Notas iniciais
olha mais um capitulo cada um é uma emoção para mim


por harry

Os sentimentos que eu sentia não tinham diminuído desde o momento em que saí do quintal da Toca. Como Dino podia fazer uma coisa dessas? Além de me desafiar, ainda vinha agir como se quisesse me deixar louco. Ele sabia que eu estava começando a me interessar por ela, viu muito bem como ela estava nos meus braços, tão perto, tão minha.

Tomei banho primeiro; precisava ficar sozinho, e um pouco de água fria parecia necessário, pois eu estava pegando fogo — e não era por causa do calor que fazia lá fora, e sim de pura raiva.

Assim que saí do banheiro, já trocado de roupa, fui direto para o meu quarto. Pouco tempo depois, vi uma cabeleira castanha aparecer na porta: era Hermione, e ela tinha um olhar muito tenso.

— Foi um dia e tanto, não foi? — disse ela, sentando-se na beira da cama.

— Sim, com certeza foi — respondi, ainda pensativo.

— Você está bem, Harry?

— Não, não estou.

— O que está sentindo agora?

— Raiva... muita raiva.

— Bom, isso já é um bom sinal.

— Hermione, você acha bom que eu esteja com vontade de esganar um cara que, até ontem, eu considerava um amigo?

— Já não o considera mais, então?

— Não. Não mais, não depois de ver ele ao lado dela.

— Então é sério mesmo? Você realmente está sentindo algo forte pela Gina?

— Sim, muito mais forte do que eu imaginava ser possível.

— Que bom saber... porque ela já está desconfiando de tudo, sabia?

— Ela te contou alguma coisa?

— Contou. Disse que acha que você está diferente ultimamente. E confesso: quando vi você segurando ela daquele jeito, lá no lago, fiquei muito surpresa. Nunca tinha visto você assim.

— Mione, naquele momento, a minha única vontade era beijá-la. Beijar ela bem na frente de todos.

— Então por que não fez?

— Porque ela me mataria, com certeza. Ou então iria correndo para o quarto, se trancava lá dentro e não saía mais até o fim das férias. Ou, pior ainda, talvez até fugisse de tanto vergonha.

— Já passou pela sua cabeça, seu gênio, que talvez ela quisesse exatamente isso? Que talvez ela esperasse que você fizesse?

— Mas e o Dino? Você viu como ele me olhou? Tinha uma espécie de desafio no olhar, como se estivéssemos numa competição. Depois, ele veio falar comigo, disse que quer entrar para o time de Quadribol só para ficar mais perto dela. Mas ele não vai conseguir, não vou deixar.

— O que você sente pelo Dino, Harry?

— Raiva é a palavra certa para descrever. Queria que ele estivesse bem longe daqui, longe dela.

— Te garanto que você não é o único a pensar assim. Fred, Jorge e Rony também não estão gostando nada dessa situação. E, quer saber? Tenho até pena do Dino. Porque, quando a Gina finalmente perceber que você está louco por ela, ela vai dar um pé na bunda dele tão rápido que ele nem vai ver.

— Isso seria brilhante! Então é esse o plano? Fazer com que ela perceba que eu gosto dela? Será que eu consigo?

— Já pensou em tentar, pelo menos?

— Valeu, Hermione. Vou tentar seguir os seus conselhos. Você é uma amiga e tanto, mesmo.

— Só uma coisa: não a faça sofrer. Se fizer isso, eu mesma acabo com a sua raça, entendeu?

— Você gosta muito dela, não é mesmo?

— Sabe como é, Harry... ser filha única faz a gente valorizar muito quem nos faz bem. Eu considero a Gina como se fosse minha irmã. E você também, é como se fosse meu irmão. Por isso, quando tudo isso estiver resolvido, ainda vou ter uma conversa séria com a senhora Weasley. Porque se ela fizer você sofrer, vai ter que me responder. Mas, no fundo, acho que ela jamais faria algo para te machucar.

