Desculpa, sou de Áries

12 Contando carneirinhos


Notas iniciais
Pois é, queridíssimos leitores... Chegamos ao final da história Vejo vocês nas notas finais o/

Talvez eu estivesse realmente enlouquecendo, mas nunca fui de me importar com a opinião dos outros.

Depois de um bom tempo planejando, corri para a casa de Sabrina o mais rápido que pude, causando o estranhamento de seus pais pelo fato de eu estar -muito- feliz. Tenho certeza que eles imaginavam que todo aquele clima de tristeza havia afetado meu cérebro.

Chegando ao quarto de Bina, abri a janela e as cortinas, deixando a luz tomar conta do local. Também pensei em colocar uma música animada, porém, creio que passaria dos limites e achei melhor evitar maiores conflitos.

A garota estava envolta por cobertores apesar do clima quente e eu apressei-me em sacudi-la para que ela pudesse dar atenção a mim.

—Bom dia, dorminhoca!

Ela não respondeu.

—Acorda logo! –Puxei suas cobertas e as joguei no chão. Mas tarde, alguém brigaria comigo por esse motivo, mas isso não é importante. –Hoje está um belo dia.

Ela tentou cobrir sua cabeça com os braços, entretanto, todos que me conhecem sabem que eu não desisto fácil.

—Tem certeza de que não quer sair daí? Você está perdendo o sol e o canto dos passarinhos.

—Foda-se aqueles passarinhos idiotas! –Finalmente se levantou. Viu? Eu consegui. –Qual é o seu problema? Não precisa fingir que está tudo bem. Eu só quero ficar sozinha e...

—Calma, deixe o discurso pra depois. Eu só vim pra lhe dar isso. –Joguei um pequeno cartão de visita em seu colo. –Eu preciso saber se você gostou para acertarmos, embora esse tenha sido o melhor que encontrei na região.

—O que tem de errado com você? Não precisamos de um advogado.

—É claro que precisamos. –Falei como se fosse a coisa mais boba e obvia do mundo. –Como vamos adotar uma criança desse jeito?

Sabrina me encarou por alguns segundos, completamente sem reação enquanto eu sorria, cheio de expectativas.

—Você está louco? Não podemos fazer isso. –Fitou o cartão e abriu um meio sorriso. –Mas obrigada pela tentativa de me animar.

—E por que não? Eu sou legalmente adulto e estou disposto a fazer uma adoção usando o meu nome. Só preciso do auxílio de um advogado, que vou procurar imediatamente.

—Mas, Lipe...

—Qual é o problema? Eu sei que o seu maior sonho é ter um filho e eu vou fazer o possível, o impossível e até mais do que isso para que ele se realize. Além disso, você não se lembra de como nós dois estávamos animados enquanto pensávamos no futuro dele? Não, senhora; eu não vou deixar que você me impeça. –Me aproximei de Bina, que estava pensativa e a encarei. –Psiu. Olhe diretamente nos meus olhos e diga que você não quer fazer isso.

A garota estava hesitante, porém, acabou sorrindo e era possível notar que logo, logo o quarto iria se inundar de lágrimas.

—Obrigada por quase ter me atropelado no dia do Enem.

♈♈♈

Após muito sufoco com papeis, documentos, procedimentos, permissões e blá blá blá, eu finalmente recebi o direito de adotar uma criança. Como precisávamos ter pelo menos dezesseis anos de diferença, era necessário que eu adotasse um bebê de dois anos.

Após algum tempo, recebi a notícia de que poderia visitar um pequeno garotinho que estava dentro do padrão exigido, para que eu pudesse decidir se o levaria para casa.

Sabrina me deu total apoio, feliz da vida, e disse que confiaria em minha intuição. Senti que iria morrer de ansiedade até chegar a hora de conhecê-lo e quando fiquei frente a frente com o menino, senti como se tudo fosse um grande sonho do qual eu pudesse acordar a qualquer momento. Mas não acordei.

—Me desculpe pela demora. –Disse a senhora que supervisionava nossa visita e que havia me apresentado àquele pequeno ser humano que parecia mais um anjinho gordo.

—O que aconteceu?

—Tivemos alguns problemas... –Ela estava embaraçada. Não queria falar a verdade por medo de que eu mudasse de ideia, mas insisti. Ela continuou. -Ele não parava de gritar e jogar brinquedos nas outras crianças. Sempre foi um encrenqueiro.

—Sabe de uma coisa? Já comecei a gostar desse garoto. –Peguei o menino que se chamava Erik no colo e me lembrei de quando carreguei Fernanda pela primeira vez, quando tinha apenas seis anos de idade. Ele tinha olhos escuros e cabelos lisos castanhos. Um tanto parecido comigo quando era bebê.

Não sei se vocês acreditam em amor a primeira vista, mas para mim, não há melhores palavras para descrever o que senti naquele momento.

