Depois que o sol se pôe
4 Autêntico Sobrenatural
Lore narrando.
Onde será que estou? Lembro que ontem eu fui pra a boate com a Gabi e a Lena, a Gabi atendeu o celular e eu fui pegar uma bebida. Depois disso não me lembro de mais nada. Vim parar aqui nesse lugar que nem conheço, já tentei ligar pra o celular da Gabi, mas só dá na caixa... Vou tentar o da Lena agora. Deus queira que ela atenda.
Chamou algumas longas vezes, mas finalmente alguém atendeu.
Helena # Lorena? Amiga, onde você está? Fiquei preocupada...
Lore # Eu não sei amiga – comecei a chorar.
Helena # Tá, fica calma. O que você vê, a sua volta?
Lore # Olha, tem um parque, árvores, e uma banca de jornal. É tudo. Ai, o meu pai vai me matar...
Helena # Não, não vai. Se acalma, por favor. Vou chamar o Miguel pra a gente ir ai te buscar, talvez ele saiba onde fica. Tem mais algum ponto de referência?
Lore # O Miguel? Ué, vocês voltaram?
Helena # É uma longa história, depois te conto.
Lore # Certo. Olha, não tem ninguém aqui nessa rua, já tô ficando com medo. O sol tá queimando a minha pele e cada som parece trezentas vezes mais alto. Vem logo amiga, por favor.
Helena # Tá, me dá 15 min. Qualquer coisa me liga de novo.
Ela demorou mais de 15 minutos, uns 20 mais ou menos, mas finalmente chegaram. Eles me olharam com uma cara assustada.
Lore: O que foi gente? O que tem de errado em mim?
Helena: Seus olhos... Estão vermelhos. – ela parecia com medo – o que você bebeu sua louca?
Lore: Eu não sei... – desabei em lágrimas.
Miguel: Se acalma Lorena. Você vai ficar bem, vamos te levar pra casa.
Entrei no carro e fomos indo. Parecia que estávamos bem longe de casa...
Helena: Como será que você veio parar por aqui, em sua louca? – eu estava me sentindo tão mal que nem pude responder. Tudo o que eu conseguia ouvir perfeitamente bem eram as batidas dos corações deles.
Miguel: Êxtase Leninha, só pode ser. – sorriu. – alguém deve ter colocado na bebida dela...
Helena: É... – sorriu. – Como está se sentindo agora, amiga? – simplesmente desmaiei.
Helena narrando.
Helena: Miguel, ela desmaiou! – comecei a ficar preocupada. Ele acelerou e fomos direto ao hospital mais próximo dali.
Ligamos para os pais dela e eles chegaram pouco tempo depois. Fiquei com pena da dona Celeste, mãe da Lore, que começou a passar mal quando o médico falou que encontrou algo estranho no sangue dela, e que por isso, ela deveria ficar em observação. Proibiu até mesmo que entrássemos no quarto.
– Mas é tão grave assim doutor? – perguntou a dona Celeste. Seu marido apenas a abraçava, tentando confortá-la.
– Sinceramente, não sabemos. – disse o médico.
Helena: Doutor, eu posso ir vê-la agora?
– Tudo bem, pode ir. Mas que seja rápido. – disse ele calmamente.
Helena: Tudo bem. – respirei fundo.
Miguel: Eu vou com você. – pegou na minha mão e me olhou nos olhos.
Ao entrarmos no quarto, o meu susto foi tão grande que fiquei ainda mais branca do que já sou normalmente. A janela que fica próxima à cama da Lore estava com os vidros quebrados e a cama estava vazia. Será que a Lore caiu pela janela? Não pode ser. Ela não conseguiria sequer levantar da cama no estado em que a deixamos. Dei alguns passos pra trás e quando eu ia cair o Miguel me segurou.
Helena: Dona Celeste, a Lorena sumiu! – foi a primeira coisa que consegui dizer, ou melhor, gritar.
Entraram todos no quarto, o doutor e os pais da Lorena. Quando viu a cena, a dona Celeste colocou a mão na boca e desmaiou nos braços do marido. Levaram-na para a emergência e eu e o Miguel fomos procurar pela Lore. Mas todo o esforço que fizemos para encontrá-la foi inútil. Ela não havia caído. Os pedaços de vidro da janela estavam lá, no chão, onde a Lore também deveria estar, olhando pelo ponto de vista lógico de toda aquela situação, mas ela não estava. Meu Deus, o que será que realmente aconteceu por aqui? Onde está a Lorena?
***
Passou uma semana e nada da Lore. Fizemos cartazes de procura por toda a cidade e a mãe dela foi até num programa de televisão, daqueles que procuram pessoas perdidas, mas ainda assim não a encontramos. Já ia fazer um mês que a Lore tinha sumido, então a demos como morta. O colégio inteiro se mobilizou e fez homenagens pra ela, sua mãe quase entrou em depressão e eu e a Gabi não sabíamos mais conversar sem chorar, porque sempre lembrávamos da nossa melhor amiga. Foi um período bastante difícil para todos os que a conheciam. Uma menina tão jovem, tão bonita, desaparecer assim, e ainda por cima doente, não é algo comum. Desse dia em diante, eu e a Gabi juramos que nunca mais beberíamos qualquer coisa que tivesse álcool nem iríamos à boate alguma.
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