Descendentes
51 Capitulo 50
Notas iniciais
Capítulo 50 – Um quarto de loucura
Eu estava andando pelo acampamento, ainda era cedo mas eu sabia que ela estaria acordada porque ela estava ajudando algumas bruxas com magia.
— Alice. — Chamei ela assim que a vi ao longe, ela tentou correr mas eu consegui alcançar ela. – Espera.
— Me solta ou vou gritar. — Ela diz.
— Solta ela agora. — A voz era de Jasper, ele estava atrás de mim.
— Relaxa, eu não vou fazer nada com sua namorada. — Digo, soltando o braço dela. — Preciso que você faça algo para mim.
— E por que eu faria algo para você? — Alice perguntou. – Até onde eu sei você tentou me matar.
— Você provocou. — Digo, sem a menor vergonha disso. — Preciso que você me ajude a visitar o Mundo dos Mortos, na verdade, a cidadela.
— O quê? Como? — Ela diz bem confusa.
— Você mandou Bella para o Mundo dos Mortos uma vez, foi assim que ela encontrou a minha mãe, os espíritos dos mortos ficam em uma cidadela, Cidade dos Mortos. Quero que meu espírito vá para a cidadela.
— Eu não posso fazer isso. — Alice diz e estreito meu olhar para ela. — Não foi exatamente eu que mandei Bella para a cidade, foi outra pessoa que fez o encantamento, eu apenas encontrei com ela na cidadela porque nós bruxas brancas conseguimos transitar entre esses dois mundos.
— Você pode vê-la? — Eu pergunto.
— Eu tentei, mas eu nunca vi seu espírito na cidadela. — Alice diz. — É como se o espírito dela nunca tivesse passado por lá.
— Isso é possível?
— Meio que sim. — Alice com cautela nas palavras. – A cidadela é para espíritos bons, sem maldade e remorso no coração. — Ela me olha. – Não é bem o caso da Bella, você sabe disso. Ela não era a pessoa mais bondosa do mundo e seu coração era bem cruel.
— O que está dizendo?
— Que talvez ela tenha ido direto para o submundo.
— Você não está me ajudando em nada. — Digo, empurrando ela para sair do meu caminho. – Espera. — Digo, olhando para ela. — Quem foi a pessoa que ajudou ela a ir para a cidadela?
— Eu não sei. — Ela me diz. — Eu não era a única bruxa que ela conhecia.
Alice e Jasper saíram me deixando sozinho, realmente Bella conhecia muitas pessoas, e havia alguém que conhecia ela também, era Rosie. Saí em busca de Rosie pelo acampamento, ela normalmente ficava na sala de treinamento, ela foi encarregada de treinar os novatos. Algo que ela fazia com grande capacidade.
— Oi. — Digo, encostado na porta, Rosie sorriu ao me ver.
— Por hoje é só, vocês estão dispensados. — Ela diz. – Uma visita sua, deve ter brigado com alguém. — Ela comenta sorrindo.
— Na verdade, as únicas pessoas que encontrei hoje pela manhã foram seu irmão e Alice.
— Vocês não brigaram novamente?
— Não. — Digo. — Queria que Alice fizesse uma coisa para mim.
— O que exatamente? Alice não fará nada para você. E você sabe disso. — Rosie comenta.
— Eu sei, mas tinha um plano em mente. — Informo. — Mas ela não sabe usar o feitiço que pedi para ela.
— Que feitiço?
— O de quase morte. — Digo. — Queria ir para a cidadela, ver se via Bella lá.
— Edward, já tem tempo que ela se foi. — Rosie diz. — Seria impossível.
— Alice disse que ela não está na cidadela. — Eu informo. — Ela tentou achar Bella lá, ela acredita que Bella foi direto para o submundo.
— Bem provável. — Rosie diz. — Bella não era a pessoa mais pura de coração, ela mudou muito depois que conheceu você, mas não acho que ela estaria na Cidade dos Mortos.
— Alice me disse a mesma coisa. — Digo frustrado. – Ela me deixou uma carta.
— Sério?
