Desejos Mortais - Além do céu e do Inferno.
1 A chegada.
Notas iniciais
A chuva estava fraca, e o silêncio reinava. Nada podia para-lá.
A lua cheia estava á pino, suas roupas estavam encharcadas, e sangue escorria de suas mãos... Mas uma vida havia sido levada. Nos seus olhos, a furia reinava. Ela respirava com dificuldade, enquanto o enorme buraco em seu peito se fechava lentamente, ela não sentia dor, não sentia frio, fome e muito menos, piedade.
A menina há muito tempo não sabia o que era paz, sua vida era só matar. Ela já tinha 17 anos, 17 anos de maldade... Não que ela tivesse escolha sobre isso, mas ele á obrigava.A garota havia tentado acabar com sua vida, dia após dia, mas nada podia mata-lá.
Seus cabelos pretos e longos cobriam boa parte do seu rosto molhado, o sorriso demoníaco nos lábios, os olhos escuros, sombrios. Mas no fundo, a doce menina só queria morrer, e acabar com todo aquele sofrimento. Seus pés a levavam para lugares estranhos e assustadores, mais ela não podia fazer nada.
Luna andava descontrolada, a noite estava silênciosa, e fria. A garota estava em um beco, o cheiro de medo invadia seu corpo.
- Oi boneca! – disse um homem grande –
A menina sorriu para si mesmo. Morte.
- Olá... – sua voz era calma, mas a fúria a dominava – Caro senhor.
- O que uma bonequinha como você está fazendo aqui... Sozinha? – ele abriu um sorriso malicioso –
A garota lambeu os lábios, já podia sentir o gosto do sangue em sua boca.
- Nada senhor... Eu só estou perdida! – ela abaixou o olhar –
- Ah, então vem comigo gatinha... Eu vou te dar um presentinho.
- Mas senhor... Eu queria te dar um presentinho antes.
O homem riu.
- Claro, delicia! O que é?
Seu corpo queimou e seus olhos transbordavam maldade. Uma gargalhada sinistra saiu de sua boca, sua voz mudou. Ele estava falando.
A menina abaixou o homem com força, deixando ele á sua altura e sussurrou em seu ouvido.
- Vou te dar a sua morte! – era a voz do demônio –
O homem só teve tempo de gritar, pois a garota cravou seus dentes em seu pescoço, despedaçando o grandalhão em alguns minutos. Mais uma alma fora levada, ele já estava satisfeito por uma noite... 12 almas ao todo.
Luna voltou ao normal, já estava consciente, e agora sentia medo e frio, se deparou com a carcaça do homem e gritou, correu para longe, deixando a chuva, que agora estava forte, limpar todo aquele sangue do seu corpo. Para onde ela iria? Estava cansada, e com medo. Só queria dormir. A menina andava desolada, a cidade continuava silênciosa e escura, como se nada vivesse alí.
Seu corpo doía, e o ferimento em seu peito não estava totalmente curado, ela havia levado um tiro, mas como já disse nada, podia para-la.
°°°
Estevão chegou á Terra, estava em uma praia deserta, e a chuva já o molhava. O anjo não sentia nada, nem frio, nem fome, nem dor, e nem sentimentos, ele foi enviado para cumprir sua missão, e nada podia parar ele, iria mata-lá de qualquer forma... Pelo menos era isso que ele pensava.
Tudo estava quieto e escuro, seus cabelos pretos como a noite cobriam seus olhos azuis, e as palavras de Salbes estava em sua mente. “Mate-a, pois se não... Ela será capaz de destruir Céu e Terra.”
Ela estava perto e ele podia senti-lá, o cheiro da maldade estava no ar. Seria rápido, e fácil.
Luna já estava cansada de andar, seu corpo gritava a cada passo, seus olhos fechavam-se involuntariamente, aquilo era exaustivo. Sentiu alguém tocar-lhe seu braço e se assustou, virou com medo, mas não tinha ninguém ali.
- Olá. – disse uma voz calma –
Ela se virou novamente e deu de cara com um homem alto e forte, seu cabelo era escuro e cobria boa parte do seu rosto molhado, mas ela pode ver um par de olhos azuis, um azul hipnotizante... Como é bonito! – pensou. E então, em toda sua vida ela sentiu paz, poucos segundos de alegria, segundos que pareciam anos, mas logo voltou a realidade.
A menina deu dois passos para trás, e sentiu o cheiro da alma do garoto. Uma alma boa! – a menina refletiu– Não posso matá-lo, seria errado!
- Ei mocinha... Você está bem? – ele abriu um sorriso bonito – Suas roupas estão rasgadas, e você está sangrando! Precisa de ajuda?
Ele vai matá-lo! – foi à única coisa que conseguiu pensar.
- Eu... Eu não quero te machucar... Por favor, vá embora! – a garota começou a andar –
- Ei! Calma! — ele a alcançou num piscar de olhos, e parou a sua frente – Me machucar? – ele riu baixinho – Você não seria capaz... Seria? – sua voz ficou sombria –
- Eu... Eu não! Mas ele sim... E-ele ouve tudo, vê tudo! – a menina gaguejou -
- Quem garota? Quem vê tudo? – ele segurou levemente seu braço, e seu corpo esquentou -.
- O mestre... Ele vai matar você! – a menina dizia desesperada – Sua alma é boa... Você é bom! Vá embora!
O garoto tirou sua camisa de mangas compridas e a entregou.
- Você está gelada... Como é seu nome?
- E-eu... Não sei. – ela disse enfim –
Não se lembrava do seu nome, não se lembrava de praticamente nada... Aquilo era assustador... Como seus pais á chamavam mesmo? Faz tantos anos... Luna!
- M-meu nome é Luna! – ela disse mais para si mesmo, quebrando o grande silêncio da noite –.
- Luna... Coloca a blusa! – ele olhou para a menina –
- Não... Não vai adiantar! Eu preciso sair daqui! – a menina colocou a camisa do garoto em seus braços, e o tocou sem querer, o calor voltou, mas logo se afastou – Ele já deve ter ouvido... Vai vir te matar! Vá embora!
Estevão voltou à segura-la, agora com mais força.
- Sinto te dizer Luna... – ele estava com os olhos tristes, estava mesmo sentindo – Mas vou ter que te matar!
Fale com o autor