Descendentes
41 Capitulo 40
Notas iniciais
Capítulo 40 – Perdendo a cabeça
P.O.V. Bella
Vi nos olhos dela que ela não estava esperando pela minha visita, vi também o medo em seus olhos, e talvez porque sua voz saiu tremida ao dizer:
— Olá.
— Ana. – Digo. – Bela noite, não acha?
— Sempre temos noites lindas. – Ela diz, mantendo uma certa distância. — Faz tempo que não recebo sua visita, por que agora?
— Por que agora? Então eu lhe visitava?
— Sempre, tínhamos conversas agradáveis. – Ela diz. — Você possui um conhecimento bem extenso.
— Claro que tenho. – Digo. — Meus pais foram ótimos em me educar.
— É verdade, não podemos dizer que os Swan, não souberam lhe educar, talvez Caius tenha destruído os seus bons modos. – Ela diz.
— Sabe por que eu vim?
— Não faço a menor ideia.
— Você faz sim. – Eu digo, olhando em sua direção. – Faz tanta ideia que está segurando uma adaga atrás de suas costas. Mas antes de arrancar sua cabeça e seu coração, me dê um motivo para não fazer.
— Eu sou a única que pode dizer onde ela está. – Ana diz.
— Não, você não é a única. – Eu digo, segurando toda a minha raiva.
— Sou sim. – Ela diz e há incerteza em sua voz.
— Por que? Por que fizeram isso? – Eu pergunto.
— Você não entende? Olha para você. É incrivelmente forte, enquanto nós estamos sendo esmagados por ela. – Ana diz. — Você sabe onde está o coração dela, então acabe com tudo isso.
— O coração novamente. – Eu digo. — Eu não sei onde está o coração, é uma lembrança que eu perdi. Me devolva a minha mãe!
— Nunca! Não antes de você matar a Margarida. – Ela diz.
— Eu vou matar você.
— Edward nunca te perdoará. – Ela diz. — Elizabeth, Carlisle e Thomas, eles te odiarão para sempre.
— Não me importo com o ódio deles. – Digo. – Sei sobreviver a isso tudo, posso lidar com o ódio deles.
— Nunca. – Ela gritou e tentou correr.
Foi rápido, ativei meu arco, foram cinco flechas lançadas, uma acertou seu coração em cheio, a outra seu pulmão, a perna esquerda e direita, e a última atravessou seu estômago. O corpo de Ana ficou preso a parede. Enquanto o sangue escorria pela sua boca.
— Eles nunca te perdoarão. – Ela diz. — Lucy matará ela assim que souber.
— Ela eu vou matar agora. – Digo. – Já falei, não preciso do perdão deles, preciso da minha mãe de volta. – Ela sorriu, tossindo sangue pelo canto da boca.
— Eu sempre soube que você era um monstro, e agora vejo que tinha razão.
— Foi você que criou o monstro.
— Não minta para você mesmo, sabe que é verdade, você é um monstro que Caius criou. – Ela diz. — Suas mãos estão cobertas de sangue inocente.
— O seu não é. – Digo.
— Devia ter pena dos mortos. – Ela diz. – Porque sua mãe se juntará a eles assim como eu.
— Já vai tarde. – Digo sorrindo. — E você tinha razão, eu sempre soube onde está o coração, sei onde ela escondeu, mas você nunca saberá. – Ativo minha espada, cortando de vez sua garganta e vejo ela morrer. — O seu erro foi achar que eu não notaria.
(...)
P.O.V. Edward
Era o último dia antes de voltamos às aulas, estávamos na praça central: eu, Emmett, Rosie, Lucy, Tia, Alice, Jasper, Jake e Nessie, e agora era oficial, eles eram um casal. Estávamos conversando bobagem e rindo das loucuras de Emmett.
Foi rápido, Lucy estava em pé um pouco longe de nós, ela tinha uma garrafa de uísque nas mãos, estávamos bebendo. A rajada de vento veio com força, quando conseguimos ver o que aconteceu, a cena que vimos foi a garrafa cortada ao meio, Lucy com a espada ativada, bloqueando o ataque da espada de Bella.
Eu não via Bella desde de manhã, quando ela apareceu na minha casa logo cedo, sendo que na noite passada tivemos um noite bem prazerosa para nós dois.
— Então a máscara caiu. – Lucy diz.
— Onde está a minha mãe! – Bella gritou, girando a espada e atacando Lucy novamente. – Vadia de merda.
— Bella. – Eu grito.
— Fica fora disso. – Ela gritou, fazendo uma parede de gelo se levantar do chão. – Onde está a minha mãe?
— Se você me matar nunca vai saber onde ela está. – Lucy diz e tinha um sorriso de canto. – Enfim consegui chamar sua atenção.
