Desejos libertos
15 O fim e depois dele também
Notas iniciais
De repente a dor cessou, meus pulmões se expandiram e eu arfei. Abri meus olhos e Dimitri não estava mais sobre mim, olhei para os lados, sem entender o que havia acontecido. Então alguém entrou no meu campo de visão e meu coração falhou uma batida: Sebastian surgiu na minha frente, seus olhos vermelhos estavam pouco humanos e mostraram uma emoção desconhecida — “Seria preocupação?”.
Sebastian sorriu para mim e eu senti algo derreter dentro de mim.
_Bocchan… — seu tom era calmo e preocupado, confirmando minha hipótese. Ele rompeu as correias me liberando, tirou o próprio fraque e colocou sobre meu corpo, cobrindo a minha nudez, me abraçou brevemente, se afastou um pouco e acariciou meu rosto olhando nos meus olhos — Está ferido?
Demorei um pouco para encontrar uma resposta. Havia muitos ferimentos em mim, externa e internamente mas balancei a cabeça negativamente para ele. Era bom sentir seus braços em torno de mim, me embrulhei no fraque, tentando esconder ao máximo o meu corpo para que não visse os hematomas.
Me sentei na cama, segurando o fraque que era como um roupão para mim. Então observei a cena que se desenrolava no local. Me surpreendi pois Sebastian não estava sozinho, quatro shinigamis cercavam o demônio.
Dimitri estava no chão com Ronald por cima, provavelmente tinha sido ele que o tirou de cima de mim; ambos lutavam com socos e chutes. Dimitri conseguiu se livrar do shinigami loiro, chutou seu rosto, fazendo-o gemer de dor e correu, tomando distância dos ceifadores. Ele parecia ainda menos com um ser humano, tinha uma forma animalesca e grotesca.
Will se adiantou e lançou seu podador sobre o demônio acertando-o no ombro, ele gritou e sangue negro começou a escorrer do ferimento.
_Vocês, demônios, são todos uns parasitas. Têm que ser exterminados — falou Will atacando-o de novo, porém este conseguiu se esquivar para o lado.
Sem perder tempo, Grell o atacou, o som da moto-serra roncando alto no ambiente fechado, mais uma vez ele se livrou do ataque e correu para o outro canto do quarto, jogava tudo o que encontrava pelo caminho nos seus perseguidores sem, no entanto, atingir ninguém.
Grell, Will e Ronald o atacaram no mesmo momento, numa sucessão de movimentos combinados não dando chance para que ele pudesse escapar. Dimitri foi atingido várias vezes, seu sangue escorria abundante dos ferimentos múltiplos, porém ele não dava sinais de estar enfraquecendo. Seguia lutando, suas unhas eram como navalhas e cortavam a carne dos shinigamis que também sangravam. Conseguiu se desvencilhar dos golpes, socou Grell no rosto, estourando seu lábio inferior, pegou-o pelos cabelos e o jogou por cima de Ronald que se desequilibrou, batendo em Will. Este empurrou os dois para o lado que caíram no chão, Will pulou por cima dos dois, meio que pisando neles e se jogou sobre o demônio.
Dimitri saltou para trás, encostando as costas na parede, o podador resvalou no rosto deixando uma fenda sangrenta na bochecha. Grell e Ronald já haviam se levantado e se juntavam à Will. Nenhum deles estava para brincadeira, suas expressões sérias e concentradas mostravam o quanto eles levavam a sério a sua função.
_Não tem mais saída para você, verme. Agora fique quieto e morra.
_Que sangue horrível você tem… Esta cor...tão apagada. Onde está aquela cor vermelha maravilhosa que deixa tudo tão bonito e quente!!! — a expressão de Grell já não era mais como de costume, me lembrei de quando o conheci, no caso de Jack, o Estripador.
