Descobrindo A Paixão
6 Capítulo 6 Sensações
Notas iniciais
Por Gina
Acordei melhor do que quando fui dormir. Hoje era o grande dia: o aniversário do menino que sobreviveu, do menino que tira o meu sono há cinco anos. A raiva que sentia ontem já tinha desaparecido, inclusive a que sentia dele; eu não conseguia sentir muita raiva de Harry. Em um ano, ele se tornaria maior de idade.
Eu estava na minha cama, olhava para o teto. Hermione dormia sossegada ao lado da minha cama. Pensei no seu presente; não seria um presente como eu gostaria de dar a ele, mas tinha comprado algumas guloseimas.
Hermione ainda dormia quando mudou de lado. Observei o rosto da minha amiga e sabia que ela estava me escondendo algo. Teria que descobrir sozinha o que estava acontecendo, e tinha certeza que era sobre Harry. Comecei a lembrar do dia anterior: tinha acontecido tanta coisa — o nosso jogo, a nossa conversa sobre a vassoura, nós no lago, Dino e, é claro, os seus olhares para mim. Fechei os olhos e quis reviver aqueles momentos novamente, apenas os bons; os ruins, eu queria esquecer.
— Gina, ainda está dormindo?
— Não. Estou pensando no que será que você está me escondendo.
— Escute: quando eu me disse que gostava do Harry, ou quando me pediu segredos e me pediu para nunca contar a ninguém, eu nunca trai a sua confiança. Então, não posso trair a confiança dele também.
— Eu sei, Hermione. Terei que descobrir sozinha o que está acontecendo.
— Que bom que você me entende. Não quero trair a confiança de nenhum dos dois; porém, sou amiga de ambos, e isso me deixa numa situação que não gosto muito.
— Tudo bem. Só me diga uma coisa: ela é de Hogwarts?
— Sim, de onde mais ela seria?
— E de qual casa ela é?
— Gina, chega.
— Sabe, às vezes me pergunto se realmente quero saber quem é, porque vou odiar qualquer uma.
— Eu sei disso.
Ela me olhou com uma cara de quem queria me contar algo, porém se calou; ela não falaria nada. Ela veio e me abraçou. Eu sabia que Hermione seria minha amiga pelo resto da vida; uma vez, ela me disse que me considerava como sua irmã mais nova. Sim, eu sempre seria mais nova do que todos. Esse pensamento me fez rir.
— Vamos nos arrumar, temos um aniversariante hoje na casa.
— E o que você comprou para ele?
— Um livro, é claro. E você?
— Queria comprar outra coisa, mas achei melhor não. Comprei isto.
— Hum, eu quero um pouco disso.
Ela foi para o banheiro e comecei a sorrir; era ótimo ter Hermione perto de mim sempre. Houve uma batida na porta. Quem será a esta hora?
— Entre.
— Oi, maninha. Como está?
— Bem, mas o que faz aqui, Ronald?
— Vim me refugiar, estou precisando de proteção.
— Por quê? O que foi que você aprontou?
— Nada de mais, só acordei ele com água na cara.
— Harry, foi uma brincadeira, juro que não queria te irritar.
— Caro amigo, estou bastante irritado no momento. Não gostaria de estar na sua pele.
Vi quando ele pegou um travesseiro e jogou em Ron. Comecei a rir e queria entrar na brincadeira, porém estava de camisola de florzinha e me achava realmente ridícula; não queria mostrar como eu estava, principalmente para ele.
— Por favor, cara, não fique zangado comigo. Gina, me ajude, por favor!
Ron veio para o meu lado. Eu não queria levantar, não queria que ele me visse do jeito que eu estava.
— Não adianta se esconder atrás da Gina, vou te pegar de qualquer jeito.
— Não, por favor, me deixe fora disso.
— O que está acontecendo aqui?
— Uma vingança.
Não parava de sorrir. Harry e Ron estavam muito engraçados. Hermione olhou para mim e começou a sorrir também; logo ela pegou um travesseiro e jogou em mim, e começamos uma guerra de travesseiros entre nós quatro.
— Agora vocês poderiam me dizer o que Ron fez com você, Harry?
— Me acordou com água na cara.
— Foi o seu presente de aniversário, cara.
— Isto terá volta, Ronald Weasley.