Brinquei com o pequeno por um bom tempo e juro que não sei dizer quem se divertia mais: Eu, ele ou a mulher que assistia nossas palhaçadas. Eu fazia caretas, cócegas, jogava Erik para cima e ouvia suas gargalhadas.

Estava tudo muito lindo até que algo me fez parar imediatamente. Marcando meu ombro esquerdo inteiro, lá estava uma enorme e gosmenta mancha de vômito. Precisei me segurar muito para que meu estômago também não vacilasse e eu perdesse completamente o controle, o que seria um total desastre.

Contudo, parei de prestar atenção nesse detalhe nojento quando percebi que o Erikzinho estava dormindo encostado em meu outro ombro, que estava limpo. Ele dormia feito um anjo, como se nada tivesse acontecido, o que me fez sorrir involuntariamente.

—Ele gosta de você. –A senhora nos admirava com um olhar caridoso e gentil, como se pudesse adivinhar no que eu estava pensando.

—Descanse bem, filhão. –Falei. – Nós vamos para casa.

♈♈♈

Lembra do amor a primeira vista? Pois é, tenho motivos para acreditar que ele de fato existe. Sabrina e Erikzinho não se largavam nem por um minuto.

Ela começou a sacudi-lo enquanto fazia uma voz engraçada até que ele parou de rir e emitiu um barulhinho estranho com a boca. Por experiência própria, eu já sabia do que se tratava.

—É uma cilada, Bina! –Alertei, mas já era tarde demais.

—Que nojo! –Encarava o vômito que havia criado uma nova estampa nada bonita em sua blusa.

—Esse é o meu garoto! –Alegrou-se Edu que estava entrando na casa para dar as boas-vindas ao meu filho e foi correndo carrega-lo. –Oi, rapazinho. Eu sou o seu tio mais legal.

—Fique quieto, Edu. –Reclamou Isa, ao lado de Beto. –A criança não precisa das suas más influências. Aliás, eu trouxe esse guia de cores para a decoração do quarto dele para que nada fique fora do lugar.

—Eu também trouxe presente! –Beto foi até o meio do cômodo. –São algumas tintas para que ele possa se divertir com pintura, além de giz colorido e massinha de modelar. Eu adorava isso quando era criança.

—Já consigo imaginar a bagunça que isso irá causar... –Analisei. –Pode trazer mais.

—Mas, mudando de assunto. –Disse Edu. –O nome dele vai continuar sendo Erik?

—Sim, ele já se acostumou a ser chamado desse jeito. –Falei. –Mas eu gostaria de acrescentar algum nome do meio, como Norris.

—Nada disso. –Discordou Sabrina, com uma camiseta limpa. –Se vamos colocar um nome, deveria ser Wayne. Igual o Batman.

Bina e eu ficaríamos discutindo por horas se Isa não nos interrompesse. Ela tinha algo a mais para nos presentear.

—É o livro sobre o zodíaco que eu mostrei para vocês. Gostaria que ficassem com isso como uma lembrança dessa época.

—Obrigado, Isa. –Agradeci e admirei o objeto de capa roxa e detalhes em dourado. Ele ainda parecia novinho em folha.

—Do jeito que o Lipe é, esse livro vai ficar completamente amassado em dois dias, quando ele for jogado em alguém. –Riu Sabrina.

—Nem tenta estragar a minha imagem desse jeito. Além disso, você também é de Áries.

—E o Erik? –Perguntou Beto, curioso. –Qual é o signo dele?

Folheei algumas páginas até finalmente encontrar a data que condizia com a de seus documentos.

—Escorpião. –Engoli saliva. Por algum motivo, tive uma sensação estranha ao falar isso, como se houvesse me lembrado de alguém, mas eu não conseguia identificar. Felizmente, ela passou logo.

—Não entendo de signos, — Disse Edu tentando controlar Erik, que puxava seus cachos. –Mas esse garotinho vai ser uma figura e tanto.

Enquanto os dois se enfrentavam e quase saíam no tapa (Erik estava vencendo, é claro) continuei vasculhando as várias páginas do livro, até o instante em que encontrei algo que me chamou a atenção.

—Mas o que é isso? –Mostrei para Isa.

—Ah, eu não expliquei essa parte. É sobre planetas, ascendentes e outros detalhes dos signos, além do mapa astral.

—Bem, então vamos ver como o nosso Erikzinho se sai. Aposto que ele pertence ás melhores casas e... Espere aí.

—O que foi? –Perguntou ela enquanto todos estavam curiosos, menos Edu, que tentava se livrar dos tapas do menino Erik, que se divertia com o tio.

—Ele é escorpiano, de fato. Mas seu ascendente é... Áries.

Merda.

Notas finais
VOCÊS PENSAM QUE ACABOU? Amanhã tem surpresinha bjss