Desconhecido
2 Capítulo 2 - O estranho medalhão
Notas iniciais
Mário Silva Brito
Cheguei na escola, peguei os livros no armário e fui para a aula de matemática, olhei ao redor e não achei o Nick, parecia que ele tinha faltado de novo por causa de doença ou acidente. Semana passada ele estava com a mão queimada, três dias atrás foi parar no hospital por ter cortes profundos e hoje, qual será o problema?
Nem terminei de relembrar das faltas dele que a porta se abriu e o Nick entrou com o pé engessado e se apoiando em duas muletas:
- Bom dia professora! – Falou ele entregando um papel, todo bordado e enfeitado, a professora.
- Olá Nicholas, mais um acidente? – Ela abriu o papel e quando terminou de ler fez uma cara de espanto. – Um carro passou por cima de sua perna? Mas como você veio para a escola hoje?
- É que isso aconteceu sábado e hoje já é segunda, já tem quase três dias.
- Você e sua recuperação rápida das coisas. — Ela guardou o bilhete no bolso da camisa. – Mas tudo bem, vá se sentar.
Nick sentou na cadeira dele ao meu lado e tirou os livros da mochila, então aproveitei que a professora estava de costas e me curvei para falar com ele:
- O que aconteceu para o carro ter passado por cima de sua perna?
- Eu estava passando na rua, vi um gatinho e me ajoelhei para fazer carinho nele, só que o carro inventou de passar por ali na hora errada e só deu tempo de salvar o gatinho e boa parte do meu corpo, já que só quebrou uma perna. – Ele respondeu se curvando também.
- Ei, vocês dois, parem de conversar, estou tentando prestar atenção na aula. – Interrompeu a Pê que estava na cadeira ao meu lado.
Me endireitei na cadeira e o Nick fez o mesmo.
xxXxx
Terminou a primeira aula e fomos pegar nossos livros nos armários do corredor, meu armário ficava entre o da Pê e o do Nick porque eu tinha pedido para trocar de armário e eles também.
- Acho muito estranha essa sua capacidade de atrair desastres. – Falou a Pê enquanto abria seu armário.
- Não tenho nada a ver com isso. – Falou o Nick em sua defesa.
- Não venha me dizer que você está com um daqueles amuletos estranhos que você anda usando ultimamente. – Falei ao mesmo tempo em que puxava o cordão preto do seu pescoço. – Que desenho é esse? – Ele escondeu rapidamente o medalhão preto com detalhes dourados.
- Deixa de ser intrometido Oliver! – Falou batendo com força a porta do armário e saindo de perto.
- Estou começando a achar isso muito suspeito... – Falou a Pê quando o Nick foi embora.
- É apenas o Nick, um garoto desastrado que acha que qualquer porcaria que vendem para ele é um amuleto que vai protegê-lo desses acidentes que acontecem todos os dias com ele. – Falei fechando meu armário.
- Continuo achando muito suspeito.
- E eu acho que já vi aquele símbolo do medalhão dele em algum lugar, vou procurar saber mais sobre isso, mas só quando eu chegar em casa, se eu perder a aula de biologia, a professora me mata.
- Você não é nem um pouco exagerado não é, Oli Oli? – Ela fechou o armário e saiu rindo de mim.
- Já falei para não me chamar de Oli Oli! – Gritei correndo na sua direção.
xxXxx
Entramos no laboratório de biologia e logo avistei as meninas com nojo de alguma coisa dentro das vasilhas que estavam em cima das mesas, olhei ao redor e não vi o Nick, então puxei Pê para a nossa mesa.
Assim que sentamos, vimos o que dava tanto nojo nas garotas. Tinha um sapo em todas as vasilhas, eu vi como a Pê se encolheu de nojo e escondeu o rosto no seu casaco, enquanto eu não sabia o que fazer.
A professora estava fazendo anotações no quadro quando um garoto usando uma camisa preta entrou na sala sem bater e deu um papel para a professora. Ela leu, olhou ao redor e mandou-o sentar na cadeira vaga ao meu lado, ele se sentou e eu falei:
- Oi, qual seu nome?
Ele me ignorou completamente e olhou para o sapo com um olhar ausente, colocou as mãos em cima da mesa e eu vi que ele usava uma pulseira prateada com um crucifixo preso nela, mas não foi só isso, percebi que seu pulso também estava cortado, quando ele viu meu olhar tirou a mão da mesa e colocou no colo.
A professora parou de escrever e começou a explicar o que tínhamos que fazer, quando ela parou de explicar, se virou para o garoto novo e falou:
- Thomas Pierce, acho melhor você deixar o Oliver Mason e a Penelope McKurt fazer esta primeira atividade e você ficar só olhando...
Ele fez um movimento com a cabeça indicando que sim e eu percebi que tinha sobrado tudo para mim, naquele estado era capaz da Pê desmaiar só de ver o sapo. Peguei as ferramentas, abri em cima da mesa, tirei o marcador e marquei as primeiras linhas na sua pele. Comecei a cortar, mas claro que eu tinha colocado a luva antes, abri a primeira camada e vi que o tal do Thomas olhava para o sapo sem expressão nenhuma, enquanto a Pê continuava com a cara enfiada no casaco.
Eu já tinha aberto a sua pele toda quando a Pê tirou o rosto do casaco e olhou para o sapo deitado ali, ela tapou a boca e saiu correndo pela porta da sala sem nem mesmo pedir a professora.
- Desculpa professora, ela não está se sentindo bem. – Falei enquanto tirava as luvas e jogava no lixo ao lado da mesa do professor. – Posso ir ajudar ela?
- Pode ir Oliver, mas volte rápido. – Respondeu ela.
Passei pela porta andando calmamente, mas antes que eu pudesse sair totalmente, olhei de esguelha para o Thomas e vi que ele estava colocando as luvas e olhando para o sapo. Mas não dei atenção e fui em direção ao banheiro feminino.
xxXxx
Cheguei na porta do banheiro feminino e gritei:
- Pê você ta ai?
- Estou, não tem ninguém aqui dentro, pode entrar. – Ela respondeu com uma voz estranha como se ela estivesse chorando.
Eu entrei e olhei ao redor procurando por ela, olhei para o lado e ela estava sentada no chão entre duas paredes com a cabeça entre as pernas e escorrendo lágrimas dos seus olhos. Aquilo era muito estranho para ter sido causado por um sapo aberto, me sentei ao lado dela, coloquei a mão no seu ombro e perguntei:
- O que foi Pê?
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