Desaparecer

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Depois do reencontro Lena é obrigada a abandonar sua família mais uma vez, só que desta vez é pra valer, pelo menos é o que parece. Agora ela e o vampiro gostoso. Ops, quero dizer... Ela e James estão seguindo para Bariloche, Argentina. Estão em busca de paz, pelo menos James já que Lena ainda não sabe de nada, veja o que acontece nos próximos.

Agora estamos mesmo indo em direção ao aeroporto e o caminho está tão quieto e estranho, ninguém fala nada, James apenas olha para frente e me ignora e eu fico com a cabeça encostada no vido até que pergunto: — Me conta a sua história.

Ele me olha com um olhar paralisante, as palavras “como você tem coragem” está estampado em sua face, ele hesita, mas responde.

–Você quer mesmo saber? É uma longa história.

– Nós temos tempo — Falo curiosa.

Ele demorou um pouco então começou.

– Quando era pequeno, bebê, fui levado para uma casa que já havia algumas crianças, na época ninguém fazia esse tipo de coisa, o primeiro orfanato. Cresci lá com amigos, uma família e nada poderia mudar isso, eles eram tudo o que eu tinha.

– Quando isso aconteceu? E o que aconteceu?

– 1866, quando eu fui deixado lá, havia mais 3 crianças e uma freira que cuidava delas, a mais velha se chamava Rob, seus cabelos eram escuros e tinha olhos castanhos, a mais nova se chamava Miranda e ela era linda, era muito linda, seus cabelos eram ruivos e seus olhos eram verdes, como o mar. Ah também tinha a do meio que era sua irmã, Camille, era ruiva também mas seus olhos eram castanhos.

– Você a amava não é?

– Sim, nós crescemos juntos afinal cheguei ao orfanato e ambos tínhamos 1 ano de idade, ela havia chegado com a irmã de 5 há umas semanas antes de mim.

– Quando você percebeu? – Ele fez cara de interrogação – Que a amava – Reforcei.

– Quando tínhamos 12 anos. Logo depois veio uma família, muito estranha querendo me adotar, nessa época o orfanato já tinha crescido, havia mais pessoas trabalhando lá, o que era uma casa se tornou uma “pensão” que abrigava mais de 20 crianças, elas simplesmente apareciam na porta do orfanato, geralmente os pais não a queriam ou apenas não tinham como ter uma criança, como cria-la.

Chegamos ao aeroporto, nem me lembrava para onde entravamos indo, o manobrista veio pegar o carro. Entramos e fomos direto pegar nossas passagens, como já estavam compradas foram tiradas rápido, James teve a brilhante ideia de pegar meu passaporte na minha casa porque nem eu me lembrei disso.

Passamos por tudo, nos encaminharam para uma sala porque faltam 30 minutos para o avião decolar. Quando já avia se passado 20 minutos fomos para porta de entrada e esperamos até todos começarem a entrar. Eu estou tão nervosa porque nunca andei de avião na minha vida, nunca fui para muito longe e sempre de carro. Entramos e nos sentamos, James me deixou ficar na janela, eu estou tão nervosa, peguei meus fones e apertei o play sem nem me importar com o que estava tocando, (Dies – White Lies) é uma musica bem legal e com as suas batidas deixam meu coração ainda mais acelerado. O avião começou a andar e eu estava ofegante com os olhos fechados e agarrando o apoio que separa a minha poltrona da de James, o avião começa a subir, James me olha e percebe que estou com medo, apenas sinto sua mão em cima da minha, quente confesso. Não sei como ele faz isso, com um simples gesto ele me acalma... Na verdade aquilo acelerou ainda mais meu coração mas não quero que isso seja verdade então apenas respiro fundo e tento encontrar coragem em abrir os olhos. Quando finalmente os abro vejo que estou apertando sua mão então a solto de imediato.

– Tudo bem? – Ele pergunta parecendo preocupado, mas com um pequeno sorriso no canto dos lábios.

– Sim – Respondo rispidamente. – Pode terminar a história?

– Ah claro. – Depois de um tempo parece que se lembra de onde parou então continua – Éramos realmente tudo um para o outro, é engraçado lembrar... Lembrar que um dia você tem uma “namorada”, uma casa, família e depois tudo se vai.