— Vaca. – Bella gritou.
As duas lutavam muito bem, Bella atacava com força e vontade. A mesma força e vontade que Lucy também tinha para contra-atacar. Os movimentos dela eram rápidos e cada uma reagia bloqueando os ataques e atacando ao mesmo tempo. Bella usa apenas uma das suas espada, a de prata.
— Precisamos pará-la. – Thomas diz, chegando silenciosamente. — Ela matou a tia Ana. – Não faço ideia de como ele sabe disso.
— Antes tarde do que nunca. – Digo e Thomas me olha meio surpreso, mas então relaxa os ombros.
— Talvez tia Ana tenha feito por onde.
— Lucy também.
— Você não vai impedi-la? – Nessie perguntou.
— Se acaso ela estiver perdendo, sim. – Digo. — Mas não tenho a menor intenção de fazer isso.
Voltamos a atenção para a luta que se mantem equilibrada, sei que Thomas fez algo para atrasar os adultos, se não fosse isso todos já estariam aqui. Bella atacou e Lucy revidou, fazendo a espada de prata de Bella voar para longe.
— Perdeu, Swan. – Ela gritou, atacando.
Mas uma luz brilhou e essa mesma luz mandou Lucy para longe, ela caiu em pé, porém, sua espada quebrou ao meio. Bella havia ativado um escudo.
— Ainda não acabou, Baby. – Bella diz.
Então do chão nascem cipós, que se envolvem no corpo de Lucy, mantendo ela presa pelos braços e pernas, ela tinha sido pega.
— Se você me matar nunca saberá onde Renée está. – Ela diz.
— Não preciso que você me diga. – Bella diz, chegando perto. Parecia que Bella estava fazendo algo ou iria fazer.
O muro de gelo se quebrou em pedaços, só então notei que Rosie tinha feito isso usando o elemento vento.
— Bella, nós precisamos dela viva. – Thomas disse.
Bella caminhou em direção de Lucy e pegou ela puxando seus cabelos para trás e fazendo ela olhar em seus olhos.
— Seu monstro! – Lucy gritou.
— Você criou esse monstro quando matou a minha mãe. – Bella diz e olhou profundamente nos olhos de Lucy. – Você colocou a minha mãe no lago dos mortos. – Bella grunhiu a última parte. Então entendi o que ela estava fazendo, ela estava lendo a mente Lucy.
Lucy gargalhou alto e com força, ela parecia uma louca, alguém que estava fora do controle. Nesse momento Carlisle, meu pai e minha mãe se juntaram a nós, acompanhados por Esme e Demetri.
— Sabe por quê? Sabe por que coloquei ela ali? – Lucy gritou.
— Apenas os mortos podem pisar naquelas águas. – Bella disse. – Eu conheço a lenda.
— Então sabe que você nessa forma humana nunca poderá pisar lá.
— Usou o mesmo feitiço que foi lançando em Elizabeth na minhas mãe, como você se atreve? – Ela gritou.
— Você só tinha que esquecer tudo. – Lucy diz. — Tudo!
— Eu sei como tirar ela de lá sem precisar morrer. – Bella falou. — Você é tão idiota quanto quem lhe contou sobre o lago. A pessoa também deveria ter falado para você que alguém de coração puro pode entrar no lago dos mortos. Acho que não lhe contaram a lenda toda.
— O seu coração não é puro.
— Quando vai interpretar direito as escrituras? – Bella gritou. – Coração puro significa cheio de amor. – Ela diz. – Você tem razão, eu não tenho coração puro, eu matei sua amiga a sangue frio, mas o meu pai morre de amor pela minha mãe, ele prefere morrer a viver sem ela, se isso não é um coração puro, não sei o que é.
— Não, não, não, não. – Lucy gritou desesperada. — Você não vai ganhar essa novamente, você não vai me destruir, eu vou acabar com você antes, eu apaguei suas memórias e posso fazer novamente.
— Você não apagou minhas memórias, você só ativou a marca dos deuses em mim. Você me fez um favor. – Bella falou. – Outra coisa que você nunca entendeu, sobre o encanto do Drácula e a magia que os cerca.
— Eu anulei esse encanto quando me aproximei do Edward. – Lucy diz. — Uma bruxa negra pode neutralizar, eu sei essa parte da história.
— Errado novamente. – Bella diz. — Nunca houve encanto, existe algo que você esqueceu de levar em conta. – Lucy olhou de Bella para mim, então dei de ombros, eu já sabia disso, ela havia me contando no dia que descobri sobre o encantamento de amor. — Eu sou bruxa negra, posso não lançar feitiço mas tenho sangue de uma, então nunca houve encantado, tudo o que aconteceu entre eu e Edward é porque era para acontecer.
