Desejos libertos

45 A busca por informações


Notas iniciais
Oieee minna-san Gente, eu não morri u.u. Esta que vos fala não é um fantasminha da Black rose. É que aconteceu tanta coisa na minha vida... coisas péssimas, coisas boas, coisas ruins e coisas ótimas. E nesse emboléu de sentimentos eu fiquei meio " hein?? Quem eu sou? Onde estou? Será que estou em Alagoinha?" E sinceramente, não tinha condições de escrever algo que minimamente prestasse, mas fui lutando, lutando e trago hoje mais um capítulo. Pra quem não se lembra mais o que rolou no último (Eu sei... é culpa minha u.u): rolou o baile na mansão do Visconde, Ciel conheceu o Alois e o Claude (participação rápida e importante), o visconde deu em cima do Ciel, vestido de mulher. Todo mundo pirou no poderzinho do Dimitri e no final ele sequestrou o Ciel e o Alois. ~~ melhor resumo ever~~ Eu espero que vocês gostem, ele parece meio paradão mas é que não dá pra correr muito. Boa leitura e nos vemos lá no final.

cordei num sobressalto, a dor lancinante na cabeça fazia tudo girar, mesmo de olhos fechados e um enjôo terrível embrulhava meu estômago. Tentei abrir os olhos uma vez mas doeu tanto que desisti. Também, não sabia onde estava, então permaneci em silêncio, fingindo que estava desacordado ainda, tentando sondar o ambiente através da audição e do olfato.

Tudo era silêncio, mas parecia que balançava. Sentia um perfume suave, masculino, o que indicava que havia mais alguém comigo, movi um pouco as mãos e pernas, não estava amarrado, o que era algo bom. Principalmente em se falando do Dimitri, sabia muito bem do que ele era capaz e o fato de não estar imobilizado era uma vantagem para mim. Estava deitado no chão mas minha cabeça estava em algo macio e quente.

Senti dedos passando pelos meus cabelos, talvez fosse Sebastian o que me tranquilizou por um breve momento, porém logo a sensação leve sumiu e eu me alarmei, não deveria estar sentindo dedos no meu cabelo e com certeza aquele toque não era do Sebastian.

“Onde estava a minha peruca? Eu havia sido descoberto!”

Abri meus olhos e me levantei de rompante, alerta. Olhei ao meu redor e vi que estava deitado com a cabeça no colo de um rapaz, estreitei os olhos, focando na imagem loira à minha frente. A dor deixava minha visão turva e duplicada.

—Pensei que não fosse acordar mais — Alois comentou, estava sentado no chão, com as costas apoiadas na parede de metal. Não respondi e vistoriei o local, parecia um porão, mal iluminado e úmido. Tossi com a mão cobrindo a boca. Lá fora havia barulho de algo batendo com as paredes.

—Onde estamos? — perguntei, passando a mão na testa, minha cabeça doía tanto…

Alois ignorou minha pergunta e se mexeu, ficando quase de joelhos, sentado sobre os calcanhares. Olhou em volta.

—Não sei. Acordei aqui também. Acho que estamos num barco ou navio, mas acho que não estamos em movimento.

Minha cabeça latejava muito e eu respirava mal, chiando demais a cada vez que puxava o ar.

—Onde estão os outros? — perguntei meio zonzo, me ajeitando no chão frio.

—Não há outros. Estamos só nós dois aqui. Pelo menos eu não vi mais ninguém — Alois se escorou na parede e puxou os joelhos para o peito, abraçando as pernas.

—Se-Sebastian… — murmurei.

“Onde ele estava? Por que não havia me protegido e resgatado?” — pensei.

—Seu demônio? Ele deve estar morto — falou calmamente e eu o encarei, incrédulo. Sebastian não podia morrer, pensei.

Alois respirou fundo e deu de ombros, continuando a falar.

—Pelo menos é o que eu acho. Eu o vi tentando chegar até você e o amigo do visconde, mas uma multidão o agarrou, pulando por cima dele, o segurando pela roupa. Ele não tinha como conseguir se livrar a não ser que... bem, você sabe.

Bufei. Alois sabia muito mais do que eu imaginava e isso me deixava extremamente desconfortável.

—Ele não é um demônio. Da onde tirou isso? — disfarcei.

Alois deu uma risada baixa, totalmente descrente.

—Claude me disse. Ele também é — apoiou o queixo nos joelhos.

—E cadê ele? Aqueles loucos também o seguraram? — perguntei, olhando em volta, tudo estava na penumbra, mas a luz se infiltrava pelas frestas da porta dupla. Virei meu rosto para o loiro ao ver que ele demorava para me responder. Alois estava de cabeça baixa, olhando algo que não existia nos dedos, eu via que era apenas ele tentando disfarçar.

