Descendentes
16 Capitulo 15
Notas iniciais
15 — Uma mentira e várias verdades
Esse é o único lugar onde não gosto de estar, porque eu sei que ele está aqui. Assim que entro, as luzes se acendem e lá estava ele, sentado em seu trono.
— Vejam só quem veio ver seu velho pai. – Ares me diz, saindo da sua forma de deus e ficando em forma humana. – Bella, Bella. A cada dia que se passa está mais digna de uma deusa.
— São apenas seus olhos. – Digo e meu sarcasmo é visível.
— Por que veio? A última vez que esteve aqui estava implorando pela morte.
— Talvez eu tenha exagerado. – Digo. – Margarida está morta.
— Soube. – Ele diz e dá um leve sorriso. — Confesso que achei que esse dia nunca fosse chegar. Por que a matou?
— Por que se eu não fizesse isso você faria, estou certa?
— Esperta como sempre. – Ele diz e então pega em uma da suas oferendas, um cacho de uvas, e leva à boca. – Ela era um problema, mas tinha um lado doce, mas com o passar do tempo foi se tornando insuportável.
— Ela era minha mãe!
— Ela tentou matar você!
— É, parece que existe uma maldição sobre a família!
— Soube que conheceu o filho de John. – Ele comenta. — Por que ele ainda respira?
— Porque não tenho a menor intenção de matá-lo.
— Você foi criada para isso. – Ele diz, me olhado sério.
— Lamentavelmente, a vida é minha e faço dela o que eu quiser.
— Filha rebelde, sabe que posso matá-la. – Ele me informa.
— Sei que pode fazer muitas coisas, mas não mataria sua única filha, ainda mais ela estando esperando um neto seu. Seria meio cruel.
Ares me olhou como se o mundo fosse apenas nós dois, não sabia dizer se era ódio ou medo, mas aqueles olhos dele estavam me assustando. Porém, eu não parei.
— Levei bastante tempo para entender o que todos falavam sobre linhagem drácula. – Digo, andando pelo grande salão. — Porque todos temiam a essa linhagem e porque ela se limitava a alimentadores e dráculas.
— Você não fez isso. – Ele diz e seus olhos brilham.
— Apenas uma alimentadora pode gerar o filho de um drácula. – Digo. — Essa é a falha da linhagem perfeita, o amor e o que os tornam humanos. Uma fraqueza dessas não é aceitável, não é mesmo, papai?
— Você sabe o que vai acontecer assim que eles souberem que você tem um herdeiro dele?
— Eles virão atrás de mim. – Eu digo e ele me olha como se tivesse pena. – Tentará me matar agora? Ou deixará que sua linhagem tente isso, já que você criou uma linhagem similar à dele. Também demorei um pouco para entender, mas Elizabeth me deu algumas informações que me foram negadas.
— Ela ainda vive?
— Sua filha mais promissora? – Digo sorrindo e ele me olha com ódio. — Relaxa, sei que ela não tem seu sangue, porém, herdou um coração puro.
— Mas tolo!
— Ah, não fique bravo. – Digo com sarcasmo em cada palavra. — Ela não é sua filha, graças a Zeus.
— Idiota! – Ele grita e puxa uma espada, me atacando.
Ativo minhas armas a tempo de impedir o ataque dele. Ele tem ódio nos olhos, eu sabia que seria uma luta difícil, eu não estava lutando com qualquer um, ele é Ares, deus da guerra e meu pai. A cada movimento dele eu contra-atacava, usando tudo o que tinha, mas ele era imortal e milhões de anos mais velho e experiente do que eu. Quando ele contra-atacou o meu ataque minha espada de prata quebrou ao meio.
— Parece que perdeu uma das suas armas. – Ele diz.
— Esse é o momento de você acabar comigo.
— Não farei isso. – Ele diz e guarda a sua arma. – De todos os meus filhos, você é a única que amei.
As palavras dele me pegaram de surpresa, era algo que não eu esperava vir dele.
— Você é minha filha amada, nunca lhe machucaria. – Ele me informa. — Quando salvei você de Margarida e do seu destino, algo em você fez com que eu me importasse.
— Isso se chama amor. – Digo. — Eu também levei anos para entender esse sentimento.
— Caius fez um bom trabalho com você. – Ele me diz.
— Acha mesmo? Ele quase me matou por diversas vezes, o seu treinamento...
— Fez de você a melhor. – Ele diz, me interrompendo. – Sei que se eu atacar você, você encontrará um jeito de me neutralizar, mesmo eu sendo imortal, você encontraria um jeito de me impedir.
— E daí? Isso não o mataria.
— Ah, Bella, você de todos os meu filhos é a mais bela. – Ele diz e então se senta no chão à minha frente. — Durante anos tive ódio de Zeus por ele ter aceito Hércules de volta, aquele garoto mimado que abriu mão da imortalidade por causa de uma humana, mas agora vendo você, entendo perfeitamente o que ele fez. Damos a vida pelo nosso filho. Volte para casa, faça o seu melhor, acabe com essa guerra que eu mesmo comecei.
— Não é assim tão fácil. — Eu digo e ele me olha
— Você encontrará um jeito, você sempre encontra. – Ele me diz, levantando e caminhando de volta para seu trono. — Traga a criança aqui quando nascer, quero conhecer meu neto. E também traga o jovem drácula, ele deve ser alguém importante para você fazer tantos sacrifícios por ele.
