Descendentes
18 Capitulo 17
Notas iniciais
17 – Aquela que dorme
Carlisle ainda tinha os olhos atentos a John, ele parecia ver um fantasma, afinal, eram dois mortos que estavam vivos.
— Acho melhor começar a explicar as coisas. – Digo e então fecho a porta atrás de nós. – Posso começar pela minha morte.
— Acho que será melhor. – Carlisle diz e Esme está ao seu lado, tão assustada quando ele.
Eu faço um breve resumo para eles do que aconteceu na cidade, claro que não digo a eles quem foi a pessoa que falei no mundo dos mortos. A existência de Elizabeth foi mantida em segredo por mim pelo simples fato de eu não saber como John Masen reagiria a isso, e outra coisa estava me intrigando desde que estive na cidade dos mortos.
Falei para Carlisle que soube o que aconteceu no castelo e fui ver com meus próprios olhos e foi quando encontrei John, contei o que a rainha fez com ele e o que pretendia fazer com os meus pais.
— Então Margarida está por trás disso tudo! – Carlisle diz chocado. – Parece que a rainha perdeu completamente o controle. Esme, querida, mande mensagem para os outros ministros, precisamos tomar posição com urgência.
— Onde ele está? – John pergunta e todos sabiam que ele falava do filho.
— Ele...
— Está bem. – Eu digo e todos me olham. – Estive com ele há uma semana atrás, ele voltará para o acampamento assim que essa semana terminar, talvez até antes, mandei mensagem para ele.
— Você conseguiu falar com ele? – Carlisle pergunta surpreso.
— Ele está bem. – Eu digo, dando meu melhor sorriso.
— Acho que você deseja tomar banho. – Carlisle diz para John. — Sua casa ainda está no mesmo lugar, seu filho a usou durante esse tempo que você esteve fora. John, descanse e volte depois para conversarmos, acho que você tem muitas dúvidas e eu também preciso de algumas respostas.
— Antes disso tudo, eu quero tomar um banho e dormir. – Ele diz e vejo seu cansaço. — Há muito tempo que não sei o que é isso.
— Ok, é bom saber disso. – Digo. – Papai, mamãe, vocês dois vão com John. – Todos me olham novamente.
— O que quer dizer? – Renée me pergunta.
— É simples, eu preciso resolver umas coisas, e vocês dois são os novos alvos da Rainha Louca. – Digo e vejo que esse apelido lhe cai muito bem, Rainha Louca. Rá. — Eu sei que Carlisle designará vários Soldados de Elite para proteger o Masen, então ficarão com ele por esse pequeno tempo que soluciono outro problema.
— Isabella Marie Swan, quem você pensa que é? – Renée perguntou irritada.
— Sua filha. – Digo e sorrio. — E é porque lhe amo que estou fazendo isso, então não reclama, não tenho intenção de sair do acampamento, quem eu preciso ver e encontrar está aqui.
— Você dará um bom susto nas pessoas aparecendo assim. – Charlie diz, se dando por vencido.
— Claro, claro, eles pensarão que sou um fantasma. – Digo, piscando e já caminhando em direção à saída. – Confio em você para mantê-los vivo. – Digo, olhando para John, que demonstra um olhar de confiança.
As coisa não estavam saindo exatamente como eu esperava, estavam mais fora de controle do que eu imaginava, não esperava encontrar John no castelo da Rainha Louca, porém, ela mesma disse que ele era seu grande amor, por que não estaria? Depois ela me enganou friamente, me fazendo acreditar que eu havia lhe matado, no entanto era apenas mais uma das sua ilusões, nunca me interessei em saber nada sobre a rainha, talvez se eu tivesse buscado mais informações sobre ela saberia que seu real talento era a ilusão. Agora já era tarde, eu precisava desenvolver um jeito de descobrir o que era verdade e o que era mentira em relação às suas ilusões.
Eu andava pelo acampamento e algumas pessoas já estavam acordadas, o sol já estava alto no céu. Alguns gritavam ao me ver, outros ficaram pálidos e desmaiavam, no entanto, eu só queria saber de uma pessoa e eu sabia exatamente onde encontrá-la. Assim que entrei na sala de treinamentos o silêncio foi geral, vi quando Emmett parou o movimento do seu machado e Jasper me olhou assustado, assim como Tanya e Jake, que pareciam não acreditar em seus olhos, eles eram a nova geração, a mais promissora que estava sendo treinada para uma guerra, estavam recebendo treinamento de Soldados de Elite. Demetri pareceu surpreso ao me ver também. Foi quando eu olhei ela lá atrás, próxima a Jasper.
— Não foge, não. – Eu disse, já ativando o arco e flecha, atirando duas nela, a aprendendo contra a parede.