Comecei a rir. Hermione era uma pessoa sensacional; como o Rony ainda não tinha se declarado para ela, era um mistério. Olhei novamente para ela, e percebi que ela me olhava com muita seriedade. Às vezes, eu tinha até medo daquele olhar firme de Hermione.

— Valeu, Mione. Eu prometo, nunca vou fazer ela sofrer.

— Mesmo que a vida dela esteja em perigo?

— Do que você está falando?

— Você lembra como Voldemort usou Sirius para te atrair até o Ministério, não lembra? Você já parou para pensar no que ele poderia fazer contra a Gina, se descobrisse que ela é importante para você? Se ele soubesse que você gosta dela...

Se antes eu já estava com raiva, agora sentia ódio de verdade. Nunca tinha pensado nessa hipótese. Não, de jeito nenhum eu iria deixar ele perceber o quanto ela significava para mim. Não iria deixar ele entrar na minha mente e descobrir o que eu vejo nela, o que ela desperta em mim.

— Vou treinar. Vou treinar muito para que isso nunca aconteça.

— Eu espero mesmo. Porque ela já foi usada uma vez, lembra? Na Câmara dos Segredos...

— Hermione, por favor... me deixa ser feliz um pouco. Não posso deixar esse sentimento passar em branco, não agora que finalmente entendi o que é.

— Tudo bem... Vai, parece que o jantar já está pronto lá embaixo.

— É... com certeza será uma refeição bem "agradável".

— Está com ciúmes, Sr. Potter?

— Sinceramente? Não sei bem o que estou sentindo, Srta. Granger. Mas se sentir raiva só de ver uma garota ao lado de outro cara for ciúmes, então sim, eu estou morrendo de ciúmes, para falar a verdade. E também estou muito preocupado com o que você me falou sobre Voldemort.

— Então faz o que você acabou de dizer: viva cada dia, aproveite o momento, lute por ela e não deixe ele entrar na sua cabeça. Eu sei que você consegue. Quando voltarmos às aulas, peça ajuda ao diretor e também ao professor que você foi visitar com Dumbledore, o professor Horácio. Ele sabe muito sobre a mente e os sentimentos.

— Vou fazer isso, sim. Obrigado por tudo.

Quando descemos para a cozinha, já havia uma conversa bastante animada acontecendo. O senhor Weasley tinha chegado mais cedo do trabalho, e todos estavam felizes em vê-lo em casa. Por um momento, eu até esqueci da existência de Dino... até que o senhor Weasley começou a falar com ele.

— Então, Dino, quer dizer que sua mãe trabalha comigo no Ministério? — perguntou o senhor Weasley, sorrindo amigavelmente.

— Acredito que sim, senhor Weasley — respondeu Dino, todo educado.

— Gosto muito da sua mãe, ela é uma pessoa adorável, muito dedicada.

— Obrigado, senhor.

Tente manter a calma, Harry, pensei comigo mesmo. Mas o fato de o senhor Weasley estar sendo tão simpático e conquistado por Dino não me deixava nada tranquilo. E se ele abrisse a boca para falar em namoro com a Gina? Eu não sabia o que seria capaz de fazer.

— Sei que você é companheiro de quarto do Rony, mas não sabia que era tão amigo da minha Gina assim — continuou o senhor Weasley.

— Pai, eu e o Dino começamos a nossa amizade há pouco tempo, ainda — explicou Gina, com a voz calma.

— Sei, sei... Harry, meu rapaz, que saudade! Como você está? Que horas chegou ontem? A Molly me contou hoje cedo, mas eu não quis subir para te acordar, tinha que estar no Ministério muito cedo, você me entende, não é?

— Claro, senhor Weasley, não se preocupe com isso. Cheguei bem tarde ontem. Fico muito feliz em ver que o senhor está bem.

— Estou sim, apesar de achar que o Ministério está uma zona... uma bagunça só. Mas estamos todos bem, graças a Merlin.

— Minha mãe sempre diz que o Ministério nunca mais foi o mesmo desde que vocês foram lá — disse Dino, com um tom admirado. — Achei uma atitude muito corajosa a de vocês.

