Der Schatten
1 Sobre as costas da morte
Notas iniciais
E a sombra seguiu seus passos, esgueirando-se em si mesma numa eterna brincadeira descontinua. Sua outra metade seguia um pouco mais adiante, e embora a sombra pudesse perceber que não era muito alta não poderia dizer com definição como sua feição era composta, quais eram os traços que definiam aquela criatura e com qual aquarela ela fora pintada.
Porque a sombra não passava de uma sombra, não tinha nome, passado ou significado, era apenas a escuridão naquele mundo iluminado. E embora sorrisse ao morrer, chorava ao nascer, porque fora posta para seguir caminhos que não decidiu trilhar, ir para lugares que não escolheu estar e por nunca ser capaz de olhar diretamente para o sol. Aquele astro poderoso, que soprava a centelha de vida em sua existência e também apagava a mesma centelha quando ia embora. Como um boneco de pano mole e fraco, seguia os movimentos daquele que o segurasse, submisso e alheio as suas próprias vontades.
Até o dia em que lhe ofereceram conforto, apoio e, principalmente, lhe mostraram que existe outro astro que também era capaz de iluminar sem espantar, de admirar sem temer. A morte lhe tomou a mão, e com um simples gesto lhe fez sua capa. Ali, sobre as costas da morte, a sombra poderia admirar a lua, todas e quantas vezes ela quisesse.
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