Descendentes
40 Capitulo 39
Notas iniciais
Capítulo 39 – Uma visita inesperada.
P.O.V. Bella
A noite passou rápido, quando o sol nasceu eu me direcionei até o laboratório do meu pai, ele estava trabalhando em algo, algo que eu não sabia ainda o que era.
— Você precisa comer. – Digo, colocando uma bandeja de café sobre uma das mesas. – Também precisa descansar.
— Ainda não posso, estou terminando algo importante.
— Que seria?
— Uma máquina do tempo. – Ele me diz e eu sei exatamente porque ele está construindo ela.
— Você sabe o que vai acontecer se você terminar isso. – Eu digo e então ele se apoia sobre a mesa.
— Eu preciso dela, eu preciso. – Ele sussurra.
— Se você mudar o passado, mudará algo no futuro, pode apenas estar adiando o inevitável.
— Ela era sua mãe. – Ele grita. — Eu a amava.
— Eu também, pai. – Digo e ele me olha, está cansado e abatido, a dor é visível em seus olhos. – Destrói isso, por favor.
— Você não entende, Bella, você não lembra, talvez isso seja bom para você, a dor não existe para você.
— Eu me lembro dela, eu não lembro da sua morte, mas dela nunca poderia esquecer. – Informo. — Me olha, por favor, destrói essa máquina antes que alguém descubra sobre ela.
— Ela ainda não está pronta, precisa de bem mais coisa para ser finalizada.
— Pai, foi assim que deu início a essa confusão toda, foi assim que novas gerações e descendências nasceram, linhagem impuras, assim chamadas por Frank. Não acho que seja uma boa ideia começar a mexer com o passado. – Explico.
— Eu preciso dela, você não entende.
— Eu entendo que você precisa comer e dormir. – Digo, tocando seu ombro e guiando ele até a comida. — Pai, eu vou achar um jeito, eu prometo, eu vou achar um jeito. – Sussurro para ele e vejo ele respirar em frustração.
(...)
Eu estava no jardim sul, o mais longe de todo jardim, ele era o único jardim que ficava deserto durante o dia por ser o mais longe de todos, então eu sabia que ninguém apareceria aqui.
— Está atrasada. – Digo, quando ela aparece.
— Você que sempre chega cedo demais. – Ela me diz.
— Trouxe o que pedi?
— Claro. – Ela diz e me joga o pequeno frasco com um líquido dentro. – Apenas uma gota, todos os dias, e as lembranças dele ficarão contidas.
— O que acontece quando acaba?
— As lembranças vão voltando ao poucos. Talvez mais forte do que o normal.
— Risco? – Eu pergunto.
— Sempre há um risco. – Ela me diz. — Mas nesse caso é zero de risco, você apenas está contendo as lembranças, não está apagando ela.
— Entendo. – Digo.
— Posso saber para que quer algo tão perigoso assim?
— Taí algo que não é da sua conta. – Digo, dando um sorriso de canto.
— Ouvi dizer que tinha mudado.
— Mudei. – Digo, virando de costa para ela. — Para pior, pode acreditar, melhor não falar disso para ninguém, se não vou arrancar sua cabeça.
— Você realmente não lembra? – Ela quis saber.
— Você é a segunda pessoa que me pergunta pelas minhas lembranças. – Digo, olhando para ela sobre meu ombro. — A resposta é não, eu não lembro de nada. Mas começo a achar que devia lembrar. Adeus.
Ela some primeiro do que eu, isso aqui me será útil, ela não tem ideia do quanto.
(...)
Estava sentada na praça principal quando Edward veio em minha direção, ele estava vindo da sala de treinamento de dentro do castelo, junto com ele estava Emmett e sua querida amiga Lucy. Ele sorriu assim que me viu e eu me levantei assim que olhei ele.
— Olá. – Digo e ele sorri. – Emmett, Lucy.
— Oi. – Emmett disse, acenando com a cabeça.
— Bella. – Lucy disse, muito a contragosto.
— Achei que estava em casa. – Edward disse, sorrindo.
As aula só voltariam na semana que vem, então ainda tínhamos alguns dias de folga da escola.
— Estava, mas começou a ficar chato. – Digo. – Que tal um passeio? – Pergunto e vejo Lucy bufar de raiva.
