Depois que o sol se pôe
7 O Camp
E chegou, enfim, o dia do acampamento de verão. Eu ainda estava dormindo, quando ouvi alguém bater apressadamente na porta do meu quarto. Me levantei da cama ainda com preguiça e abri a porta. Era a Gabi.
Gabi: Não creio! Tá assim ainda amiga? – me abraçou.
Helena: Que horas são? – falei; meio perdida no tempo, bagunçando ainda mais o meu cabelo.
Gabi: Hora de viajar! Vamos, tá todo mundo te esperando lá em baixo. O ônibus sai daqui a 20 minutos, seja rápida.
Como a Gabi ‘ordenou’, tentei ser rápida. Tomei um banho, ou melhor, joguei uma água em mim, porque foi realmente rápido, me vesti, me penteei, passei uma make básica; e pronto. Estava linda. Gritei o Miguel para que ele subisse e me ajudasse a carregar as malas e enquanto ele vinha passei um perfume e troquei a sandália.
Miguel: Nossa; como você tá linda, meu amor. – ele me observou dos pés a cabeça e reparei desejo no seu olhar.
Helena: Obrigada amor. – sorri. – E então, pode me ajudar a levar minhas coisas?
Miguel: Tudo isso? – olhando para as malas.
Helena: Não me julgue, tenho minhas necessidades. – sorri e pisquei pra ele.
***
Depois de muita enrolação, finalmente chegamos ao colégio, onde o ônibus nos esperava. No caminho ao nosso destino, fui ouvindo música no fone de ouvido enquanto os meus amigos retardados, inclusive o meu namorado, cantavam músicas idiotas:
– Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito maaais... – era irritante, pois eles cantavam tão alto que o som das suas vozes cobria as minhas músicas. Chegou um momento em que desisti de escutar músicas e entrei na onda deles. Começamos a cantar:
– Toda vez que eu chego em casa a barata da vizinha tá na minha cama... – e assim fomos; cantando e dando risada até chegar à tal ‘floresta’.
O lugar parecia mais um jardim botânico. Não era nada assustador, como eu imaginei que fosse; pelo menos a luz do dia. Mas era tanto mato e tanta árvore alta, que precisaríamos tomar cuidado pra não nos perder.
***
Assim que chegamos, fomos armando nossas barracas e guardando nossas coisas dentro delas. Como o lugar era bastante afastado do Rio de Janeiro, demoramos a chegar e logo, logo, começou a anoitecer. Sentamos em volta de uma fogueira, o professor Wudson pegou o seu violão e pediu que um de nós tocasse uma música, alguém que soubesse, é claro. O Miguel se ofereceu. Fiquei surpresa, pois eu nunca tinha o visto cantar, mas sinceramente, depois que ele soltou a voz me apaixonei ainda mais por ele. Eu me arrepiava a cada som, tanto do violão quanto da sua voz; era uma harmonia perfeita. E como todos nós conhecíamos a música, cantamos juntamente com ele:
– Eu sei; tudo pode acontecer. Eu sei; nosso amor não vai morrer. Vou pedir aos céus você aqui comigo, vou jogar no mar flores pra te encontrar... – o Miguel cantava e olhava pra mim intensamente e isso me fazia sentir uma alegria tão grande que nem sei explicar. Realmente, ele tava conseguindo fazer essa viagem valer a pena.
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