— Ele me ensinou a amar. – Digo e ele sorri.
— E você me mostrou o que é o amor de um pai pelo filho. – Ele diz, sentando em seu trono. — Não morra, minha querida.
Então ele voltou à sua forma original, uma estátua de pedra. Poderia ser pior, eu sabia, mas fico grata por ele não ter me matado. Agora eu preciso sair daqui, preciso chegar a um lugar o mais rápido possível.
(...)
Estava tudo escuro, a casa era de fato no meio do lago com um caminho de madeira, uma ponte que levava à casa. Eu caminho a passos largos, esperando fortemente que ele esteja aqui, que Rosie tenha lhe dado o recado.
Entro na casa e a porta range quando eu a abro, há algumas teias de arranha presas a ela, e no chão existe marcas de pegadas, alguém esteve aqui ou ainda está. E é nesse momento que o vejo, ele está com seus olhos negros e sem vida, sentando no último degrau da escada de madeira da casa, cabelos extremamente bagunçados, está usando roupas negras.
— Ela o amava muito. – Eu digo, chamando sua atenção e então ele me olha pela primeira vez.
Um misto de sentimentos se passou naquele rosto sem vida, senti meu coração bater tão forte que poderia sair do peito, então em um movimento tão rápido e cego para meus olhos, lá estava eu contra a porta de entrada da casa, sendo consumida por um beijo urgente e esfomeado dele.
As mãos urgentes estavam presa ao meu cabelo, levei alguns segundos para entender que tudo aquilo era saudade, saudade essa que estava me mantando tanto. Minhas mãos, assim como as dele, ganharam vida e passearam livres por seu cabelos, puxando e bagunçando ainda mais.
A urgência e a necessidade eram tantas que as roupas sumiram tão rápido quanto nossos movimentos, e apenas em questão de segundos, Edward me preenchia por completo. Eu gemia alto com o contato dele e sua invasão brusca em mim. Mas o prazer era maior e o ritmo que movia seu quadril, entrando e saindo de mim, com tanta intensidade estava me levando à loucura, minhas unhas arranhavam suas costas, assim como sua boca beijava e mordida minha pele, pescoço, ombro e boca. Os cabelos dele eram cada vez mais puxados por mim, me levando ao puro delírio e quando já não suportávamos mais, explodimos em êxtase de puro gozo.
Os nossos corpos foram escorregando pela porta até estar no chão, eu estava sentada em seu colo, com as pernas em volta da sua cintura e os braços presos em seu pescoço. A boca dele estava sobre minha pele, dando leves beijinhos, indo do ombro para o pescoço, quando chegou em meu pescoço ele me mordeu. Seus dentes afiados penetraram minha pele fina, onde ele sugou cada gota de sangue, matando assim seu prazer e sua sede.
Aos poucos ele foi afastando sua boca e então seu olhos me olharam bem mais profundos do que o normal. Ainda estavam negros, mas não tão negros assim.
— Achei que você tinha morrido. – Ele comenta, passando a mão pelo meu rosto, tirando uma mecha de cabelo dali.
— Sou uma semideusa, não morreria tão fácil assim. – Ele me olha e havia dor naquele olhar.
— Sinto muito. – Ele diz. — Eu descontei em você toda a minha raiva, eu li as cartas da minha mãe, ela explica o que aconteceu, ela me entregou a Carlisle para que eu não fosse morto.
— Carlisle a matou porque ela não era mais ela, o que quer que seja estava a controlando.
— Eu sei, Bella, agora eu sei de tudo.
— Quase tudo. – Eu digo e mordo os lábios, não sabia como ele reagiria. — Eu encontrei Elizabeth.
— O quê? Minha mãe? Ela está viva?
— Não exatamente. – Digo e respiro fundo. — Elizabeth está presa na cidadela, melhor dizendo, o espírito dela está preso lá. Foi por isso que precisei morrer.
Ele me olhou como se não entendesse, e eu sabia que era bem complicado. Então fui falando tudo o que aconteceu enquanto eu supostamente estive morta. E quando cheguei ao fim ele parecia ainda não acreditar.
— Desculpe, não foi possível dizer a você toda a verdade porque eu não sabia tudo. – Informo a ele, agora ele sabia sobre Hércules, seu pai.
— Então meu pai ainda está vivo? – Ele pergunta.
— Sua mãe disse que sim.
— Onde?
— É o que vamos descobrir.
— Como sabia que eu estaria aqui? – Ele me perguntou.
— Quem você acha que disse à Rosie sobre esse lugar?
— Rosie está com você nessa? – Ele pergunta.
— Cada uma de nós tem seu motivo para estar nessa guerra. – Digo, ficando de pé e pegando minhas roupas. – Precisamos voltar, ainda tem algo que tenho que fazer.
— Eles não me aceitarão lá de volta. – Ele me diz e eu dou um largo sorriso.
— Você é um drácula, engula isso.
E então ele sorri e pega suas roupas, começando a se vestir também. Não havia muito tempo, mas agora estávamos juntos e assim seria para sempre.
Continua...
“ Eu Te Vejo Hoje À Noite Quando Eu Sonhar.”
-- Toy Story 3
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