— Sim, com certeza foi um ato de muita coragem — concordou o senhor Weasley.

— Nós só fizemos o que achávamos que era o certo — falei, baixo.

— E confiaram no Harry para isso, não foi? — completou Gina, olhando para mim.

— Sempre confiamos no Harry — respondeu o senhor Weasley, sorrindo para a filha. — Eu sei que todos vocês confiam nele. E eu daria a minha vida por ele, sem pensar duas vezes. Até você, Gina, não é mesmo?

Fechei os punhos com força embaixo da mesa. Nunca senti tanta raiva na vida, nem mesmo quando pensava em Voldemort. Naquele momento, minha cicatriz começou a doer forte e eu me senti tonto. Afastei-me um pouco da mesa; eu sabia que ele estava tentando descobrir algo de mim. Não podia deixar ele ver o que eu sentia por ela. Não podia deixar ele perceber que a raiva que eu sentia de Dino estava me dominando. Voldemort sabia que eu estava com raiva, sim, mas não podia saber de quem, nem por que eu me sentia assim. Precisava conversar com alguém experiente, alguém que entendesse disso... talvez o Remo Lupin.

— Todos os Weasley dariam a vida pelo Harry — disse Hermione, quebrando o silêncio pesado que havia se formado.

— Obrigado, senhor Weasley — falei, tentando me acalmar.

— Agora, crianças, vamos comer, porque se demorarmos mais, a comida vai esfriar! — avisou a senhora Weasley, trazendo os pratos.

— Dino... — comecei, olhando firme para ele. — Gostaria de ter uma conversa com você depois do jantar. Será que podemos?

— Claro que podemos, Harry — respondeu ele, sorrindo de um jeito que me irritou profundamente.

Todos na mesa olharam para mim, inclusive ela. Nossos olhares se cruzaram, e eu não tive medo de sustentar o olhar dela. Vi quando suas bochechas ficaram vermelhas, mas também vi pânico nos seus olhos. Apesar de tudo, ela estava ainda mais linda do que eu lembrava, e eu não iria deixar esse sentimento passar em branco.

Começamos a jantar ao som do rádio bruxo que o senhor Weasley adorava ouvir. Eu não conseguia falar nada; meus pensamentos estavam todos na conversa que teria com Dino logo em seguida. De repente, ouvi um sussurro perto do meu ouvido: era Rony.

— Gostei do tom de intimidação, hein... Quer que eu vá junto?

— Não, Rony.

— O que você está pensando em fazer? Quebrar a cara dele?

— Apesar de achar a ideia ótima, eu só quero conversar com ele. Apenas conversar.

— Quando quiser desabafar, ou brigar, estou aqui. Podemos ir até o quintal, depois.

— Claro. Com licença, senhora Weasley, senhor Weasley...

— Licença — disse Dino, levantando-se logo em seguida.

Olhei para Gina antes de sair. Ela não falou nada, apenas me olhou nos olhos. Vi surpresa e curiosidade no seu olhar; se eu estivesse no lugar dela, também me sentiria assim.

Chegamos ao quintal, e eu parei de frente para ele.

— Dino... acho que você já sabe por que eu te chamei aqui.

— É sobre Quadribol? Você quer falar do time?

— Nada de Quadribol.

— Então, sinceramente, eu não faço ideia.

— É sobre a Gina.

— Ah... então quer dizer que eu tenho mais um cara para se preocupar? — ele sorriu, debochado. — Harry, vou te falar a mesma coisa que já disse para o Rony: eu gosto dela. E acho que ela já é grandinha o suficiente para ter um monte de marmanjo com ciúmes dela. Sei que você a considera como uma irmã, mas, cara, você me conhece... jamais faria ela sofrer.

— Não estou aqui falando com você como um irmão — respondi, firme. — Eu não a vejo assim há muito tempo.

— Não estou entendendo, então...

— A Gina não gosta de você, Dino.

