Notas iniciais
Oie pessoal. Olha eu aqui de novo. Eu sei que falei que ia terminar a fic, mas sei lá...acho que eu não consigo. Então segue novo arco. E fiquem calmas - chega do Ciel sofrer né? Já judiei bastante do coitado. Dessa vez ele vai ser bem feliz. Esse vai ser um arco curtinho, pelos meus cálculos uns dois capítulos, quase como um extra e eu espero que vocês gostem.

Já havia se passado quase três meses desde os últimos acontecimentos. Miraculosamente, a rainha tinha dado uma trégua nas missões, pelo jeito, o submundo estava mais calmo e a polícia oficial, a Scotland Yard cuidava dos crimes comuns como sempre.

Eu e Sebastian estávamos mais juntos do que nunca, por causa dessa calmaria, parecia que vivíamos uma lua de mel. Depois do que aconteceu, Sebastian andava mais grudado em mim do que antes, acho que temia alguma coisa caso se afastasse, não que eu achasse ruim isso ele estar tão perto. Depois de tudo, me cansei de ficar fingindo que não o amava e que tudo não passava de tesão. Ao longo desses meses, começamos a nos acostumar a dar demonstrações de carinho em público. Entenda público, os empregados da casa; ainda não tinha tido coragem de revelar a verdade para Lizzy e Sebastian não me pressionava a nada.

Quase todas as noites ele dormia comigo no meu quarto e só saía na manhã seguinte antes de eu acordar para preparar o café da manhã, eu dizia que podia aguardar alguns minutos, que ele podia acordar junto comigo mas ele insistia que isso era inadmissível para um mordomo e saía para preparar o desjejum me deixando na cama tentando me recuperar da maratona da noite anterior.

Os empregados da casa já estavam acostumados com essa mudança. Só tínhamos que ter cuidado com a Mei-rin que tinha mania de nos espionar e, bem, acabou vendo uma ou outra situação vergonhosa. Se antes, eu desconfiava, agora eu tinha certeza que não era o único que vivia esta situação — era só prestar atenção na troca de olhares entre Bard e Finny e as carícias castas que trocavam rapidamente quando achavam que ninguém estava olhando: um roçar de dedos no rosto, um toque nas mãos ou nos ombros. Era até bonitinho vê-los juntos.

Eu e Sebastian fazíamos a mesma coisa, mas Sebastian era um tarado e, freqüentemente eu tinha que fugir do escritório depois da temperatura esquentar demais com os nossos amassos. Isso sem falar das noites em que eu perdia a paciência e o expulsava da minha cama depois de explicar pela milésima vez que eu sou humano e, portanto, preciso dormir e descansar, pelo menos, um pouco. Nessas ocasiões ele dormia no sofá que eu tinha incluído no quarto, isso aconteceu depois de uma noite em que eu o havia expulsado do quarto e ele amanheceu sentado no chão do lado de fora; quando perguntei por que não havia ido para o seu quarto ele explicou que não queria se manter longe de mim, mesmo que fosse alguns metros. Resmunguei alguma coisa para disfarçar que meu coração estava derretido e o mandei encomendar o sofá na mesma tarde.

De certo modo essas minhas expulsões funcionavam mais ou menos, ele entendia que naquela noite não ia acontecer mais nada (isso porque já havia acontecido e ele queria mais) mas, esperava eu adormecer para deitar novamente ao meu lado, me abraçando por trás. Acho que ele acha que eu não percebo sua aproximação, mas eu estava atento à tudo, então ele apenas se encaixava em mim e eu ajeitava meu quadril no dele e dormíamos de conchinha o resto da noite.

Bem, mas o fato era esse: estávamos bem e vivíamos nos agarrando pelos cômodos — era muito bom. Porém, algo aconteceu que me deixou curioso: de um tempo para cá Sebastian tomou um gosto pela leitura que eu nunca vi igual. Ele sempre leu uma coisa ou outra, mas agora ele andava para cima e para baixo com um livro grosso de capa preta. Era só ter uma folga do serviço que pegava o livro, se sentava perto da janela do escritório ou numa poltrona e desligava do mundo.

