Descendência
2 Capítulo 1
Era uma noite de sexta.
Caminhava de volta para casa depois do trabalho. E, inevitavelmente tive que passar por entre o bosque que cortava um quarteirão.
A noite estava fria, com um vento gelado açoitando meu corpo. As copas das árvores cantavam no escuro, as ruas que contornavam o bosque estavam vazias e silenciosas. Parecia que eu era a única pessoa caminhando por lá.
Olhei para o relógio, eram dez e vinte da noite.
O salão de beleza onde trabalhava ficou aberto até tarde aquela noite.
O céu estava limpo, sem nenhuma nuvem aparente por entre a folhagem espessa.
Cheiro de frango frito vinha de alguma das casas ao redor.
Apressei o passo para sair logo daquele frio e chegar em casa, deitar em minha cama quentinha depois de um cansativo dia de trabalho. Já não aguentava mais sentir cheiro de acetona e esmalte que parecia estar impregnado em mim.
Consegui avistar o fim do bosque à frente, quando algo me fez parar – Uma sombra se moveu atrás de uma árvore ao meu lado. Talvez fosse apenas minha mente me pregando peças à noite, já que eu nunca fui muito fã do escuro. Mas eu sentia que estava sendo observada, sentia que havia algo atrás de mim, muito perto, mas não tive coragem suficiente para me virar e enfrentar o que me seguia.
“É apenas minha imaginação” – tentava sussurrar para mim mesma.
Mas, algo estava errado.
O bosque parecia estar em silêncio, o silêncio sombrio que sempre antecede o bote.
O vento havia cessado e as folhas já não se moviam. O caminho era apenas de sombras, iluminado por fracas lâmpadas que oscilavam nos postes.
Segurei minha bolsa rente ao corpo e, mesmo com medo, me virei aos poucos.
Não havia nada atrás de mim, mas podia sentir alguém, nas sombras a me observar. Meu coração pulsava acelerado.
Sabia que correr não me adiantaria de nada, mas não me importei. Tudo o que eu queria era sair dali, então comecei a correr para o fim daquele bosque. Corri o mais rápido que conseguia, com o som do meu salto ecoando pela noite silenciosa.
Sentia que a coisa atrás de mim também estava correndo, se movendo rápido pelas sombras das árvores, e o que quer que fosse estava se divertindo com aquela cena.
A saída estava cada vez mais próxima, mas não diminui a velocidade ao atravessar a rua que me separava do bosque. Ao chegar ao outro lado, senti imediatamente o vento chicoteando ferozmente meu corpo novamente, mas não me importei, continuei correndo sem olhar para trás.
Mais duas ruas... Apenas mais duas ruas para chegar em casa.
Ao chegar à esquina de casa diminui o passo e tentei me acalmar. Não podia deixar minha mãe me ver naquele estado. Se ela desconfiasse que alguma coisa estava errada ela faria com que eu nunca mais trabalhasse naquele salão novamente.
- Boa noite.
- O que aconteceu? – perguntou minha mãe assim que cheguei.
- Nada. – menti, subindo para meu quarto.
- Volte aqui, Claire!
Minha mãe era uma pessoa bondosa e também muito preocupada. Nós morávamos sozinhas desde que meu pai morreu em uma explosão na fábrica em que trabalhava alguns anos atrás.
- Eu estou bem, mãe.
- Então por que o atraso? E por que está tão vermelha? E seu rosto parece que viu um fantasma! – minha mãe me puxou pelo braço até uma cadeira na cozinha, onde o cheiro do jantar estava muito forte e começou a me analisar.
- Lyla Bailey – falei calmamente – Eu estou bem... Só estou cansada e com frio.
- E com fome – acrescentou ela, me servindo.
- E com fome! – concordei ao sentir meu estômago roncar.
- Filha, eu já disse que não acho uma boa ideia você trabalhar naquele salão. Eles nunca têm hora pra fechar!
- Mãe, eu já tenho 17, quase dezoito anos... Eu preciso trabalhar e quero te ajudar. Não posso te deixar fazer isso sozinha. E você sabe como está difícil arrumar emprego hoje em dia. Se eu sair do salão não tenho garantia que encontrarei emprego em outro lugar!
