Descendentes
39 Capitulo 38
Notas iniciais
Capítulo 38
— Algo estranho no paraíso
P.O.V. Edward
Passei a tarde toda com Bella, conversamos sobre muita coisa, mas claro, falar dos seus poderes e família foi a única coisa que não falamos. Tinha medo do que podia acontecer se tocasse nesse assunto.
— Boa noite. – Digo, entrando em casa.
— Oi, querido. – Elizabeth disse, ela estava sentada na mesa de jantar com vários livros nas mãos.
— O que está fazendo? – Eu pergunto.
— Nada demais, só lendo alguns livros de magia antiga.
— De quem são esses livros? – Eu pergunto.
— Daqui do acampamento. – Ela diz. — Algumas dessas magias são ensinadas para jovens bruxas, Carlisle me chamou para dar aula de magia para uma turma de bruxas. Achei melhor dar uma lida antes de colocar minha cara em uma sala de aula. – Ela diz, sorrindo. — E você, querido, de onde está vindo?
— Estava com a Bella. – Digo e ela me olha.
— Como ela está?
— Acho que bem, mas sem lembranças.
— Sinto muito, querido. – Ela diz.
— Tudo bem, mãe, acho que todos nós temos que nos acostumar com isso, isso é um fato, ela não vai lembrar.
Ela não disse nada, apenas fez aquela cara de quem sentia pena de mim, essa cara eu vi muitas vezes desde que isso aconteceu com Bella, suas lembranças apagadas e todos esperando que eu desista porque ela não vai lembrar de mim.
Subi a escada indo para meu quarto, mas fui pego por Thomas no meio do caminho, que me puxou para o seu quarto.
— Que papo é esse de trazer de volta as memórias da Bella? – Ele pergunto.
— Vai com calma. – Eu digo. — Tia veio com essa conversa mas...
— Está fora de questão. – Ele diz e eu estreito os olhos para ele.
— Você sabia? Você sabia que era possível reaver as memórias dela?
— Eu convivi com uma bruxa negra, conheço algumas magias. – Ele diz e caminha em direção a janela. — Esse encantamento é perigoso demais, se a pessoa não tiver coração puro não vai resolver nada, apenas causará a morte dos dois.
— Eu sei. – Eu digo. — O que aconteceu com Tia? Para onde você levou ela?
— De volta para o acampamento. – Ele me informa. — Vamos encontrar ela e os outros hoje à noite, meia-noite. Tente manter Lucy fora disso e longe.
— Lucy anda ocupada. – Eu digo. — Ela está armando alguma coisa.
— E você não sabe o que é? – Ele pergunta.
— Infelizmente, não. – Lucy é difícil, ela não confia facilmente.
— Ela quer você. Por que não usa isso a teu favor?
— O que está sugerindo?
— Seduza ela.
— Ficou louco? Bella é minha namorada.
— Só você lembra disso. – Thomas diz e sorri. — Veja como uma jogada de mestre.
Abro minhas mãos, mandando uma jorrada de vento, jogando ele contra a parede.
— Qual é, Edward? – Ele diz, caindo no chão contra a parede. — Era brincadeira.
— Edward, Thomas, é melhor vocês dois pararem com isso. Não me façam subir aí, garotos. – Mamãe gritou do andar de baixo.
— Brincadeira errada.
— Certo. Precisamos achar uma maneira de tirar ela de cena. – Thomas comenta.
— Isso é fácil. Vem comigo. – Digo, saindo do quarto e descendo a escada. — Mãe, cadê o papai?
— No escritório. – Elizabeth informa. – O que vocês estavam fazendo lá em cima?
— Nada, só conversando.
— Destruir a casa não é conversa. – Ela informa e eu sorrio para ela.
Saindo da sala de jantar, segui com Thomas para o escritório, meu pai estava perdido em papéis, revisando relatórios de missões feitas.
— Oi, meninos. – Ele disse, sem nem ao menos nos olhar. — O que desejam?
— Queremos que faça algo para a gente. – Eu digo e ele levanta a cabeça. – Você pode dar uma missão para Lucy hoje à noite?
— Por que isso agora?
— Preciso de espaço e ela não deixa. – Digo e ele sorri.
— Tentando se livrar da garota?
— Quase isso. – Digo e ele respira fundo, pegando o telefone e fazendo uma chamada.