– Se não quiser não precisa continuar, eu entendo.

– Certo dia, tínhamos acabado de chegar da cidade, apenas eu, Tânia que era uma das freiras que moravam no orfanato, Rob e Spencer, havia alguma coisa errada... Tudo estava tão quieto e sem movimentos, não víamos nada na casa, quando entramos as únicas coisas que vimos foram os corpos no chão, fui correndo até seu quarto e lá estava ela, linda como sempre, mas morta. A única coisa que conseguia fazer era fingir que ela estava dormindo, então a coloquei na cama, deitei em seu lado, seus cabelos ruivos e com a cor ainda viva voavam com o vento que entrava pela janela e seus olhos verdes e profundos estavam fechados, na escuridão. Não conseguia suportar o fato de nunca mais conseguir velos novamente, então quando uma rajada de vento chegou vi, finalmente vi o que havia causado sua morte, não apenas a sua como de quase todos na casa, apenas dois buracos em seu pescoço.

– Vampiro – sussurrei baixinho hipnotizada olhando para o seu rosto confuso.

– Sim vampiros. – Ele me corrigiu – Havia mais que um naquele final de tarde dublada, que o sol não teve a vontade de aparecer – agora ele parecia amargurado – aquela maldita tarde em que todos que eu amava morreram.

– E o que aconteceu depois? O que você fez?

– Eu prometi que a vingaria, deu um beijo em sua testa, ela parecia uma boneca em sua casinha apenas esperando sua dona chegar para brincar com ela novamente. Eu fugi, sai correndo daquela casa o mais rápido possível e fui em direção a floresta que ficava ali perto, lá tínhamos construído uma casa na arvore, com as ajudas das freiras mais velhas e o carpinteiro da vila, a casa da arvore onde só eu e a Miranda conhecíamos de fato, me escondi lá enquanto ouvia a voz dos outros me chamando, deveriam estar me procurando mas continuei lá.

Ele parou por um estante, uma gota escorreu em meu rosto, então me dei conta que estava chorando, chorando por Miranda, chorando por James e pelo fato de tudo acontecer tão de repente, tão confuso e complicado demais para uma criança de 12 ou 13 anos de idade.

– Foi nessa noite que eles vieram atrás de mim. Acordei com um barulho na floresta, um galho se quebrando, desci da casinha na arvore e procurei por alguma coisa, alguém, já estava escuro então resolvi subir novamente. Depois de 2 dias voltei para a pensão novamente onde já estava tudo limpo e os corpos tinham sido enterrados no cemitério e eu me mudei para seu quarto onde achei depois de algum tempo uma carta escondida em baixo de sua penteadeira, estava direcionada a mim mas acho que ela nunca teve coragem de me entregar.

Ele a pegou de dentro de sua carteira e colocou em minhas mãos para que eu lesse.

Oi,

Eu sei que é estranho, mas eu não sei como explicar o que eu estou sentindo, eu acho que eu to apaixonada James, eu estou assustada porque nunca tinha acontecido isso antes mas de algum tempo pra cá eu sinto que o mundo pode acabar mas não consigo ficar um minuto sem você ao meu lado, eu sei que sou muito nova e que ainda vou conhecer muitos outros meninos que vão me machucar, eu sempre escuto minha irmã me contando de seus namorados e vejo ela chorando por algum idiota que deixou ela por outra ou coisas assim, vejo também a Luiza e a Mahíra (aquelas amigas da minha irmã lembra?), mas pelo que a minha irmã me fala você é sim um amor.

Já tive muito medo disso, por não dar certo e não ter você mais do meu lado. James você é a melhor pessoa do mundo, a mais gentil, a mais linda, a mais fiel, a mais tudo do mundo pra mim e agora eu tenho certeza disso, não me importa o que você sente eu estou pronta para admitir que sim EU TE AMO.

Hoje, eu te entregarei isso quando você voltar da cidade e estou preparada para tudo, estou preparada para você!

Beijos de sua amada Miranda Werwolf.

Depois de acabar de ler dobrei a carta e devolvi, ele guardou no bolso e seguimos viajem sem nenhuma palavra.