Desejos libertos

25 A febre e a descoberta


Notas iniciais
AAAEEEE gente boa. Capítulo leve para contrabalancear o anterior. Espero que gostem.

POV Sebastian

Depois que deixei o Jovem amo no quarto, pensei que ele dormiria um pouco por causa do desgaste emocional de tudo o que foi contado para ele. O pior é que nem foi tudo, ainda tem uma grande parte que ele não sabe — a parte em que eu entro na história e todas as implicações disso.

Eu espero realmente que ele recupere a memória antes que resolva fazer as perguntas sobre a marca no olho. Porque uma coisa vai levar à outra e a verdade vai ter que ser revelada.

Se fosse qualquer outra pessoa que eu tivesse um contrato, não me importaria tanto, já teria dito tudo de uma vez só, ou mais provavelmente, eu iria pegar o meu pagamento do contrato sem cumprir a minha parte, me valendo do fato que a pessoa não ia se lembrar de nada.

Mas é impossível no caso do Jovem amo. Eu jamais iria fazer isso, não é nem uma possibilidade. Seria algo que eu faria há alguns anos atrás se fosse outra pessoa, mas não hoje, que eu estou apaixonado por esse condezinho.

Isso sem falar no risco que corro dele se arrepender de ter dado a alma em troca de vingança. Pode ser que ele ordene para eu sumir para sempre, me afastar e nunca mais o procurar. Se ele fizer isso, eu serei obrigado à obedecer e aí, adeus. Não terei mais o seu corpo, nem seus toques, nem seus beijos, nem sua voz, seu sorriso ou seus olhares. Só a ideia disso já me faz sofrer.

Pode ser que ele aceite o fato de eu ser um demônio, pode ser que ele aceite o contrato. Mas pode ser que ele não queira mais nada comigo… .Pode ser que a memória venha fragmentada, e a parte do nosso relacionamento não volte. Eu li isso num dos livros que eu tenho pesquisado desde que isso aconteceu com o Jovem amo.

Mesmo se isso acontecer, eu sei que continuarei ao seu lado. Como um fiel e dedicado mordomo e um eficiente demônio.

Não posso dizer que sou um demônio com quem ele fez um contrato. Não posso correr o risco dele me abandonar. Não posso revelar a verdade de modo algum.

Foi com esse pensamento na cabeça que eu subi as escadas. Quando voltei ao quarto, era quase hora do almoço, fui chamá-lo para que descesse até que a refeição ficasse pronta, talvez fosse dar um passeio no jardim, tomar um banho de sol ou alguma coisa assim. Acho que ficar trancado no quarto remoendo tudo que lhe foi dito não é bom. Mas assim que entrei no cômodo encontrei o Jovem amo muito vermelho e suando sobre a cama, estava adormecido e assim que eu pus a mão sobre a sua fronte percebi que estava queimando de febre.

Imediatamente mandei Finny buscar o médico que depois de uma hora veio vê-lo. O doutor Morrinson, depois de examinar detalhadamente, chegou à conclusão que a febre tinha fundo emocional.

Pinguei o remédio anti-térmico na sua boca e passei o tempo todo ao seu lado, fazendo compressas frias e dando banhos nele para que a febre baixasse. Na maior parte do tempo ele ficava naquele torpor da febre, nem dormindo nem desperto de todo. Por muitas vezes ele balbuciava palavras incompreensíveis, provavelmente algo relacionado às revelações, noutras ele ameaçava gritar e choramingar, então eu segurava sua mão e ele acabava se acalmando com minhas palavras.

Por fim, depois de dois dias parece que a febre finalmente cedeu e o Jovem amo acordou relativamente bem. Era por volta do meio dia quando abriu os olhos azuis, virou a cabeça para o lado onde eu estava sentado ao seu lado e sorriu fracamente. Respirei aliviado e consegui descansar um pouco antes dele pedir o almoço.

Tive um pouco de esperanças de que ele tivesse recuperado a memória, mas parece que isso não aconteceu. Porém, o mais importante é que ele parece bem até falou que ia sair da cama e descer e eu, lógico, não deixei. Embora sua saúde sempre tenha sido frágil, ele nunca tinha tido uma febre dessas, que durasse dias.