O demônio não falou nada sobre os comentários de Will e Grell, correu de encontro aos três, sua rapidez os surpreendeu, desferiu um soco no queixo de Will, girou chutando o peito de Grell que perdeu o fôlego; Ronald tentou atacá-lo mas ele foi mais rápido e acertou ma cotovelada no nariz do shinigami, ouvi um “creck” e uma enxurrada de sangue escorreu pelo rosto do loiro que estava curvado e segurava o nariz quebrado. Dimitri deu as costas para os shinigamis e começou a subir nas paredes, as garras afiadas esburacando e rasgando o papel de parede. Todos os três foram pegos de surpresa pela ação dele.
Então Undertaker saiu das sombras da onde estava até agora.
_Acabou, criatura.
Sua foice da morte desceu veloz uma vez, o demônio, na sua agilidade “caminhou” pela parede se arrastando rápido e se aproximando da janela. Era óbvio que sua intenção era fugir. Undertaker o atacou de novo, pegando impulso e saltando no ar como se não pesasse nada, girou a foice uma, duas vezes e golpeou a criatura. A arma se fincou no meio do peito, Dimitri soltou um urro gutural e caiu no chão com um baque surdo. Undertaker se aproximou do demônio, pisou no seu tórax e com um puxão, desprendeu a arma que saiu gotejando sangue.
O shinigami levantou a foice mais uma vez, preparado para dar o golpe final. A foice desceu e o demônio tentou se proteger com as mãos porém o golpe não o atingiu: entre ele e a foice estava Sebastian ajoelhado, segurando o cabo da arma e amparando o golpe.
_Você???!!! — a voz de Undertaker mostrava desprezo — Vai protegê-lo agora???
Ele puxou a arma e Sebastian se levantou.
_Sebastian, me proteja — pediu o demônio, Sebastian o olhou de soslaio, abaixando o olhar — Podemos dividir o garoto — ele se agarrava na perna do Sebastian.
Undertaker preparou novo golpe, Will também se preparava e eu, bem eu estava chocado demais para falar qualquer coisa.
“Como assim? Sebastian estava protegendo Dimitri?”
Sebastian ergueu a mão em sinal de paz e Undertaker recolheu a foice.
_Eu quero acabar com ele! É meu direito!!!
_O QUÊÊÊ???? — gritou Dimitri — COMO VOCÊ OUSA? VOCÊ É UM DEMÔNIO, DEMÔNIO COMO EU!!! COMO SE REBAIXA A SE JUNTAR A ESSES SHINIGAMIS??? — a essa altura ele chorava, lágrimas de sangue negro escorriam pelo seu rosto — NÃO PODE ME MATAR! SOU DA SUA FAMÍLIA!
_Família? Eu não tenho nada a ver com você! — Sebastian se ajoelhou ficando na altura do rosto do outro, segurou-o pelo colarinho — Você me prendeu, plagiou minha forma e tentou roubar o que era meu, mas isso não é o pior. Demônios roubam, eu sei. O pior, o que eu não posso relevar, é que você iludiu, enganou o meu mestre, usou da sua ingenuidade e do seu sentimento para machucá-lo. Você é um miserável, viveu todos esses milênios e não aprendeu nada.
_Miserável??? Miserável é você que renegou sua origem, deu as costas ao que você é. Acha que pode ter uma vida humana? Brincar de casinha com seu garotinho safado? Vou te dizer uma coisa: ele não te ama. Não desconfiou de mim nem um minuto, acreditou que eu fosse você até o momento que eu me revelei — Dimitri ria, os dentes manchados pelos sangue negro que começava a escorrer da boca — E sabe do que mais? Ele gostou de mim… precisava ver como gemia e se retorcia enquanto eu estocava nele — mentiu.
Sebastian puxou o punho para trás e desferiu um soco potente no rosto do outro, virando-o para o lado. Dimitri levou a mão ao rosto, o supercílio estava cortado e mais sangue escorria, agora sobre o olho que instantaneamente começou a inchar.