Alice tinha sido pega pelas minhas flechas, a manga da sua blusa estava presa contra a parede.
— Sentiu a minha falta, Bruxinha? – Eu digo, caminhando em sua direção.
— Bella! – Todos ali falaram juntos o meu nome.
— O que está fazendo? – Jasper perguntou irritado.
Eu como sempre, ignorei o que ele perguntou e cheguei perto de Alice, assim arrancando as flechas que a prendiam e desativei meu arco, passando o braço em volta do seu pescoço de maneira de camaradagem, sorri para a morena com cara de fada.
— Vamos dar uma voltinha, tenho algumas perguntas que estou louca para lhe fazer.
Alice engole em seco, vejo que ela sabe ou tem uma leve ideia do que eu desejo falar com ela, saio da sala de treinamento deixando todos lá alvoraçados com a minha aparição repentina. Até porque todos achavam que eu tinha morrido. Assim que estamos longe de todos, jogo o corpo da morena contra a parede e levo meu braço contra seu pescoço.
— Levei um tempinho para entender. – Eu digo, olhando para ela. — E confesso que ainda não dá para acredita.
— Bella, você está me machucando. – Ela diz, então afrouxo meu aperto.
— O que aconteceu com a mãe do Edward? – Eu pergunto sem rodeios. — Você estava na cidadela, nós conversamos enquanto eu esperava por respostas, você me disse para ter cuidado porque se eu morresse ali seria meu fim.
— Você não precisa saber disso. – Alice disse em um sussurro.
— Tarde demais, já sei bem mais do que você imagina. – Digo, sorrindo levemente – A verdade, Alice.
— Elizabeth não está morta. – Alice diz.
— Impossível! Eu olhei seu espírito na cidadela. – Eu digo.
— Você viu o espírito dela porque ela está enfeitiçada. – Alice diz e então eu a solto.
— Fala logo tudo de uma vez. – Eu digo, olhando para ela.
— Assim como John, o corpo de Elizabeth nunca foi achado, Carlisle nunca de fato chegou a matar os dois, ele apenas pegou Edward e levou ele de lá.
— Então...
— Elizabeth estava viva, mas algum feitiço foi lançado sobre ela, é por isso que ela está em estado de quase morte.
— E como você sabe disso?
— Bella, nós bruxas podemos transitar entre os dois mundo, os dos vivo e dos mortos, eu sempre vou na cidadela, e desde que fui classificada como bruxa, eu vejo Elizabeth em meio aos mortos daquela cidade e isso sempre me intrigou, eu comecei a buscar informações e tudo o que consegui foi isso.
— Então eu não estava errada. – Digo, mordendo os lábios. — Elizabeth está mesmo viva, assim como John Masen, parece que tem alguém brincando com todos nós e eu não estou gostando nada disso.
— Eu também não. – Alice diz.
— Se acharmos o corpo dela é possível trazer ela de volta? – Eu pergunto.
— Claro, se ela estiver de fato enfeitiçada, é possível.
— Ótimo. – Digo, sorrindo para a morena. — Trate de achar o corpo dela, se vira. Eu tenho algo que preciso fazer.
— Que seria? – Alice pergunta.
— Minha espada de prata quebrou ao meio enquanto eu lutava com Ares, como faço para restaurá-la?
— Sua espada quebrou? – Alice perguntou chocada.
— Sim, como faço para restaurar?
— Ela não é uma espada comum, você sabe disso. – Alice fala algo que já sei. – É preciso mágica para isso.
— Ótimo, então você também cuidará disso para mim. – Eu digo e viro de costas. — Alice, a Rosie voltará para o acampamento, acho melhor você ir conversando com Jasper, afinal ele ainda tem ódio dela.
— Ele tem ódio de você. – Alice diz. — E todas as suas mentiras.
— Você sabe que esse é meu melhor talento. – Digo e sumo da sua vista, usando o mesmo truque que ela usa.
(...)
Eu estava em meu limite, tinha dias que não dormia direito e semanas que não me alimentava direito também. Mas eu precisava fazer isso, fui para a biblioteca central do acampamento, apenas Soldados de Elite, conselheiros chefes e claro, o primeiro ministro, tinham acesso a aquele local. Como se eu de fato respeitasse as regras. Até parece.
Entrei como sempre fazia, usando a janela mais alta, criando uma ventania que me levou até o topo e então pulo. Como eu suspeitava, estava vazio, ninguém vem aqui com frequência, e o motivo é porque aqui contém os livros raros, onde boa parte da história da nossa criação estava trancada, entre outros acontecimentos. Eu tinha dois dias para ler tudo, porque após esses dois dias Edward e Rosie estariam de volta ao acampamento.