— Mentira! Mentira! – Ela gritou.
— Eu poderia matar você. – Bella falou. — Mas morrer é bom demais para você, quero que sofra tudo o que fez eu e meu pai sofrer por sua culpa. Ela é toda sua, Thomas.
Bella veio virando em direção a nós e pegando sua espada enquanto caminhava em nossa direção.
— Eu amaldiçoou você. – Lucy gritou. — Você nunca saberá o que é ser feliz de verdade. Eu tirei de você todas as suas lembranças dele, você sempre terá a dúvida se foi real tudo que aconteceu, você nunca saberá a verdade sobre vocês dois, eu roubei tudo de você.
O meu movimento foi rápido, o grito foi da minha mãe e o horror em seu rosto deixava claro que ela não esperava isso de mim.
— Cala a boca, sua vadia. – Digo, segurando minha lança suja de sangue, a cabeça de Lucy caída próximo aos meus pés. — Ela pediu por isso.
(...)
P.O.V. Bella
Duas semanas depois..
Eu tinha razão, meu pai era o único que podia tirar Renée do lago dos mortos, ele conseguiu tirar ela de lá, e Tia fez o encanto para despertar ela novamente, meu pai chorou tanto, mas eu não podia culpá-lo, eu entendi sua dor. Fizemos uma festa para comemorar a volta da minha mãe. E tive que responder ao conselho pela morte da prisioneira Ana Cullen, o que não foi ruim, porque Ana era considerada uma traidora, o que aliviou o fato e me deixou em liberdade. Edward também respondeu, levaram em conta o fato dele ser um Drácula e seu pai ser o mais poderoso Soldado de Elite.
Aos poucos as coisas foram voltando ao normal, menos minhas lembranças, essas de fato estavam perdida. Edward ficou de castigo, foi afastado das missões e estava fazendo pequenos trabalhos administrativos do acampamento, como revisar relatórios e arquivá-los.
Naquela manhã eu tinha um encontro nada formal com uma pessoa que já sabia que eu estava atrás dele.
— Bella. – John disse, quando me sentei ao seu lado. – Não pensei que a veria tão cedo atrás de mim.
— Me diga você. – Digo, estamos na praça sul, deserta como sempre. — Por que deu imortalidade para Margarida?
— Você descobriu sozinha?
— Levou um tempo, perder a memória não ajudou. – Digo. — Mas o diário de Ana me deu uma luz, ela conhecia muita lendas, e uma delas era justamente a sobre o coração. Por que ajudou ela?
— Sua mãe sabia como matar um Drácula, ela matou meus irmãos, sobrinhos, todos que ela encontrou pelo caminho ela matou.
— Conheço essa história também. – Digo. — Mas ainda não explica, por que você ajudou ela?
— Ela tinha Thomas. – John diz. — Você entenderá quando for mãe um dia. Saberá que damos nossa vida pelos nossos filhos. Margarida queria imortalidade e tinha algo que poderia me fazer lhe entregar.
— Você poderia ter dado seu sangue. – Digo e ele me olha chocado. — Conheço a lenda, e também sei porque você não pode fazer isso.
— O quê?
— Tem que ser por amor, e só funciona uma vez, você tinha feito quando Margarida matou Elizabeth, foi para ela que você deu sangue, foi assim que ela conseguiu voltar a vida e encontrar Carlisle e entregar Edward para ele. Só que algo aconteceu, alguém lançou um feitiço de quase morte sobre ela. Mantendo ela dormindo por um bom tempo.
— Você sabia esse tempo todo?
— Minha mãe tem ódio de Elizabeth, não é só porque ela morre de amores por você, tinha que ter mais coisa, eu descobri.
— Elizabeth prometeu voltar, ela disse que voltaria.
— Por isso você ficou lá, esperando ela voltar.
— Sim. – John diz.
— Mas por que dizer para ela como conseguir a imortalidade? – Eu pergunto. — Eu sei que ela tinha Thomas, mas o que você fez...
— Ela devolveu Thomas para a floresta, foi quando Ana o achou. – John conta. — Margarida tinha neutralizado todos os poderes de Ana, Ana jamais sobreviveria a uma batalha contra sua mãe. Então eu contei para ela como fazer, até mesmo o feitiço eu disse como.
— E deu a ela esse poder sem controle.
— Eu salvei o Thomas. – Ele me diz. — Salvaria qualquer um da minha família se fosse preciso. Você entende isso, já que você matou Ana pelo que ela fez com mãe.
— É diferente. – Eu digo. — Elas fizeram para que eu perdesse as lembranças, assim ficaria mais fácil descobrir, já que eu não lembrava delas.
— Entendo. – John disse. — Mas você sempre soube onde estava o coração, sempre soube.