_Não acredito em nada do que você diz…
Eu queria gritar que era mentira, que eu havia estranhado sim e que, de modo algum eu havia gostado, mas ainda me sentia fraco, eu tremia e sentia muito frio, talvez fosse febre.
Dimitri continuou.
_Mas é a verdade! — insistiu na mentira — Pare de se enganar Sebastian! A única coisa que o move é a fome; é a única coisa que nos move. E você está faminto Sebastian, eu sei. Agora me diga: vai viver assim até quando? O que você vai fazer quando ele crescer? Quando ele envelhecer e seu corpo perder o vigor e a beleza da juventude? Ainda vai ficar ao seu lado? Duvido!!!!
Olhei para Sebastian, Dimitri era horrível mas tinha certa razão no que dizia. “O que seria do nosso futuro? Será que nós teríamos um futuro?” Meu coração estava apertado, encarei Sebastian, ansioso pela sua resposta. Todos no quarto encarávamos Sebastian.
_Hunf — sorriu de olhos fechados, depois os abriu — Não ouse duvidar do que você não sabe. Eu ficarei com meu jovem mestre até que ele não me queira mais — o sacudiu batendo as costas dele na parede.
Dimitri tossiu um pouco de sangue, limpou a boca com as costas da mão, a respiração estava pesada, encarou o outro demônio
_Posso não ter devorado a alma mas me diverti bastante com aquele corpo. Ele é apertado não é, Sebastian? Aperta a gente de um jeito gostoso. Eu o violei, sabia? — os olhos violetas encaravam sadicamente o outro, eu comecei a ficar roxo de vergonha por ele estar falando isso na frente de todo mundo, mas ele continuou — Estuprei seu mestre. Eu menti: ele desconfiou. Mas eu o prendi, forcei sua entrada. Sabia que ele chorou e gritou? — ele riu vendo a expressão de Sebastian — É chorou e gritou cada vez que eu entrava, era lindo vê-lo sofrer. Eu o deixei sangrando, Sebastian. Ele nunca mais vai ser o mesmo. Eu acabei com vocês, toda vez que estiverem juntos ele vai se lembrar de mim com a sua forma e do que eu fiz com ele.
Dimitri estava feliz em ver a expressão de sofrimento do Sebastian, eu estava encolhido na cama. Dimitri começou a gargalhar feliz, sangue saía em golfadas pela boca mas então a risada cessou abruptamente, os olhos se arregalaram e a boca se abriu muda, ele ainda encarava assustado Sebastian, baixou o olhar e viu a mão de Sebastian afundada no lado esquerdo do peito, o sangue começava a empapar a manga da camisa do mordomo.
_Você mentiu Dimitri!
Ele encarou Sebastian sem compreender.
_Todos temos coração — explicou e puxou para fora o órgão que ainda pulsava. Levantou-se.
Dimitri o encarou incrédulo, então a consciência o deixou e sua cabeça pendeu para o lado. Dimitri estava morto.
*****
Havia se passado quatro dias desde aquela noite horrível. Uma forte frente fria havia chegado à Londres e estava quase congelando tudo, o vento frio cortante soprava lá fora e uivava lá fora.
Eu estava sentado no chão do escritório, de frente à lareira acesa que era a única fonte de iluminação do ambiente, era de tarde mas devido ao tempo fechado, tudo estava escuro. Vestia calças curtas de lã fina xadrez miúdo em azul escuro e preto, camisa branca e casaco combinando com a calça; uma fita preta enlaçava meu pescoço e por cima de tudo um manto curto, até a altura da cintura, era de lã mais grossa e azul marinho com bordas de pêlo branco. Tinha acabado de comer fondue de chocolate e cumbuca ainda estava lá, com o fogareiro apagado, uma tigela de figos secos, morangos e uvas estava ao lado. Eu olhava hipnotizado pelas chamas na lareira, perdido nos meus pensamentos.