— Bom, Bella, hora de colocar esses olhos e essa mente para trabalhar. – Eu digo para mim mesma, puxo o primeiro livro, me certificando do seu título.
(...)
Eu saio da biblioteca central no domingo pela manhã, no dia em que Edward e Rosie deveriam voltar para o acampamento. As únicas pessoas que sabiam do meu paradeiro eram meus pais e Alice, porque querendo ou não, nós duas temos uma ligação.
Assim que cheguei na praça do acampamento, avistei de longe Emmett, Jasper, Tanya, Jake e junto com eles estava Demetri, eu sabia que deveria uma explicação para eles, mas confesso que não estava nem um pouco a fim.
— Bom dia. – Digo e eles me olham intrigados.
— Olha só, se não é a morta-viva. – Tanya disse, com todo o veneno dela.
— Ainda posso matar você se desejar. – Digo e ela me olha feio.
— Por que não disse? – Jake perguntou. – Ficamos...
— Sinto muito. – Digo para ele e para os outros também. — Eu não tinha tempo, eu precisava fazer...
— Fazer o quê? – Jake perguntou em tom alto. – Nos deixar assustados e com medo, sabendo que poderíamos ter morrido também?
— Eu jamais deixaria vocês em situação de risco. – Digo. — Alice estava lá o tempo todo.
— Chegou muito depois. – Emmett disse. – Quando Rosie levou seu corpo, ela e Jasper lutaram.
— Quem ganhou? – Pergunto com certo divertimento na voz, o que fez eles todos bufarem.
— Já chega. – Demetri diz. — Bella teve os motivos dela, e acredito que o primeiro ministro saiba os porquês.
— Obrigada. – Digo, mas não entendo porque ele se meteu na discussão. – Tenho uma pergunta, alguém viu meus pais?
— Não. – Demetri diz. — E a casa do Masen está cercada por Soldados de Elite, perguntei a Carlisle o por quê e ele disse que ainda não era hora, você sabe de algo? Sabe dizer se Edward está no acampamento?
— Honestamente. – Digo suspirando, a fome batendo. — Eu sei bem mais do que gostaria, e isso está sendo um problema.
— Então você sabe quem está lá? – Emmett perguntou. — Estava planejando invadir a casa.
— Estão loucos? Ou estão querendo morrer? – Eu pergunto e dou um leve sorriso e então todos nós ouvimos uma explosão.
Foi algo inesperado por mim e por eles. Quando olhamos para a nossa frente tinham três Apanhadores de Alma em um tamanho bem grande, ao lado deles tinha um homem e duas mulheres, e uma delas é Irina. Mas à frente, em uma postura defensiva estava Rosie e atrás dela Edward, ambos estavam feridos.
— Merda. – Digo, correndo em sua direção, ativando o arco e flecha já atirando.
Só quando estou ao lado deles vejo que Demetri foi o único que seguiu meus movimentos, os outros ainda estava em estado choque.
— O que aconteceu? – Pergunto.
— Eles descobriram nosso plano. – Rosie diz. – Leve ele daqui, ele está quase perdendo o controle.
— O quê? – Eu pergunto e olho para Edward, que tem as mãos tremendo. – Ele precisa de sangue. Demetri? – Eu o chamo e ele entende.
— Deixa comigo. Acho que posso segurar eles enquanto você o alimenta.
— Tecnicamente, não segura. – Digo. — E acaba com eles. Ei, vocês, se movam! – Grito para os outros que estavam atrás e pego Edward pela mão. – Bom, no final acho que será do seu jeito mesmo. – Digo sorrindo e ele dá um meio sorriso, avançado sobre mim, me mordendo direto no pescoço.
Eu nunca disse para Edward, mas a sensação de ter suas presas em meu pescoço é de puro êxtase, é tão prazeroso que me sentia como se tivesse flutuando. Atrás de nós dois acontecia uma batalha bem intensa, era possível ouvir os sons de espadas, machados se cruzando e ataques elementares. Quando Edward finalmente me afastou, pude ver que ele estava mais calmo, mas ainda estava ferido sobre o ombro e no antebraço esquerdo.
— Eu preciso acabar com uma coisa. – Digo, dando um beijo de leve nos lábios dele. – Ei, garota. – Eu chamo a atenção da Irina. – Acho que temos um assunto inacabado.
Irina sorriu e veio ao meu encontro, eu ativei as adagas de tamanho médio, está aí algo que poucos sabiam, eu tenho mais de uma arma, e Alice lançou o feitiço sobre todas elas.
Continua...
“A vida é uma jornada, ela não leva a um destino exatamente, mais a uma transformação.”
― Para Salvar uma Vida
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