Descobrindo o Amor (em revisão)
16 Capítulo 16 - Dias atrás.
Notas iniciais
— Como ela está? – Escutei uma conversa, queria abrir os olhos, mas estava muito cansada pra o fazer.
— O médico diz que está estável. – Minha mãe, reconheci sua voz.
— Ela vai acordar logo tia. – Era Débora. Tudo ficou em silêncio, até que uma delas falou. – Ele veio hoje?
— Sim, ele vem todos os dias, estava aqui agora a pouco, mas eu consegui convencê-lo a ir pra casa... É verdade que ele recusou uma proposta de emprego?
— Sim, ele teria que ir embora pra outro estado, e não aceitou para ficar com ela. — Tudo que elas falavam me parecia muito confuso. — ...Você precisa ir descansar, eu posso ficar com ela e...
— O que foi?
— Ela... – Eu queria falar, mas tinha tubos que me impediam. – Helena!
As duas vieram em minha direção, emocionadas, enquanto eu as encarava sem ter real certeza do que estava acontecendo. O médico teve que fazer alguns exames para saber como estava o meu estado, ao que me disseram eu passei uma semana desacordada.
No dia seguinte eu já estava sem os aparelhos, mas ainda com dificuldade para falar. Abri os olhos meio sonolenta e vi alguém de costa olhando pela janela.
— Você acordou. – Ele veio em minha direção, com um sorriso no rosto. Fiquei o encarando sem dizer uma única palavra. E nem precisei, ele começou a falar sem parar. – Quando sua mãe me ligou pra dizer o que tinha acontecido, eu fiquei sem acreditar, mas quando vi com meus olhos, eu... graças a Deus você está de volta Helena. – Me retrai quando ele tocou meu rosto. – O que foi, dói? – Fiz que não.
— Eu... – Tentei falar, mas parei quando percebi minha voz rouca. Ele segurou minha mão, mas eu não retribuo o aperto, o que o fez me olhar com o cenho franzido.
— Está tudo bem, mesmo?
— Onde... está minha mãe? – Forcei a voz, que saiu bem estranha.
— Ela foi comer algo, já deve estar voltando. – Fiz que sim, me encolhendo um pouco quando ele tentou se aproximar novamente. Ele me olhou um pouco estranho, mas se afastou.
Depois de alguns segundos, ela entrou no quarto. Os dois se afastaram um pouco para conversar, eu os observava sem entender nada, depois minha mãe veio ao meu encontro.
— Filha, como está se sentindo? – Se aproximou se sentando ao meu lado.
— Acho que bem. – Pedi para ela se aproximar. – Mãe?
— Sim?
— Quem é aquele rapaz? – Apontei com os olhos, para onde ele estava, próximo a janela. Ela me olhou com o mesmo olhar que ele me dera antes.
— Você não o reconhece? – Fiz que não. Percebi eles se encarando. – Helena, esse é o Marcos, realmente não se lembra?
— Não, me desculpa. – Comecei a ficar nervosa, quem era ele e porque estava me olhando com dor no olhar?
— Tudo bem, fica calma tá. Você passou por algo traumático, eu volto depois. – Depositou um beijo na minha testa, me deixando atômica o olhando sair.
Depois que ele foi embora, minha mãe chamou o médico para ajudar a entender, porque eu não lembrava do tal Marcos e se tinha algo que eu também não lembrava. Ao que tudo parecia ele era o único que eu não lembrava, ele me disse que era temporário.
Escutei batidas na porta e depois uma Débora sorridente entrando na sala, se aproximando em seguida, me acomodei melhor na cama.
— Não sabe como estou feliz em te ver assim.
— Acamada? – Tentei brincar, mas ela me olhou sério.
— Acordada. – Se sentou ao meu lado. – E nem brinca com isso, ficamos muito assustados Helena, sério eu...- Ela fez uma cara muito fofa, lhe puxei para um abraço.
— Eu sei, desculpa. – Ela fez que sim. – Como estão as coisas?
— Tudo bem. – Continuei a encarando esperando que ela continuasse. – Ele está bem, sei que é isso que quer saber, teve algumas lesões, mas já está em casa. – Respirei aliviada. – Helena?
— Hum?
— Você realmente não lembra do Marcos, tipo nada mesmo? – A encarei por um tempo, eu não tinha pensado muito sobre, até porque eu realmente não lembrava dele.
— Não. – Pensei um pouco. – Eu não entendo, ele continua vindo aqui, mesmo que eu não lembre, eu... porque Débora, quem é ele?
