Derrepentemente
3 Capítulo 2 - Temos esperanças?
Notas iniciais
Não foi fácil convencer meu pai de me deixar ir, porém ele sabia que se algo tinha que ser feito, tinha que ser feito imediatamente ou eu poderia não ter outra chance. É muito ruim quando você tem que escolher entre correr um risco de morte ou saber que o amor da sua vida pode morrer devido a uma atitude sua que não foi tomada.
Decididos, porém sem saber o que nos espera, nos arrumamos e fomos em direção ao carro. Estávamos mais vestidos que o normal, pensando que poderia nos proteger de alguma dessas coisas, porem mais tarde descobrimos que não ajudava em muita coisa. Estávamos vestidos de calças e sapatos, eu estava usando um casaco, pensando que poderia servir de alguma coisa. Meu pai estava com uma camisa polo preta, com somente um botão fechado, deixando a mostra o seu brilhante cordão de ouro.
Levávamos com a gente, duas facas, uma barra de ferro e uma espingarda velha enferrujada que disparava sozinha e por isso não serviam para muita coisa. Preparados, porém uma aflição muito grande estava em nossos corações, pois nem eu, nem meu pai queremos deixar o resto da família sozinha, pois não sabíamos como, nem quando, nem se iríamos voltar.
Mesmo assim decidimos ir, porém somente eu iria descer do carro, meu pai iria somente me acompanhar até o local, era o melhor para a nossa família. Eu acho bastante injusto, pois esse problema é meu e deve ser resolvido por mim, sem envolver a vida da minha família.
Dada a partida no carro. Entreolhávamos a cada instante que imaginávamos o que iríamos fazer. Meu pai, como de costume, começou a orar e pedia a Deus que nos protegesse de qualquer incidente e que nos ajudasse nessa busca. Era incrível como, mesmo no meio dessa confusão toda, meu pai ainda parava e simplesmente fazia algo que para muitos não faziam mais sentido nesse caos.
Surpreendentemente, parece que Deus mandou uma salvação. Meu pai já estava prestes a abrir o portão de casa, quando escutamos barulho de buzina, desesperada, com isso começamos a perceber que tinha alguém me chamando na rua, e eu reconhecia aquela voz, era a voz de Danilo.
Danilo era um grande amigo meu, talvez o único, nos conhecemos desde a infância, sempre estudamos na mesma sala, nossos pais são bem próximos, ele era uma das pessoas que eu não deixaria de ter comigo ao meio dessa loucura. Um amigo irmão, que morreria por mim e eu por ele, então com certeza ele me ajudara a encontrar Nanda.
Meu pai abre o portão, ele e a sua família estão no carro, entram rapidamente. Não me preocupei em procurar por ele, pois já tinha certeza que ele viria aqui para casa nessas condições, porém não imaginava que ele chegaria na hora que eu estava saindo, pra falar a verdade, não me lembrei dele na hora de decidir como resolver essa confusão.
Danilo era branco, alto, com cabelos claros e lisos, olhos castanhos, ele podia ser considerado normal no meio da sociedade. Eu e ele nos comunicávamos facilmente, agradeço por ele esta vivo e comigo nesse caos, pelo menos algo de bom aconteceu ate agora. Seus pais, seu irmão e ele estavam saindo do carro, todos nós nos cumprimentamos e percebemos um nos outros o desespero, porem juntos acreditamos que poderia existir a esperança de sobreviver e até sorrir algum dia. Tudo estava “normal“ então me viro para o Danilo e peço sua ajuda:
-Danilo! Cara, que bom que você ta vivo! Eu sabia que você estaria bem. Eu preciso de sua ajuda, eu já estava saindo com meu pai quando vocês apareceram.
-E ai véy!? Ta tudo beleza com você? Já viu como que ta lá fora? Foi mordido não né?
-Claro que não cara! Você sabe que eu não morreria rápido assim.
Falo com um tom de humor, porém nada tem graça nessa situação que estamos, então volto-me à ele e continuo:
-É a Nanda cara. Eu preciso ir buscar ela, eu preciso que você me ajude, vamos cara! Eu sei que ta muito perigoso o mundo agora, mais do que antes, mas eu preciso fazer isso!
-Você sabe como que ta lá fora, Gustavo? Eu acho que não deve saber. Tem certeza que quer fazer isso mesmo? Eu sei que você gosta daquela menina, mas... você não acha perigoso demais?
-Eu sei que ta perigoso cara, mas não importa! Vamos! Vai dar tudo certo, a cidade ainda ta vazia dessas coisas, vai ser tudo tranquilo. Vamos Danilo?! Por mim?!
-Ta cara... Vamos... você só pode amar muito essa garota... Por que... Eu... arriscando a MINHA vida por ela.. é muito amor viu?! — Ele fala isso com um leve sorriso no canto de sua boca.
Então conversamos, eu, meu pai, Danilo e Paulo. Decidimos então que meu pai iria ficar em casa com a espingarda, cuidando e protegendo as mulheres e crianças, até nós voltarmos, devido o Paulo ser mais novo e um antigo corredor automobilístico, pois pode ser importante algumas de suas habilidades no volante, não sabemos o que pode acontecer. Victor, irmão de Danilo, ia com a gente, mesmo com apenas 13 anos de idade, ele podia nos ajudar.
Então eu, Paulo, Danilo e Victor, entramos no carro e fomos à busca de Nanda. Da minha casa até a dela dá uns vinte minutos, mas nós não sabemos como estão as ruas, se estão vazias ou se já estão infestadas com esses seres mortos-vivos. Então saímos desprotegidos, sem imaginar o que realmente está acontecendo. E assim começa a nossa maior aventura, uma aventura que provavelmente acabe somente se eu morrer ou se eu virar uma dessas coisas.
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