— Oi, Félix, quero que Lucy, a bruxa, vá com você na missão de hoje à noite. – Ele diz e Félix diz algo. — Sim, apenas tenha cuidado para ninguém sair ferido, é apenas uma missão de levantamento de território, porém, não sabemos como anda as coisas, tenha cuidado. – Então ele desligou – Problema resolvido, veja lá o que está aprontando, isso vale para os dois.
— Obrigado, pai. – Eu e Thomas falamos junto e ele sorriu.
(...)
P.O.V. Tia
Estávamos na praça principal com Emmett e Rosie, Thomas e Edward.
— Para começar. – Thomas disse. — Bella se recusa a querer aprender novamente a lutar. Outra coisa, as lembranças dela não vão volta.
— E agora vem a parte chata. – Edward diz. — Eu e Thomas achamos que Renée não está morta.
— Pode ser verdade. – Eu digo e eles me olham. — Parem para pensar, Bella perdeu a memória após a morte da mãe. Ela já estava no limite, então quem armou tudo isso pode ter forjado a morte de Renée só para Bella ativar a marca dos deuses.
— É o que eu e Thomas pensamos. – Edward falou.
— Como chegaram a essa conclusão? – Rosie pergunta.
— Eu estava com Bella quando Renée foi atacada e morta, o ataque foi real, mas a morte parecia uma grande ilusão, sabe? Com um pouco falha, mas ilusão. – Thomas explica.
— Pode ser. – Eu digo, chamando a atenção novamente. — Nós, bruxas negras, podemos criar ilusões reais e falsas, usamos o medos das pessoas para criar ela. Bom, para todo ser humano a perca de alguém querido despertaria algo, no caso de Bella pode ter ativado a marca da maldição.
— Então pode ter sido uma bruxa negra. – Edward diz. – Mas como os Apanhadores de Alma entraram no acampamento?
— Do mesmo jeito que entraram nas outras vezes. – Emmett diz. — Alguém deixou entrar.
— Então tem alguém jogando junto com Margarida. – Edward informa.
— Lucy. – Rosie acusa.
— Não. – Eu digo. — Lucy deseja Margarida morta, ela tem os motivos dela, motivos que eu não sei. Duvido que ela arriscaria tão alto. Talvez ela tenha tirado proveito da situação toda. – Digo e ela me olha. – Tente entender, para Lucy, Bella é sua maior rival, alguém que ela nunca poderá se comparar. E Bella tem Edward. Acho que no final, tudo que Lucy quer é tudo que Bella tem.
— Ela pode ter criado a ilusão sobre a morte de Renée. – Thomas diz. — Ficaria fácil, principalmente se Bella perdesse as lembranças.
— Pode ser. – Eu digo e Rosie analisa atentamente a situação. — Ilusões é o maior poder de uma bruxa negra, quando temos completo domínio sobre esse poder, fica difícil saber o que é real e o que é mentira.
— E se Renée nunca tivesse chegado de fato ao local do atentando? – Rosie pergunta, chamando atenção.
— Como assim? – Edward pergunta, curioso.
— Era uma ilusão o tempo todo, talvez seja real, alguém queria ativar a marca da maldição de Bella. Mas para quê?
— Ainda não entendi. – Thomas disse.
— Renée nunca esteve no campo de batalha. – Eu digo. — Ela foi pega antes, por isso a morte parecia faltar algo.
— Tia, você consegue descobrir se era ou não uma ilusão? – Edward me pergunta.
— Não é fácil. – Eu digo. — Já tem tempo que aconteceu, fora que se tratando de ilusão eu teria que ter visto para poder dizer se é ou não.
— Tem que ter uma jeito. – Thomas diz, andando de lado para outro. Eles realmente querem a verdade.
— Podemos trazer as lembranças dela de volta.
— Não. – Tanto Thomas quanto Edward gritaram ao mesmo tempo.
— Existe um grande perigo em fazer isso. – Thomas diz, Rosie e Emmett nos olham sem entender.
— Está fora de cogitação essa possibilidade. – Edward diz.
— E que tal se vocês acharem Renée? – A voz não era de nem um de nós que se encontrava ali, logo a pessoa saiu das sombras, era Jasper e ao seu lado estava Alice, eu realmente não ia com a cara dela. – Não foi assim que Bella descobriu a verdade sobre sua mãe? Por que não usar o mesmo método?
Ficamos todos em silêncio analisando o que o jovem Halle disse. Ele poderia ter razão sobre isso.
— Eu posso fazer o feitiço de localização. – Me ofereço.
