Descendentes
15 Capitulo 14
Notas iniciais
14 — Rendição
Nunca ninguém soube o que aconteceu naquela noite, apenas Carlisle, Rosie e eu. Sabíamos que existia alguém passando informações sobre o acampamento. Carlisle não conseguia descobrir quem era. Foi aí que eu entrei em cena, ninguém nunca me viu em ação, ninguém sabia nada sobre mim, eu fui criada para não falar, não demostrar emoções e não ter amigos, ganhar o ódio dos outros era fácil, eu só precisava dizer algumas palavras e não me importar com nada à minha volta, isso era algo que eu fazia bem. O assassinato do casal Masen era assunto proibido, os poucos que sabiam não falavam e os outros nunca souberam. Meus pais, Charlie e Renée, sabiam o que aconteceu, foram eles que abriram o portão para mandar o Masen, agora Cullen, para o mundo dos humanos, lá estaria seguro. Isso eu só fui saber muito depois, quando eles acharam que era importante eu saber.
A noite em que Elena e Marcos tecnicamente morreram foi a noite que ganhei o ódio de Jasper Hale, e a noite que Rosie foi embora do acampamento, eu era a única que sabia a verdade, nem mesmo Carlisle e os outros sabiam a verdade sobre Rosie. Esse era meu plano, nunca joguei segundo as regras, tinha prazer que quebrá-las, e Rosie... bom, Rosie queria vingança, e francamente, quem sou eu para negar um pedido desses? Rosie havia perdido o noivo em um ataque contra Apanhadores de Alma, ela tinha sede por vingança e eu tinha a leve impressão que ela me ajudaria se eu desse a ela o que ela desejava.
Foi assim que montamos o plano, Rosie encontrou o cara que matou o seu noivo, matando ele e tomando seu lugar. Passei dias ensinado Rosie a controlar o vento de maneira eficaz, ela era boa, ou melhor, ela tinha sede por vingança. Quando ela conseguiu o que queria passamos para a segunda parte do plano, forjamos a morte dos seus pais. Foi assim que ela foi aceita e transformada em Apanhadora de Alma. Desde então ela vem me informando cada movimento deles, desse jeito eu sempre estou um passo à frente. Mesmo ela estando infiltrada no meio deles, ela não conseguiu descobrir quem era o traidor, até que Irina se mostrou, deixando a máscara cair.
— Como eles estão? – Rosie pergunta, sei que ela quer saber dos pais.
— Bem, Jasper ficou determinado com a volta deles. Isso é bom.
— Ele ainda me odeia. – Rosie comenta.
— Relaxa, ele é louco por você, vai te perdoar. – Digo e dou um leve sorriso, o que surpreende a loira, já que ela nunca me viu sorrindo. – Ele ainda quer arrancar minha cabeça, mas por enquanto ele sabe que sou mais forte do que ele. Agora me diga, como conseguiu pegar meu corpo?
Foi tão rápido que quando vi já estava caída no chão, Rosie me deu um tapa na cabeça com tanta força que me derrubou.
— Sua idiota! Avisa antes de fazer essa merda! – Ela gritou e então voltou à sua postura normal. – Eu não posso sumir e aparecer assim tão fácil, preciso dar explicações ao meu subcomandante.
— O cara sem rosto? – Eu pergunto, me sentando novamente e coçando a cabeça.
— Esse mesmo. – Rosie diz, mordendo lábios. – Ele matou alguns Soldados de Elite essa semana, arrancando deles seu coração. Juro, esse cara me dá medo.
— Tá certo, peço desculpas. – Digo, me levantando e me esticando. — Foi algo improvisado, eu sabia a lenda da cidadela, queria comprovar.
— Você podia ter morrido. – Ela me diz.
— Alice me ajudou. – Digo, informando ela que a velha bruxa estava lá também, não na forma física, mas Alice conseguia transitar entre os dois mundo facilmente.
— Qual é o lance entre você e a Alice? – Ela pergunta.
— Ela lançou o feitiço sobre minhas armas. – Digo e olho para ela. — E tentou me matar.
— E você ainda tem ela como amiga? – Rosie pergunta, incrédula.
— Mantenhas os amigos perto e os inimigos mais perto ainda. – Digo. – Preciso ir, tem um lugar que preciso ver com meus próprios olhos, preciso que você entregue esse recado a Carlisle. Ele saberá o que fazer.
— Bella. – Rosie me chama antes que que eu saia da caverna onde estamos. — Eu o vi.
— Edward?
— Sim, ela já se encontra no acampamento, meu comandante deu a ele as boas vindas.
— O que mais, Rosie?
— Ele está diferente, não parece ser o mesmo cara que vi com você naquele dia no refeitório. Os olhos deles estão cada vez mais negros.
— Eu sei. – Digo, lembrando que eu também o vi antes de morrer.
— Ele acha que você está morta. – Ela me informa.
— Ele me viu cair sem vida. – Digo para ela.
— Sua irmã está lá também.
— O quê?
— O comandante acredita que ela pode ter o sangue o puro também, por isso levou a jovem, ela será usada caso ele perca o controle, todos lá tem medo dele.
— Por que? Edward não está em um nível tão alto assim.
— Você está errada, ele matou sete Apanhadores de Alma por pura diversão. – Rosie me diz. — Talvez você não o conheça tão bem.
— Quando?
— Assim que a sua morte foi oficializada.
— Preciso que faça um favor para mim.
— Mais favores? Não acha que está me colocando em uma situação meio complicada?
— Não se preocupe, é algo simples e fácil de fazer. Daqui a duas semanas quero que você diga algo a Edward.
— Eu tenho medo dele.
— Tenha medo dos mortos, querida, eles também falam. – Eu digo e sussurro para ela o que deve dizer. – Em duas semanas, Rosie, nem um dia antes e nem uma dia depois.