— Ela gosta sim. Não da forma como eu gostaria que ela gostasse, mas... ela vai aprender a gostar. Com o tempo, ela vai ver o meu valor.

— Ela te vê apenas como um amigo.

— Ela me beijou. E não acho que amigos se beijam do jeito que nós nos beijamos — respondeu ele, convencido.

Senti um calor subir pelo meu pescoço, de tanta raiva. Eu não queria ouvir aqueles detalhes. Comecei a sorrir de volta para ele, um sorriso sem alegria.

— Me poupe dos detalhes, por favor. Você sabe muito bem que ela gosta de outra pessoa.

— De um cara que nunca liga para ela. Que nunca percebeu como ela se tornou uma menina linda, determinada, engraçada... uma mulher de verdade.

— Talvez ele já tenha percebido.

— Como é?

Já tinha passado da hora de acabar com aquele jogo idiota. Dino precisava saber que tinha um rival de verdade, e que esse rival estava bem na frente dele. Então, resolvi falar tudo de uma vez.

— Sim, Dino. Eu a vejo exatamente como você diz. Eu vejo tudo isso nela.

— Você está me dizendo que, depois de anos, você finalmente percebeu? Que agora, do nada, está afim dela?

— Sim.

— Isso não é justo, Harry! Ela sempre gostou de você, sempre esteve aos seus pés, e você nem aí. E agora, quando ela finalmente resolve seguir em frente e tentar ser feliz com outra pessoa, você resolve que também está afim dela?

— Eu não "resolvi" nada, Dino. Os sentimentos simplesmente acontecem.

— Você nunca a viu como uma mulher, não é mesmo? Sempre foi só a menininha que você salvou quando tinha 12 anos, na Câmara dos Segredos.

— Isso não é verdade.

— Você sabia que ela ficou arrasada, mal, quando viu você beijando a Cho Chang? E sabe quem foi que a consolou? Fui eu.

— Pode parar com isso, está bem? Sei que você está louco para me tirar do caminho, mas não vai conseguir. Sim, um dia eu pensei que sentia algo pela Cho, mas eu estava completamente enganado.

— Pelo amor de Merlin, Harry... deixa ela ser feliz. Deixa que eu a faça feliz.

— É tudo o que eu mais quero: ver a felicidade dela. Só que eu não acho que ela vai ser feliz ao seu lado. E vou fazer de tudo para lutar por ela.

— Então é assim? É guerra? Pois então está bem... eu estou dentro desse jogo.

— Eu achei que já estivesse. Então que vença o melhor.

Olhei bem nos olhos dele; havia um tom de determinação ali. Eu sabia que ele estava decidido a lutar por ela, e eu também estava. Sim, Gina, pensei, já passou da hora de eu ser feliz, e de você ser feliz também. E vou fazer de tudo para conseguir isso para nós dois.

— Eu não vou desistir dela — disse ele.

— Nem eu.

— Você sabe que, se ela descobrir que eu gosto dela de verdade, ela vai te deixar de lado.

— Quem sabe ela nunca chegue a saber... se eu agir antes de você.

Sem pensar mais nada, ele me deixou sozinho no quintal e entrou na Toca. Senti que ele iria fazer alguma besteira, alguma coisa para tentar ganhar tempo. Corri atrás dele; ele não seria idiota de pedir a mão dela em namoro na frente de todos... ou será que seria?

Por Gina

Harry tinha chamado o Dino para conversar lá fora, e eu já tinha achado esquisito. Para ser sincera, eu já não estava gostando nada da presença de Dino aqui na Toca. Ele chegou bem na hora em que eu e Harry estávamos lá no lago... Harry tinha acabado de me abraçar de um jeito tão carinhoso, tão único, que eu estava totalmente entregue àquele momento, com a cabeça encostada no peito dele, ouvindo seu coração bater. Foi quando ouvimos os gêmeos e Dino aparecendo ali, do nada, ao nosso lado.

