Desconhecido

3 Capítulo 3 - Símbolos


Notas iniciais
"O pensamento é a grandeza do homem."
Pascal

- O que foi Pê?

- Eu vi...

- O que?

- Eu vi... Você...

- Eu?

- Eu vi... Você... Preso... Correntes... Lâminas... Sangue...

Mais lágrimas escorreram dos seus olhos enquanto ela falava soluçando alto.

- Como assim? – Falei acalmando ela.

- O símbolo... No seu corpo.

- Que símbolo?

- Vermelho... Sangue...

- Se acalma Pê, foi só um pesadelo, vamos voltar para a sala, a professora deve estar nos procurando.

Levantei-me e a puxei pela mão, mas ela não queria vir, deve ter sido muito ruim. Enxuguei suas lágrimas com o dedo e puxei-a de novo um pouco mais lento, só que desta vez ela veio.

- Vamos, foi só um pesadelo. – Falei enquanto puxava ela para perto de meu corpo e abracei-a.

xxXxx

Mal saímos do banheiro e o sinal do fim de aula tocou. Quando estávamos indo para a sala de aula pegar nossos materiais, as portas do ginásio se abriram e de lá saíram às três líderes de torcida, que sempre andavam juntas, Louise, Tiffany e Brittany.

- Olá Oliver. – Falou a Louise parando na minha frente.

- Oi Louise.

- Como vão os namoradinhos?

- Nós não somos namorados. – Olhei para o rosto da Pê e vi que tinha ficado vermelhinho de vergonha.

- Oliver, Oliver, Oliver... – Ela falou balançando a cabeça negativamente. – Você fez a garota chorar. Isso não é modo de tratar sua namoradinha.

- Já disse que ela não é minha namorada.

- Vou fingir que acredito. – As suas duas “sombras” deram risinhos falsos. – Mesmo assim, você não deveria fazer uma garota chorar.

- Não fui eu... – “Tecnicamente”, acrescentei em pensamento. – Agora precisamos ir...

Passei por ela e suas duas “sombras” e fui seguindo o meu caminho para a sala de biologia com a Pê ao meu lado deitada em meu ombro, apesar de não querer ver aqueles sapinhos abertos novamente, nós precisávamos de nossas coisas.

xxXxx

Chegamos à sala e vimos o tal de Thomas conversando com a professora, mas quando tentei me aproximar da fresta da porta sem ser visto, o Thomas falou com a professora:

- Professora, tem dois alunos na sua porta.

- Quais? – Perguntou a professora sem nem olhar para ele.

- Aqueles que estavam na mesma mesa que eu durante a aula da senhora, o garoto que estava cortando o sapo, um tal de Oliver alguma coisa e aquela garota Petúnia ou algo assim, aquela que saiu correndo da sala.

Como ele soube que agente estava na porta se não tirou os olhos da mesa da professora. Entrei na sala como se nada tivesse acontecido e fui até a minha mesa, nessa hora a Pê já tinha levantado a cabeça e estava começando a agir como se nada tivesse acontecido no banheiro, como se ela não tivesse chorado o que fez eu me lembrar de algo que ela me disse quando éramos pequenos ainda: “Quando algo de ruim acontecer, levante a cabeça e finja que nada aconteceu que ninguém vai pegar no seu pé.”

- Oi professora, só vim pegar as minhas coisas e a da Pê. – Falei indo para a minha mesa.

Enquanto arrumava minhas coisas e a Pê arrumava as delas, eu ouvi a conversa do Thomas e da professora.

- Então, obrigado por ter me ajudado com os sapos Thomas Pierce. — Só agora que eu percebi que os sapos tinham desaparecidos das mesas. – E melhoras para a sua irmãzinha, se você quiser, eu passo lá hoje para dar aquele remédio para ela.