— Oh, assim como de costume Bella sempre teve um plano B, o problema é que ela quer que eu descubra.
— Bem a cara dela. — Rosie disse. — Quando ela estava me treinado e me ensinado a usar o elemento vento, ela me jogou de um penhasco e disse: “Crie uma tempestade de vento ou você morrerá”.
— Isso é a cara dela. — Eu digo. — Fazer uma coisa louca e imprevisível. Só que não deixar informações de onde posso trazer ela de volta é tolice.
— Talvez ela não soubesse. — Rosie comenta. — Edward, ela sempre deixou as coisas claras para você, por que justo na sua morte ela iria deixar um enigma para você?
— Por que é Bella, no dia que ela fizer algo que se julgue certo e previsível nesse dia um deus morrerá no Olimpo.
— Ela sempre teve dois planos, era a cara dela. — Rosie diz. — E o segundo plano ela nunca contava.
Eu fico em silêncio por um tempo olhando para Rosie, ela disse a verdade, Bella nunca revelava seu plano, nunca o segundo. O que faz cair a ficha em relação a algo.
— Você sabe onde ela colocou o Espelho Mágico? — Pergunto para Rosie.
— Depois que ela morreu o espelho ficou com sua mãe. — Rosie diz. — Renée deu pessoalmente para sua mãe.
— A Rosa de Ouro você chegou a ver alguma vez?
— Eu sempre soube que ela tinha a verdadeira, Edward, mas nunca soube onde ela colocou, de todas as seis relíquias, as únicas que cheguei a ver foram o espelho, o Livro da Morte e sua lança, mas as outras nunca vi.
— Bella sabia onde cada relíquia estava. — Eu comento.
— Ela escondeu cada uma delas. — Rosie comenta. — Por que está perguntando, não está planejando reuni-las?
— Eu confesso que pensei sobre isso quando achei a carta dela. — Digo a verdade para a loira. — Mas se eu fizer isso, eu posso destruir de vez esse lugar. E aí sim eu perderia ela de vez para sempre. Mas eu sei que existe outro jeito, eu sei. Bella também tinha essa certeza, ela não sabia era qual direção tomar.
— Uma bússola seria ótimo. — Rosie comenta, sorrindo levemente. — Eu não posso lhe ajudar, eu nem saberia como. A única coisa que penso é se pudéssemos voltar no tempo, seria perfeito mudar aquele momento.
— Voltar no tempo mudaria tudo. — Eu comento e me afasto da porta. – Até mais, Rosie, nos vemos outra hora. Diga um oi para Emmett.
— Claro.
Sigo andando pelos corredores, é impossível não notar os olhares da pessoas, eles tem medo de mim, eu não os culpo, eu matei algumas pessoas em praça pública apenas por estar com raiva, descontei em nossos inimigos todas as minhas frustração sobre perder ela, agora eu entendo um pouco como ela se sentia quando era ela em meu lugar.
(...)
— Toda história tem um ponto de partida. — Era a voz dela, eu estava deitado na campina onde nos casamos. – Qual teria sido a nossa partida?
— Quando você me deixou. — Eu comento.
— Parece que já está acostumado com minha presença. — Ela diz com ironia, sinto como se ela tivesse ali de verdade, se sentando ao meu lado. – Gosto desse lugar, é calmo, me trazia paz.
— Também gosto daqui. — Eu digo, mantendo meus olhos fechados, ainda não quero olhar para ela. — Mas porque foi aqui que nos casamos.
— Uma péssima ironia. — Ela diz. — Parece que você agora é temido, no final conseguiu o que tanto desejava.
— E perdi o que mais amava.
— Não se pode ter tudo. — Ela me diz. — Teria que abrir mão de algo.
— Então sendo assim, abro mão de toda a minha glória se isso me der você de volta.
— Estar de volta? É cruel até para mim.
— Não acho que seja.
— Por que quer tanto que eu volte?
— Por que eu preciso de você!
— Você deveria estar feliz, está livre.
— Me sinto completamente preso.
— Então devia se livrar do que está lhe prendendo. — Ela diz isso e então sinto seus lábios sobre os meus, o que me faz abrir os olhos e ver que ela não está ali.