— Será ótimo. – Ele diz. — Droga, esqueci de entregar o relatório da missão para o papai. – Ele fala logo em seguida. — Você me espera aqui? – Ele pergunta. — Vou rápido, já volto.
— Claro. – Digo, sorrindo e ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, causando um arrepio pelo meu corpo todo.
— Já volto. – Ele diz e sai correndo.
— Bom, eu vou nessa, meus pais estão me esperando. Até mais, Bella.
— Até mais, Emmett, lembranças a Rosie.
— Claro. – Ele diz e então parte em seu destino.
Lucy está me olhando de cima a baixo, ela fica me encarando como se me analisasse.
— Você parece estar diferente. – Ela disse.
— Não entendo, o que quer dizer.
— Sem piadas, sem comentários maldosos ou sarcástico, sem suas tradicionais ironias. Pelo visto a perda da sua memória mudou também sua personalidade.
— E isso lhe incomoda?
— Não imagina o quanto. – Ela diz, irritada. — Sei que está fingindo tudo, essa doçura, falsa gentileza, o fato de não se importar. Eu sei que tudo é uma mentira para conquistar ele.
— É isso que lhe incomoda. – Eu digo e ela estreita os olhos sobre mim. — Saber que mesmo eu tendo perdido a memória, ele ainda me prefere.
— Ele não prefere você, ele sente pena de você. – Ela diz.
— Sério? Por que ele sentiria pena de mim?
— Olha para você, uma infeliz que teve a mãe morta, e sua mãe biológica que quer matar você. Você é um fracasso como pessoa e pior ainda, é digna de pena.
— Pode até ser, mas no final é comigo que ele está. – Eu digo e ela bufa.
— Por pouco tempo, porque ele logo notará que você não é tudo isso que ele pensa. Mesmo com toda essa doçura e gentileza ele ainda não ama você, não essa você.
— Voltei. – Edward voltou antes que eu pudesse responder a jovem Lucy. – Então, vamos?
— Claro. – Digo e ele me oferece seu braço. — Até mais, Lucy, depois continuamos essa conversa amigável.
— Espero ansiosamente. – Lucy diz e Edward olhou dela para mim.
— Aconteceu alguma coisa? – Ele quis saber.
— Nada. – Digo, seguindo seu passo. — Apenas estávamos conversando.
— Às vezes Lucy consegue ser desagradável. – Ele me informa.
— Já notei isso já tem um tempo. – Digo e ele me olha com surpresa. — Então, para onde vamos? – Mudo o assunto.
— Que tal caçar fantasmas na floresta negra?
— Me parece tentador. – Digo, sorrindo para ele e então partimos.
(...)
Já era noite quando voltamos para casa, a caçada foi um fracasso completo, nem um fantasma, mas consegui falar com Edward sobre muita coisa, ele me contou como foi que virei sua alimentadora, e como foi que tudo isso começou.
— É uma pena que eu realmente não lembre. – Disse, enquanto estávamos parados em frente a minha casa. – Queria lembrar do por que ser você.
— Eu não posso fazer você lembrar, mas podemos construir novas lembranças juntos.
— Acho que já estamos fazendo isso. – Digo e toco seu rosto com as pontas do meu dedo e então sorrio. — Quer entrar?
— Seu pai não está em casa? – Ele pergunta.
— Preso no laboratório. – Digo e suspiro.
— Sendo assim aceito. – Ele diz sorrindo para mim e entramos em casa.
(...)
Minha cabeça estava deitada sobre seu peito, os dedos dele deslizavam sobre minhas costa nua, desenhando linhas imaginárias. As roupas estavam espalhada pelo chão, meu quarto exalava sexo. Meu cheiro e o dele estavam espalhando pelo quarto todo. Eu tinha meus olhos fechados, me lembrando de cada detalhe. Foi bom, foi muito bom o que acabamos de fazer, eu sabia que não era minha primeira vez, por que ele já tinha me dito isso, porém, ele também me disse que tinha sido com ele a minha primeira vez. Mas como eu não lembrava então essa era nossa primeira novamente.
— Foi assim na primeira vez? – Eu pergunto, mantendo meus olhos fechados.
— O quê?