Diário de Ciel Phantomhive

Fiquei dois dias de cama com febre de fundo emocional. Ainda me sinto fraco e doente. Não aguento mais ficar nessa cama. Estou aproveitando esses minutos para escrever enquanto o Sebastian prepara o meu almoço. Ele ficou comigo todo esse tempo em que estive doente. É fofo, não é? Até dormiu no sofá que tenho aqui no quarto. Mas eu sei que é só porque ele é contratado para isso. Aliás, nem sei porque eu fico preocupado se ele faz isso porque é meu empregado ou se tem outro motivo. Também, que outro motivo teria, não é?

Fico me perguntando também, quem tem um sofá no quarto quando já se tem uma cama? Pelo jeito, só eu mesmo.

Parece que ele ficou muito preocupado mas eu já o tranquilizei. Está tudo bem.

Embora eu tenha chorado muito, e agora eu me envergonhe de ter chorado como um bebezinho; foi bom eu saber o que aconteceu comigo e com meus pais. Agora eu sei que tenho um inimigo e que eu preciso encontrá-lo. Vou vingar a morte deles e a desonra do nome da minha família. Agora eu tenho um objetivo na vida.

Ainda não sei como o Sebastian pode me ajudar, mas eu tenho uma impressão que se tem alguém nesse mundo que pode fazer isso, é ele.

Vou ficar aproveitando a cama fofinha o resto do dia, já que não tem jeito mesmo, o Sebastian não vai me deixar sair. Vou parar agora porque estou ouvindo ele abrir a porta. Ele vai me fazer tomar sopa, tenho certeza, mas me prometeu um bolo de sobremesa. Eba!!



Diário de Ciel Phantomhive

Já anoiteceu e eu resolvi voltar a escrever porque eu encontrei uma coisa. Uma coisa que eu não sei se devo ler. Vou contar como eu achei.

Sempre guardo este diário e o meu livro de histórias embaixo da cama. Primeiro porque eu não quero que o Sebastian veja o diário, vai que ele quer ler… e segundo porque ele não deixa que eu fique lendo até tarde, sempre diz que vai me dar insônia ou que eu vou ter pesadelos. Eu não acredito muito nisso, mas talvez ele tenha razão.

Passei o dia todo na cama, Sebastian não me deixou levantar dizendo que eu estava de convalescença.

Á noite, depois do banho, eu voltei para a cama — de novo — e o Sebastian se despediu de mim com um boa noite, mas eu fiquei três dias na cama, dois com febre e hoje, tudo o que eu não tinha era sono então resolvi que ia ler um pouco. Acendi só uma vela do candelabro e me abaixei para pegar o livro, acho que da última vez eu o tinha empurrado muito para trás, porque eu não consegui pegar de jeito nenhum e tive que me arrastar para debaixo da cama.

Consegui alcançar o livro mas vi que tinha um outro bem no canto, encostado na parede, prensado entre ela e cama. Me estiquei um pouco e o peguei.

Saí de debaixo da cama com os dois volumes, mas é claro que minha curiosidade estava toda no livro recém descoberto. Era um volume grande com uma capa preta sem letras, estava meio empoeirado, acho que caiu da cama e acabou perdido. É claro que eu não me lembro dele mas como foi encontrado debaixo da minha cama, só pode ser meu.

Me ajeitei no chão, encostando as costas contra a cama e dobrando os joelhos, então abri o livro. Achei que seria algum de lendas ou de histórias de suspense que eu tanto gosto mas não, era um livro de receitas.

Na hora eu pensei: “O que raios um livro de receitas faz no meu quarto? Isso deve ser do Bard ou do Sebastian. Como veio parar aqui?”.

Estranhei bastante, mas eu não estava com sono, nem tinha nada mais interessante para fazer então fiquei folheando as receitas, talvez eu pudesse achar alguma diferente, então pediria para o Sebastian fazer. Pelo jeito é ele que cozinha aqui mesmo.

Qual não foi minha surpresa quando, lá pelo meio do livro, eu descubro um buraco no meio das páginas e um outro livrinho ali?

Olhei para os lados, como se alguém pudessem me pegar no flagra de novo, mas dessa vez não estava roubando sobremesa, estava no meu quarto com a porta fechada, então não tinha como o Sebastian aparecer do nada. Provavelmente ele iria bater na porta antes de entrar, se bem que, acho que ele não tem feito isso ultimamente.

Resolvi pegar este diário de novo e escrever a minha descoberta, agora eu vou ler o que tem nesse livro. Ele não é muito grosso, tem uma capa de couro vermelha com uma rosa em relevo.

Vai ver são as receitas secretas do Sebastian.

Notas finais
Beijos beijos. Não se esqueçam de deixar as suas impressões. Até mais