— Bom – Ela pensou um pouco. — Vocês se conheceram e rapidamente ficaram amigos, tipo passavam bastante tempos juntos, lembro que você me dizia o quanto ele era atencioso e que achava que estava começando a sentir algo a mais.
— Estava? – Tentei forçar, mas não conseguia lembrar de nada. – O que mais?
— Vocês estavam saindo juntos. – Ela me encarou com o olhar meio triste. – Helena, sinto muito que não lembre, você estava tão feliz, a tempos não te via assim. – Se ele era tão importante, porque eu esqueci de tudo.
— Eu... – Alguém bateu na porta. – Pode entrar. – Ele ficou parado na porta entre aberta, como se pedisse permissão para entrar.
— Eu vou indo, volto depois tá. – Débora se despediu, dando uma última olhada antes de sair, lhe dei um meio sorriso, como quem diz que está tudo bem.
— Posso entrar? – Fiz que sim. Ele se aproximou lentamente me avaliando. – Como você está?
— Estou bem, você?
— Helena, me perdoa eu... – Ele suspirou pesadamente. – Eu sou um idiota, não te dei o valor que merecia e tudo que aconteceu, por conta do meu egoísmo. – O encarei sem dizer nada. – Se algo de grave tivesse lhe acontecido eu nunca iria me perdoar, eu...
— André. – Ele me encarou. – Nós estamos bem, não foi sua culpa.
— Se eu não tivesse te chamado... – O interrompi novamente, ele estava muito afobado.
— A gente não pode mudar o que aconteceu, mas eu não quero ficar pressa ao passado. – Estendi a mão para que ele se aproximasse. – Eu devia ter sido sincera com você. – Me olhou sem entender. – A gente estava enrolando nosso namoro a muito tempo, se tivéssemos conversado sobre, talvez não tivéssemos chegado a esse ponto.
— Eu sinto muito que tenha sido assim, eu gosto muito de você Helena, da gente. – Acariciou minha mão com o polegar, olhando nos meus olhos ele negou devagar. – Mas não existe mais um, a gente, não é?
— André... – Meus olhos se encheram de lágrimas, aquilo era uma despedida e por mais que eu já tivesse superado o término, ele foi alguém importante na minha vida, não se esquecia assim.
— Eu estou indo embora. – Soltou de repente. – Meus pais querem se mudar, outro estado.
— Então você veio...
— Pra me despedir, me desculpar por tudo e dizer que o que ouve entre a gente também foi importante pra mim. – Não consegui dizer nada, então só fiz que sim. – Adeus Helena. – Depositando um beijo na minha testa ele saiu.
Na manhã seguinte quando acordei, Marcos estava lá novamente.
— Sua mãe teve que ir trabalhar, e eu me ofereci para ficar, mas não vou te forçar a lembra nada tá. – Fiz que sim. – Eu vou só ficar aqui. – Se sentou na poltrona, mexendo no celular.
— Marcos?
— Sim?
— Pode me trazer um pouco de água, por favor. – Ele fez que sim e rapidamente me trouxe água, o encarei melhor tentando lembrar de algo, mas nada. – Obrigada. Marcos?
— Sim?
— Me desculpa por não lembrar.
Os dias se passaram e o Marcos estava sendo tão legal, mesmo eu não o reconhecendo, que eu estava ficando irritada, não com ele, mas comigo.
— O que foi?
— Por que está sendo tão legal comigo? – Ele me encarou com um meio sorriso.
— Porque é isso que os amigos fazem. – Lhe encarei por um tempo, não parecia que éramos só amigos.
— Você está mentindo.
— O que disse? – Me olhou com o cenho franzido.
Me levantei da cama devagar, eu precisava descobrir por que eu não lembrava dele.
— O que está fazendo? – Se apressou em segurar meus braços quando desequilibrei. – Vou te ajudar a voltar.
— Não! – Ele me olhou confuso, mas eu precisava descobrir. – Eu vejo o jeito que você me olha Marcos, eu posso não lembrar, mas eu sinto que tem algo a mais entre a gente... – Me aproximei devagar. – Só... me deixa tentar lembrar, tá.
— Helena... – Antes que ele pudesse dizer algo, eu o beijei, no início ele ficou sem reação, mas depois retribuiu o beijo, se afastando em seguida, seu olhar com expectativas. Eu ia dizer algo, mas as palavras se perderam no caminho quando várias lembranças me vinham a mente me deixando tonta. – Helena! – Mas sua voz parecia bem distante.
“- Foi mal por me esbarrar em você, é que eu estava um pouco apressada e...
