Depois que o sol se pôe
3 Traiçoeira Mente
O resto da semana passou depressa. A Gabi voltou finalmente com o Caio, e eu e o Miguel estamos ficando certo; quanto a Lore, já estamos providenciando o seu par perfeito, é isso aí. A Marina só anda olhando pra mim e pra o Miguel, mas tô pouco ligando, eu sei que o meu Miguelito nunca me trocaria por ela, até porque tudo o que estamos vivendo juntos nos últimos dias, não dá pra esquecer tão rápido.
Hoje é sábado, fiquei de ir à casa do Miguel no fim da tarde. Quando cheguei, nem toquei o interfone, pois o portão já estava aberto, então entrei e o chamei. Não obtive resposta. Subi pra o quarto dele, imaginei que ele estivesse só em casa e no computador com o fone no ouvido, por isso, não havia me escutado. Pois é, imaginei errado. Quando entrei no quarto dele, presenciei uma cena que quase me fez desmaiar. Ele estava aos beijos com a Marina. Caralho, se alguém tivesse me contado isso eu não teria acreditado; então ainda bem que vi com os meus próprios olhos. Sem que eu pudesse ter algum tipo de reação, uma lágrima rolou do meu rosto, e quando o Miguel me viu, saí correndo sem dizer uma palavra.
Sem pensar duas vezes, aquele idiota me chamou e veio atrás de mim. Tarde demais. Peguei o primeiro táxi que passou na frente da casa dele e fui pra a minha casa... É isso que dá resolver confiar em alguém que diz que te ama.
***
Miguel narrando.
Eu estava em casa, sozinho, pensando em como as coisas estavam acontecendo ultimamente, desde que conheci a Helena. Nunca fui tão feliz como estou sendo agora, não sei por que, mas a Helena tem algo especial que está me transformando por dentro, ela me faz querer ser alguém melhor, sabe... Acho que vou pedi-la em namoro.
Foi ai, em meio aos meus pensamentos, que a campainha tocou. Deve ser a Helena, pedi que ela viesse aqui em casa hoje. Fui correndo ao portão recebê-la. Não entendi. Marina?
Marina: Miguelito! – me abraçou.
Miguel: Oi – sorri sem entender nada – tá fazendo o que aqui?
Marina: Isso lá é maneira de me receber, garoto? – foi entrando – a Louise tá aqui?
Miguel: Tá não – fiquei confuso – você é amiga da minha irmã?
Marina: É, digamos que sim – sorriu – posso entrar?
Miguel: Mas eu te disse que a Louise não tá aqui.
Marina: E eu não posso esperá-la?
Miguel: Na verdade não, eu vou sair agora.
Marina: Desculpa então. É que eu tava precisando de um livro dela, O Alienista, pra fazer aquele texto que a professora passou ontem...
Miguel: Tudo bem, eu sei onde está o livro. Pego pra você.
Fui entrando e ela vinha atrás de mim. Infelizmente o maldito livro estava no meu quarto, mas quis pegar pra ver se ela ia embora logo. Deus queira que a Helena não chegue por agora, do jeito que ela e as amigas têm raiva da Marina, não quero nem imaginar a reação da Lena caso isso acontecesse.
Peguei o livro, estava na mesa do computador. Quando me virei, a Marina já estava atrás de mim, esperando, com aquela cara de puta dela. Não sei por que, mas também não suporto essa garota.
Miguel: Aqui está. – entreguei o livro a ela.
Marina: Obrigada. – sorriu e se virou pra sair – ah – virou de volta – vem cá, você e a tal da Helena tão namorando né?
Miguel: Nós estamos ficando. Por quê?
Marina: Ah, é que se vocês tivessem namorando — foi se aproximando de mim cada vez mais – eu não poderia fazer isso – e me beijou.
Não sei se foi azar ou se a Marina armou tudo, mas a Helena chegou bem na hora. Não tive tempo nem de me explicar, ela saiu correndo e logo pegou um táxi e saiu. Que droga, será que depois ela vai acreditar em mim?
***
Liguei pra a Helena várias vezes e ela não atendeu, depois deu na caixa, ela deve ter desligado o celular. Fui a casa dela, mas quem me recebeu foi a sua mãe.
Miguel: Oi senhora, a Helena está?
Mãe: Não, na verdade ela saiu.
Miguel: E a senhora sabe me dizer pra onde? – eu estava aflito e acho que ela deve ter percebido.
Mãe: Minha filha me disse que se aparecesse algum menino aqui procurando por ela, eu não deveria dizer pra onde ela foi... – ela parecia desconfiada.