— Quando eu e você fizemos pela primeira vez.
— Não. – Ele diz. — Você não tinha tanta certeza, mas também não deu para trás, e foi você que me atacou.
— Sério? – Digo, rindo, fazendo meu corpo todo tremer.
— Você é determinada quando quer uma coisa. – Ele diz e sinto seus dedos novamente em minhas costas desenhando o imaginário.
— Era sua primeira vez também?
O dedo dele para o movimento no meio do caminho, assim como sua respiração, então lentamente ele vai soltando o ar.
— Não. – Ele diz, em um único sussurro.
— Alguém que eu conheço? – Eu pergunto, desejando fortemente que não tenha sido a cadela da Lucy.
— Não, eu não morava aqui. – Ele diz. — Eu estava vivendo com os humanos, foi assim que Carlisle me manteve até minha guardiã ser morta e eu acabar vindo para cá.
— Então foi com uma humana?
— Foi. – Ele diz. — Tecnicamente você também é humana.
— Você entendeu. – Eu digo, levantando a cabeça e olhando para ele. – Eu quero de novo. – Digo, mordendo os lábios e ele sorri safado.
— Então você quer novamente. – Ele diz e rapidamente gira nossos corpos na cama, ficando por cima de mim. – Está ficando insaciável, senhorita.
Então ele tomou minha boca em um beijo calmo e delicado enquanto suas pernas habilidosa e fortes afastavam a minha, deixando ele se posicionar e então lentamente me penetrar, era tão lento que pude sentir cada pedacinho dele me preenchendo até estar completamente dentro de mim.
— Vamos devagar, My Lady. – Ele sussurra contra minha boca e começa a se movimentar lentamente dentro de mim, entrando e saindo tão lentamente que faz meu corpo curvar ao seu encontro.
A boca dele tomou a minha novamente lentamente enquanto nossos corpos se movimentavam em um único ritmo, tão lento quanto o som a se propagar.
Em um movimento rápido eu estou por cima, sorrindo para ele, espalho minhas mãos sobre seu peito e me movimento, subindo e descendo sobre ele, movimentando meu quadril lentamente do mesmo jeito que ele fazia. Sinto suas mãos passeando pelo meu corpo até chegarem em meus seios, onde ele apertou levemente, me fazendo gemer um gemido mudo. Onde som não existia...
O grito dele ficou misturado junto com o meu quando gozamos. Meu corpo caiu sobre o dele exausta, eu estava ofegante e ele não estava diferente, foi tão intenso quanto a primeira vez.
— Já está pronta para dormir. – Ele disse, sorrindo levemente. – Durma, minha Lady.
Ouvi sua voz bem, bem distante pois o mundo dos sonhos já me chamava completamente para ele.
(...)
Eu acordei sozinho naquela manhã, eu não me importei, havia uma rosa branca ao lado da minha cama, eu sabia que tinha sido ele a deixar. Saí da cama indo direto tomar banho, meu corpo estava dolorido devido a noite passada.
— Bom dia. – Digo, entrando novamente no laboratório do meu pai, ele estava sentando no chão de cabeça baixa. – Pai!
— Querida, eu estou bem, só um pouco cansando. – Ele diz.
— Trouxe seu café. – Digo, colocando em cima da mesa. – Devia descansar.
— Eu não posso, querida, estou tão perto. – Ele me diz.
— Por que não desiste? – Eu pergunto.
— Porque ela nunca desistiu de mim. – Ele me diz e vejo em seu olhos. — Pode parecer loucura, querida, mas sinto que ela está viva, tão viva que posso até sentir seu coração bater. Eu sei que é loucura, mas é o que sinto.
Eu não disse nada, eu odiava ver ele assim, ele não merecia estar sofrendo tanto, mas por quê?
— Eu tenho que ir, preciso fazer uma coisa. – Digo, levantando e derramando o suco na pia do seu laboratório.
— Por que jogou fora? – Ele perguntou.
— Tinha uma mosca. – Digo e beijo sua testa. — Eu amo você, papai.
Então parto, deixando ele sozinho em casa, esperando que ele possa comer e não fazer nem uma bobagem.
(...)
Elizabeth abre a porta para mim quando toco. Ela sorri ao me ver então me convida a entrar.