_O que você está lendo? — perguntei um dia.

Ele ergueu os olhos da leitura e fechou o volume com os dedos dentro para não perder a página que estava lendo.

_Nada de demais.

_Qual o título? — perguntei virando um pouco a cabeça e tentando ver o que estava escrito na capa mas não tinha nada lá.

_Sabe que eu não sei?

“Como ele não sabe o título do livro se não o larga? Aí tem coisa!” — pensei.

Me fiz de manhoso e sentei no seu colo, ele tirou os braços do meio abrindo espaço sobre as pernas, enlacei seu pescoço e deitei a cabeça do ombro, estiquei os olhos tentando ler o livro, sem sucesso — ele mudou o livro de mão, passando-o para a mão que estava nas minhas costas.

“Tentativa manhosa fracassada” — pensei — “Hora da tentativa dois”.

Encostei o nariz no seu pescoço e respirei ali — como esperado ele arrepiou. Sorri e encostei os lábios no local, beijei e lambi a pele do pescoço. Sebastian jogou a cabeça para o outro lado, dando espaço para mais carícias. Segurei sua nuca com uma mão, acariciando e continuei atacando o seu pescoço. Nada muito rápido nem muito intenso mas comecei a sentir a pressão sob o meu traseiro. Sebastian estava com os olhos fechados, era hora de agir: lentamente me movi e levei minha mão para o livro, se eu conseguisse pegá-lo…

Estava quase quando ele percebeu minhas intenções e colocou o livro fora do meu alcance. “Maldito demônio de braços longos”.

_Bocchan. O senhor não vai ver esse livro. Não há nada para você ali.

_Tch — resmunguei.

“Perdi a luta mas não a batalha” coloquei minhas pernas no chão e me impulsionei para levantar.

_Aonde você vai? — perguntou me segurando pela cintura.

_Vou embora.

_Não vai não.

E me puxou para o sofá onde estávamos sentados, me jogou sobre as almofadas e subiu em mim já tomando minha boca na sua. Nos beijamos avidamente, e como era deliciosa a língua do Sebastian na minha, e suas mãos passeando pelo meu corpo, explorando o meu tórax até conseguir deslizar a mão sob minha roupa. Consegui livrar minha boca dos seu beijo por um segundo antes dele a tomar novamente.

_P-pára Se- Sebastian — gaguejei.

_Quer que eu pare mesmo? — perguntou entre um beijo e outro no meu pescoço. Eu apertava os seus ombros e passava as mãos pelas suas costas. Nossos quadris estavam encaixados e Sebastian segurava uma das minhas coxas, aumentando a abertura das minhas pernas e se esfregando ali.

_Aaaahhaa — gemi em resposta.

Ele sorriu e foi assim que eu perdi mais uma batalha.

No dia seguinte, iniciei uma caçada às escondidas, eu queria muito saber o que ele estava lendo, todas as perguntas que eu fazia ele desconversava ou me dava respostas ridículas e não me deixava ver o raio do livro por nada.

“Ele quer que eu acredite que é um livro de receitas, como ele disse??? Rá, até parece. Ninguém lê receitas com tanto interesse assim.”

Até que um dia em que o mandei até a cidade comprar nem lembro o quê, só para tirá-lo de casa por algumas horas. Ele foi relutante — não queria me deixar sozinho.

_Quer que eu ordene? — perguntei já com a mão sobre o tapa-olho.

Ele me olhou contrariado e saiu.

Esperei, olhando pela janela até que o perdesse de vista e então comecei a revirar a casa em busca do tal livro. Eu devia me envergonhar por fazer o que estava fazendo, remexendo tudo em busca de algo que, realmente, não era da minha conta mas, quem consegue segurar a curiosidade?

Procurei no quarto, no escritório, na cozinha, chamei todos para me ajudarem a procurá-lo. Estava difícil!

“Onde será que aquele demônio o enfiou?”

Pensei por um minuto e cheguei à conclusão que só podia estar no quarto dele. Me encaminhei para lá e tive que enxotar o raio da gata que dormia sobre a cama do meu mordomo ela não ficou feliz em ser incomodada.

