Desaparecer
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Agora que me dou conta, ele me chamou de Miranda? Se ele me conhecesse mesmo saberia meu nome, mas como ele acertou sobre minha digamos “pendencia” então resolvi não fazer nada e ainda porque já está tarde e eu não tenho como voltar para casa hoje.
Essas foram as ultimas palavras ditas, ele subiu para o seu quarto que fica no final do corredor e eu decidi fazer o mesmo. Alguns degraus da escada rangiam com o peso não suportado há muito tempo. Desde pequena eu passava em frente a essa casa todos os dias para ir pra escola, quando eu tinha que voltar a pé da escola eu parava em frente a ela tentando decifrar como era por dentro, quem vivia nela e porque foram em bora, a casa foi abandonada quando eu era um bebe (foi o que meu pai contou), nela morava uma menina chamada Elena, um menino chamado Jeremy e um homem que parece ter morrido pouco antes da casa ser abandonada.
O meu quarto é limpo e confortável com umas coisas que parecem estar ali há muito tempo, mas tudo está limpo e o quarto cheira a flores. Há um quadro com um cavalo desenhado na parece em que a cama se encosta, no quarto há três janelas, um espelho com bordas azuladas e umas flores desenhadas, um closet com algumas roupas mas elas são com certeza novas, o quarto é grande e agradável, tomei um banho e vesti apenas minhas roupas íntimas, estou tão cansada, minha cabeça dói por tanta coisa passando em minha mente tão rapidamente, tanta informação a ser absorvida, meus olhos se fecham e em menos que eu perceba já estou dormindo.
Acordei assustada com alguém me olhando. James, segura em uma das mãos uma bandeja com um copo de suco e algumas torradas.
–Bom dia lindinha! Trouxe seu café da manhã, é melhor comer tudo o dia vai ser longo – Ele sentou ao meu lado e colocou a bandeja na cama – Afinal você ainda não me disse o seu nome! Ele estava certo, deve ser por esse motivo que ele me chama apenas de lindinha.
–Como você pretende “proteger” uma pessoa sem saber nem o nome dela?
–Tuxe! É por isso que você precisa parar de me fazer perguntas e me falar um pouco sobre você.
–Ok, meu nome é Lorena, agora já posso fazer alguma pergunta?
–Ta bom mas Lorena é muito complicado vou continuar te chamando de lindinha! – James reclama. Eu dou um sorrisinho e mordo a ponta da torrada – Qual é o seu grau de parentesco com os irmãos Salvatore? — Ele olha para fora rapidamente e muda de assunto.
–Acho melhor você se apressar porque já vamos partir.
–Pra onde vamos?
–Vamos para Bariloche.
–Ãn? Tão longe?
–Calma só vamos passear, vamos tirar um tempo livre.
–Você quer dizer “você vai tirar um tempo livre” -É digamos que sim. Olhei para aqueles olhos lindos e verdes que desde que conheci me faziam ficar perdida.
–Então me deixa trocar de roupa!
–Vou te esperar lá em baixo, não demora porque o voo sai às 10 horas então precisamos chegar ao aeroporto às 9 horas.
–Ta, prometo que serei rápida. Assim que ele saiu levantei da cama, coloquei uma roupa de frio leve que achei no armário, escovei meus dentes e desci. James estava me esperando com um carro já na porta, nos pés da escada ele me deu um anel, mostrou-me o dele e me explicou que aquele era o único jeito de me manter protegida do sol com esse anel pode sair livremente sem morrer queimada.
Eu não sei o que está acontecendo realmente mas sei que ele quer me tirar dessa cidade de pressa e não posso deixar de admitir que apesar de nem conhecer James me sinto segura perto dele.
Estamos no carro em direção do aeroporto e já estamos mais de 20 minutos sem falar nada então tento alguma coisa.
– Me conta sobre você, quantos anos você tem? – Perguntei sem a menor ideia de outra coisa.
–Bem mais que você isso eu garanto. Só isso? Isso não é uma resposta! O que ele pretende me proteger ou me levar para os que me querem? Porque pelo que eu vi tem mais pessoas atrás de mim, não só os do hospital.
–Me fala alguma coisa! –falei irritada.
–Minha cor preferida é preto. – ele continua sem olhar pra mim – e a sua?
–A minha é verde, não qualquer tipo de verde, é aquele verde que o mar absorve das plantas quando a água é transparente.
–Então você gosta de praias?
