Descendentes
53 Capitulo 50.2
Notas iniciais
lo 50.2 — O Tempo
As coisas sempre acontecem da maneira errada ou será que somos nós que fazemos tudo errado? Eu me perguntei isso muitas vezes durante os últimos dias, lembrei de ter ouvido minha mãe, Elizabeth, falando com meu pai, John, sobre meu futuro, o quanto ela temia por mim. A avó de Alice viu meu futuro, eu seria um monstro perfeito, daqueles que dava medo apenas de olhar. Mas pensando bem, nesse momento as pessoas tem medo de mim. Só havia algo que não se encaixa na visão do meu futuro, a avó de Alice viu um monstro por natureza em mim e o monstro que virei hoje foi forjado pela dor da perda, há uma diferença.
A luz cegava meus olhos, não consegui focar em nada durante um tempo, até que meus olhos se acostumaram com a claridade. Olhei em volta, estava em uma floresta, não saberia dizer qual floresta. Me levanto e bato a sujeira das minhas roupas e começo a andar, preciso achar a saída dessa floresta o mais rápido possível, eu estou correndo contra o tempo.
(...)
Eu estava em cima de uma árvore, apenas assistia de longe a cena que se passava em minha frente, eu queria muito chegar perto mas eu sabia os riscos. Eu sempre soube os riscos da minha loucura. Fiquei lá apenas observando até o momento que tudo acabou e ela partiu.
Saltei da árvore e caminhei em sua direção, realmente era algo assustador de se ver. Thomas era meu irmão gêmeo, porém, estar cara a cara comigo mesmo é bem mais assustador.
— Thomas. — Eu digo para mim mesmo. – Você estava aí há muito tempo?
Era estranho porque eu conseguia sentir exatamente o que ele estava sentindo. Ele me analisou de cima a abaixo e então voltou a me olhar novamente nos olhos.
— Não, você não é o Thomas. — Eu digo novamente para mim.
— Quem é você?
— Eu quero que você me escute com toda atenção. — Eu digo para meu eu do passado. – O seu futuro vai depender disso.
(...)
O primeiro impacto veio como aquela sensação de quase estar se afogando, senti meus olhos se abrirem com força e eu buscar por ar como se minha vida dependesse disso. Bella estava ao meu lado, senti suas mãos em meu ombro, ela me olhou tentando entender o que estava acontecendo. Olhei em volta, foi quando aconteceu tudo novamente do jeitinho que eu me lembrava.
Algo rápido e com um grande impacto os portões foram derrubados e eles passaram, vários e vários soldados seguindo cegamente a rainha para a morte certa.
A guarda principal foi a primeira a ir em campo, contra-atacando e lutando, em seguida o segundo comando liderado por Félix e Demetri e então a Guarda de Elite do acampamento se pôs em campo, liderada por John e Elizabeth.
Eu sabia que precisava ser rápido, eu tinha que ser rápido porque eu sabia exatamente o que aconteceria depois dali.
— Eu preciso fazer algo. — Digo para Bella e os outros me olham. — Por favor, tentem conter eles o máximo que poderem até eu voltar. Eric, avisa o Thomas que precisamos dele aqui no campo de batalha, ele está com Tia no lado oeste, diga que o que eles estão fazendo não irá funcionar. E que eu preciso deles aqui agora.
Bella me olha bem confusa, mas não diz nada, apenas aperta minha mão com força e então solta mas eu não consigo partir, não depois de sentir que dessa vez seu toque é real. Eu puxo e beijo ela com muita vontade e muita saudade.
— Não entre em uma briga com a rainha sem mim. — Digo para ela e então me afasto e corro o mais rápido possível em direção à casa dos Swan, preciso de algo que está lá.
(...)
Quando eu voltei as coisas seguiam seu rumo, olhei em volta e vi que os soldados conseguiram avançar, nos alcançando, mas estávamos prontos. Lutamos juntos derrubando todos que conseguiram passar pelos pelotões principais, Jasper e Bella usavam os seus arcos e flechas para acertar de longe alcance nossos atacantes, evitando lutar corpo a corpo. Rosie usou o elemento vento para mandar boa parte deles pelos ares. Foi quando eles apareceram. Os gêmeos e a irmã de Bella, o fim estava próximo.
— Eu cuido do cara. — Emmett disse, se referindo a Alec.
— Jane é minha. — Bella diz, estralando seus dedos.
E tudo que fiz foi olhar para ela com mais admiração possível, meu olhar era pura doçura em relação a ela, sim, eu não deixaria ela morrer dessa vez.