_Xô, xô — falei para a gata que miava brava com o pêlo eriçado. Ela pulou da cama e saiu correndo pela porta.

Comecei a revirar tudo: criado-mudo, cômoda e guarda-roupa e nada. Olhei para a cama e tive uma ideia: puxei os lençóis e com muito esforço levantei um pouco o pesado colchão: lá estava o danado do livro. O peguei e o abracei, devia estar com uma cara meio macabra porque nesse instante Bard entrou no quarto para comunicar que não haviam encontrado. Ele parou na porta e se assustou comigo. Tentei disfarçar a vontade de rir do seu susto.

_Podem parar de procurar. Já achei! Não fale nada para o Sebastian e avise os outros para não falarem.

Saí do quarto apressadamente e fui para o escritório. Minhas mãos tremiam de excitação, finalmente ia ver o que aquele demônio tanto escondia de mim.

Abri a capa e comecei a folheá-lo, páginas e mais páginas de receitas culinárias.

“Não acredito que ele estava falando a verdade: eram receitas mesmo. Então por que esconder de mim? Não ia ser eu mesmo que ia comer?”

Folheei o livro e tive uma surpresa, depois de cerca de cinquenta páginas descobri que todas as outras estavam coladas, faziam um bloco único de modo que quem olhasse o livro fechado não notava nada de diferente, no meio desse bloco havia um nicho, um buraco onde se encontrava um outro volume menor.

“Ahá. Achei.”

Então era esse livro que Sebastian escondia, o outro, maior era só para enganar. Sentei na cama e olhei para os lados me certificando que não havia mais ninguém ali, então peguei o livrinho. Não era muito grosso e tinha a capa vermelha em couro com uma rosa em relevo. Abri a capa e a primeira página só tinha duas letras impressas, nada de título ou autor.

“Estranho”.

Passei essa página e se eu não estivesse sentado, com certeza cairia.

“Sebastian está lendo pornografia!!!”- pensei. Na segunda página havia uma gravura. Uma gravura de dois homens numa posição bem comprometedora. Reconheci na hora a posição embora eles estivessem bem enroscados, nós tínhamos feito ela há dois dias, o que me rendeu uma bela dor na coluna e risos do Sebastian que ficou falando que tínhamos que trabalhar a minha falta de elasticidade.

Comecei a virar as páginas, lendo um ou outro trecho. Estava chocado, nem sabia que existia esse tipo de literatura! Era um romance entre dois homens: um mais novo que pelo que eu entendi era empregado na casa do mais velho e seduziu o patrão. Eu folheava as páginas tentando absorver o teor da história: não teria tempo suficiente para ler o livro todo antes do Sebastian voltar. Li o trecho da primeira vez deles, o empregado realmente seduziu o patrão e era muito safado, fazia coisas que me deixava com o cabelo em pé e vermelho de tanta vergonha. Sua ousadia não tinha limites e tanto fez que conseguiu fazer o patrão romper o noivado quase às portas do altar, praticamente o raptou da igreja na frente de uma noiva chorosa e convidados escandalizados.

Até que o livro era interessante e eu me peguei lendo trechos maiores. Cheguei num trecho em que o mais novo surpreendia o mais velho, vestido de maid, com direito a vestido rodado e arquinho de babado na cabeça; mas o que ele fazia com o patrão não estava de modo algum na lista de afazeres dos empregados comuns. Era a página que ele havia pausado a leitura pois tinha um marcador ali. Folheei mais até terminar toda a cena quente dos dois e quando terminei de ler estava vermelho, ofegante e duro!

Então era isso que Sebastian estava fazendo, pelo jeito estava gostando bastante pois havia trechos sublinhados e eram trechos picantes, reconheci várias posições e situações que havíamos feito: o maldito demônio estava revivendo trechos do livro comigo!!!

“Pervertido!!!!”.

Fechei o livro e o coloquei de volta no mesmo lugar. Arrumei todo o quarto para que ele não percebesse que foi revirado e saí.

Logo depois ele voltou me trazendo o chá que eu havia pedido. Me beijou depois de verificar que estava tudo bem comigo e foi para a cozinha preparar o tal chá.

