minha pele, talvez até já estivesse sangrando mas não tinha como saber, a dor queimava e cada vez que um golpe me atingia algo reverberava em resposta no meu baixo ventre, não podia ser prazer, não queria que fosse. O “patrão” subiu a mão pela minhas costas:
_Que pele branca, nem parece um desses ratos de esgoto que a gente costuma pegar. Tão imaculada… é uma pena ela estar toda marcada agora não é? — ele subiu mais a mão, levantando a camisa.
_Mas o que é isso? Uma marca? Então você é um escravo fujão hein? — ele passou a ponta dos dedos sobre a minha cicatriz e beliscou-a — Quem é o seu dono? — e voltou a golpear com mais força agora, trinquei meus dentes tentando segurar os gemidos, sem sucesso.
Ele grunhiu em resposta, excitado.
_Está gostando, princesa? Calma que a gente vai se divertir muito com você, está vendo todos esses senhores? Todos pagaram para ter você e terão a sua vez — eu conseguia ver quatro pessoas, mas sabia que havia mais em torno de mim, o desespero começou a pulsar.
Ele tirou uma luva e arranhou minhas costas, senti o ardor se espalhando enquanto mais uma chicotada descia na minha carne já machucada.
_Vamos usar você de todos os modos, em todos os buracos. E depois vamos fazer novos em você e usá-los também. Pena que você não vai durar muito depois disso. Talvez eu guarde uma lembrança sua, talvez esse seu lindo olho azul. O que acha de ter seu olho arrancado e guardado num vidro? Vou deixá-lo sobre a minha lareira, para me lembrar do tanto de prazer que você vai me proporcionar.
Qualquer sensação que pudesse ter sido comparada à prazer sumiu completamente. Senti a raiva crescer dentro de mim, me sufocando e nublando a minha visão. Limpei a garganta e chamei:
_ Sebastian.
Houve alguns segundos de silêncio, depois ele segurou o lado esquerdo do meu quadril.
_ Está chamando o nome do seu macho, é? — ele se inclinou sobre mim, pesando sobre as minhas costas e eu senti sua língua lambendo de modo nojento a minha orelha — Foi ele que fez essa marca? — beliscou mais uma vez a cicatriz, doía — É o seu dono?
Então ele passou o cabo do chicote na minha entrada, fazendo uma leve pressão. Me desesperei e comecei a me debater, ou pelo menos tentei, Ele riu.
_Estão vendo como ele se contorce? Está gostando. Hahahaha.
Como eu o odiei naquele momento.
_Vamos começar? — ele decidiu — vou usar a boca dele.
Todos riram, eu percebi o quanto ofegantes eles estavam quando se aproximaram de mim. Tentei inutilmente lutar, a droga embotava os meus pensamentos e o meu corpo, eu estava a mercê desses homens.
Senti as cordas sendo soltas dos meus pulsos e cintura, um dos homens me levantou e eu vi o mundo girar com o resto da droga, minhas pernas continuaram presas. Outros se aproximaram e começaram a me tocar. Nojo e desespero tomaram conta de mim, segurei as lágrimas que ameaçavam rolar pelo meu rosto, não ia dar esse gosto a eles. Não queria nada daquilo, aquelas mãos me tocando, se aproximando de lugares íntimos. Aquelas mãos exploravam o meu corpo e eu não acreditava que isso estava acontecendo comigo, apenas uma pessoa teria direito de me tocar daquele modo — a imagem de um certo mordomo vestindo negro se formou por trás dos meus olhos. Minha mente (a parte que ainda funcionava) congelou conforme eu me conscientizava de quem era o objeto do meu desejo.
Mas isso durou um segundo, no seguinte fui colocado ajoelhado e as mãos novamente presas, desta vez nas costas. Dois me seguravam pelos ombros, impedindo qualquer movimento de fuga do que estava prestes a acontecer.
Meu algoz veio na minha direção, agora eu podia vê-lo melhor: estava vestido como os outros, com a diferença que o manto dele era de um vermelho mais escuro e não tinha dourado, as mãos enluvadas e usava máscara, não tinha como eu tentar identificá-lo. O encarei fixamente. "Onde estava aquele maldito demônio? Provavelmente escondido, assistindo tudo e rindo da minha situação".
_Vamos ver o que você tem atrás disso — estendeu a mão para retirar o tapa-olho — O tal Sebastian fodeu o seu olho? Foi por isso que você fugiu? Que pervertido. Pois vou fodê-lo também por aí.
Meu olho do contrato brilhou assim que ele pôs a mão no topo da minha cabeça segurando meu cabelo, fazendo eu erguer a cabeça.
_ Sebastian, agora! — minha voz saiu quase num sussurro. Qualquer movimento era muito difícil.
As velas bruxulearam e se apagaram por um momento para logo em seguida voltarem a brilhar. Senti o aperto no meu cabelo ceder e vi uma ponta de metal sair pela garganta do homem, o sangue borbulhou um pouco enquanto ele caía. Sabia que Sebastian tinha vindo, senti o seu cheiro, não perfume, um cheiro só dele, que eu já havia sentido outras vezes, mas nunca tão forte assim. Me fez contrair o abdome e senti o início de uma ereção. "Logo agora?" — pensei, corando.
_ Feche os olhos, Bochan.
Sebastian estava por trás do homem, de modo que eu não o vi. Caí de lado e cerrei fortemente os olhos, sabia que ele iria assumir a sua verdadeira forma. Ouvi movimentação ao meu redor, vozes xingando Sebastian e o zunido de objetos voando velozmente pelo ar — aposto que eram facas, de mesa — seguido do barulho abafado delas se enterrando na carne daqueles monstros. A luta durou pouco, mesmo que eles estivessem armados, e não estavam, era impossível vencer do Sebastian.