Os empregados já haviam retornado e depois das desculpas de Sebastian e algumas mentiras cabeludas, tudo havia voltado ao normal. Tudo, exceto nós dois. Sebastian exercia sua função de mordomo na casa mas eu não deixava ele me ajudar no banho nem me vestir. Estávamos nos distanciando embora eu gostasse de ter Sebastian de volta. Não conseguia ter a mesma naturalidade com ele, eu sabia que não havia sido ele a fazer aquilo comigo, mas alguma coisa me bloqueava todas as vezes que eu queria abraçá-lo ou beijá-lo e mesmo quando ele, no segundo dia, me abraçou e tentou me beijar eu fiquei tenso e paralizado, ele percebeu e desistiu de qualquer coisa. Talvez Dimitri estivesse certo…
Ouvi o barulho da porta abrindo e fechando, não ouvi passos então só podia ser Sebastian, nem olhei para o lado. As labaredas exerciam sua hipnose em mim.
_Jovem amo… — me chamou .
Olhei para o mordomo, ele estava ajoelhado ao meu lado, a cabeça baixa e a mão sobre o peito, em posição de serviência. Ergueu os olhos para mim.
_Peço perdão ao senhor — disse — falhei nas minha atribuições como mordomo e como demônio. Não consegui ficar ao seu lado nem protegê-lo daquele maldito. Eu tentei detê-lo… não sabia que era outro demônio nem que estava tão forte… — começou a explicar mais uma vez, ele já havia explicado tudo naquela noite mesmo, eu havia entendido, abanei a mão dispensando a explicação, voltei a olhar a lareira. Ele agora me encarava e, depois de um silêncio, continuou.
_Bocchan, se você quiser, podemos quebrar o contrato — olhei para ele surpreso — Eu falhei, vou entender se não me quiser mais. Não é comum isso, mas eu posso retirar a marca… — seu rosto se contorceu — Irei embora agora mesmo se for isso que quiser...
Seu tom de voz...sua expressão… “Estaria Sebastian sofrendo???”
Pisquei, ele me encarava ansioso pela resposta, desviei o olhar para as chamas e pensei por um momento, eu tinha que dizer alguma coisa.
_Sebastian — comecei a falar sem olhar para o mordomo — nós… nunca conversamos sobre o que aconteceu com a gente.
Olhei para ele e vi que franziu as sobrancelhas, tentando entender onde eu queria chegar.
_Nós fizemos sexo — senti que começava a corar, respirei fundo e continuei — E eu sei que uma coisa não está necessariamente ligada à outra mas… bem… Dimitri...ele falou que você não me amava e no fim… ele falou tudo aquilo… .Eu não sei o que pensar.
Sebastian suspirou pesaroso. Mudou a posição, sentando-se no chão ao meu lado.
_Isso não é verdade Bocchan! Nada do que ele disse é verdade.
Olhei para ele.
_Mas ele disse uma verdade. O que vai acontecer quando eu envelhecer?
Sebastian diminuiu a distância entre nós, acariciou meu rosto e eu recuei involuntariamente, ele recolheu a mão, magoado e eu me xinguei mentalmente por ter feito isso.
_Não se preocupe com isso. Para mim não faz diferença.
O encarei sentindo meu coração começar a pular no peito, ele deve ter percebido pois sorriu o que fez meu coração bater ainda mais.
_Jovem amo, eu aprendi muitas coisas nesta minha longa vida. Já fui um demônio livre mas depois de vários séculos, me cansei daquela vida. Eu queria algo mais, mas não sabia o quê, então decidi viver por contratos, não apenas pegar almas mas dar algo em troca — ele me encarava com aqueles olhos vermelhos e me vi capturados por eles — Mesmo assim, não encontrei o que procurava… É difícil encontrar algo que não se sabe o que é.
Sebastian fez uma pausa, como se tomasse fôlego, pensasse ou tomasse coragem — eu não sei.