— Você nunca se perguntou onde ela esconderia seu coração? Nunca passou pela sua cabeça?
— Sua mãe é a pessoas mais imprevisível que conheço. – John diz. — Não me surpreenderia nada se ela tivesse feito algo inesperado.
— Eu levei um tempo para entender muita coisa, mas acredite, quando elas começaram a fazer sentindo eu ficava cada vez mais transtornada com as habilidades da minha mãe, mas você sabia o tempo todo, você me via de longe, só não tinha certeza, mas quando eu matei Ana você descobriu, não foi?
— Margarida sempre teve um plano, eu só não sabia qual era. Mesmo dizendo para ela como fazer, e avisando que havia risco, nunca esperei que ela fosse fazer isso de verdade. Arrancar seu próprio coração para poder ter a imortalidade.
— Só que a imortalidade para um humano não sai de graça. Você não disse o final para ela, não foi?
— Eu tinha esperança de que ela não fizesse.
— Mas ela fez, você só não sabia onde ela tinha colocado o coração até aquele dia. – Eu digo.
— Ela colocou o coração dentro de você. – Ele diz seco, com uma voz sem vida.
— Ela colocou o coração dela no meu, e você teve a certeza naquela dia, foi dentro do meu peito que ela colocou o seu coração.
— Você teria que morrer para ela morrer também. – John diz. – E o único motivo dela querer você morta é porque a imortalidade está se eliminando, ela tem que terminar feitiço.
— Ela tem que comer o coração. – Eu digo. — Ela tem que comer meu coração.
— Sinto muito, Bella, quando eu falei para ela dessa magia eu nunca esperei que ela fosse usar uma das filhas para conseguir.
— Eu sempre me perguntei por que eu era o oposto dos outros. Eu sei por que Caius me treinou. – Digo. — Ele tinha esperança de eu ser mais forte, mal sabia ele que boa parte da minha força e do meus poderes vem porque o meu coração é imortal.
— Ninguém pode saber, Bella. – John diz. — Edward nunca me perdoaria, ele nunca se perdoaria se algo acontecesse com você.
— Sabe por que ela está atrás dos filhos dos deuses?
— É algo temporário, por causa do coração, o coração de um semideus dá poder temporário para quem o comer. – John explica. — Poucas pessoas sabem disso, Margarida descobriu e começou a caçá-los já que você ficava cada vez mais forte.
— Entendo. Cada vez que fico mais forte ela também fica? – Eu pergunto.
— É diferente em você, já que é você que tem o coração imortal, e ela está perdendo sua imortalidade, junto com isso os seus poderes, ela precisa completar a magia e para isso ela terá que comer seu coração.
— Acho que não podia ser pior. – Digo. — Tudo o que Ares queria era que vocês Dráculas morressem.
— Ares estava errado. – John diz. — E sei que ele pensa que você é a melhor coisa que ele já teve.
— Só que para derrotar ela eu preciso morrer.
— Acharemos um jeito. – John diz. — Elizabeth está procurando nos livros antigos de magia, vamos achar um jeito.
— Você contou a ela?
— Foi preciso, eu não poderia fazer nada sozinho. – John diz. — Existe um jeito de recobrar suas lembranças. – John comenta. — Se você desejar...
— Não preciso delas, tudo o que preciso saber eu já sei. – Digo. – O resto é desnecessário.
— Até suas lembranças com Edward?
— Estamos construindo novas. – Digo. – Isso é para você, tenho certeza de que você entende.
— Você nunca dá um ponto sem nó. – Ele comenta. – O que fará com Elizabeth?
— Já fiz. – Digo e ele me olha intrigado. — Estive com ela antes de vir lhe encontrar. Entenda, não faço por mim, e sim por vocês. Sei bem quem é minha mãe e o que ela vai fazer com vocês quando descobrir a verdade.
— Posso pelo menos saber o que é isso?
— Algo que fará você esquecer essas memórias. – Informo. — Você não precisa lembrar de nada sobre mim, não sobre isso.
— Sempre esperta, jovem Swan. – Ele comenta novamente. — Charlie deve ter orgulho da filha que você é.
— Com toda certeza. – Digo e então ele bebe o líquido que eu fiz algumas mudanças, então ele parte, me deixando sozinha.
Eu acho que no fundo no fundo eu sempre soube, nunca poderia ter tamanha força, mesmo sendo filha de um deus, ainda era mortal pela minha mãe, mas como sempre ela, Margarida, sempre tem um plano B. E eu era o seu plano B, de todos os jeitos eu estava condenada a morte.
The End
“Quando eu escolho entre duas coisas ruins eu prefiro ficar com aquela que não tentei antes.”
― Wall Street — O Dinheiro Nunca Dorme
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