— Acho que vou dizer oi para minha cunhada. — Digo, sorrindo de canto para Bella. — Acho que tenho umas coisas novas para ela.
— Tome cuidado. — Bella me diz. — Heidi é tão habilidosa quanto minha mãe, não se engane.
— Eu sei quem é sua irmã. — Digo, sorrindo levemente para ela. — E também sei certamente como ela vai morrer.
As lutas tomaram rumos diferentes, os outros seguiram em suas posições assim como nós seguimos para derrubá-los de vez. Emmett lutou de igual para igual com Alec, agora que ele não tinha mais seu Apanhador de Alma. Mas Alec ainda era mais forte, houve um momento que ele quase conseguiu pegar Emmett de jeito, foi quando Rosie entrou na briga, ambos lutaram juntos e foi questão de segundos para o loiro ser morto, seu corpo cortado ao meio e sua cabeça caindo fora de corpo. Jane sentiu a perda, o que deixou ela bem mais furiosa. Eu conseguia entender sua dor, eu já sabia como era perder alguém querido. Bella lutava de igual para igual com ela. Eu sabia perfeitamente como terminaria essa briga, eu sabia que no final mesmo com toda sua dificuldade Bella mataria a vaca loura. Ela mandou Bella pelo ares com uma rajada de vento, o que fez Jane correr em direção a Emmett e Rosie sedenta por raiva desejando vingança. Ela conseguiu ir encurralando Emmett e Rosie, arrancando deles suas armas.
— Digam adeus, seus bastados. — Ela disse, pronta para empunhar a espada contra os dois.
— Adeus, Vadia. — Bella disse e enfiou suas duas espadas nela, perfurando seu corpo. – Nunca dê as costas para seu inimigo, ainda mais se estiver lutando sozinha.
— Obrigada. — Rosie disse, sorrindo e levantando junto com Emmett.
— Não abaixem a guarda, ainda temos muitos inimigos. — Ela falou e voltou sua atenção para sua volta. Me avistando ao longe.
(...)
Minha luta com Heidi estava equilibrada de igual para igual, ela não esperava que eu fosse tão forte assim, ela não era uma de suas ilusões, essa era real, sabia pelo modo como ela contornava a luta.
— Assim que eu acabar com você eu matarei ela. — Heidi disse, sorrindo. — Sabe, minha mãe só quer o coração dela, nada mais, depois disso ela estará morta de qualquer jeito.
— Você não tocará nela. Acho que está na hora de acabar com isso. — Digo e Heidi me olha intrigada.
— Você fala como se já soubesse o resultado dessa briga. — Heidi comenta.
— Eu sei. — Digo, dando um sorriso de canto. — Você morre.
Heidi grunhi com raiva e parte para cima, eu giro minha lança e uso o elemento terra puxando os pés de Heidi prendendo no chão ao mesmo momento que minha lança atravessa sua garganta.
— Desculpa. — Digo, olhando para Heidi que agonizava em minha frente. — Mas eu tenho pressa nessa batalha.
— Você está diferente. — Ela diz, perdendo o fôlego.
— Eu sei. — Digo e puxo a lança enquanto o corpo de Heidi cai próximo aos meus pés, sem vida.
Vejo ao longe Bella, ela está me olhando. E nesse momento eu sabia exatamente o que aconteceria, a explosão grande e avassaladora veio. Ela apareceu em toda a sua glória, a mulher que deu início a tudo isso estava ali e dessa vez era ela, sem ilusões. Dessa vez seria diferente, eu não deixaria Bella morrer.
— Você pagará por isso, jovem Drácula. — Ela disse, partindo para cima de mim.
Margarida usava duas espada assim como Bella, ela me atacou, sim, foi diferente porque meu eu do passado tinha sofrido uma grande descoberta. Usei minha lança para lutar de igual para igual com ela prevendo cada movimento dela e atacando novamente, até mesmo quando ela pensou que tinha me pego em sua armadilha com as espadas eu usei o elemento raio para acertar em cheio sua mão esquerda, fazendo sua espada cair a milhas de distância dela.
— O que aconteceu com você? — Ela disse entre os dentes. — Como ficou tão forte?
— Você matou meu coração e me fez virar um monstro. — Digo, mantendo minha postura de ataque. Não notei nada o que acontecia à minha volta, não notei nada mesmo.
— Não será o bastante, acabarei com você aqui e agora. — Margarida diz, segurando sua espada com as duas mãos.
Ela conseguiu me atacar novamente e dessa vez ela me atingiu com força e me mandou para longe. A dor do seu ataque não foi nada comparado com a dor que senti ao ter Bella morta em meus braços. Eu sabia exatamente que nesse momento meu pai entrou na briga.