_Então, há alguns anos atrás fui atraído por um chamado. E era tanta dor, desespero e ódio que não pude ignorar. Pensei que fosse um adulto pela força dos sentimentos mas quando vi, era você: um garoto, quase uma criança… Me surpreendi mas você estava firme na sua decisão, mesmo quando revelei que era um demônio, mesmo quando falei que o caminho seria de escuridão. Você deu as costas para a luz...eu não pude deixar de admirá-lo pela sua coragem ou tolice — nova pausa — Não vou mentir, o começo foi difícil, mas aprendi a ser um mordomo e você aprendeu a ser um mestre, aprendeu a se portar na sociedade como o patriarca dos Phantomhive.
Eu sabia o começo tinha sido difícil, mas não sabia que Sebastian me admirava.
_Há poucos anos, eu comecei a sentir algo dentro de mim, um sentimento diferente de tudo que eu já havia sentido. Queria estar com você, não só como protetor. Ansiava por apertá-lo nos meus braços, por sentir a maciez dos seus lábios tão rosados nos meus… Era algo totalmente diferente e novo para mim. Veja… eu já havia feito sexo antes… mas… com você — ele segurou minha mão trêmula, eu sentia meu rosto queimar e estava com dificuldade para respirar — Com você, bocchan, foi diferente… eu quis, eu desejei tanto isso e, quando finalmente eu o tive… Meu coração parecia que ia explodir, eu não queria o meu prazer, estava preocupado em fazer você sentir prazer. Quando eu percebi que tinha conseguido... Eu me senti completo… eu finalmente encontrei o que estive procurando por tantos séculos.
_Sei… o meu corpo…
Sebastian balançou a cabeça, negando.
_Não seu tolo. Eu estou tentando dizer que eu te amo bocchan. Não sabia que demônios conseguiam amar, mas eu te amo.
Seus olhos brilhavam, ele esperava que eu fizesse algo mas eu estava paralizado pela emoção da declaração. Sebastian aguardou e, quando o silêncio se estendeu, vi seus olhos se apagarem, ele abaixou a cabeça e soltou minha mão.
_Entendo. Peço, pelo menos, que eu possa continuar sendo o mordomo da casa. O senhor permite?
Fiquei em silêncio, queria tanto falar mas a voz não saía.
Sebastian então se virou de costas para mim e começou a se levantar.
_Sebastian — o segurei pelo braço — Fique comigo. Não saia do meu lado. Nunca!!! — as palavras saíram de sopetão.
Tirei meu tapa-olho e a marca brilhou enfatizando minha ordem. Ele voltou a virar-se para mim.
_Se esse é o seu desejo, seguirei os seus passos aonde for. Mesmo que seu trono se despedace, mesmo que sua resplandecente coroa perca o brilho e o poder. Mesmo que se formem pilhas e pilhas de corpos, eu estarei ao lado do pequeno rei até o momento do xeque-mate.
Sebastian repetiu as mesmas palavras que havia me dito anos antes. Pegou a minha mão que segurava seu braço e beijou meus dedos.
_Continuarei sendo o mordomo da mansão Phantomhive. Obrigado.
Parecia que meu coração ia sair pela boca. Como falar que eu também queria que ele fosse mais do que mordomo? Que eu queria retomar da onde havíamos parado? A voz não saía! Eu teria que mostrar…
Não me segurei mais e lancei em seus braços. Ele me abraçou, sendo lançado um pouco para trás e sentando no chão. Encostei meus lábios nos seus e o beijei.
Um beijo que eu quis tanto e não conseguia dar. Nossos lábios se encaixaram perfeitamente e se moveram em uníssono, deslizei minha língua na dele e o senti gemer, me apertando, ofeguei sentindo o prazer começar a nascer mesmo com um simples beijo. Mas era Sebastian ali, era o verdadeiro: o mesmo toque, o mesmo cheiro, o mesmo gosto. Ele me segurou pela nuca, acariciando a região e me fazendo arrepiar, o beijo se aprofundou, nossas línguas se enroscando e deslizando uma na outra fazendo barulhos molhados.