— Vocês dois poderiam parar com a bobagem? Será que posso te desejar feliz aniversário?
— Valeu, Mione.
— Tome seu presente.
— Um livro sobre Quadribol? Legal, valeu.
— Não me olhe assim, eu sei o quanto você gosta de Quadribol.
— Ah, sim, eu adoro.
Olhei para eles. Hermione o abraçou novamente e passou as mãos nos seus cabelos. Eu precisava levantar; lutei com todas as forças para não levantar durante a guerra de travesseiros, porém tinha que lhe desejar feliz aniversário.
— É, meninos, vocês me dariam licença? Eu gostaria de me trocar. Harry, assim que eu estiver vestida com roupas adequadas, eu lhe cumprimento pelo seu aniversário, tudo bem?
— Gina, por que não se troca no banheiro?
— Ron, por favor, não seja desagradável.
— Eu já lhe vi várias vezes de pijama.
— Eu era uma criança.
— Vamos, meninos, a Gina precisa de privacidade.
— Eu já te dou os parabéns, Harry.
Congelei. Ele me olhou de novo, daquele jeito que me olhou na noite passada, e veio em minha direção, abaixou-se e deu um beijo na minha cabeça.
— Obrigado, Gina.
Olhei para Hermione; ela apenas sorriu. Definitivamente, eu precisava saber o que estava acontecendo com aquele garoto. Eu estava totalmente embriagada com o cheiro dele.
Assim que eles desapareceram pela porta, levantei. Tinha que me arrumar depressa. Coloquei um vestido de alcinha, escovei os dentes, penteei os cabelos e amarrei-os em um rabo de cavalo. Peguei o presente de Harry e desci. Quando cheguei na cozinha, todos estavam cumprimentando Harry; eu fui a última.
Quando ele me viu, veio em minha direção, passou a mão no meu rosto e eu me arrepiei toda. Por que o que estava acontecendo? Essas palavras não saíam da minha cabeça.
— Se sente melhor agora?
— Ah, sim, bem melhor. Então, parabéns, Harry, e me desculpe, fiquei constrangida; não tenho o hábito de sair de camisola pela casa.
— Não se preocupe, te entendo.
— Aqui está. Espero que divida algumas comigo.
— Pode ter certeza. Valeu, Gina.
— Imagina, Harry.
Ficamos nos olhando por um minuto; meu coração começou a bater mais forte. O que era aquilo? Por que ele estava me tratando deste jeito? Até que eu estava gostando, porém meu rosto estava quente; sabia que eu estava ficando vermelha. Eu tinha que abraçá-lo, porém minha mãe nos despertou.
— Hora do café, crianças.
Todos sentamos à mesa e começamos a comer. Não tive coragem de olhar para ele de novo. Eu estava ao lado de Mione, de frente para ele. Às vezes, eu sentia seus olhos em mim. Eu tinha que descobrir o que estava acontecendo, porém necessitava sair dali; não estava mais aguentando aquela situação. Mesmo com o café pela metade, tinha que sair dali.
Olhei para o lado; Mione estava me olhando e o clima estava tenso. Meu coração não voltava ao seu ritmo normal e eu já estava com medo que todos pudessem ouvi-lo. Quando estava prestes a me levantar, Hermione segurou meu braço. Olhei para ela e ela balançou a cabeça. Estava acontecendo alguma coisa; não me atrevi a olhar para a frente, pois tinha certeza que ele estava me encarando. Aquela situação estava me deixando louca.
— O que iremos fazer hoje?
— Gina, eu, você e sua mãe estaremos cuidando da festa do Harry.
— Por favor, Hermione, não precisa se preocupar.
— Como não se preocupar? Todos da Ordem virão também: Neville, Luna e o pessoal de Hogwarts. Não deixaremos tudo para a Sra. Weasley.
— Não precisam se preocupar com a festa.
— Será apenas uma comemoração, querido. Não é todos os dias que você faz dezesseis anos.
— Eu não queria incomodar.
— Não é incômodo nenhum. Gina, querida, por que não está comendo?
— Estou sem fome, mamãe.
— Está tudo bem? Digo, não está assim por causa de ontem, não é?
— Não, Harry, não estou assim por causa de ontem e eu estou bem, obrigada. É que estou sem fome mesmo.
— Licença, eu vou subir. Gina, preciso lhe mostrar uma coisa.