–Não necessariamente, eu apenas... Gosto do mar.
A conversa se encerrou, encostei minha cabeça no vidro e fiquei observando o caminho e percebi que aquele não era o caminho para o aeroporto. Paramos em frente uma casa, grande e branca, com o telhado cinza e uma porta com vidro. É a minha casa, quer dizer era a minha casa.
–Por que você me trouce aqui? – estou confusa com suas ações.
–Porque achei que você tem o direito de se despedir, achei que iria querer vê-los pela ultima vez com os seus pais te chamando de filha e os seus irmãos.
–O que vai acontecer? Como assim a ultima vez?
–Porque depois desse ultimo encontro eu vou apagar a memória deles para que eles não se lembrem de você, apenas para protegê-los.
–Eu não... Ok.– Eu não quero nada disso, eu quero contar tudo que está acontecendo aos meus pais e quero a proteção deles acima de tudo, eles são a minha família, eles são o que eu mais amo no mundo e não me vejo separada deles por nada. Meus irmãos, apesar de brigarmos bastante eles sempre estiveram ao meu lado, me apoiando em tudo e me ajudando, mas eu entendo que eu tenho que fazer isso, é pra protegê-los.
–O que eles pensam que aconteceu?
–Eles acham que você saiu do hospital e foi visitar seus avós que estão em uma casa aqui perto e logo voltaria para casa.
Entrei na varanda e toquei a campainha, esperei até minha mãe abrir a porta, quando ela abriu seus olhos ficaram brilhantes e eu a abracei como nunca, então meu pai veio querendo saber quem era, ele também ficou feliz em me ver. Quero muito entrar mais não posso, não até eles me convidarem, então minha mãe me solta e me olha de cima a baixo.
–Vamos entrar, o que você está esperando para ir ver seus irmãos?!
Finalmente pude entrar em casa de novo , fui correndo até o quarto de Bia onde os dois se encontram no quarto conversando, ficaram paralisados em me ver, levantaram e vieram em minha direção me abraçando e dizendo que achavam que nunca mais iriam me ver, estavam preocupados.
–Ai como eu senti falta de vocês dois! Como vocês estão?
–Estamos bem, só sentimos a sua falta, ficamos preocupados com o seu estado no hospital, mas por algum motivo não nos deixavam te ver, e depois que você saiu foi direto com o vovô e com a vovó que achamos que não queria mais voltar pra casa – Bia me olha com lágrimas em seus olhos.
–Eu sempre soube que você voltaria Lena — Diz Matt com um sorriso no rosto.
–Eu nunca abandonaria vocês dois-digo com a garganta apertada e com uma dor de cabeça começando.
Quando seguro minhas lágrimas minha cabeça começa a doer, acho que é pela força que faço pra segura-las. Não posso acreditar que essa é a ultima vez que posso chama-los de pais, eles estão tão aliviados por minha volta, por eu estar em segurança em casa. E tem também os meus irmãos... Fico conversando com eles sobre a fazenda, todos reunidos na sala então James toca a campainha e sei que já está na hora de irmos, de fazer com que meus pais esquecessem-se de mim e também meus irmãos.
Peço para minha mãe deixar James entrar, a hipnotizo para que ela não faça perguntas e então ele entra.
–Por favor faça porque eu não consigo! –confessei –isso é muito difícil pra mim.
–Claro.
São suas únicas palavras, dou um beijo em cada um e um presente aos meus irmãos. Bia recebe meu cachecol dourado fino que amava me ver vestida e Matteo recebe minha relíquia mais preciosa que ele vivia tentando me fazer dar pra ele, uma bola de basebol autografada que peguei quando fui ao ultimo jogo com meu pai, depois daquele jogo ele nunca mais apareceu no campo. Meu pai era jogador antes de se aposentar, ele ainda é novo mais não consegue mais nem olhar para o campo por conta de um acidente que ele sofreu em seu ultimo jogo, minha irmã tinha 1 ano, meu irmão 3 e eu 6 quando ele me levou, eu adorava basebol e ele também. Aquela foi a ultima coisa que ele autografou.
–O que quer que eu os faça pensar sobre essas coisas? –James pergunta
–Faça os lembrar que essas foram as ultimas lembranças que tivemos. -Ele faz com que todos acreditem que morri no acidente e nem consegui chegar ao hospital, faz com que não pararem de viver em função a isso. Eu o espero no carro até que termine e logo ele vem em direção, me trás uma mala que nem me lembrei de pegar.
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