P.O.V. Renesmee.

Não sei por quanto tempo ele chorou ou por quanto tempo fiquei abraçando ele, só sei que meus braços adormeceram e a minha coluna doeu.

—Bem, melhor?

—Melhor. Vamos.

—Não. Ainda não. Tem mais uma coisa que tem que saber.

—O que?!

—Não grita comigo. Descobri uma coisa.

—O que?

—Esses lobos que estão se escondendo aqui na floresta... eles são sua família. Sua e da Jane.

—Como assim?

—Thiago me falou que esses lobos tem uma marca de nascença especial porque são algum tipo de realeza dos lobisomens desta região e também me disse que você tem essa marca especial. Eles também são descendentes do seu pai, vai ver você teve um irmão, ou tinha primos e esses seus familiares tiveram filhos que tiveram filhos até chegar nestas pessoas. Alec, eles são seus parentes. São sua matilha. E os Volturi estão caçando eles a gerações. Isso aqui... é só o que sobrou deles.

P.O.V. Alec.

Bem, agora eu quebrei mais um pouquinho.

—Eu cacei minha própria família?

Ela respirou fundo e torceu o nariz. O cheiro não era muito agradável.

—Alec, você não sabia. Foi enganado, usado.

—Todo esse tempo eu tinha uma família de verdade. Família de sangue que não a Jane e... eu os massacrei.

Me sentei no degrau da entrada da cabana.

—Ei, ainda não é tarde. Você pode mudar as coisas, pode tentar fazer alguma coisa por eles.

—Tipo o que?

—Não sei. Porque não começamos enterrando o corpo do Davi?

—Boa ideia.

Virei o cadáver e olhei no ombro dele e... a marca estava lá. A mesma marca que Jane e eu tínhamos.

—Ei! Não pode se culpar. Você não sabia.

P.O.V. Dimitre.

Sei exatamente o que ele está sentindo agora. Passei por isso. Depois que me transformei na Rússia, não sabia o que estava acontecendo comigo, o que eu era. Voltei para casa alucinado de sede. Já havia massacrado metade do meu vilarejo. Então, entrei na minha casa e matei minha esposa e meus dois filhos.

Só percebi o que havia feito, só processei aquilo após séculos. Sônia, minha esposa. Andrei e Igor. Andrei era o mais velho tinha sete anos e Igor, o mais novo tinha cinco.

—Sinto muito. Não foi sua culpa, você era recém-criado. Também não sabia o que estava fazendo.

Disse a Cullen. Só então, me deu aquele estalo.

—Acaba de ler a minha mente?

—Mm.

—Mm? Isso é um sim?

—É. Eu não quis invadir, lamento, mas seus pensamentos foram muito intensos.

—Espera ai, você é um escudo e uma telepata?

—É. Só depois a gente descobriu que chega numa idade em que os bebês híbridos herdam os dons dos pais, caso eles possuam algum. E eu finalmente consegui entender como o seu Poder de rastreador funciona. Á propósito, temos que descobrir como inutilizar o feitiço da bruxa e religar o seu botão rastreador.

—Sou um vampiro, não um computador.

—O que estou dizendo é que... quero te ajudar. Chocante. Eu sei.

Ela pegou nas minhas mãos, olhou nos meus olhos e disse:

—Você tem um coração tão grande Dimitre, está tudo bem deixar as outras pessoas verem. É mais fácil pegar moscas com mel do que com vinagre.

Então, soltou minhas mãos.

—O que?! Não quero pegar "moscas".

—Não estou falando de namorar. Você recebe o que você dá, multiplicado por três. Aqui se faz, aqui se paga. Preciso continuar?

—Não. Eu entendo.

—Então, tenho uma ideia do que você pode fazer para ajudar os lobos Alec.

—O que?

—Arrecadar e doar comida. Não é muito, mas é um começo. Certo?

—Certo.

—Então, vamos voltar para o Castelo do Terror.

Nós rimos. Havíamos chegado até lá em parte de carro já que não sabíamos em que estado encontraríamos a híbrida.

—Podemos caminhar ao invés de correr?

—Porque?

—Porque estou grávida. E mais pesada.