Olhei para ela, que já estava em pé à minha espera. Olhei para todos e o nosso olhar mais uma vez se encontrou; logo eu desviei.
— Mamãe, já descemos para ajudar a Sra. Weasley.
— Não se preocupem, meninas.
Subimos até o meu quarto; eu estava na frente, ela fechou a porta atrás de mim, parou na minha frente, me olhou e disparou:
— O que você tem?
— Eu é quem pergunto: o que está acontecendo? Você sentiu o clima lá embaixo?
— Gina, você está vermelha, não comeu e queria fugir como fazia antigamente.
— Hermione, eu não estou ficando louca. Houve um clima lá embaixo, nem consegui abraçá-lo. Eu tentei, mas ele não para de olhar para mim. Estou ficando louca com toda esta situação. Você não reparou?
— Não, eu não reparei. Só queria que você tivesse calma e não fizesse nenhuma besteira.
— Calma? Estou tendo calma há cinco anos.
— Meninas, licença... é... Hermione, eu poderia falar com a Gina um minuto?
Gelei. Olhei para Hermione e não queria que ela saísse de onde estava. Ela me olhou, respirei fundo. Ela não iria ficar. O que ele queria comigo agora?
Ao passar por Harry:
— Não cometa nenhuma besteira, você me prometeu.
— Eu sei o que lhe prometi, Hermione, fique tranquila.
— Licença, vou ajudar a Sra. Weasley.
— Eu já desço, Mione.
Merlin! Sempre quis ficar sozinha com ele, mas esta não estava sendo a hora exata. Vi quando Mione passou pela porta e sorriu para mim; acho que era para eu ficar calma, mas eu estava muito nervosa. Ele não tirava os olhos de mim. Eu queria sair correndo, sentia que tudo em mim queimava, porém tinha que ser forte e ver o que realmente iria acontecer.
Por Harry
Acordei com muita raiva de Ron; ele era um perfeito idiota. Logo, a raiva se transformou em diversão. Fiquei atordoado em ver Gina deitada em sua cama, principalmente na hora em que ela nos pediu para dar licença a ela pois estava apenas de camisola. Gostaria muito de ter esta visão, porém não a tive; fiquei imaginando então como seria o seu corpo naquela camisola, mas tinha que parar com essas imaginações. Ron comeria meu fígado se imaginasse o que eu estava imaginando, porém achei graça desta sua atitude. Linda, ela era linda.
Desci com Ron no meu pé. A Sra. Weasley me desejou parabéns e me deu uma blusa. Mione, como sempre, me deu um livro — mais um sobre Quadribol. Ron me deu um kit de penas novas. E Gina, que estava descendo, linda em um lindo vestido de verão com um rabo de cavalo encantador, veio em minha direção e me deu uma caixa de guloseimas. Ela ia me abraçar, porém a Sra. Weasley falou que o café já estava na mesa, o que nos tirou de onde estávamos.
Quando estávamos acabando de tomar o café, vi que Gina não tinha comido nem a metade e ela estava vermelha. Será que eu demonstrava muito e a deixei constrangida? De repente, Hermione levantou e falou que precisava mostrar algo para Gina. Um pensamento invadiu minha mente: era sempre assim que Gina fazia quando se aproximava de mim — cabeça baixa, rosto vermelho e sempre queria fugir. Precisava fazer alguma coisa, porém tinha que falar com outra pessoa.
— Ron, posso falar com você?
— Fala.
— Lá fora.
— Eu ainda estou comendo.
— Presente de aniversário, por favor.
— Tudo bem.
— Espero que seja importante, Harry, para você me tirar da mesa.
— Gina.
— Ah, sim, eu também percebi, mas isto é tão comum que nem me abalo mais.
— Para mim não é comum e me abalo.
— O que você quer que eu faça?
— Me deixa namorar a Gina. Eu já falei com o teu pai.
— Você já falou com meu pai e agora está me pedindo para namorar com minha irmã?
— Sim. Escuta, a sua amizade é muito importante para mim, não quero estragar o que construímos, mas também quero ficar ao lado dela. Por isso, preciso do seu consentimento.
— O que te fez pensar nisso?