Os olhos dela encheram de lágrimas.
- Mãe... – falei, preocupada.
- Eu estou bem – falou ela, secando os olhos – É só que... A minha garotinha cresceu!
- Já estava na hora, não é?
Ela ficou em silêncio, me olhando como quem se lembra dos bons tempos do passado, seus olhos brilhando novamente.
- Seu pai ficaria muito orgulhoso.
- Orgulhoso por eu ser uma manicure?
- Também. – riu ela – Você é uma garota esforçada, batalhadora, estudiosa...
- Ok, mãe. Não exagera também, né!
- Eu vou me deitar. Boa noite, querida.
- Boa noite, mãe. – ela beijou minha testa carinhosamente e subiu para o quarto.
Após o jantar, tomei um banho quente e fui para meu quarto.
Ele ficava no sótão, bem no alto, e da janela conseguia ver as luzes da cidade ao longe.
Olhei pela janela, como fazia todas as noites antes de dormir.
A lua estava cheia e muito perto, mas não havia estrelas brilhando. Lembrei-me do meu pai e dos dias em que acampávamos no quintal, vendo a lua aparecer aos poucos no céu e de quando procurávamos estrelas cadentes para fazermos pedidos. Lembrei-me de seu sorriso brincalhão e rebelde, de quando minha mãe nos obrigava a voltar para dentro de casa por estar muito frio e ameaçar despencar uma chuva.
- Boa noite, pai. – sussurrei para o quarto vazio.
Naquela noite, eu tive meu primeiro pesadelo desde que assistira A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.
Eu estava no meu quarto, sentada em minha cadeira de balanço em frente à janela aberta. O vento entrava forte como quando voltava do bosque, fazendo meu cabelo voar em torno de meu ombro. Eu estava com medo, mas não sabia o motivo.
Olhei para o céu e ele estava completamente negro. Sem lua, sem estrelas, sem nuvens, apenas a imensidão escura e isso me fez tremer. Os grilos que geralmente cantavam, estavam em silêncio. Ouvia apenas o arfar de minha respiração.
Tentei levantar, mas não conseguia me mover.
As árvores do meu quintal estavam silenciosas. Suas copas não se moviam apesar do vento, mas suas sombras ondulavam contra a grama escura. Um arrepio percorreu meu corpo. Fui invadida por aquela sensação incomoda de que estava sendo observada. Queria gritar, queria correr, mas não conseguia. Meu corpo parecia congelado de pânico.
Olhei novamente para as sombras das árvores. Elas agora estavam se movendo, se agrupando em baixo da minha janela. As sombras se juntaram formando uma sombra ainda maior, quase como um homem de olhos vermelhos que cintilavam e se destacavam em seu corpo feito de fumaça.
Ele voou até minha sacada, indo a minha direção, mas não conseguiu passar da janela. Ao perceber que não conseguia me alcançar a sombra se enfureceu e começou a se jogar contra a janela que produziu um grande estrondo com o choque.
- Seu pai está chamando... – gritou ele.
Acordei assustada, suando frio.
As cortinas voavam com o vento que entrava pela janela aberta. Levantei-me com receio, ainda atordoada pelo pesadelo. Sentia meu corpo pesado e minha garganta doía, eu estava apavorada. Fechei a janela e por reflexo, olhei para fora. Meu coração quase parou ao avistar um par de olhos brilhantes atrás de uma árvore, me encarando. Mas, no momento seguinte, não havia mais nada lá.
Não consegui mais dormir aquela noite. Toda vez que fechava os olhos minha mente reproduzia nitidamente aqueles olhos vermelhos na fumaça negra formada pelas sombras. Era só um pesadelo, mas não deixava de sentir que algo estava errado.
- Vai trabalhar hoje? – perguntou minha mãe à mesa do café.
- Não. É meu dia de folga.