Vi o jeito que Dino me olhou naquela hora. Ele sabe muito bem de quem eu sou apaixonada, e não tinha gostado nada do que viu entre mim e Harry. Mesmo assim, na hora, eu escolhi ficar ao lado de Dino, só para tentar esconder o que eu sentia, para tentar me proteger.

De repente, a porta da cozinha se abriu de novo e vi Dino entrar, muito nervoso. Logo atrás vinha Harry, com uma expressão que eu nunca tinha visto antes: nervoso, decidido, com as bochechas coradas de raiva.

— Sei que você queria um tempo, Gina, mas eu não posso mais esperar para dizer a todos o quanto nós nos amamos! — gritou Dino, chamando a atenção de todos.

— Dino, o que você está fazendo? Por favor, este não é o momento! — falei, baixo, desesperada.

— Não aguento mais esperar, Gina! — ele virou-se para o meu pai, que estava sentado à mesa. — Senhor Weasley, o senhor me permite namorar a sua filha?

Olhei para o meu pai; ele tinha engasgado com a bebida de surpresa. Olhei para o Rony: tinha certeza que ele queria jogar Dino para fora de casa naquele segundo. Mas quando olhei para Harry... vi medo nos olhos dele, que estavam arregalados por baixo dos óculos redondos. Senti meu coração se apertar com o olhar que ele me deu. Por que será que Dino fez uma coisa dessas? Mesmo eu tendo falado claramente para ele que este não era o melhor momento, ele foi e fez justamente a besteira que eu pedia para não fazer. O que deu nele?

— Se eu fosse você, pai, não aceitava — disse Rony, de repente. — A Gina gosta de outra pessoa.

— Ronald, por favor, não complique mais as coisas — pedi, já sentindo vontade de sumir dali.

— Filha... — começou o meu pai, olhando confuso para mim. — Você está namorando o senhor Thomas e gosta de outro rapaz?

— Pai, por favor... eu e o Dino estamos apenas nos conhecendo. E eu já tinha te pedido para não fazer isto, Dino! Por que não me escutou?

— Porque eu estou louco por você, Gina! — ele respondeu, alto.

— Pelo jeito, minha filha não está louca por você, senhor Thomas — interrompeu o meu pai, com aquele tom de voz que usava quando já estava começando a não gostar da situação.

— Senhor Weasley, com o tempo podemos resolver tudo isto, eu realmente gosto muito da sua filha — insistiu Dino.

— Achei que poderíamos conversar, mas você ultrapassou todos os limites. E não me escutou quando eu pedi calma — disse meu pai, sério.

Desaparecer... sim, era o que eu mais queria fazer agora. Mas eu tinha que resolver esta situação. Dino foi imprudente em fazer esta cena toda na frente do meu pai. Sei que meu pai não estava com muita raiva de mim, pois para Arthur Weasley eu sempre serei a sua princesa, e nunca ninguém poderia chegar e dizer que "estava louco" por mim daquele jeito, sem respeito. Mesmo que, no fundo, eu achasse tudo isso muito exagerado.

— Senhor Thomas, acho que não haveria problema algum em você namorar a minha menina... mas ela tem que aceitar também, não é mesmo? E já que ela gosta de outro, não posso permitir isto, não. Filha... você precisa lutar por quem você realmente gosta. Por que não tenta, querida?

— Talvez seja porque ele seja um tremendo de um imbecil que ainda não viu a grande mulher que você está se tornando — disse uma voz do canto da mesa.

Gelei. Qualquer um poderia falar isso para mim, mas quem falou foi ele. Harry olhou diretamente nos meus olhos enquanto dizia aquilo, e seus olhos estavam brilhando de um jeito diferente. Merlin... o que estava acontecendo com este garoto? Ele realmente queria me deixar louca, não é possível.

— Concordo com o Harry — disse Rony, rápido. — Ele é um imbecil mesmo, e não é justo com você ficar tanto tempo correndo atrás de um imbecil que não te enxerga.