—Não. Ele apenas se negou a me ajudar — percebi a tristeza no tom de voz dele.

—Mas… e...e o contrato? Ele podia fazer isso? — resolvi falar claramente, afinal ele já sabia que o Sebastian era um demônio.

Alois deu de ombros, ainda olhando as unhas das mãos.

— Acredito que sim. Ele cumpriu a parte dele do contrato, e nem ao menos quis o pagamento.

— Deveria estar feliz. Você saiu no lucro — comentei. O pagamento dos demônios era apenas um: almas para saciar a fome implacável que os assolava.

Alois deu uma risada baixa e desanimada.

— Deveria sim. E por que não estou? — fez a pergunta retórica, respirou fundo e eu percebi que a voz estava chorosa — Minha alma não deve ser nem um pouco atraente. Ele apenas ficou me olhando ser arrastado, e quando gritei com ele, me disse que o contrato estava cumprido e que não devia nada para mim.

Baixei a cabeça, a dor não passava nunca e ouvir aquilo de algum modo me abalou. Alois era apaixonado pelo Claude, assim como eu pelo Sebastian, e ainda pior, porque pelo jeito nunca havia sido correspondido. Devia estar muito doente porque imediatamente fiz um paralelo comigo, e compaixão realmente não faz parte de mim.

“Será que Sebastian fez o mesmo comigo? Desistiu de mim? Ele havia saído do depósito tão rápido… E se ele tivesse sentido a presença de algo mais… interessante?” — pensei mordendo a parte de dentro da bochecha, franzindo o cenho. Minha falta de ar aumentou e eu arfei em busca de ar.

—Você é o conde, não é? Ciel Phantomhive? — a voz do Alois me tirou do meu devaneio, pisquei os olhos e sacudi de leve a cabeça, me amaldiçoando no primeiro segundo em que senti minha cabeça latejar ainda mais. Não respondi, nem precisava, ele sabia quem eu era, e depois de alguns minutos continuou:

—Agora entendo porque Claude me disse que o contrato estava cumprido. — falou e depois virou o rosto para o outro lado. Fiquei em silêncio por muitos minutos, tentando fazer o mundo não girar tanto e controlar o maldito enjôo que agia no meu estômago como se o estivesse esmurrando.

Me levantei por fim, Dimitri tinha muita certeza de que não poderíamos fugir ou não nos deixaria soltos assim.
—Tem outros? — perguntei forçando a porta — Alguém já apareceu?

—Sim e não. Ouvi vozes e alguns gritos enquanto você estava desacordado mas ninguém veio até aqui.

Tentei forçar a porta, mais por desencargo de consciência, óbvio que ela estava trancada. Bufei com raiva, amaldiçoando Sebastian por não ter me salvo. Pela segunda vez! Do mesmo demônio!! Escorei minhas costas na porta e escorreguei até o chão, flexionando as pernas e abraçando o joelho. Alois permanecia na mesma posição: costas apoiadas na parede de metal frio, cabeça pendendo para um lado, também apoiada na parede, absorto nos seus pensamentos.
Tinha que ter um jeito de sair daquele local, se realmente fosse um navio e este zarpasse, as minhas chances de fuga e sobrevivência seriam mínimas, até porque tinha certeza que a primeira coisa que Dimitri iria garantir seria terminar o serviço que ele não conseguiu da primeira vez que pôs aquelas mãos nojentas sobre mim.

—Sebastian…- murmurei. Nem sei porque fiz realmente isso, talvez fosse um chamado, talvez só fosse um pedido de alguém que se sentia sem forças, minha cabeça não havia parado de doer nem um segundo e quanto mais eu pensava mais ela latejava, meus pulmões ardiam e eu tinha certeza que era por causa do poder do Dimitri.

Percebi pelo canto do olho, Alois olhar indagativamente para mim e o encarei brevemente, percebi que ia falar algo mas nesse momento ouvi o barulho de passos no chão metálico do outro lado da porta.

O barulho da tranca raspando metal contra metal fez um arrepio nefasto percorrer minha coluna e então a porta se abriu, revelando o demônio alto, magro, cuja beleza dos cabelos violetas em nada ajudava a diminuir o perigo e a sensação de morte que o olhar gélido de Dimitri me encarava.

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POV SEBASTIAN

Olhava o homem loiro vestido de branco sentado à minha frente, estava amarrado pela cintura no espaldar da cadeira, assim como seus antebraços nos braços da mesma. Franzi o cenho, contendo a vontade de acabar com aquele miserável. Pensar que era por culpa dele que o bocchan havia sido sequestrado mais uma vez me fazia queimar de ódio.