— Preciso falar com Edward. – Digo sem rodeios.
— Claro. – Ela diz. — Só acho que ele ainda não acordou.
— Tudo bem, posso esperar. – Digo.
— Sue, veja se Edward já acordou. – Ela pede para a boa mulher, que sorri para mim. — Como está seu pai?
— Levando do melhor jeito possível. – Digo.
— Bella, que bom ver você logo cedo. – John diz. — Como está Charlie?
— Da melhor maneira possível. – Digo.
— Veio ver o Edward?
— A ideia é essa. – Digo.
— Bella. – Edward aparece no topo da escada, ele está usando apenas uma bermuda, sem camisa. — Aconteceu alguma coisa? – Tinha preocupação na sua fala.
— Só preciso falar com você. – Digo. — Se importa?
— Não. – Ele diz e desce a escada. — Vem, vamos para a varanda.
— Claro. – Eu digo. — Sr. e Sra. Masen.
Acompanho Edward até a varanda, onde ficamos sozinhos, então ele para, me analisando, tentando entender o que me levou a sua casa logo cedo da manhã.
— Qual das Bella você gosta mais? – Eu pergunto direto e sem rodeio. — Aquela que eu não lembro ou essa de agora?
Ele ficou me olhando por alguns segundo, tentando entender o que estava acontecendo.
— Difícil dizer. – Ele diz, então se encosta na varanda. — As duas Bella são encantadoras, eu sei que não posso ter a outra Bella de volta, mas sinto falta dela. Não é que não goste dessa Bella que você é agora, você é doce, gentil, e amigável com todos, mas você também era assim, do seu jeito estranho e frio você tinha carinho por todos. Não se abalava fácil, e podia até estar em uma situação ruim, mas você dava um jeito de fazer acontecer.
— Então está me dizendo que não gosta dessa Bella?
— Gosto, mas eu quero a Bella que eu conheci, aquela que virou me mundo e me fez ser quem sou hoje, aquela Bella que não tinha medo de nada, e que não se rebaixava para ninguém. A Bella durona e foda que eu conheci, a garota de poucos amigos mas que sabia o que realmente é importante.
— Por que eu? Por que não outra? Eu perdi as memórias, você não tem mais obrigação nenhuma comigo, você podia ter partido para outra, por que está insistindo em nós?
— Por que a Bella que você era nunca desistiria de mim, então em não vou desistir de você. – Ele me diz. — Se essa é a Bella que terei de agora para frente, eu posso muito bem lidar com isso e ser feliz. Porque você é a única que eu quero, Bella, não quero ninguém que não seja você.
— Você me deixou para ir com ela ficar mais forte. – Eu digo, me referindo a Lucy.
— Eu precisava ficar mais forte. – Ele diz e então me olha sem entender. – Você lembra disso?
— Não. – Eu digo a verdade. — Lucy teve o prazer de me dizer isso alguns dias atrás. Ela disse que é só questão de tempo para você terminar tudo.
— Lucy está mentindo, eu nunca deixarei você.
— Talvez deixe, eu não sou a Bella que você ama. – Digo e respiro. – Achei que você precisava de alguém como eu sou agora, desse jeito, talvez me notasse mais, por algum motivo, eu realmente achei que essa Bella era o que você queria.
— Eu quero todas as Bellas que existe em você, será que não entende? Doce, meiga, gentil, agressiva, fria, calculista, não importa, eu quero você, Bella.
Eu dou um sorriso leve, me sentindo aliviada, e então olho para ele e o puxo pela camisa, beijando ele com o desejo descontrolado que existe em mim, um beijo cheio de amor e ficamos assim por alguns segundos, até nos afastamos totalmente sem fôlego.
— Eu tenho que ir. – Digo, dando um sorriso e beijando ele de novo. — Eu não lembro por que eu gosto de você, eu não lembro o que tínhamos antes, não recordo de nada sobre você, mas eu não posso evitar que você toca meu coração de um jeito que ninguém nunca conseguiu.
Saio, deixando ele para trás e indo em direção a floresta negra, eu sei que ele não entendeu nada do que aconteceu, mas eu sabia de uma coisa agora, não importa qual Bella eu seja, ele sempre me aceitará ao seu lado.
(...)