— Gostaria que vocês parassem de falar sobre a minha vida como se eu não estivesse aqui! — falei, já com a voz embargada. — Gostaria que vocês me vissem como uma menina de 15 anos, e não como se eu tivesse 10! Gostaria apenas de poder viver feliz com quem quer que seja, sem toda essa confusão.

— Filha, nós só queremos que você não se machuque — disse minha mãe, se aproximando.

— Pode deixar, mãe, eu sei me cuidar muito bem. Dino... quero falar com você agora. Com licença a todos.

Saí da sala da Toca me sentindo como um fantoche, como se as pessoas quisessem controlar a minha vida o tempo todo. Como Dino podia ter feito isto comigo? Ele não tinha esse direito! Eu já tinha falado para ele não fazer nenhuma besteira, e a maior besteira que ele poderia fazer na vida foi justamente essa. E o Harry... por que ele estava me tratando daquela forma? O que ele queria de mim? O que eu iria fazer agora? Não dava mais para continuar com essa história, não depois de tudo o que aconteceu.

— Por que você fez isto, Dino? — perguntei, assim que saímos para fora.

— Porque eu te amo, Gina!

— Me ama? Como pode dizer que me ama? — falei, já chorando de raiva. — Eu te pedi para não falar nada, pois nós estávamos apenas nos conhecendo! Eu deixei muito claro que não queria te machucar. Sempre fui sincera com você, nunca menti, sempre soube que eu era afim do Harry. E mesmo assim você entra na minha casa, com pouco tempo de conversa, e me pede em namoro, mesmo sabendo que eu não gosto de você como você gosta de mim? Eu não quero te usar, Dino! Eu gosto de você, sim, mas não da forma que você quer. Tenho um respeito enorme por você, mas não é amor.

— Gina... você não acha que já sofreu demais pelo Harry? Aquele cara nem olha direito para você!

— Isto realmente não é problema teu, sabia? E outra coisa: não tem como eu mandar nos meus sentimentos! O que eu sinto, eu sinto... não dá para controlar, não dá para mudar de repente.

— É problema meu sim! Eu sou o seu namorado!

— Não é mais.

— Como é?

— Dino, quando começamos a nos aproximar, eu deixei claro para você que gostava do Harry. Você não deu a mínima para isto, quis continuar mesmo assim. Eu não quero te machucar dando falsas ilusões, não é do meu perfil fazer isto com ninguém.

— Mas Gina, eu aceitei tudo isso! Eu aceitei!

— Não tem mais conversa, Dino. Eu não quero ser culpada pelo teu sofrimento.

— Gina, por favor... repensa, pelo menos.

— Não tem mais nada o que pensar. Você não me deu liberdade nenhuma para ter as minhas próprias escolhas, e agora agiu por conta própria. Então, a gente termina por aqui. É melhor você ir embora, por favor.

— Espero que não se arrependa disso, e espero que ele não te faça sofrer. Porque eu não estarei sempre aqui à sua disposição para te consolar.

— Obrigada pelo conselho. Tchau, Dino.

— Tchau, Gina.

Escutei Dino se afastando pelos arredores da Toca. Apesar de ele não ser maior de idade, ele foi caminhando sozinho até a sua casa. Fiquei preocupada, pois poderia acontecer algo com ele na rua, à noite... mas era o melhor jeito.

Logo que entrei novamente, avisei a todos que Dino tinha ido embora. Meu pai foi atrás dele rapidamente, pois sabia que não era seguro um jovem andar sozinho à noite. Me senti um pouco melhor assim. Todos me perguntaram se eu estava bem, mas, na verdade, o que eu mais queria era subir para o meu quarto, deitar na cama e tentar entender tudo o que tinha acontecido hoje. Principalmente entender o que tinha sido aquele olhar do Harry para mim... e o que ele quis dizer com "imbecil que não vê a mulher que eu sou".

Quer continuar a história a partir daqui? Podemos seguir com o momento em que Harry vai até o quarto dela para conversar, ou como eles vão lidar com tudo isso agora que Dino saiu de cena. Quer que eu escreva essa parte?











Notas finais
mai um capitulo