Fomos andando e ela foi cantando o caminho inteiro. Ela não era má cantora, era afinada a voz era melodiosa e a animação era de certa forma cativante. Ela batia palmas para fazer o ritmo.

—Quer parar com isso!

—Sinto muito por não ser rabugenta e viver com essa cara de quem chupou limão.

—Você acaba de ser sequestrada e está cantando e batendo palmas.

—E dai? Queria que eu estivesse como? Eu já tive muito problema desde criança. Eu tive E.P.T. depois daquele nosso breve encontro na clareira. Pesadelos, surtos, ataques de pânico. E olhos vermelhos por todos os lados.

—E.P.T.?

—Estresse Pós-Traumático. Eu via Volturi em todos os lugares! As capas negras saiam da escuridão para me queimar na fogueira!

Credo.

—Desenvolvi paranoia depois daquele dia, a risada maligna do Aro ficou na minha cabeça. Me levou anos e anos de terapia e ainda assim... não estou confortável estando na sua presença.

—Nossa!

—Porque tá tão surpreso? Me atrevo a dizer que está horrorizado. Você queria o que? É o que vocês fazem. Vocês prosperam no ódio. Usam o medo para controlar as pessoas. Só que infelizmente para vocês... o amor é mais forte que o medo. E os nossos escudos inutilizam os dons de metade da sua guarda.

Acho que jamais parei para pensar no que acontecia aos sobreviventes dos Clãs.

—Você quer dizer as vítimas?

—Saia da minha cabeça!

—Me faça confiar em você e eu saio.

Então paramos diante do carro. Era uma Mercedes preta sedã, modelo do ano.

—Nossa! Tinha que ser uma Merça. Meu vô tem uma igual.

—Uma o que?

—Uma Mercedes. Uma Merça.

Nós todos rimos. Apelidar uma das marcas de carros mais famosas e renomadas de Merça. Tinha que ser a Cullen.

Alec foi dirigindo, eu no banco do carona e Félix, Jane e a híbrida grávida no banco de trás.

—Matá-lo seria fácil demais. Eles não merecem tamanha misericórdia, vamos fazer um plano mais elaborado, Alec.

—O que?

—Ele está pistola agora que sabe sobre sua família biológica e quer matar o Aro. Vamos virar a guarda contra ele. Um por um e eu prometo que sei como fazer isso. E eu sou uma mulher de palavra.

—E como vai fazer isso?

—Deixa comigo. O plano já está em andamento.

—Você tinha um plano contra nós esse tempo todo e já o estava executando sem que nenhum de nós ao menos suspeitasse?

—Eu sei. Eu sou foda. Vocês eram alvos á principio, mas agora que eu sou a mãe do bebê do Alec, que a Jane me ajudou e foi legal comigo, e que eu fiquei sabendo sobre o que aconteceu com a família do Dimitre... se considerem não como alvos.

—E como devemos nos considerar?

—Aliados? Não sei. Só saibam que pelo menos por agora, não estão mais na minha lista negra.

—Se você é uma telepata e um escudo... o que mais pode fazer?

—Sinto muito, enquanto Aro estiver na sua cabeça... nada de informações.

P.O.V. Renesmee.

Eu sei que Aro vai ver isso e é parte do plano. Vou virar os membros da guarda contra ele e os outros dois manés um por um. E sei exatamente como fazer isso. Não estou só usando eles se é o que querem saber, realmente quero ajudar, mas enquanto Aro, Marcus e Caius estiverem no caminho nunca, nenhum clã estará seguro. Nem mesmo os próprios Volturi.

Alguém tem que pará-los. Aro está completamente louco, estive dentro da cabeça dele. Ele está preso num ciclo vicioso de conquistar. Sua sede insaciável por poder o deixou maluco. Porém, o torna previsível. Literalmente previsível, já que sou vidente. Mas, com a tia Alice aqui ele vai pensar que as previsões vieram dela e não de mim.

E agora que o Alec sabe sobre o que o Mestre o obrigou a fazer sem que ele tivesse conhecimento... tenho outro aliado. Os gêmeos já foram. Agora só falta os outros dois.