Na mesma hora o Thomas olhou para o seu pulso cortado e saiu da sala sem falar nada. Pegamos nossa mochila e saímos da sala, mas quando chegamos à porta da sala, o diretor estava vindo e passou pela gente sem perceber nossa presença. Esperamos ele entrar e ficamos ouvindo a conversa do lado de fora da porta:

- A senhora queria falar comigo professora Chase?

- Pode me chamar de Celiny, diretor. Mas voltando ao assunto, quando os alunos estavam abrindo os sapos, um deles viu um símbolo dentro do sapo, um símbolo estranho e incomum que eu nunca tinha visto nem nenhum deles, então eu resolvi verificar os outros sapos e todos estavam com esse símbolo.

- Que estranho, será que eu poderia ver um desses sapos?

- Claro. – Eu ouvi o som da professora abrindo a gaveta e tirando algo de lá de dentro. – Aqui tem um, me deixa abrir para o senhor.

- Que estranho, vou levar isso para o laboratório de biologia especializado no estudo dos anfíbios, obrigado por me contar isso.

- O estranho é que o Nicholas Clark não veio para a minha aula e foi ele que conseguiu esses sapos de acordo com a professora do ensino médio.

De que símbolo eles estavam falando? Será que tinha algo haver com aquele símbolo do pesadelo da Pê? Se tivesse, seria muito estranho já que pelo que eu entendi, o símbolo do sonho da Pê tinha algo haver com sangue. E o que o Nick tinha haver com a história? Será que o símbolo que a professora viu era o mesmo do medalhão do Nick?

Virei-me para falar com a Pê e ela estava paralisada, o que estava acontecendo com ela? A íris do olho dela tinha ficado mais clara, a sua pupila havia dilatado e ela não parecia estar viva, então de repente ela voltou ao normal e me puxou junto com ela para longe dali, mais precisamente para o ginásio que por sinal estava vazio.

xxXxx

- Eu vi de novo, aquele símbolo. – A Pê falou, dessa vez ela estava mais controlada que no banheiro, mas lágrimas ainda saíam do olho dela.

- Você acha que é o mesmo símbolo que a professora estava falando com o diretor?

- Não, eu não acho, eu tenho certeza...

- Mas como pode ter uma relação nisso tudo?

- Como eu fiquei durante o tempo que eu estava sonhando?

- Seus olhos ficaram mais claros e sua pupila dilatou e eu só percebi isso antes de você voltar ao normal...

- Bem... Deixa eu falar isso antes que eu esqueça.

- Isso o que?

- O meu “sonho” entre aspas. – Ela me fez sentar na arquibancada e sentou ao meu lado. – Você estava acorrentado numa mesa de ferro e tinha um cinto de couro dourado ao redor da sua cintura. Um homem tinha duas facas na mão e ele estava indo em sua direção quando uma voz falou “Faça agora mesmo, faça o símbolo nele, com essas facas”. Então esse homem começou a cortar seu corpo na forma de um símbolo, mas você não gritava de dor e sim chorava como se conhecesse aquele cara e tivessem obrigado ele a fazer aquilo, mas não era só isso... – Ela não conseguiu terminar de falar o sonho.

As portas do ginásio se abriram e de lá entrou o Nick correndo, parecia que ele estava procurando algo porque ele olhava de um lado pro outro e quando ele viu agente tomou um susto, deu meia volta e saiu do ginásio. Eu pensei em seguir ele, mas chega por hoje de suspense.

- Vamos Pê, daqui a pouco começa a próxima aula. – Falei e logo depois o sinal tocou. – Viu que eu disse.

Fomos aos nossos armários, pegamos as nossas coisas e fomos para a última aula, passei a aula toda pensando no sonho da Pê e no Nick entrando no ginásio, por sinal, o Nick não tinha aparecido nessa aula também. Então o sinal de termino da aula tocou e todos foram embora, menos a Pê que era a minha vizinha e voltava no mesmo ônibus que eu, que sempre era o último a passar. Entramos no ônibus e a Pê encostou sua cabeça no meu ombro, acho que para esquecer tudo que aconteceu hoje na escola, e dormiu.