Desconhecido
4 Capítulo 4 - Destruição
Notas iniciais
Anônimo
(http://www.angolaxyami.com/frases/frases-do-amor-e-da-vida-frases-sobre-saudades-amor-e-nostalgia-109)
Assim que o ônibus chegou no ponto em que eu ia descer, acordei a Pê e descemos juntos como sempre. Fomos até a porta de casa e quando eu coloquei a chave na fechadura percebi que ela estava aberta, eu tinha me esquecido de trancar a porta. Entramos na casa e estava tudo no chão, como se um furacão tivesse entrado ali e resolvido brincar de pega-pega com seus filhinhos furacões, a televisão estava jogada no chão, o sofá todo furado e rasgado, a mesa de centro estava virada, vasos quebrados, tudo estava de cabeça para baixo.
- O que aconteceu aqui? – Perguntou a Pê espantada.
- Você acha que eu sei? – Respondi indo até a televisão.
A Pê foi até a cozinha e voltou segundos depois gritando feito louca que estava tudo destruído, até o banheiro, mas parecia que nada havia sido roubado.
- Então por quê? – Perguntei a mim mesmo. – Será que tem haver com os sonhos e aqueles símbolos? – Me lembrei do caderno na minha mochila e resolvi ler a única página escrita nele, mas sem que a Pê me visse ou ela ia dar uma de minha mãe. – Pê será que dava para você ligar para o Thony? Preciso ver um troço lá no meu quarto, o número da faculdade está na porta da geladeira.
- Tudo bem, mas para de me chamar de Pê, eu ouço as garotas dizendo que é um apelido muito masculino e bla bla bla.
- Tudo bem, Nell fica mais fofo e não é tão masculino. – Ela não sabia que eu tinha a chamado de Pê só porque ela me chamava de Oli Oli.
Subi correndo as escadas e quase tropecei no último degrau, antes de tirar o livro da mochila, escutei a Nell (como ela preferia que eu chamasse a partir de agora) falando:
- Olá, Anthony Mason está?
Voltei minha atenção para o livro e abri na primeira página sem numeração, a única página que havia algo escrito, e comecei a ler:
“DREAMS
SE VOCÊ ESTÁ LENDO ISSO É PORQUE POSSUI GRANDES PODERES OCULTOS E POR ISSO ESTE LIVRO NÃO O MATOU COMO TODOS OS OUTROS, ESPERO QUE O USE COM INTELIGÊNCIA.
QUEM POSSUI ESSE LIVRO TEM TODO O CONTROLE SOBRE OS SONHOS E DEPENDENDO DO PODER DESSA PESSOA, UM SONHO PODE SE TORNAR REALIDADE E A REALIDADE SE TORNAR UM SONHO...”
Não consegui terminar de ler essa página do livro, pois ouvi passos subindo a escada, rapidamente guardei-o dentro da mochila e comecei a fingir que procurava alguma coisa no meu guarda-roupa.
- Seu irmão falou que já está vindo. Já achou o que estava procurando?
- Ainda não... Espera...
Tinha acabado de levantar um conjunto de roupas espalhadas no guarda-roupa e achei uma foto de meus pais; minha mãe do lado direito, seus cabelos loiros e lisos brilhando a luz do sol, seu sorriso fazendo com que todos os seus dentes brancos ficassem amostra e seus olhos azuis piscina; meu pai do lado esquerdo, seus cabelos negros e lisos brilhando por causa do exagero de gel nele e seus olhos verdes claro, quase transparentes; e entre os dois, um garoto pequeno de uns 8 anos segurando a mão de ambos, seus cabelos loiros de raiz negra, brilhante igual ao da mãe e liso igual ao do pai, seus olhos que mudavam de azul para verde estava de ambas as cores naquele momento. Exatamente, eu era o garoto do meio e até hoje meu cabelo era igual ao daquela época e meus olhos também, uma época em que tudo era perfeito e que meus pais ainda estavam vivos. Uma lágrima escorreu dos meus olhos e eu limpei com as costas da mão, então aproveitando a deixa, me virei para a Nell e falei:
- Achei.
Ouvi a porta ranger lá embaixo, peguei meu taco de baseball e desci as escadas correndo, pulando de dois em dois degraus, até que no final eu escorreguei e caí de bunda no chão, olhei para a porta e vi meu irmão entrando. Ele tinha os cabelos loiros iguais ao da minha mãe e os olhos verdes de meu pai, largou sua pasta ao lado da porta e olhou para mim assustado:
- O que aconteceu aqui?
- Quando eu cheguei a casa já estava assim.
- Mas como eles entraram aqui?
- Pela porta, quando eu saí na pressa eu deixei aberta sem querer e quando eu cheguei, ela estava assim.
- Mas o que levaram?
- Nada, esse é o problema, não levaram nada.
- Como assim não levaram nada? Eles não entrariam aqui só para brincar de destruir casas, ou entrariam?
- Eu também não entendi isso.
A Nell desceu as escadas com a foto na mão e perguntou para mim:
- Porque seu irmão não está na foto?
- Porque foi ele que tirou a foto. – Respondi enquanto largava o taco de baseball no chão e me levantava.
- Aqui são os seus pais?
- Sim são nossos pais, mas vamos deixar isso para depois. – Respondeu meu irmão com pressa percebendo que se continuasse a falar daquilo eu iria chorar. – O que mais está destruído?
- A casa toda... Sem exceções. – Respondeu Nell antes de mim.
- Bem, Penélope, será que nós podemos ficar em sua casa enquanto isso?
- Claro.
- Me deixe ligar para a polícia que eu já estou indo. Maninho, pega suas roupas, se tiver alguma sobrando, põe na sua mala e trás aqui para baixo.
- Nenhuma roupa do meu guarda-roupa foi rasgada. – Respondi enquanto subia as escadas.
Entrei no meu quarto, abri as portas do guarda-roupa, comecei a recolher as camisas e ir colocando na mala que eu tirei de baixo da cama, então a Nell entrou no quarto e quando eu virei para começar a pegar as calças e bermudas ela colocou a foto dentro da mala e desceu de novo. Tirei a foto e guardei no meu bolso, terminei de arrumar a mala com todas as minhas roupas, aproveitei e arrumei a mala do Thony também e desci para ir para a casa da Nell. Chegando lá embaixo, eu vi o Thony e a Nell conversando com um policial, cheguei perto deles e falei:
- Tchau mano, vamos Nell. Thony, já fiz sua mala e estou levando ela comigo, suas roupas também não foram destruídas e se tiver mais alguma coisa que você queira levar, veja lá no seu quarto.
Saímos e deixamos o meu irmão lá com aquele policial, a casa da Nell era do lado da minha e assim que entramos na casa dela fomos logo para o seu quarto deixar a mala lá e conversarmos sobre o ocorrido, apesar de eu não estar a fim de conversar. Sempre que eu via as fotos de quando eu era feliz, esqueço de tudo ao meu redor e só consigo pensar naquilo.
A Nell estava levando a mala do Thony para o quarto de visitas, mas quando eu fui levar minha mala também, ela me barrou e simplesmente falou:
- Você dorme aqui comigo!
Eu não estava muito a fim de discutir, larguei a mala no chão e me sentei na ponta da cama, tirei a foto do meu bolso e olhei para ela me lembrando daquela época, de quando eu corria pela casa atrás de minha mãe, de quando meu pai fingia que era um monstro e me perseguia sem falar nada, porque de acordo com ele: “Os piores monstros são os silenciosos e furtivos.”
Uma lágrima escorreu dos meus olhos, desceu pelo meu rosto e pingou sobre a foto, no meio da foto, acima de mim...
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