Assim que cheguei em um ponto da floresta o ataque de vento veio com uma velocidade forte, mas eu contra-ataquei.
— Um escudo refletor. – A voz que eu conhecia bem se pronunciou. — Vejo que velhos hábitos não mudam, não é mesmo, irmãzinha? Achei que não tinha notado minha presença aqui.
— Sei bem quando você está por perto, as coisas nunca cheiram bem. – Digo, retirando o escudo. – Por que está aqui? Tão longe de casa.
— Ouvi dizer que a marca dos deuses foi ativada novamente. – Ela diz, saindo das sombras. – Queria ter certeza.
— Para quê?
— Bella, Bella, Bella, às vezes você faz as piores perguntas. – Ela me diz e então arranca uma flor do chão. — Você sabe onde está o coração da mamãe? Eu preciso dessa informação.
— Que irônico, você é a terceira pessoa que me faz essa pergunta. – Digo. — Quer dizer, não tão diretamente quanto você. Agora minha dúvida é, por que você quer saber disso?
— Você conhece a mamãe. – Heidi diz. — Ela vai me matar quando chegar a hora, é bom eu ser mais rápida do que ela.
— Então por que não foge dela? Não é fácil assim?
— E perder o reino? Você subirá ao trono, eu serei condenada pelos meus atos.
— Eu não quero esse reino de merda. – Digo. – Eu não sei onde está o coração dela. Se eu soubesse talvez até diria a você.
— Você não lembra. – Heidi diz. — Você deveria lembrar, já que foi para você que ela disse onde estava o coração.
— Então ela ativou a marca do deuses em mim. – Eu digo. — Eu era uma criança, eu tinha sete anos! – Eu grito. — Ela tentou me matar.
— Ela tenta isso desde o dia que você nasceu. – Heidi diz. — Já devia ter se acostumado.
— Claro, porque isso é algo normal de se fazer. – Eu digo.
— É a mamãe, nada nela é normal, a não ser essa obsessão dela pelo poder, ela fará de tudo para ter todo esse reino.
— Ela vai matar muita gente.
— Você está preocupada com isso? Imagina o que ela vai fazer quando conseguir tudo isso? – Heidi diz, com sarcasmos. — A morte é só o começo, irmãzinha, e você está na lista dela, sabe disso.
— Por que ela atacou o acampamento? Por que ela matou a minha mãe? – Eu grito e Heidi me olha surpresa.
— Mamãe não atacou o acampamento. – Heidi diz. — Ela anda ocupada demais resolvendo outras coisas, atacar esse acampamento é a última coisa com que ela perderia tempo.
— Impossível. – Digo. — Havia Apanhadores de Alma.
— Tá e daí? Isso não prova nada, poderia ser qualquer um. – Heidi diz. — Olha só, tem muita gente que tem raiva desse acampamento, dos Swan, dos Masen, qualquer uma poderia ter feito isso.
— Qualquer um poderia. – Eu sussurro.
— Então foi por isso que a marca dos deuses foi ativada? – Heidi perguntou, rindo. — Você é patética, deixar se controlar pelas emoções, as pessoas morrem, querida, aprenda a lidar com isso. Achei que já soubesse.
— Minha mãe morreu. – Eu digo, com raiva. — Não zombe da minha dor.
— Sua mãe morreu em nome de um bem maior. – Heidi diz. — Não é o que todos dizem quando alguém nobre morre? Veja por esse lado, a morte dela levou junto suas lembranças, que irônico.
— Heidi. – Eu grito. — Eu vou arrancar sua cabeça.
A gargalhada dela ecoou em toda a floresta, então eu me dou conta que ela já não está mais aqui, ela fugiu, pois sabia que eu estava perdendo toda a paciência. Caí sobre meu joelho, socando a terra tentando conter toda a ira que minha querida irmã despertou em mim antes de fugir como uma covarde. Mas em meio a toda minha ira algo atraiu minha atenção.
— Não, ela não fez.
Continua...
“Toda a guerra se baseia em iludir. Se seu inimigo for superior, evite-o. Se estiver zangado, irrite-o. Se forem iguais, combata-o. E se não for, divida-se em grupos. Reavalie. (A Arte da Guerra)”
― Wall Street — Poder e Cobiça
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