— Só tem um problema. – Thomas diz. — Precisamos ter algum fio de cabelo ou algo que pertence ou pertenceu a Renée.
— Sangue. – Digo calmamente. — Bella usou o sangue de Ana para achar Elizabeth.
— Só que Bella não é filha biológica de Renée. – Edward informa. – Ela não tem filhos biológicos.
— Voltamos a estaca zero.
— Acho melhor sairmos daqui. – Alice diz. — Os soldados estão voltando de suas missões.
Thomas e Edward se entreolham e então passam as mãos pelo cabelo em um gesto nervoso.
— Acho melhor irmos. – Thomas diz. — Lucy está voltando, não seria bom ela encontrar todos nós aqui.
— Amanhã damos um jeito de nos reunir. – Edward diz. — Alice e Jasper, por favor, nada de falar sobre isso com alguém.
— Sem problema. – Jasper diz. — Nem uma palavra será dita.
— Obrigada. Acho melhor irmos. – Digo e todos começam a ir embora, mas eu seguro o braço de Thomas. – Preciso falar com você.
— Diga.
— Por que você me beijou hoje mais cedo?
Ele ficou me olhando como se tentasse ler minha mente, o que estava pensando, então ele coça a cabeça novamente e sorri de canto.
— Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. – Ele disse.
Foi algo rápido, tão rápido que nem mesmo eu tinha notado, minha mão foi certinho na cara dele lhe dando um tapa forte, eu girei meus pés e saí andando em direção ao meu alojamento.
— Idiota. – Sussurro enquanto ando.
(...)
P.O.V. Bella
As coisas pareciam parcialmente calmas pelo acampamento, meu pai andava trabalhando bem mais do que o normal, ele nunca falava da mamãe e pouco ficava em casa, passava mais tempo preso em seu laboratório.
Todos à minha volta parecia estar pisando em ovos, com medo de falar e medo pergunta, medo do que eu possa lembra. Ninguém sabe que eu sei a verdade, que eu sei que nunca vou lembrar do que eu esqueci, também sei que naquele diário tem muita informação, mas por algum motivo eu me recuso a ler, nunca abri ele nem uma vez, li apenas a carta que estava fora dele, ele continua fechado e lacrado.
Quando eu não estava em casa, eu estava com Rosie, e realmente o namoro dela com Emmett eu consigo fazer várias piadas, Tia aparece às vezes conversamos um pouco e então ela parte. Thomas sempre me traz flores e faz convites estranhos, ou talvez sejam piadas que eu não sei, o humor dele é bem estranho. Passo também boa parte do meu tempo com Edward, ele me fala sobre nós, às vezes coisas legais, às vezes coisas irritantes, às vezes fala sobre nossas brigas. Mas sempre existe admiração em sua voz.
Eu gosto de estar com ele, Félix tentou me fazer voltar a treinar, mas eu me recuso, talvez dessa vez eu possa ser apenas eu, sem ser um soldado perfeito criado por Caius.
— Bella. – Eu levanto a cabeça, encontrando lindos olhos verdes na minha frente. — Quer passear?
— Claro. – Digo, me levantando e sorrindo. — Achei que não fosse lhe ver hoje.
— Estive ocupado. – Edward me diz.
— Estava em missão?
— Não, estava resolvendo alguns problemas. – Ele me diz. — Como estão as coisas?
— Tudo na mesma. – Digo. — Meu pai está passando mais tempo no laboratório do que em casa, estou começando a ficar preocupada.
— Talvez ele só esteja com medo de voltar.
— As pessoas morrem, essa é a lei natural da vida.
— Isso era o que a antiga Bella falava. – Ele me diz.
— Não existe antiga Bella, existe apenas eu.
— Bella, você precisa voltar a treinar. – Ele me diz. — Eu tenho medo de que algo aconteça com você.
— Eu não quero usar mais as minhas armas. – Eu digo, olhando para ele. — Eu estava lá e não pude fazer nada para a salvar, do que adiantou todo o meu treinamento?
— Bella. – Ele sussurrou, segurando meu rosto.
Sabe, ele era exatamente o que eu descrevi na carta, o único cara que conseguiu tocar meu coração, ele causava umas reações estranhas em mim. Seguimos andando pelo acampamento e acabamos na casa dele, Elizabeth foi super gentil comigo e eu almocei com eles, Thomas também estava lá, só que estava mais pensativo e mais calado. Assim que terminamos ficamos na sala conversando um pouco e então Thomas saiu para seu quarto e Elizabeth saiu, indo para biblioteca do acampamento. Fiquei conversando e rindo com Edward, assistimos alguns filme e então as horas foram passando e tudo lá fora foi ganhado tons escuros.