Ela me olhava de esguelha, com certeza percebeu que havia algo errado comigo, mas não disse nada durante o café. Ela estava preocupada, era nítido. Mas o que eu poderia dizer pra ela? Afinal... Foi apenas um pesadelo que aconteceu depois de um momento assustador no bosque. Nada que ela devesse se preocupar.
- Você deveria sair um pouco com suas amigas. – sugeriu ela.
- E te deixar sozinha? Acho melhor não.
- Eu vou aproveitar para preparar algumas aulas. Claire, você é jovem. Trabalha muito, mas a vida não é só isso. Você está na idade de sair, se divertir com suas amigas. Eu vou ficar bem. Sem falar que você parece péssima!
- Ok. – concordei a contra gosto. Não estava com animo para sair, mas não iria discutir com Lyla.
- A Emma ligou mais cedo, enquanto você estava no banho. Disse que é para encontrá-la meio dia em frente à livraria do Shopping. Então... É melhor ir se arrumar se não quiser chegar atrasada!
Arrumei-me em alguns minutos e saí dez para as onze para pegar o primeiro ônibus.
No ponto tinha mais duas pessoas. Duas garotas de aparentemente quatorze ou quinze anos, vestiam microssaias uma jeans e a outra rosa chiclete, parecia que suas roupas haviam encolhido na lavagem.
De longe eu podia jurar que seus olhos eram castanhos, mas ao me aproximar, percebi um tom azul muito claro. Achei que estava ficando louca, afinal, era impossível não os ter visto antes.
Assim que cheguei ao ponto de ônibus, as duas pararam de conversar e me encararam ameaçadoramente. Talvez fosse minha imaginação mais uma vez, me pregando peças.
Entrei no ônibus e me dirigi para um banco sozinho no fundo, longe do resto dos passageiros, mas as duas sentaram nos bancos em frente ao meu, viradas para mim. Em nenhum momento elas pararam de me encarar, estava me sentindo desconfortável sobre o olhar das garotas.
Depois de uma agoniada meia hora, consegui desembarcar no terminal onde despistei as garotas que pareciam me seguir.
Como era sábado, o terminal estava abarrotado de adolescentes que iam ao shopping, mesmo com a ameaça de tempestade que assolava a cidade há dias.
Embarquei em mais um ônibus lotado, espremida por todos os lados, mas já estava acostumada por ser uma situação cotidiana na cidade.
- Claire... – ouvi alguém sussurrar em meu ouvido.
Tentei me virar, mas estava praticamente impossível de me mover. Como não ouvi mais nada, voltei minha atenção para a paisagem na janela que mudava rapidamente, saindo de muros grafitados para altos prédios da classe média.
Estávamos passando por uma das avenidas principais do trajeto, que antecede o shopping e era cercada por lojas de móveis e roupas, quando, atrás de uma van preta que passou, vi um homem alto, forte, negro com olhos igualmente negros, vestido todo com uma roupa de couro e um olhar cruel em seu rosto, parecendo olhar diretamente para mim.
Sabia que precisava procurar um psicólogo para tratar da minha recém-adquirida síndrome de perseguição.
Logo o ônibus parou no terminal, onde desembarquei e segui a pé até o shopping que ficava bem em frente.
O lugar não estava tão cheio como de costume.
Subi até o segundo piso, onde encontrei minhas amigas na frente da vitrine da livraria, admirando os novos livros.
- Olá! – falei, chegando sorrateiramente.
Emma e Jody se assustaram, deixando nítido que faziam algo de errado.
- O que foi? – perguntei, já com suspeitas.
- Claire! – cumprimentou-me Emma, sorrindo – Quanto tempo!
- O que vocês estão olhando? – perguntei, também admirando a vitrine.
- Lá dentro. – respondeu Jody, voltando sua atenção para o outro lado do vidro – O cara com a vendedora com um treco estranho no cabelo.
Olhei para onde ela estava apontando. Avistei a mulher que estava com uma presilha vermelha realmente estranha prendendo sua trança, e ao seu lado vi um homem alto com olhos verdes, cabelos dourados e uma jaqueta de couro marrom, e pedia informação sobre algum cd.