—Melhor falar, visconde. Eu não tenho o dia todo — falei caminhando às costas do visconde.

Ele balançou a cabeça, como se quisesse sair do torpor em que se encontrava.

—O que? Quem? — balbuciou com a voz pastosa de um drogado.

Óbvio que com o distanciamento do Dimitri, os efeitos dos poderes dele agora iam se dissipando o que resultava num visconde de Druitt pior do que um usuário de ópio. A cabeça por vezes pendia para o peito e mal conseguia abrir os olhos.
Bati na mesa à frente do loiro, produzindo um barulho alto e o despertando um pouco do torpor.
— O conde Ciel Phantomhive. Para onde o Dimitri o levou? — falei bravo.

—Dimitri… onde está Dimitri? Aquele fanfarrão! Tão misterioso e envolvente… ele deveria estar aqui… Chame-o, sim? — falou completamente atordoado e eu bati mais uma vez na mesa.
—Não chamarei ninguém. Me diga onde o Dimitri pode ter ido. — falei perdendo a paciência. Segurei o visconde pelas rendas brancas que adornavam a gola da roupa dele e o puxei, causando um pequeno tranco por estar imobilizado na cadeira.
—Me fale logo! — falei baixo mas deixei transparecer um pouco da minha raiva nos olhos. O visconde arregalou os dele, baços e sem vida.

Não é preciso dizer que o modo como o estava tratando era completamente impróprio, mas estava me fiando na certeza que o visconde jamais iria lembrar com perfeição dos acontecimentos. O poder do Dimitri confundia muito a mente dos humanos, mexendo com os sentimentos e com a libido, de modo a libertarem as sensações que iriam ser consumidas pelo demônio violeta, como se fossem a entrada de uma refeição, apenas para abrir o apetite enquanto o prato principal: a alma dos contratos, eram consumidas ou mesmo roubadas. Eu duvidava que ele fosse aderir a contratos, tinha plena certeza de que ele apenas enlouquecia as pessoas e consumia suas alma.

—Ele… ele não me conta nada. A contratante dele deve saber — falou, amedrontado e tossiu, como que engulhando. Só então percebi que estava torcendo as rendas, sufocando o loiro o visconde que agora estava com o rosto vermelho.

Pouco me importava isso, mas precisava de respostas e agora finalmente ele havia começado a falar. O soltei.

—Contratante? Quem? Você sabe o que é ele?

O visconde teve um ataque de tosse forte, tentando se dobrar, quase vomitando sem conseguir ao menos colocar a mão na frente, pois as mesmas continuavam firmemente amarradas; acabou por cuspir uma pasta enegrecida. Olhei aquilo como se não fosse nada.
—Vamos! — apertei o ombro dele.

—Não sei quem é. Sei apenas que é uma mulher — respondeu o visconde, fazendo uma careta de dor com o meu aperto no ombro ou talvez fossem as dores e o mal-estar que devia estar tomando conta do corpo dele, o deteriorando. Eu podia sentir que ele estava queimando de febre mesmo que estivesse o tocando sobre as roupas.

Não era só a febre que eu sentia vindo dele, o cheiro da mentira se fazia presente. Apertei com mais força.

—Não minta!

Ele gemeu de dor novamente, tentando se encolher para se livrar do aperto mas eu pressionei mais meus dedos, sentindo a carne macia afundar.

—Eu não sei… não posso. Pare com isso… — gemeu mais, começando a chorar como um bebê.

Quem poderia ser essa mulher? Tão poderosa a ponto de deixar o visconde com tanto medo?

—É melhor falar, visconde. Veja, eu não tenho todo o dia, meu amo precisa de mim e você também não conseguirá suportar se usar toda a minha força — falei calmamente, eu ainda nem havia realmente começado.

—Você está louco? Vai me torturar? Esteja ciente que a rainha ficará sabendo e então será o seu fim. Sim, porque o conde já encontrou o fim dele a essa hora. Desista e fuja, é a sua última chance — falou, recobrando um pouco da consciência e uma coragem que eu ainda não havia visto em todos esses anos em que servi ao bocchan.

Dei um largo sorriso, adorava quando humanos se mostravam como realmente eram, embora não pudesse me divertir retirando toda a essência daquele ser, o que era uma pena. Mas tinha que tirar logo a informação de onde Dimitri havia levado o bocchan.