— Acho melhor eu ir. – Digo, vendo que já era noite.
— Fica mais um pouco. – Ele diz, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Pode ficar para o jantar.
— Melhor não. – Digo. — Eu já almocei aqui.
— Tenho certeza de que minha mãe não vai se importar.
— Mas eu vou. – Digo. — Meu pai está sozinho.
— Só mais um pouco, levo você em casa. – Ele me diz, sorrindo.
Então eu não consegui me segurar, em um movimento eu estava beijando ele, sentindo o gosto e a maciez dos seus lábios, era mais forte do que eu, eu o desejava, era um desejo tão forte que não conseguia me controla. Eu o beijei e ele correspondeu à altura, aos poucos nossos beijos foram ficando mais urgentes e sua língua invadiu minha boca, me torturando ainda mais com seu gosto.
As minhas mãos ganharam vida indo para seu cabelo e a dele começaram a percorrer a lateral do meu corpo, me puxando para ele cada vez mais. Quando notei estava sentado em seu colo enquanto voltamos a aprofundar o beijo.
Assim como o beijo foi do nada, todo o resto que aconteceu foi do nada também, meu corpo estava deitado sobre o pequeno sofá da sala, a camisa dele estava no chão, minhas unhas arranhavam sua costa com força enquanto ele abaixava a alça da minha blusa, Edward distribuía beijos em meu rosto, descendo para o pescoço, dando uma leve mordida e fazendo um caminho de beijos pelo meu ombro. Então ele rasgou minha blusa, deixando meu sutiã à mostra. Com um sorriso safado no rosto, ele voltou a me beijar.
Foi nesse momento que a porta foi aberta e um grito chamou nossa atenção.
(...)
P.O.V. Edward
Eu nunca me senti tão envergonhado, nem mesmo quando estava com Nane no mundo dos humanos ela tinha me deixando em uma situação tão constrangedora quanto meu pai estava me deixando.
— Você tem noção do que estava fazendo, seu irresponsável? – Ele gritou, pela quinta vez eu acho.
Bella estava usando uma camisa minha, eu e ela estávamos no sofá, com ela ao meu lado enquanto meu pai tinha um surto de moralidade, francamente, eu tenho dezoito anos, ele realmente espera que eu fosse ainda virgem? Francamente, acho que nem meu tio Carlisle é tão careta assim.
— Pai, não acha que está exagerando? – Eu questiono.
— Exagerando! – Ele grita. — Exagero vai ser Charlie Swan querer matar você por ter deixado a filha dele grávida!
Eu nunca pensei nessa possibilidade, eu e Bella já transamos tantas vezes e nunca me recordo de ter usado preservativo com ela. Eu olho assustado para ela, que dá de ombros.
— Ele ia obrigar Edward a casar, caso ele recusasse, ele matava. – Ela diz para meu pai, ficando de pé. — Relaxa, eu não estou grávida. Eu me cuido. Boa noite, senhor Masen, Edward.
— Oh, oh. Devagar aí, mocinha, ainda não terminei. – Ele diz, puxando ela novamente para o sofá. — Esse namoro de vocês não vai seguir desse jeito, estou avisando, ficarei de olho.
Tive vontade de sorrir, se meu pai soubesse que eu já dormi com Bella aqui em casa, debaixo do nariz dele. Talvez ele ficasse mais puto do que está agora.
— Thomas. – Ele grita para meu irmão, que eu sei que está ouvindo tudo do andar de cima.
— Qual é, pai? Não vou bancar a babá do meu irmão. – Ele diz, surgindo no topo da escada. — Não vai rolar.
— Acompanhe Bella em casa. Edward, está de castigo, só sairá de casa para missões e ir para as aulas.
— As aulas já vão voltar? – Bella perguntou.
— Sim, semana que vem. – John informa. – E esse namoro será supervisionado.
— Você está brincando, né mesmo? – Eu digo, irritado, estou me sentindo uma criança agora.
— Não, Edward, eu não estou brincando, e tampouco quero um filho meu morto por desvirtuar a filha dos outros.
— Desvirtuar. – Bella diz, sorrindo, então para quando olha a cara do meu pai, ele está furioso.
— Você é uma péssima companhia, irmãozinho. – Thomas diz, já colocando um casaco e indo em direção à porta. — Vamos, donzela em perigo, vou deixar você em casa.