— Estou ficando maluco. Primeiro, todas as informações que você e Mione me deram ontem; depois, o término do namoro dela com Dino. Eu queria ir atrás dela e abraçá-la. Acho que está na hora de fazer o que o meu coração está pedindo: ficar ao lado dela.
— Eu sabia que eu iria me odiar por lhe contar.
— Escuta, Ron, se eu não tomar uma atitude, ela irá aparecer com outro.
— Eu literalmente não quero isso.
— Nem eu. Por isto, vim lhe pedir.
— Ok, você já falou até com meu pai. Mas quero que saiba que eu não quero ver vocês se agarrando por aí, ok?
Sorri e abracei meu amigo. Saí correndo rumo ao quarto dela. Quando entrei, ouvi ela falar que estava ficando louca e também vi as desconfianças de Hermione.
Agora estamos aqui, um de frente para o outro, nos olhando. Ela não para de ficar vermelha, porém não sei como começar esta conversa. Ela estava linda naquele vestido, seu rabo de cavalo estava fofo. Respirando fundo, ela quebrou o silêncio, pois eu não tinha coragem de começar algo com ela.
— No que posso te ajudar, Harry?
— Gina, não sei como começar.
— Quem sabe pelo começo.
— É uma ótima opção.
— Então...
— Eu acho que estou apaixonado.
— Bom, então como posso te ajudar sobre isto?
Ela olhou para mim, seus olhos estavam tristes. Eu queria dizer que era por ela, porém não tive coragem.
— Você pode me ajudar bastante.
— Harry, sei que sou sua amiga, mas não sei se posso te ajudar.
— Você pode me ajudar sim, acredite em mim.
— Como posso lhe ajudar?
Me aproximei dela sem perder o contato visual; seu cheiro era algo que realmente me deixava sem ação.
— Estou completamente apaixonado, porém não sei como dizer isto a ela.
— Ela não é de Hogwarts? Então esperamos voltar e você diz a ela o que sente.
— Não posso esperar voltar.
Respirei fundo; tinha que ser agora, eu tinha que falar.
— Gina, o ano passado foi conturbado para todos nós: muitas perdas, muita dor. Porém, uma pessoa se revelou uma amiga muito prestativa, e te juro que não esperava isto dela. Porém, algo aconteceu comigo e eu só queria estar ao lado dela. Achava que estava ficando biruta, achava que era por causa da nossa ligação...
— Você está me dizendo que o que sente por essa garota é maior do que sentia pela Cho?
— Sem dúvidas.
— É a Hermione?
— Não. Esta pessoa gosta de mim também, e até onde eu sei, Hermione só tem olhos para o teu irmão.
Ela me olhou espantada, um pânico lhe passou no rosto. Eu tinha que terminar com isto; eu queria abraçá-la e lhe dizer que sentia muito por não ter enxergado antes.
— E... o que você está pensando em fazer?
— Lutar por ela.
— Você acabou de me dizer que ela está afim de você?
Mágoa era o que identificava em sua voz.
— Boa sorte.
— Gina, é...
Respirei mais uma vez; tinha que ser agora. Me aproximei dela e segurei sua mão.
— O que você está fazendo?
— Tentando me declarar.
— Como é?
— Desculpa é a única coisa que eu posso lhe pedir, por favor.
Ela ia começar a falar, porém coloquei o dedo nos seus lábios; eu tinha que terminar.
— Não, por favor, me deixa falar. Depois, te deixo falar tudo o que quiser, ok?
Senti suas pernas bambear; ela largou minha mão e se sentou. Fui até ela e sentei ao seu lado; não queria deixar de tocá-la, peguei novamente sua mão.
— Não sei lidar com isto, mas deixa eu tentar.
Ela não disse nada e eu continuei:
— Você foi uma pessoa sensacional no ano passado. Nunca tinha lhe visto tão engraçada, tão meiga, tão amiga. O seu gesto na Páscoa foi lindo; esperava que outras pessoas fizessem aquilo, menos você, mas confesso que gostei. Quando fomos para o Ministério, você foi brilhante. Você, além de linda, é guerreira. Poderia ficar aqui falando as tuas qualidades, mas logo a noite chegaria e não iríamos aproveitar o dia. Ontem foi um dia maravilhoso que passei ao teu lado. Eu queria matar o Dino por estar ao teu lado. Ontem, tive a certeza do que eu sinto por você.