Fico olhando para o nada e vendo as nuvens brancas no céu azul passarem levemente sem pressa algumas. O tempo passa lentamente quando queremos que ele passe, e rápido demais quando desejamos que ele não passe. Queria poder parar o tempo, ou voltar ele para um momento exato. Esse pensamento me fez lembrar de algo, algo que até então eu tinha esquecido devido a minha dor e meu luto.
No funeral de Bella eu vi Charlie falando com minha mãe, na hora eu não dei muita importância, mas antes dele sair de vez ele disse algo para ela, na hora eu não liguei mesmo e me perguntei o por quê, mas agora eu me lembro como se fosse hoje...
[~*~*~]
Estava tudo perfeito, era o funeral mais lindo que já tinha ido em minha vida toda, uma pena era que era da mulher que amo, levou sete dias para se fazer o funeral, havia flores brancas por todo lado, rosa com cheiro, o seu corpo estava dentro de caixão de vidro, e dentro dele havia várias e várias flores branca, seu cabelo estava solto caído ao lado do seu rosto, ela usava um lindo vestido azul bebê, seus olhos estavam fechados e parecia que ela estava dormindo.
Eu lembro de ter chorado do começo ao fim do velório e quando o corpo foi enterrado eu chorei ainda mais pois meu peito doía ainda mais, nesse momento que eu vi Charlie falando com minha mãe e meu pai, mas ele se direcionou para Elizabeth.
— Sentimos muito a sua perda. — Minha mãe disse.
— Lamento, Charlie. — Meu pai disse.
— Quero que faça algo. — Charlie diz para minha mãe. — Destrua aquela máquina, eu sei que você ainda tem, Bella deixou claro isso, eu quero que você destrua ela, antes que nos coloque novamente em problemas.
— Charlie... — Minha mãe diz.
— Não é um pedido, Elizabeth, é uma ordem.
E depois de dizer isso ele partiu com Renée, eu fiquei lá durante dois longos dias até o cansaço me dominar e eu desmaiar ali no chão do cemitério.
[~*~*~]
Vendo hoje aquela conversa faz um pouco de sentido agora, Bella uma vez também comentou algo sobre minha mãe ter roubado algo do pai dela em nossa sala e mandou minha mãe destruir aquela máquina ou seria sua destruição. Do que exatamente eles estavam falando?
(...)
Entrei em casa correndo, Sue me olhou assustada, ela era a única que parecia entender minha dor naquela casa, Thomas estava ocupado demais com Tia para sentir pena do seu irmão e meu pai estava envolvido demais com os problema pós guerra que tinha.
— Viu a minha mãe, Sue? — Eu pergunto.
— A senhora não está. — Sue me informa. — Foi ao encontro do seu pai, parece que eles encontraram alguma coisa diferente.
— Sue, posso lhe perguntar uma coisa?
— Já está perguntando, menino. — Ela me diz sorrindo. — Mas, sim, pode perguntar.
— Você sabe onde minha mãe fez seu laboratório secreto, não sabe?
— Por que quer saber? Menino, é perigoso.
— Ela guarda uma coisa lá que preciso achar.
— Nunca diga que foi eu que lhe falei isso. — Sue me diz e sorri docemente. — Na floresta proibida, procure a árvore mais alta.
— Obrigado, Sue, você é a melhor. — Digo, beijando seu rosto.
— Tenha cuidado, menino. — Ela disse docemente.
(...)
Assim como Sue disse, não foi difícil encontrar o local, mas eu precisava descobrir como entrar, tinha uma tranca mágica que por mais que eu tentasse destrancar eu não conseguia, perdi uma noite inteira tentando descobrir como abrir, mas foi tempo perdido, nada funcionou.
Eu voltei para o acampamento, meu pai já estava de volta mas ele não era o único, os Swan também estavam de volta. Renée e Charlie estavam na cidade novamente, eles sempre voltavam mas nunca ficavam tempo suficiente para se acostumar.
— Charlie. — Eu cumprimentei ele. — Renée.
— Menino. — Renée disse. —Que bom vê-lo. Espero que esteja tudo bem, você está com uma cara péssima.