Eu olhei sério para meu irmão, odiava esse humor dele, era tão irritante. Bella sorriu discretamente e então saiu. Meu pai continuou falando e falando muito pelo fato de ter nos pego naquele estado.
(...)
P.O.V. Thomas
Eu estava me acabando de rir, Bella estava séria ao meu lado durante a caminhada, não consegui, tive que fazer piada sobre o acontecido. Ela estava ficando irritada, então quando ela me segurou pela gola da camisa eu sabia que era hora de parar.
— Então como está seu pai? – Eu pergunto, puxando assunto.
— Na mesma. – Ela diz. — Tia! – Ela chama a bruxa que está do outro lado da praça e então ela sumiu, ignorando completamente Bella. – O que você fez para ela? – Bella perguntou.
— Por que exatamente eu tenho que ter feito algo para ela?
— Porque está só você e eu, ela me olhou e sorriu, e quando ela te olhou ela fechou a cara e sumiu. – Bella diz.
— Notou tudo isso? – Eu pergunto.
— Tenho ótimos olhos. – Ela diz. — O que aconteceu?
— Nada.
— Sério?
— Qual é? Esquece. – Digo.
— O que você fez?
— Eu beijei ela. – Digo e ela para, me olhando. – Lucy, estávamos fugindo de Lucy.
— E você beijou ela?
— Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
— Espero que ela tenha pelo menos socado sua cara. – Bella diz.
— Ela me deu um tapa.
— Já é um começo. – Bella diz e sorri. — Talvez da próxima vez ela arranque sua cabeça.
— Por que ela ficou com tanta raiva? Foi só um beijo. – Digo.
— O primeiro beijo dela, eu também ia matar você.
— Era o primeiro beijo dela? – Eu pergunto, surpreso.
— Você é burro, hein? – Ela diz, sem me olhar. — É claro que é o primeiro beijo, Tia nunca conheceu garoto algum, deveria pedir desculpa para ela.
— Ela vai me matar. – Digo e Bella ri.
— Bem que você merece. – Bella diz. — Se não tem intenção de corresponder aos sentimentos dela, é melhor não fazer ela se apaixonar.
— Foi só um beijo. – Eu digo.
— Para você talvez, para ela pode ter sido bem mais.
— Eu desisto, vocês garotas são complicadas. – Digo, parando em frente a casa dela.
— Bom, o problema é seu mesmo. – Ela me diz, olhando para a casa. — Tia é uma ótima bruxa negra, talvez amanhã você acorde com três olhos ou virou uma garota. Nunca se sabe, tudo é possível para uma bruxa negra.
— Você é pior do que Tia. – Digo e ela sorri da minha cara e entra.
Eu gosto dessa Bella, mesmo ela não lembrando de tudo ela manteve seu humor negro, é divertido ver o modo como ela anda lidando com tudo. Mas algo me deixa preocupado.
(...)
P.O.V. Bella
O ataque veio rápido, usei um escudo de contenção, meus olhos encontraram a figura que se escondia nas sombras.
— Uma vez soldado, sempre soldado. – Caius disse.
— Ficou louco? – Eu questiono. — Me atacar dessa maneira?
— Você é rápida. – Ele diz. — Mesmo se recusando a treinar, você não esquece algo essencial para sua sobrevivência. Você ativou o escudo de contenção. Bloqueando meu ataque.
— O que você quer na minha casa? – Eu pergunto.
— Apenas tenho algo para lhe dizer, talvez lhe interesse.
— Duvido que algo que venha de você seja interessante.
— Margarida levantou acampamento. – Caius me diz. — Por algum motivo estranho ela está voltando para o seu reino, aquele que você destruiu.
— E daí? O que espera que eu faça?
— Que a mate.
— Sabe que ela não pode morrer. – Digo. – Tá aí algo que nós dois sabemos bem, é que Margarida não pode morrer facilmente.
— E você sabe o por quê dela não poder morrer?
— Todo mundo sabe que Margarida arrancou o seu próprio coração e escondeu em algum lugar, fazendo dela uma criatura imortal, para matá-la tem que acertar o coração.
— Mas você sabe onde está o coração?
— Claro que não. – Digo e vejo decepção em seus olhos. — Nunca descobri, e mesmo se descobrisse não seria para você que eu contaria. Agora faça o favor de sair da minha casa.
— Sempre direta, Bella, acho que é isso que me fascina em você.