As cenas que eu havia lido não saíam da minha cabeça. “Onde será que ele encontrou esse livro? Com toda certeza não foi na minha biblioteca!”

Pelo jeito Sebastian gostava mesmo da leitura já que já estava grudado no livro de novo.

Tive então uma ideia: estávamos na metade de janeiro e em fevereiro, seria comemorado o dia dos namorados. Eu teria cerca de um mês para preparar tudo e teria que fazer sozinho.

“Mas onde vou conseguir o que eu preciso?”

“Aqui em Londres não pode ser. Sou razoavelmente bem conhecido e o que iam pensar se soubessem da minha encomenda? Podia contactar a Nina Hopkins mas achei melhor não, já chega quando ela fez aquele vestido rosa de baile que eu tive que usar” — pensei. Então me lembrei de uma revista que a Lizzy havia trazido na última visita, ela insistiu em me mostrar todos os modelos de vestido, mesmo eu dizendo que não estava interessado e só parou quando eu falei que ela podia encomendar um com a Nina. No final, a revista acabou sendo esquecida aqui. Eu só precisava precisava encontrá-la…

Sebastian a encontrou para mim e me entregou.

_O que o senhor quer com essa revista?

_Vou encomendar um vestido para a Lizzy — menti.

_Ela já não encomendou um?

_Vou encomendar outro, oras.

Ele fez que sim com a cabeça e saiu. Acho que ele ficou um pouco chateado, achando que eu ia dar mais um presente para a minha noiva. Até agora eu só o tinha presenteado no natal.

Abri a revista e procurei o anúncio, tinha certeza que havia visto um anúncio de um ateliê de moda em Paris, especializado em roupas feitas para surpreender era o que dizia. Peguei o endereço e número.

No dia seguinte, logo após do café da manhã comuniquei:

_Sebastian, prepare o transporte. Nós vamos sair.

_Pois não Bocchan.

Quando já estávamos na carruagem ele perguntou:

_Para onde Jovem amo?

_Ateliê da Nina.

Ele não ia suspeitar de nada pois achava que eu ia encomendar o vestido para a Lizzy.

Entrei sozinho no ateliê e peguei minhas medidas. Não sem antes acalmar a estilista que ficou ofendida achando que eu tinha trocado de profissional. Ela estava bem brava e depois de despejar várias imprecações e dizer que era a melhor estilista de toda a Inglaterra, que eu ia me arrepender das roupas, que elas ficaríam horríveis em mim, pois não é qualquer um que consegue fazer algo realmente bom para alguém tão pequeno como eu, consegui finalmente acalmá-la dizendo que jamais a trocaria e que eu adorava os modelos que ela fazia. Acabei tendo que encomendar a troca dos uniformes dos empregados da casa, os olhos dela brilharam mais quando perguntou se o uniforme da Mei-rin estava incluído na troca.

Fiquei uma hora no ateliê, Sebastian me esperava sentado no banco do condutor da carruagem com cara de poucos amigos, sorri para ele e pisquei os olhos e vi ele dar um sorrisinho.

_Para a casa? — perguntou sorrindo maliciosamente enquanto me ajudava a subir.

_Ainda não — tentei ignorar quando ele passou rapidamente a mão no meu traseiro — Temos que passar no posto de teléfragos.

Ele voltou para o assento e seguimos para o local. Chegando lá, agradeci pois era uma senhora que estava enviando as mensagens. Escrevi o pedido, passando todos os detalhes e medidas e ela enviou para o ateliê, depois de meia hora de espera ela me chamou:

_Senhor Phantomhive.

Me levantei da cadeira onde aguardava. Ela me entregou o papel com a resposta e me olhou curiosa, é claro que ela tinha lido o que eu havia escrito.

Abri o papel e li:

“Pedido número 138, recebido em 20 de janeiro. Envio da encomenda em 05 de fevereiro. Favor retirar na mesma agência da encomenda”.

Fechei o papel e o guardei no bolso. Estava feito, agora era só ter coragem de seguir com o plano.



Notas finais
Ah, essas leituras quentes....