- Não é todo dia que se encontra um desses pela cidade! – falou Emma.
- Há quanto tempo vocês estão secando esse cara? – perguntei, contendo minha vontade de rir.
- Não muito – respondeu Jody descaradamente – só há alguns minutos.
- Mas eu acho que ele é gay – falou Emma, decepcionada.
- E você constatou isso apenas o observando através da vitrine?
- Não. É que tem outro cara junto com ele, os dois estão juntos desde que chegaram. E são igualmente lindos!
- E isso o faz ser gay?
- É um tanto suspeito, não?
- Um pouco – concordei – Foi pra isso que me chamaram para o shopping?
- Claro que não – respondeu Emma virando os olhos – Vamos comprar os ingressos para o cinema.
Nós subimos até o último piso do shopping, onde se encontrava o melhor cinema da cidade, e também o mais caro.
Depois do filme nós fomos até uma loja de sapatos, onde Jody queria torrar o resto de seu dinheiro. Enquanto ela provava os sapatos, Emma e eu ficamos em pé, esperando.
- Claire! – chamou Emma, me cutucando.
- Que foi?
- Olha aquilo! – apontou ela com um aceno da cabeça para fora da loja.
Olhei para onde ela indicou. O homem que vimos mais cedo estava parado do lado de fora da loja olhando para mim. O olhar do homem era profundo e desviou quando viu Jody se aproximar.
- Que gato! – falou ela quase sem fôlego.
- UAU! – concordou Emma.
- Vai lá, Claire! – falou Jody me empurrando.
- Eu? Eu não!
- Ele tava olhando pra você! – continuou ela, eufórica.
Senti meu rosto enrubescer.
- Querem mais alguma coisa? – perguntou a vendedora.
- Quero sim. Meninas, vocês me esperam? – sem esperar respostas Jody seguiu com a moça para experimentar mais sapatos.
- Não sei pra que tudo isso – falou Emma impaciente – Ela sabe que só tem dois pés?
- Acho que sim. Vou dar uma olhada na livraria. Já volto – falei para Emma, saindo daquela loja.
Surpreendi-me com os livros que estavam na vitrine, com estórias cada vez mais sem sentido, com um romance entre um zumbi e uma humana. Na minha época os zumbis comiam cérebro de todas as pessoas que encontravam pela frente, não se apaixonavam. Tempos atrás eles nem pensavam, apenas agiam por instinto e se mantinham de pé apenas para devorar pessoas.
Desisti dos livros e entrei numa loja de CDs.
- Esse é muito bom, mas eu prefiro os mais antigos – falou o homem dos olhos verdes.
Coloquei o cd do AC/DC de volta na prateleira.
- Eu também.
- Meu nome é Gustavo – ele estendeu a mão, me cumprimentando.
- Claire.
- Esse é Lucas, meu amigo – apresentou-o quando um homem entrou na loja.
Aquele deveria ser o cara que as meninas acharam ser namorado de Gustavo.
Lucas era menor que Gustavo e, ao contrário de Gustavo que possuía um ar sedutor, sua aparência era simpática e inocente.
- Olá – falou ele parecendo constrangido – Claire...
Lucas estava tenso e o modo como ele pronunciou meu nome me deixou nervosa.
Gustavo o olhou de esguelha.
- Claire... – continuou ele – Você está correndo perigo!
Fiquei sem reação. Minha vontade era rir, mas sentia que eles realmente estavam falando sério.
- Vocês são loucos? – perguntei sem conseguir me conter.
- Eu falei que ela não iria acreditar – disse Gustavo a Lucas.
- Acreditar? – perguntei cínica.
- Claire? – chamou Jody entrando na loja, cheia de sacolas, ao lado de uma Emma emburrada e cansada, seu sorriso se abrindo ao ver os dois ao meu lado.
- Tudo bem? – perguntou Emma que percebeu minha expressão indignada.
- Vamos – puxei-as antes que Jody começasse a se enturmar com aqueles loucos.
- O que houve? – perguntou ela assustada.
- O que há de errado? – perguntou Emma.