— Eu percebi. — Sorriu de lado apontando pra minha mochila. — Sua mochila ainda está aberta.
— Há certo, obrigada. — Fechei a mochila.
— Eu vou indo então... — Falei a última frase dando a entender que eu não sabia seu nome.
— Marcos, e você é a...?
— Helena, prazer Marcos...”
As imagens passavam muito rápido na minha mente, me deixando um pouco confusa.
... “- Me desculpa. Eu não quis te usar, eu só...
— Achou que eu era mais um babaca, que fica aos seus pés.”
— Helena, está me ouvindo? — Ele me chamou, e eu fiz que sim, mas não conseguia lhe responder. — Me diz o que está acontecendo. — Me olhava preocupado, mas eu o encarava sem dizer nada, as imagens continuavam vindo.
... “- Ficou sujo, aqui. – Limpou minha bochecha com o polegar, sem reação eu só consegui concordar lentamente. Seu polegar demorou um pouco mais na minha bochecha, e sem eu perceber meu corpo se aproximou do seu e...”
... “- Para com isso. – Me fiz de desentendida, quebrando nossa proximidade.
— Isso o quê? – Ele sorriu de lado, levantando uma sobrancelha, fixou seus olhos nos meus, fiquei na ponta dos pés, enquanto suas mãos iam para minha cintura, quando...”
... “- Está tudo bem Helena, eu não pretendo me afastar.”
Pisquei algumas vezes, voltando a realidade, ele me olhava preocupado.
— Vou chamar o médico. – Segurei apressadamente em seu braço. – O que foi?
— Marcos eu...- Eu ia falar que me lembrava dele, de tudo, dos passeios, das nossas conversas, do seu toque e que o queria do meu lado, mas uma última lembrança me impediu. Lembrei da conversa que escutei antes de acordar, de que ele estava recusando um bom emprego por minha causa e eu não poderia, seria egoísmo da minha parte lhe prender comigo. Por isso tomei uma decisão, de afastá-lo. – Eu não quero que volte mais aqui.
— O que quer dizer? – Lutei para não demonstrar sentimentos em minhas palavras. – Helena, o que quer dizer?
— O que eu disse, quero que não volte mais. – Ele se aproximou.
— Você está nervosa, não está falando sério.
— Você não entende, eu não te conheço. Nada foi real pra mim, porque eu não lembro. Vamos acabar com essa tortura. – Ele tentou me tocar, mas eu virei o rosto.
— Certo, er... eu vou, você pode até não lembrar, mas eu lembro. E Helena, eu não pretendo me afastar. – Repetiu sua promessa do nosso último encontro, quando escutei a porta bater deixei as lágrimas caírem. Não fazia ideia do quanto gostava dele até aquele momento.
Amanhã seria meu último dia no hospital, o médico disse que todos os meus exames tinham dado positivo e que eu só ficaria hoje para uma última observação. Eu tinha acabado de acordar quando escutei batidas na porta.
— O que faz aqui? — Tentei soar seria, mas minha voz sonolenta não ajudou muito, ele sorriu de leve e nossa, como eu sentia saudades daquele sorriso.
— Como está se sentindo? — Continuei o olhando sem dizer nada, o observando se aproximar, queria estar de pé para me afastar quando ele me tocou, mas teria que aguentar aquela tortura.
— O que faz aqui? — Repeti inutilmente, ele não respondeu, ao invés disso ficou olhando nossas mãos quando afastei a minha lentamente.
— Helena, não precisa ser assim.
— Não sei do que está falando. — Concordou lentamente.
— Tudo bem. — Se sentou ao meu lado. — Eu não vim aqui para insistir em nada, eu só... ficar sem notícias suas estava me matando. — Tentei evitar seu olhar, sabia que se o olhasse estava perdida, ele suspirou. – Eu vou precisar viajar por um tempo. – Então era verdade, ele iria mesmo embora. – Helena sei que não lembra de nada, mas se disser que quer que eu fique... – Ele não continuou e por um momento eu quase disse que sim, queria que ele ficasse, mas eu não disse, ao invés desviei o olhar para um ponto fixo a minha frente. Não antes de vê-lo concordando lentamente. — Certo, eu vou indo então. — Ele levou minha mão aos lábios se afastando, continuei sem o olhar. Quando achei que ele já estava saindo o ouvir dizer. — Não vou desistir da gente Helena. — E saiu, eu fiquei olhando a porta entre aberta.
Encarei o local na minha mão onde ele tinha beijado, pensando o porquê ele insistia, mesmo quando eu o tinha desprezado.
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