—Você ainda não percebeu que o jogo virou e que não está em condições de me ameaçar, senhor visconde? Irei mostrar que não se deve ameaçar o mordomo dos Phantomhive — Me inclinei sobre o loiro, me libertando gradualmente do meu disfarce de humano. O ambiente começou a ficar escuro pela névoa e as penas negras, aquelas que me lembravam do que eu havia sido um dia, caíam suavemente, quase num balé sombrio. Vi o visconde arregalar os olhos, vendo finalmente como eu realmente era. Sim, a rainha ficaria surpresa por saber minha verdadeira natureza, porém isso não era importante no momento e nem nunca mais, afinal, ele provavelmente não sobreviveria para espalhar a verdade para ninguém.

Vi o terror crescer nos olhos do visconde enquanto minhas unhas que, no momento, eram mais garras afiadas se afundavam cortando a carne contaminada do loiro. Ele gritou e tentou se debater, inutilmente, afinal ele estava amarrado.
—Melhor contar…. sinto a pulsação da sua artéria… alguns centímetros ..e…- falei isso calmamente, girando com uma lentidão exasperante a unha na carne, empurrando mais fundo.

Druitt gritou novamente o que me fez sorrir mais, expondo minhas presas pontiagudas.

—PARE! PARE AGORA...EU...EU CONTO...- gritou. Aliviei a pressão, retirando as garras pingando de sangue.

Não pude conter meu espanto conforme o visconde de Druitt cantava sua canção, derramando as informações que eu queria, isso com alguns incentivos que o faziam sangrar lentamente mas sem muita gravidade. Tenho que confessar que não imaginava realmente quem estava por trás disso tudo, mesmo assim, havia muitos espaços em branco que só seriam preenchidos quando finalmente pusesse minhas mãos no Dimitri e o fizesse se arrepender de tudo isso.

Minutos depois saí da sala ajeitando meu fraque, ele infelizmente estava um pouco sujo porém não havia tempo para me vestir adequadamente como o bocchan gostaria, esperava que ele entendesse que, diante das informações que o visconde de Druitt cantarolou para mim, não poderia perder nem ao menos um minuto.

—Conseguiu as informações? — o outro demônio olhou pra mim, parado como uma estátua ao lado da porta, com aquela expressão engessada no rosto. O olhei com desprezo.
—Obviamente que consegui — respondi ajeitando a luva esquerda na mão. Ele olhou pra dentro da sala, onde o visconde permanecia amarrado, com a cabeça caída para o peito.

—Você é desprezível! — comentou friamente.

—Como você não fosse. Ao contrário de você, eu não abandono meu amo — respondi sem dar muita importância ao julgamento que ele fazia de mim.

—Muito cuidadoso da sua parte — comentou — Eu me chamo Claude Faustus.

Ignorei a apresentação dele, poderia ter dito que não me importava nem um pouco com o nome que ele adotara, mas isso seria perda de tempo. E tempo era coisa que eu não tinha.

Caminhei para a porta de saída, aquela mansão estava o caos, muitos dos convidados ainda estavam desacordados, desmaiados ou dormindo pelo chão, outros ainda estavam no meio das alucinações eróticas mas o corpo não mais reagia depois de horas e mais horas de sexo, ficavam pelos cantos, com a expressão enlouquecida, olhos vidrados e sem vida, balbuciando obscenidades e gemendo, provavelmente com a mente ainda aprisionada nas ações da noite anterior, o corpo reagindo ao estímulo do cérebro super excitado.

—Irei com você — ouvi o demônio falar, andando rapidamente para igualar o passo ao meu. Parei e o encarei.

—Não vai mesmo — falei sério — Não tem por que você ir, vá cuidar da sua vida.

—Precisamente o que irei fazer. Também não me agrada a sua companhia mas tenho que ir junto pegar o que eu quero. — falou na arrogância demoníaca tão familiar.

—Que seria? — o encarei, me dando conta que eu realmente odiava o demônio.

—Minha recompensa… — ajeitou os óculos e saiu na frente, ganhando a parte externa da mansão. O segui, imaginando que seria o garoto loiro que estava com ele.

Caminhei para a rua, sendo seguido de perto pelo Claude. Claro que ele precisava de mim: eu era o único que sabia do paradeiro do bocchan e muito provavelmente do loiro dele. Entrei no primeiro beco e saltei para o telhado do prédio vizinho, sem me importar se ele iria me seguir ou não, mas é claro que, segundos depois, ele se juntou à mim e rumamos até o porto.

Notas finais
Genteeeee Eu sei que tenho milhões de comentários pra responder, vou responder todos direitinho, eu juro * beija os dedos*. O próximo capítulo ja está sendo escrito, rezo pra Nossa Senhora das Fujoshis Doidas pra que eu não tenha mais nenhum bloqueio criativo. Beijos, beijos