Senti alguém segurando o meu ombro, tentando me virar, assustei e tentei me desvencilhar.
_Bochan — a voz de Sebastian era veludo nos meus ouvidos: estava salvo!
Ele me virou e eu tentei abrir meus olhos para vê-lo enquanto as cordas eram retiradas, marcas vermelhas e esfoladas estavam impressas nos meus punhos e tornozelos. Sebastian passou a ponta dos dedos nos vergões que estampavam minhas costas e nádegas, estremeci.
Assim que me ergueu passando as mãos pelas minhas costas e por trás dos meus joelhos, soltei um gemido e não era de dor. Ele parou por um momento.
_Está muito ferido? — a voz dele parecia preocupada de verdade.
Passei os meus braços em torno do seu pescoço e descansei a cabeça no ombro dele, sorvendo mais daquele cheiro.
_Não. Só me tire daqui.
*******
Em algum momento da volta eu desmaiei, ou adormeci, sinceramente não sei. Acordei quando Sebastian me depositava na minha cama, entreabri meus olhos e o vi ir para o banheiro, logo depois ouvi o barulho da água enchendo a banheira, ele voltou e retirou os farrapos em que havia se transformado a minha camisa. Me virou de bruços como se eu fosse uma boneca, tentei protestar mas só saiu um resmungo — “Maldita droga! Não ia passar nunca???”. Ele não disse nada, senti o toque macio de um pano úmido sobre os vergões, mas já não doíam mais.
_Consegue ficar de pé? — ouvi ele me perguntar, a voz muito longe. Queria mesmo me levantar, mas não consegui, então ele me pegou no colo novamente e me levou até a banheira, mergulhando meu corpo na água.
Estava deliciosamente quente e eu submergi nela, queria ficar ali para sempre, envolto naquele calor reconfortante mas Sebastian puxou meu rosto para fora.
_Desse jeito você vai se afogar, Bochan.
“E daí?” — pensei e voltei a mergulhar. Mesmo que eu quisesse, não conseguia manter meu corpo sentado, sempre escorregava.
_Tsc — ouvi Sebastian dizer e ele tirou as mãos de mim.
Logo depois minhas costas foram afastadas do encosto da banheira e algo maciço e quente tomava lugar. Sebastian entrou na banheira comigo, senti seus braços passando por baixo dos meus, quase me abraçando; suas longas pernas paralelas às minhas — eu estava encaixado nele. Encostei minhas costas no seu tórax, senti seu peito subir e descer na respiração. “Demônios respiram?” — pensei e logo o pensamento fugiu de mim.
Apoiei a parte de trás da minha cabeça no seu ombro e relaxei. Senti o toque da esponja no meu corpo conforme ele me lavava, esfregando a pele vigorosamente, retirando toda a imundície daquele local em que eu estive. Queria que ele apagasse também a lembrança dos toques indevidos, mas isso não é possível retirar com água e sabão.
A respiração do Sebastian no meu ouvido, o calor que emanava dele, sua pele em contato com a minha e seus toques, mesmo que fosse apenas para lavar, mexeu comigo. Senti meu membro ficar rígido, e aquilo era tão embaraçoso! Levei as mãos até lá e pressionei a ereção.
_ Aaaahhh — gemi.
Imediatamente o membro do Sebastian endureceu, pressionando as minhas costas. Gemi novamente e friccionei o meu membro. Sebastian parou o que estava fazendo. Abri um pouquinho os olhos no momento em que ele me abraçava, me apertando contra a sua ereção, ele então correu as mãos pelo meu peito, acariciou meus mamilos e eu suspirei em resposta, mas as mãos dele desceram mais até envolverem o meu pênis. Sebastian moveu a cabeça até a curva do meu pescoço e mordeu ali, forte. Estremeci de desejo, com certeza ficaria marcado.
_Sebastian — gemi quando ele começou a manipulá-lo, movimentando-o para cima e para baixo.
Aquilo estava muito bom, e eu me perdi nesse prazer. Estava quase chegando ao clímax quando ele parou e sussurrou no meu ouvido.
_Chega, Bochan. Senão não vou me controlar.
“E quem queria que ele se controlasse?” pensei, mas não falei nada.
Sebastian então me empurrou um pouco para frente e saiu da banheira. Eu já estava um pouco mais consciente e o olhei bravo, mas ele nem se importou. Se enrolou numa toalha e pegou outra que usou para me embrulhar e tirar da banheira.
_Já posso ficar de pé! — falei, um pouco humilhado por ele ter me dispensado. Mas assim que meus pés tocaram o chão, as pernas dobraram, ele me sustentou pelas axilas e me carregou para a cama.
Eu tive uma pouco de esperanças que ele voltasse a me tocar mas ele se limitou a me secar e vestir, então me pôs debaixo das cobertas.
_Boa noite, Bochan — pegou o castiçal com as velas e saiu do quarto.
Logo eu resvalava no sono profundo.
Acordei no meio da noite, o efeito da droga finalmente havia sumido e eu estava bem consciente, saí da cama e fui até o banheiro, na volta me olhei no espelho, queria ver a marca que Sebastian havia feito, mas o reflexo me mostrou apenas a pele branca e íntegra do meu pescoço. Passei meus dedos: impossível não ter deixado marca. A não ser que tivesse sido apenas um delírio provocado pelos efeitos do ópio...
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