Desaparecer
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Finalmente cheguei e estou exausta pela viajem afinal não consegui dormir muito, fiquei acordada olhando James dormir até pegar no sono, examinando cada traço em seu rosto, sei que isso não é normal nem nada, mas afinal eu estou... Não sei, apenas preciso conhecer ele e saber se ele está mesmo tentando me ajudar ou não porque na realidade eu não sei nem o porque estou fugindo ou de quem.
Na recepção do hotel fiquei esperando James pegar a chave do quarto enquanto quase dormi sentada no sofá que havia do lado oposto de onde havia o balcão, minhas malas e as de James já estavam no carrinho sendo levados para o quarto. A recepção é muito grande e há vários sofás e um “bar” onde se podem pedir coisas como um chocolate quente maravilhoso.
- Você quer a boa ou a má notícia? –Ele chegou com apenas uma chave em suas mãos. Sem que eu responda ele continua a frase — Eu reservei apenas um quarto porque nem aqui estamos seguros então...
- Ok, um quarto você já tem pelo que eu vejo –Aponto para as chaves – Então qual é a má notícia?
- É que o único quarto que eles tem vago é com uma cama de casal e pelo que o gerente me informou esse é o único hotel com algum quarto vago na cidade por causa da tempestade e etc.
Realmente havia uma tempestade de neve chegando porque ouvi uma mulher a alguns metros conversando com uma amiga. Estou verdadeiramente cansada e acho que se eu deitar no chão acabo dormindo então aceito o quarto sem muitas reclamações, entro no quarto e um cheiro de flores é invadido, o quarto é grande e lindo, tem uma cama grande e um banheiro com hidromassagem e um chuveiro muito grande, as roupas de cama de seda e sinceramente era tudo o que eu precisava.
Eu pego minha mala no canto do quarto e abro pegando meu pijama, vou até o banheiro onde me troco, lavo meu rosto, prendo meu cabelo em um coque alto e escovo meus dentes, volto para o quarto encontro James deitado em um dos lados da cama, dormindo. Quando vejo essa cena às imagens de hoje pela manha voltam pela minha cabeça, eu estava acordando e ele no meu quarto me olhando e sentou ao meu lado, isso não é muito diferente de estarmos dormindo. Afastei a coberta para o seu lado fazendo movimentos pequenos para não acorda-lo e deitei, apaguei as luzes e aos poucos fui fechando os olhos até eles fecharem completamente.
Acordei hoje com uma batida na porta e apenas a ignorei, olhei para o lado e James não estava, fui ao banheiro e me arrumei, quando sai a porta do quarto se abre e James entra.
-Bom dia lindinha! –Ele falou de bom humor.
- Bom dia – falei com um sorrisinho no rosto.
Porque eu estava sorrindo? Acho que pelo fato de ninguém tentar me matar (James) e não ter me abandonado, é acho que sou mesmo valiosa.
- Está com fome?
- Um pouco
- Se vista bem que vamos sair e lá fora está bem frio.
- Esta bem — respondi e fui até as malas, peguei uma apenas de agasalhos onde peguei uma calça preta bem quente e um casaco vermelho, coloquei por cima de uma roupa comprida e colada ao meu corpo que é impermeável afinal aqui é muito frio. Ele apenas ficou olhando para a lareira.
- Pronta – afirmei olhando-o, ele demorou até fazer algum gesto então se virou.
- Vamos.
Saímos e fomos há um café que ficava perto de onde iriamos pegar nossos esquis então tomamos chocolate quente e um lanche que eles fazem chamado ... que é apenas pão, queijo e presunto, mesmo assim é muito bom.
- Achei que você estava falando de outro tipo de fome – comentei com a boca cheia.
- E estava, mas temos que ter cuidado com o que fazemos, nos vamos “comer” aqui e depois eu preciso passar no hospital, tenho uma leve impressão que temos que pegar alguma coisa lá. – Ele me olhou sorrio então piscou.
- Não temos que... –O olhei de canto.
- Matar alguém! – Sussurrou em meu ouvido direito.
- I... Isso.
- Não precisamos! Bom se você quiser...
- Não! – falei rapidamente com uma cara séria – Acho melhor assim.
- Eu também!
Terminamos de comer e ele me mandou ir experimentando a “botinha” que é necessária para encaixar no esqui, me falou que se eu fosse poderia não ter controle para não atacar alguém apesar de lembra-lo que quando ainda estava em transformação estava em um hospital, então ele começou a falar que é porque eu ainda estava confusa e sem direção que eu não ataquei ninguém, então parei de tentar convence-lo vendo que seria impossível. Sai da loja onde aluga-se os esquis com as “botas” e os esquis nas mãos. Nossa como essas “botas” machucam! Elas são grandes, alcançam até pouco abaixo do joelho e machucam por serem duras.
Quando estava entrando em um “shopping” que ficava do outro lado da praça onde se encontrava tudo comecei a passar mal, as coisas começaram a rodar então eu sentei em um banco que encontrei pelo caminho. Eram imagens que giravam, mas eram tão nítidas, são tão nítidas que estou confusa, elas começaram a surgir mais alinhadas e ai eu lembrei... As imagens eram de quando eu fiz tudo, de antes de me mandarem para os meus avós. Meus pais brigavam muito por tudo mais principalmente por minha causa, tudo o que eu fazia era motivo de brigas em casa, eu chorava todos os dias quando me escondia no sótão que ninguém sabia mais de sua existência; lá era meu refugio e o único lugar que eu conseguia pensar. Minha melhor amiga me traiu, ela fazia de tudo pelas minhas costas, falava mal de mim e eu ali do seu lado como uma idiota, tinha acabado de descobrir aquilo nesse dia. Eu estava apaixonada mais pela pessoa errada, ele era um idiota que bebia e fumava ou ainda faz essas coisas não sei, meu mundo havia desabado, sem amigos, sem o apoio da minha família, sabendo que eu era o motivo de todas aquelas brigas... Aquilo estava me consumindo, foi então que eu resolvi apenas sair e não voltar mais.
- Lorena? – um nome ecoava em minha cabeça, o meu. – Lorena você está bem?
- Oi? – voltei a entender o que se passava em minha volta.
- Você esta bem?
- Sim... só um pouco tonta.
- Vem vamos para o carro, trouxe uma coisa.
O segui e lá ele me serviu um litro de sangue onde senti aquela sensação de novo, era uma sensação tão boa que eu não conseguia parar, tomei o liquido grosso e consistente em segundos e olhei para ele com cara de quem pede mais, mas ele se opôs me dizendo que se eu não aprender me controlar vou começar a atacar as pessoas. Já cansei de escutar isso para tudo, é uma desculpa meio obvia né!? Mas eu sei que dessa vez é verdade.
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