Respirei novamente e olhei para ela, que estava com os olhos baixos. Sua mão estava na minha, porém estava fria. Eu queria que ela falasse algo, porém ela não falava.
— Fale alguma coisa, por favor.
— O que te fez pensar que eu gosto de você?
Sorri; jamais poderia dizer a ela que Ron me contou.
— Óbvio.
— E o que seria o óbvio?
Desta vez, ela olhou para mim.
— Sua mão está fria, seu rosto está vermelho, você está nervosa... confesso que eu também estou.
— E com estes sentimentos você deduz que eu sinta algo por você?
— Sim.
— E por quê?
— Porque é deste jeito que eu fico em relação a você.
Ela sorriu para mim.
— Eu acho que você está confundindo as coisas.
— Tenho certeza que não estou confundindo nada.
— Por que tem tanta certeza?
Eu sabia que ela estava investigando para saber se alguém tinha me contado algo sobre ela.
— Por que está sendo tão rude?
— Não estou sendo rude, apenas estou tentando descobrir o que você quer comigo.
— No momento, estou morrendo de vontade de lhe beijar.
Ela me olhou assustada.
— Por favor, não faça isto.
— Por que não?
— Ok, Harry, você venceu. Sim, eu sinto algo por você. Algo que você nunca viu, nunca se importou. Estou confusa, pois de repente, do nada, você entra no meu quarto e me diz tudo isto. E isto é uma coisa que eu não estava esperando, não sei o que pensar, não sei como agir. E percebi que você estava estranho, mas não ao ponto de fazer isto.
Eu não precisava ouvir mais nada, eu já tinha ouvido tudo e confesso que foi a melhor coisa que eu já ouvi dela. Eu não tinha mais o que pensar, apenas agir. Levantei seu rosto, que novamente estava para baixo, e fui me aproximando. Ela me olhou em pânico, tentou fugir, porém segurei seu braço. Não queria mais esperar, me aproximei mais e a beijei.
Fogos de artifício! Eu poderia sentir uma explosão de cada lado, era uma magia não conhecida. Beijar Gina Weasley... seus lábios eram doces, um trilhão de emoções encheu meu coração quando ela correspondeu ao meu beijo e atirou os braços ao redor do meu pescoço, me levando para mais perto dela. Sim, era o lugar onde eu queria ficar. Definitivamente, eu estava apaixonado. Não sei quanto tempo nos beijamos; quando o ar nos faltou, encostei minha testa na dela.
— Estou sonhando, não estou?
— Bom, eu espero que não, pois se você estiver sonhando, eu também estaria.
— Harry, o que foi isto?
— Um beijo.
— Eu sei que foi um beijo, só não consigo entender como e quando tudo isto aconteceu.
— Não tente entender, Gina, apenas deixe esta sensação fluir.
— Gina!
Olhei para ela e sorri. A Sra. Weasley poderia ser cantora, chamou lá de baixo. Ela olhou para mim, seus olhos estavam em pânico novamente. Achei graça e lhe dei mais um beijo; este não foi muito demorado, pois ela se distanciou.
— Eu acho que estão precisando da minha ajuda.
— Eu acho que sim. Não quero lhe soltar, porém não quero arrumar confusão para você.
— Então é melhor você me soltar.
Soltei sua cintura, porém seus braços ainda estavam em volta do meu pescoço.
— Eu realmente não sei o que eu estou sentindo com o que acabou de acontecer. Espero que você realmente saiba o que está sentindo.
— Pode acreditar: depois destes beijos, meus sentimentos aumentaram ainda mais.
— Não se engane e, principalmente, não me engane. Eu preciso descer.
— Infelizmente.
— Depois a gente conversa.
Ela tirou os braços do meu pescoço e já estava saindo do quarto quando a segui e falei em seu ouvido:
— Sabia que eu nunca me senti assim? Não tenha medo, eu nunca te farei sofrer.
Ela parou, me olhou e sorriu para mim. Fiquei no quarto dela sentindo o cheiro dela; eu estava totalmente entregue àquele sentimento. O que tinha acabado de acontecer aqui realmente tinha aumentado muito os meus conceitos para o que eu sentia por Gina. Não tinha como não parar de rir; eu, pela primeira vez na vida, estava feliz. Esta felicidade não se comparava nem ao momento em que conheci Sirius.
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