- Esses dois são doidos! – respondi já na saída do shopping.
- Vish – falou Jody com pensamentos maliciosos.
- Não nesse sentido – falei – Eles só... Me dão medo!
- Claire! – chamou Jody quase correndo ao meu lado, seu cabelo encaracolado quicando em suas costas – Só para você saber... Eles estão ali atrás.
- Estão nos seguindo? – perguntei, apressando ainda mais o passo.
- Acho que não. Só querem ir embora.
- Claire. O que está acontecendo com você? – perguntou Emma preocupada.
- Eu não estou louca! – falei ofendida.
Agora eu tinha certeza de que algo errado estava realmente acontecendo.
- Não foi isso que eu perguntei!
- Coisas estranhas estão acontecendo.
- Estranhas como?
- Eu não sei explicar. Só... Não normais.
Contei sobre a minha volta para casa no bosque e as garotas do ônibus e o que Lucas me falou.
- Você não deveria chamar a polícia? – perguntou Jody enquanto entrávamos no terminal.
Já estava escuro e o vento havia diminuído de intensidade.
- Não. É claro que não.
Meu ônibus entrava no terminal.
- Claire, é melhor você passar a noite lá em casa – falou Emma preocupada.
- Não, obrigada. Eu vou ficar bem.
- Vai mesmo?
- Eu sei me cuidar!
Embarquei, deixando minhas amigas preocupadas para trás.
A essa hora o ônibus estava quase vazio e pude sentar no caminho de volta para casa.
Minha cabeça estava latejando. As luzes do ônibus começaram a piscar, a temperatura despencou repentinamente.
Lá fora, relâmpagos clareavam o céu noturno.
Senti que algo estava muito, muito errado. Nunca havia sentido uma dor de cabeça tão súbita e intensa antes.
O vidro do ônibus ficou embaçado e a luz se apagou.
Os passageiros reclamaram eufóricos. A escuridão era uma boa oportunidade para bandidos fazerem mais vítimas nos ônibus.
Minha mente estava longe, e quando me dei conta o ônibus parou no terminal. Desembarcamos. Pessoas ainda reclamavam da ausência de luz.
Com a cabeça explodindo deixei meus pés me guiarem até em casa. A rua estava toda no escuro. Todas as casas estavam com suas cortinas puxadas, tampando a visão das janelas.
Havia um Camaro preto e antigo, estacionado no fim da rua.
Cheguei ao portão de casa, o rangido quebrando o silêncio da noite. Peguei meu celular e ascendi à luz da lanterna. Olhei para o céu, sem lua, sem estrelas, apenas relâmpagos cortando sua escuridão.
Um arrepio percorreu meu corpo.
A luz pareceu se apagar, com minha cabeça ainda estourando. Quando voltou ao normal tirei meu sapato antes de entrar, pisando na cerâmica gelada. E ao abrir a porta, um vento frio voou em meu rosto. A luz do celular iluminava apenas uma faixa pequena em minha frente.
- Mãe? – chamei indo até a sala.
Um mau pressentimento se apoderou de mim quando não obtive respostas.
Algo quebrou na cozinha. Virei-me. Meu pé pisando em uma poça grudenta.
Abaixei a luz do meu celular que iluminou o chão. Meu coração quase parou quando vi a cor vermelha de uma pegada que tingia o chão.
Recuei. Meu pé deixando pegadas de sangue na cerâmica branca.
- MÃE? – gritei sem conseguir imaginar a origem de todo aquele sangue.
Respirei fundo e segui com a luz. Contornei a poça e dei de cara com uma imagem que nunca irei esquecer – O corpo pálido tingido de sangue da minha mãe, que jazia sem vida no chão, seu corpo parecia ter sido estraçalhado.
- NÃO! – gritei, sem conseguir me conter, me ajoelhando ao seu lado e abraçando seu corpo morto.
Senti alguém atrás de mim. Ouvi uma respiração ofegante.
Meus olhos estavam transbordando, meu mundo havia caído já não me importava com mais nada.
Ouvi um som estrondoso e alguém me puxou para fora dali.
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