Miguel: Por favor, senhora. Eu preciso muito falar com a sua filha... Por favor. – meu coração batia cada vez mais forte.
Mãe: Tudo bem. Ela foi pra uma boate com as amigas, e é só.
Miguel: Mas a senhora sabe me dizer que boate é essa?
Mãe: Não, eu não sei. Sinto muito.
Miguel: Ok então, obrigada. – e saí.
Eu não tinha rumo, não sabia o que fazer. Acho que vou ligar pra a Gabi. Como não pensei nisso antes?
Gabi # Alô? – dava pra escutar a música alta da boate e a Gabi atendeu quase que gritando.
Miguel # Oi Gabi, aqui é o Miguel, não diz pra a Helena que sou eu. Você tá com ela agora né?
Gabi # Tô sim, o que você quer?
Miguel # Saber onde vocês estão.
Gabi # Não posso falar agora...
Miguel # Mas Gabi, por favor. A Helena entendeu tudo errado...
Gabi # Desculpa não tô te ouvindo. O barulho aqui tá demais...
Miguel # Gabi, você me conhece, sabe que eu gosto da Helena de verdade, então faz isso por mim. Me diz onde vocês estão.
E ai a Gabi finalmente me disse o nome da boate. Será que a Helena foi para lá pra pegar geral? É bem possível, mas não, ela não seria capaz... Tenho que ir pra lá agora.
***
Helena narrando.
Helena: Quem era no celular?
Gabi: Ah, o Caio. – sorriu meio sem graça. Ai tem coisa...
Helena: Houve algum problema?
Gabi: Não, ele só queria saber mesmo onde a gente tava.
Helena: Ué, mas você não tinha dito a ele?
Gabi: É; provavelmente ele esqueceu ou nem deu atenção quando eu falei. – sorriu – adoro essa música, vamos dançar.
Estava tocando “We Found Love – Rihanna.” Também adoro essa música. Eu tava completamente desanimada, só fui pra a boate porque a Gabi insistiu, pra ver se eu me distraía um pouco, mas enfim, resolvi dançar. A Gabi é mesmo uma louca e tem uma alegria tão contagiante que me fez esquecer os problemas, ou seja, o Miguel.
Dançamos bastante, demos muita risada, até percebermos vários olhares de alguns garotos que estavam por lá nos observando. Eles foram se aproximando de nós e o clima ficou ainda melhor. A música estava na melhor parte quando de repente parou. Nos entreolhamos. Começou a tocar “4 Real – Avril Lavigne”.
Gabi: Lena olha isso. – ela estava olhando pra o palco e olhei na mesma direção. O Miguel pegou um microfone e começou a falar.
Miguel: Muitas coisas acontecem na vida, algumas boas, outras ruins... E erramos sem nem perceber. – ele olhava profundamente nos meus olhos – Lena, eu tô aqui pra te dizer que tudo o que aconteceu eu não fiz por querer, não mesmo. Tudo o que eu mais quero é te fazer feliz, e eu quero só você e mais ninguém. – juro que quase desmaiei ao ouvir isso. – Será que dava pra você vir aqui à frente, por favor? – ele sorriu e eu olhei pra a Gabi.
Gabi: Vai logo amiga. – me empurrou. Subi no palco e fiquei ao lado do Miguel.
Miguel: Eu te amo, minha linda. – pegou em minha mão – E tudo o que vivemos em tão pouco tempo não poderia acabar assim. Namora comigo?
Eu apenas sorri e o beijei. Todo mundo gritou e nos aplaudiu. Quando paramos de nos beijar, o DJ da festa me entregou um buquê. Eu não queria chorar, mas foi inevitável. Saímos dali, precisávamos conversar então o Miguel me levou pra fora da boate.
Miguel: Então você já sabe de toda a verdade?
Helena: Que verdade? Eu já te perdoei ok? Não sei se você merece, mas eu te amo, então acho que ficar longe de você pode ser pior pra mim, mas se você fizer isso de novo não terá volta.
Miguel: O que? Lena, eu não fiz nada. – e então ele me contou toda a sua versão da história.
Helena: Nossa, o meu coração sangra por você. – disse sarcástica.
Miguel: Então não acredita em mim? – abaixou a cabeça.
Helena: O que seria do amor se não houvesse confiança? Eu acredito em você, ou pelo menos, estou tentando.
Miguel: Obrigada, meu amor. Juro que nunca mais irei te decepcionar. Isso não vai mais acontecer.
Helena: É; eu espero. – e nos beijamos.
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