— Tive alguns contratempos essa noite. — Digo de maneira mais sincera. – Posso falar com você, Charlie?
— Edward, tem que ser rápido, preciso passar um relatório para Carlisle e partiremos hoje mesmo.
— Será rápido. — Eu digo. – Me acompanha em uma pequena caminhada?
— Claro. Renée, querida, vá para casa, já, já estarei com você. — Charlie diz e beija a esposa. – Soube que você se tornou um grande problema, meu jovem.
— Ando tendo alguns problemas, mas nada que não possa resolver.
— Imagino que seu pai está puxando os cabelos agora. — Ele diz sorrindo. — Bella fazia a mesma coisa com a gente.
— Charlie, por que mandou minha mãe destruir máquina? — Ele ficou calado e me olhou de canto.
— Então ela fez o que eu disse?
— Claro. — Eu minto, eu sei que minha mãe nunca vai destruir a máquina seja ela qual for.
— Era o melhor a se fazer. — Charlie diz. — Poderia cair em tentação e acabar usando.
— E seria tão ruim assim?
— Na verdade você não é o único que sente falta dela. — Charlie diz. – Eu pedi para sua mãe destruir a máquina do tempo porque eu sabia que em algum momento ou eu ou você poderíamos ter a brilhante ideia de querer usar ela para trazer Bella de volta.
— E qual é o problema nisso? Você não me perguntou, apenas fez sua escolha.
— Voltar no tempo muda o passado, tudo isso terá algum risco, Edward, não sabemos quais são esses, seria arriscar demais.
— Ficar sem ela é bem pior. — Digo. — Ela não está na cidadela, nunca esteve. Você não devia ter mandado minha mãe destruir algo que poderia trazer ela de volta.
— E junto Margarida. — Charlie diz. — Trazer Bella de volta é trazer Margarida os corações delas eram um só e você sabe disse.
— Íamos usar a caixa de Pandora.
— Bella não sabia como usar a caixa de Pandora. — Charlie diz. — De todas as armas mágicas, essa era a única que ela não conseguia usar, ela tinha medo de ser sugada junto com Margarida, ela nunca levou a caixa para o campo de batalha.
— Eu sei disso. — Digo, sabendo porque achei a caixa em seu armário. — Mas eu sei usar a caixa, e sei exatamente o que vou fazer agora.
— Do que está falando? — Charlie diz me olhando. — Mesmo que a máquina do tempo não tivesse sido destruída ela não funcionaria, falta algo nela que nem eu consegui descobrir, ela precisa de uma grande quantidade de energia, aqui no acampamento não possui nada com tanta quantidade de energia.
— Talvez você nunca tivesse procurado por algo assim. — Digo. — Obrigado pela conversa, Charlie, você disse tudo que preciso saber.
— Menino, espere. — Ele grita, mas eu deixo ele para trás.
Eu não menti, eu aprendi a usar a caixa de Pandora, eu aprendi não só a usar a caixa como também aprendi a usar outros poderes, em batalha com aquela bruxa eu nunca perderia. Não mais.
(...)
Andei pelo acampamento atrás dela novamente, até que achei ela novamente com Jasper.
— Alice. — Eu chamo e ela me olha feio. – Preciso de um favor.
— Não farei nada para você. — Alice me diz.
Em um movimento rápido eu enfio uma adaga no ombro esquerdo de Jasper, pressionando ele contra a parede.
— Eu mato ele se você não fizer. — Jasper geme de dor e Alice me olha assustada e temerosa pelo seu namorado. – Não é nada pessoal, mas ela não vai fazer o que vou pedir se eu não a motivar devidamente.
— Você me paga, Edward. — Jasper diz ofegante, ele está sangrando.
— Pode mandar a conta. — Eu digo. — Quero a Rosa de Ouro, é bom você achar ela rápido, Alice, ou eu vou matar ele, pode crer que vou.
Digo para Alice e seguro Jasper, sumindo com ele pelos corredores da escola.
The End
“Dê-me o que eu quero e eu irei embora.”
― Tempestade do século
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