— Mantenha ela longe da Bella. — Eu digo e meu pai, que me olha sem entender.
Nesse momento Thomas entra em campo junto com Tia, Bella estava longe lutando com outros Soldados e Apanhadores. Margarida me olhou intrigada sem entender o que estava acontecendo.
— Eu não quero ela. — Margarida fala. — A não ser que eu vá pegar meu coração de volta, fora isso ela não me serve para nada. Mas já você, jovem drácula, é de grande ajuda.
— Thomas. — Eu grito e ele vem em nossa direção. – Agora!
Margarida não entendeu até que foi atingida com raios, o que fez seu corpo se contorcer com toda a dor, já que a descarga elétrica foi de milhões de volts. Quando ela cai de joelho no chão, se firmando apenas em sua espada eu olhei para ela e vi pela primeira vez o medo em seus olhos.
— Não, você não vai me destruir por causa dela. — Ela gritou e fez uma ventania sua em nossa volta.
— Não, eu não vou. — Digo e ela tem aqueles olhos dourados assustadores sobre mim. – Você ficará presa aproveitando a sua tão sonhada eternidade.
Ela me olhou sem entender, tinha um sorriso no canto dos lábios, talvez ela fosse dizer algo sarcástico ou ser irônica, algo do tipo, mas quando viu a caixa nas minhas mãos ela entendeu.
— Não. — Ela gritou e tentou correr, mas do mesmo jeito que eu fiz com Heidi eu fiz com ela, prendi seus pés ao chão e quando a caixa foi aberta ela foi sugada para dentro dela com toda sua força, e então eu a fechei selando a tão temida Rainha Louca dentro da caixa de Pandora. Uma caixa criada pelos deuses para prender todos os demônios e agora estava prendendo a mulher que me causou a maior dor do mundo.
— Acabou. — Eu digo, caindo de joelhos esgotado.
— Como? — A voz que veio atrás de mim foi dela. – Como você sabia onde estava a caixa?
— Uma garota bem louca me contou. — Ao dizer isso perco completamente a consciência.
(...)
O barulho irritante do bipe me incomodava, meus olhos estavam pesados demais para conseguir se manterem abertos, o sono me consumia cada vez mais, eu queria poder abrir os olhos, eu realmente queria poder abrir os olhos, eu conseguia ouvir a voz deles, de cada um deles, de cada um que me cercava, a voz de Bella ali era o que me deixava ainda mais confortável. E então novamente eu fui vencido pelo cansaço, estava novamente perdendo os sentidos e adormecendo.
(...)
Meu corpo estava dolorido e eu me sentia pesado, o barulho do bipe ainda me incomodava, aos poucos fui me forçando a abrir os olhos, então fui me acostumando com a claridade. Ela estava ali deitada ao meu lado na cama, adormecida em meus braços, o peso dela estava sobre meu corpo e o color que isso produzia era incrivelmente agradável.
— É bom saber que você está aqui. — Sussurro baixo para ela não acordar.
Nesse momento Esme entra no quarto e me vê de olhos abertos.
— Minha nossa. — Ela diz surpresa. – Você acordou!
Bella se mexe em meus abraços e acorda assustada, mas quando ela me vê de olhos abertos seus lindos olhos negros enchem-se de lágrimas e ela começa a chorar compulsivamente sobre meu peito, dizendo palavras sem sentido.
— Está tudo bem, está tudo bem. — Eu digo, acariciado suas costas. – Eu estou bem.
— Eu pensei que você nunca mais fosse acordar. — Ela me diz, ainda chorando e me beijando nos lábios, me fazendo provar o gosto das suas lágrimas salgadas.
— Edward, precisamos fazer alguns exames em você. — Esme diz. — Pedi para informar seus pais sobre o fato de você ter acordado.
— Por que tanto alvoroço? — Eu pergunto, não entendendo as reações delas.
Bella para me olhando seriamente e então dá um sorriso tímido e passa as mãos pelo meu rosto, tocando com cuidado, talvez até medo de não ser real.
— Edward, você entrou em coma. — Esme diz e olho assustado para ela. – Você está dormindo tem seis meses.
Puta que pariu, o que foi que aconteceu? Tudo que lembro foi da batalha e de ter usado a caixa de Pandora. E agora vem isso acontecer. Como foi possível? O que foi que aconteceu afinal?
Continua...
“Enquanto a luz do farol estiver acesa, meu coração sempre será seu.”
― Scooby-Doo
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