— O que planeja fazer?
— Algo que você não vai aprovar. – Digo e então saio, deixando ela para trás sem muitas informações.
Talvez ter forjado minha própria morte tenha sido algo bom afinal. Eu preciso fazer uma visita rápida a uma pessoa.
(...)
As coisas continuavam iguais à última vez que estive aqui, as cortinas em tons escuros, assim como a tapeçaria. Havia pouca luz em todo o ambiente. Mas ela estava lá, olhando para o nada, sem saber que o tempo passava em sua volta.
— Deveria reforçar sua segurança. – Digo, chamando sua atenção. Então ela me olha como se visse um fantasma.
— Você. – Ela diz e dá um meio sorriso. — Claro que é você, quem imaginaria que morreria tão facilmente.
— Tecnicamente eu morri de verdade. – Digo, caminhando em sua direção e parando ao seu lado. – Mas nada para você chorar, mamãe.
— Isabella, você herdou todo o veneno do seu pai. – Ela me diz e volta a sua atenção para o espelho à sua frente. — Sinto falta dele, Ares era um homem bom.
— Que te deixou. – Digo e ela me olha.
— Ele é um deus, nunca poderia viver entre os humanos.
— Há controvérsias, não é mesmo? – Então ela me olha. -- Eu levei um bom tempo para entender o que ela queria dizer sobre, mas aos poucos as coisa foram se encaixando.
— Como?
— Apenas alguém com sangue de um deus pode matar um deus, ou aquele que tem o coração puro. – Eu informo e ela arregala os olhos. — Eles não tinham falhas porque eram perfeitos, porque ele era um deus, um deus que se sacrificou por algo maior.
— Como descobriu?
— Precisei morrer. – Digo. — Eu a vi, ela ainda espera pelo seu amando.
— Elizabeth. – Ela sussurra.
— Margarida, você sempre soube o que ele era? – Digo e a olho. — Ele era seu primeiro amor...
— Ele era o único. – Ela diz, ríspida. — Ares mentiu, me enganou e então...
— Engravidou você. – Eu digo – Ele sabia que um filho com uma mortal seria um filho semideus.
— Ele não contava que seriam duas. – Ela diz. — Foi ele que salvou você. Por algum motivo ele sabia que você herdaria seus poderes e talentos.
— As espadas, por que uma de ouro e uma de prata? – Eu questiono.
— O ouro queima e a prata destrói. – Ela me olha. — O que achava? Que você era incrível? Não, minha querida, você é apenas o reflexo daquele que eu odeio.
— Claro, é por isso que espera ansiosamente pela minha morte?
— Ele não deixaria, não antes que você mate ele. – Ela me diz. – Elizabeth falhou, ela se apaixonou pela sua missão, porém...
— Quem os criou? – Eu pergunto. — Qual foi a falha encontrada para poder criar uma linhagem tão similar à Drácula.
— Olhe para você, tão sedenta por informações. – Margarida fala. rindo da minha cara. – Você é tão igual a ela que me dá pena.
— Ele amava ela. – Eu digo. — É por isso que você a odiava.
— Eu a odeio por vários motivos. – Ela diz, ríspida. — Mas o maior deles é porque ela roubou de mim o amor dele, John Drácula, você deseja tanto assim saber quem é ele? Pois eu direi. É o único semideus que foi contra seu pai e abriu mão da suposta imortalidade para ficar entre os humanos, e se apaixonou por uma mortal.
— Hércules. – Eu sussurro, em choque. — Mas ele está morto.
— Sim, ele morreu pelas mãos de Ares, voltando assim para o Olimpo, para perto do seu pai. Mas ele tinha um filho, e esse filho recebeu nome de John Drácula, da casa dos dráculas, conhecido por ter matado um exército inteiro para salvar apenas duas vidas. Conhecido como filho de Drácula, dando como homem mais nobre do mundo, com imortalidade nas veias.
Eu olho para ela, entendo agora muita coisa, Elizabeth renegou sua missão ao se apaixonar por ele, foi por isso que Ares tomou sua forma humana, vindo aqui entre nós.
— Seu pai odeia Zeus, porque ele recebeu Hércules de volta, como o filho pródigo. – Ela sorri. — Heidi é minha preferida, sei que ela está lá, e sei que ela conseguirá matá-lo.
— A falha da linhagem perfeita foi amor. – Eu digo, entendendo agora. – É por isso que você os odeia tanto.
— Eu os odeio porque eles roubaram de mim a minha vida. – Margarida diz. — Guardas! – Ela gritou e o ambiente ficou cercado por eles. — Matem ela agora.
— E no final, você é igual a todos os outros. – Eu digo, já ativando as minhas espadas. — Você tem razão em uma única coisa, eu realmente sou filha dele, porém, eu não sou ele. Vejo você no inferno, mamãe.
Ao dizer isso, enfio a espada em seu peito, sinto meu coração morrer aos poucos, mas também sabia que ela nunca me amou, eu conhecia muito bem essa história e teria morrido no dia que nasci. Volto minha atenção para os soldados e dou meu melhor sorriso, e então sei que meu olhos ficaram brancos. Alguns soldados saíram fugindo e gritando e os que ficaram, foram incinerados pelas chamas que eu produzi.
(...)
Estava sentada em cima de uma árvore, onde me dava uma vista perfeita do castelo da rainha do sul, esse por sua vez queima com as chamas que nunca se apagarão. Salto de cima da árvore, aterrissando perfeitamente no chão.
— Acho que está na hora de voltar.
Continua...
“ Há Muitas Maneiras De Morrer, Mas É Preciso Decidir Uma Forma De Viver, Isso, É O Mais Difícil. ”
__ Valente
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