O puxei para trás fazendo-o deitar-se sobre mim, continuei beijando-o e comecei a desabotoar toda aquela roupa — fraque, colete e camisa — graças ao período sozinho, eu tinha adquirido a habilidade em desabotoar botões rapidamente, então eu abri sua roupa sem precisar olhar. Ele se afastou um pouco perguntando com o olhar se era isso mesmo que eu queria depois de todo o afastamento. Eu pisquei os dois olhos confirmando minha decisão. Eu queria que Sebastian apagasse toda a lembrança de Dimitri, que cobrisse qualquer marca dele em meu corpo com as suas. Eu sabia que ele seria gentil, como sempre havia sido.
Lentamente começou a desamarrar o laço do meu pescoço, a abriu minha camisa, me puxou para cima e tirou camisa e casaco juntos então ficou estático.
Eu sabia o que ele estava vendo, então eu só desviei os olhos sem querer encará-lo, fiquei envergonhado e tentei me cobrir com as mãos. Gentilmente ele as afastou, tocou com as pontas dos dedos os hematomas que cobriam meu tronco, pescoço e ombros, eles já estavam clareando mas ainda estavam meio esverdeados. Olhei para ele envergonhado pelo meu estado. Sebastian beijou meus lábios, só um selinho, depois meus olhos e então beijou suavemente cada um dos machucados que encontrou. Era delicioso ter o corpo todo beijado daquela forma, as carícias eram lentas mas cheias de sentimento, ele estava fazendo justamente o que eu queria, apagando os vestígios daquele demônio.
Tiramos nossas roupas juntas, cada um tirando uma peça do outro. Ele alternava os beijos entre minha boca e meu pescoço, me fazendo esquentar e tremer de desejo. Eu apertava seus ombros e suas costas, minhas pernas enlaçavam seu quadril e ele esfregava sua ereção na minha, numa fricção deliciosa. Não conseguia me controlar, eu não queria me controlar, gemia e me esfregava nele, lenta e intensamente. Sebastian lambeu dois dedos e massageou minha entrada, rebolei nos seus dedos e ele os inseriu em mim, continuei rebolando fazendo-os afundarem ainda mais em mim. Continuávamos nos beijando.
Enlacei seus ombros e impulsionei meu corpo para cima, ele tirou seus dedos de mim e me apoiou quando sentamos, eu por cima dele. Nos beijamos enquanto ele encaixava seu membro na minha entrada eu descia lentamente, sentindo ele me preencher.
_Aaaahhhhh hhhhmmmm — gememos juntos.
Sebastian apoiou as mãos nas minhas nádegas e começamos a nos mover lentamente e abraçados. Eu ofegava, maravilhado pela sensação de ter Sebastian dentro de mim, ele beijava meu pescoço e ombros.
_Bocchan… — sussurrou no meu ouvido me fazendo arrepiar.
Os movimentos lentos deram lugar a movimentos mais rápidos e bruscos. A respiração de Sebastian estava acelerada e eu sentia seu coração bater mais rápido, nossos corpos estavam grudados e meu membro estava prensado, roçando prazerosamente entre nossos abdomens.
Sabia que íamos chegar ao nosso limite logo. Sebastian apertou minhas nádegas mais forte e aumentou o ritmo, escondeu o rosto no meu pescoço e eu o abracei mais forte, uma mão segurando seus cabelos.
_Sebastian… — gemi rouco quando me derramei entre nossas barrigas, jogando a cabeça para trás no êxtase.
Sebastian continuou ainda um pouco mais e gozou gemendo.
Me larguei sobre seu corpo e ele me deitou no chão. Me encarou com seus olhos vermelhos.
Acariciei seus cabelos.
_Eu te amo Sebastian. Mais do que seria sensato.
Nos beijamos mais uma vez. Nada mais importava, estávamos juntos, eu o amava e o sentimento era recíproco, iríamos viver nossa história, um dia de cada vez e aproveitar o máximo que desse sentimento.
Eu e o meu demônio.
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