— Talvez seja seu mau-caratismos mesmo. – Digo. – Agora sai ou jogo você para fora.
— Calminha, já estou indo.
Então ele some do mesmo jeito que apareceu do nada.
— Esse jogo é bem perigoso. – Sussurro para mim mesma. – Mas eu também posso jogar.
(...)
P.O.V. Ana
A noite estava perfeita, uma linda lua estava no céu coberto por estrelas, seria perfeita, mas falta algo.
— Ela realmente não lembra. – Lucy diz, aparecendo do nada em meu quarto.
— Como sabe?
— Estive com ela. – Lucy diz. — Ela lembra da lenda, mas não lembra onde está o coração.
— É mentira. – Digo e Lucy me olha, levantando uma sobrancelha. – Não acredito, Bella está mentindo, algo não se encaixa.
— O que não está se encaixando é essa sua obsessão. – Lucy diz. — Chega, Ana, é apenas uma lenda, ninguém nunca viu se é verdade ou não. Margarida domina com perfeição a arte da ilusão, talvez ela só tenha nos iludido até agora.
— É por esse motivo que eu acredito que ela tenha feito isso. – Digo. – Sabe por que Margarida queria tanto John para ela?
— Pelo mesmo motivo que você, acredito.
— Existe uma lenda sobre os Dráculas. – Eu digo. — Se você beber o sangue de Drácula, você vira imortal.
— Então é só pegar uma amostra do seu cunhado e beber.
— Errado, minha querida Lucy. – Eu digo, odeio sua ignorância. — Sabe por que eu gostava de conversar com a Bella? Ela sempre sabia o que eu estava falando. Já você eu sempre tenho que explicar. O sangue tem que ser concedido pelo próprio Drácula, não pode ser roubado, ele tem que dar de coração. Por isso é só uma lenda, nunca foi testada.
— Como prova de amor?
— Como prova de amor. – Eu digo. — John não me daria o sangue por vontade própria, ainda mais agora que ele me odeia. Margarida esperava que ele desse o sangue para ela, só que nunca aconteceu, então ela encontrou outro jeito de ter a tão sonhada imortalidade. Arrancando seu coração e colocando em algum lugar nesse mundo.
— Já parou para pensar que o coração pode estar o tempo todo com ela? – Lucy diz.
— Já, mas seria óbvio demais, ela escondeu, eu sei disso. – Sigo. — Bella sabe onde, eu sei que ela sabe.
— O que as bruxas negras como Margarida podem fazer?
— Tudo, quando uma bruxa negra atinge um alto nível de magia, pode-se dizer que ela pode fazer tudo, até mesmo morrer e voltar a vida.
— E se eu quisesse me tornar igual a ela
— Lucy, você não tem metade da magia que Margarida tem. – Eu informo. — Ela é uma bruxa completa.
— E Bella? O que Bella é?
— O que Bella é? – Digo, analisando. — Filha de Ares, deus da guerra, filha de Margarida, uma bruxa negra completa. Bella tem mais poderes do que a maiorias dos Soldados de Elite, perdendo apenas para o Drácula, o poder de Drácula não tem tamanho, tem muita lenda sobre os Dráculas, eles podem dar vida ao morto. Assim dizem.
— Você não disse. – Lucy questiona. — Bella, o que é a Bella?
— Na pior das hipóteses. – Digo. — Nosso pior pesadelo.
— Pior do que Margarida?
— Bem pior. – Digo. — Caius acredita que ela seja a única capaz de matar Margarida, e infelizmente começo a achar que ele tem razão.
— Eu não vejo mais desse jeito.
— Oh, querida, sua inveja por ela é grande demais para poder ver detalhes. – Digo. — Já lhe disse uma vez e direi novamente, esse seu desejo incontrolável vai acabar te matando.
— Ela matou meus pais. – Lucy grita. — A única vontade que tenho é tirar tudo dela e eu vou fazer.
— Ela era só uma criança como você.
— Ela é um monstro. – Lucy diz e some, me deixando sozinha.
— Lucy, minha querida, se você soubesse que seu pais estavam trabalhando para a rainha, talvez essa sua ira fosse contida, mas eu sei que você deseja essa vingança, não importa o que eu diga, você ainda vai querer matar ela. – Digo para mim mesma, voltando a olhar para céu que continuava em todo a sua glória.
Continua...
“Entendam, eu não estou preso aqui com vocês, vocês estão presos aqui comigo.”
― Watchmen
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