Notas iniciais
Oi! Está aí mais um capitulo. Espero que gostem. Boa leitura...

Fui direto para o banheiro, não queria que as pessoas me vissem daquele jeito, não estava chorando, costumava guardar minhas lágrimas para os momentos em que minha força não estava tão grande a ponto de conte-las. Tentei de todas as maneiras, colocar na minha cabeça que não devia me importar, não estava apaixonada pelo Ed, ele era apenas mais um AMIGO, e nada mais, porém mesmo com todas essas palavras monótonas que vinham na minha cabeça, não consegui conter o ciúme que senti, já sabia o que eu queria fazer, e isso envolvia uma outra pessoa que, de fato, eu não queria envolver. Não tinha certeza do que eu queria fazer, mas no fim eu consegui dizer em alto e bom som o que eu queria ouvir de mim mesma:

–Eu não estou apaixonada pelo Ed! –admito que falei um pouco alto, só percebi isso quando uma menina, mais nova que entrara no banheiro sem eu ver, começou a me olhar de cima a baixo, depois sorriu e foi embora. Isso tinha me deixado em dúvida, o que ela pensara de mim? Ela provavelmente tinha me achado louca. Não tinha tempo para discutir com o meu subconsciente.

Minhas mãos começaram a suar e minhas pernas estavam bambas, ele estava cercado por meninos que eu não conhecia, quero dizer conhecer de verdade não, mas já os vira antes. Minhas pernas já não queriam obedecer meu cérebro e foram andando por conta própria, quando vi, já estava cutucando seu braço e olhando em seus olhos.

–Ham... eu poço falar com você? –minha voz saiu baixa demais, porém pelo visto ele ouviu ou então deduziu o que eu ia falar.

Fomos para o outro lado do corredor onde estava vazio, olhei em seus lindos olhos iguais ao do Ed, sabia que ele queria que eu fosse direto ao ponto então eu comecei a falar:

–Eu queria saber se você gostaria de ir ao... ao baile comigo?

Ele me olhou e por um tempo eu pensei que ele fosse falar não, mas ele voltou a olhar para seus sapatos e depois olhou novamente para mim com um sorrisinho no rosto.

–Já entendi. Eu realmente pensei que tinha um motivo para você me convidar. Você viu o “showzinho” que sua amiga deu hoje não é? Você ficou com ciúmes? –ele disse enquanto ria.

–Não seja ridículo! Eu não me importo com isso! –disse um pouco rápido demais o que entregava que eu estava mentindo. -Então, sim ou não?

Ele balançou a cabeça enquanto ria de novo:

–Pode ser.

Pior que passar vergonha convidando o menino que você um dia já achou que estava apaixonada e ele achar que é por causa do beijo entre o cara que é seu amigo e sua amiga, é ouvir uma resposta como “Pode ser”. Entretanto, o primeiro passo já tinha dado certo, agora o próximo estava por vir, e seria logo, porém sem dúvida alguma, esse seria mais difícil de cumprir, senti que aquilo que eu achava que sentia pelo Logan não passara de uma confusão, não estava apaixonada por nenhum dos dois, não mesmo.

As aulas foram passando e quanto mais se aproximava do próximo intervalo, mais nervosa eu ficava. Quando o sinal tocou meu coração começou a bater mais forte, fui caminhando seguindo a fila de “zumbis” da minha sala em direção ao refeitório. Esperei o momento certo de agir, quando o Ed estava por perto e o Logan sozinho, corri até o Logan.

–Me faz um favor? –falei de uma vez para não ter tempo de voltar atrás.

–Fala? –ele me olhou de uma forma muito estranha, mas disposto a fazer.

–Me beija.

–Ham? –sua expressão foi tão diferente e hilária que se não fosse sério o que eu queria, teria rido com certeza.

–Me beija!

Então foi isso, nada romântico, nada sofisticado, nem ao menos por puro amor, bom não no começo, mas foi aí, nesse pequeno erro que eu cometi, que minha vida se tornou mais problemática possível, não me importei com o motivo principal, mas sim com o rumo que ele tomou, não dei a mínima para saber se o Ed estava olhando ou não, se todos estavam nos observando ou não. Senti que aquela negação que eu fizera, estava errada, eu tinha me apaixonado sim e esse beijo, que por sinal foi o melhor de todos era a maior comprovação das minhas atuais palavras, quando acabou, senti como se tivesse acordado do meu melhor e mais profundo sonho, porém ele era real.

Todos os olhos em mim. Vi Lindy sorrindo tanto que também não me segurei, Hilary estava ao lado dela, apenas me observando, Ed não estava lá, não vi quando saiu, mas nada disso importava agora, ele me deu um beijo na bochecha e saiu, assim como eu.

Fui para casa sozinha, não queria a companhia de ninguém, queria formular meus próximos passos para não me surpreender como aconteceu hoje, descobrir que realmente estava apaixonada pelo cara que eu não queria me apaixonar, me deixou mais confusa do que eu já estava.

–O que foi aquilo?

Levei um susto enorme, não sei se foi pela voz que surgiu atrás de mim de repente ou se foi por causa do dono daquela voz. Dei de ombros sem olhar nos seus olhos, sem mesmo virar em sua direção, sabia sobre o que ele estava perguntando, mas não sabia o que responder.

–Pensei que você tivesse dito que não gostava dele. –essa agora tinha ido longe, quem ele achava que era para falar sobre os MEUS atos depois do que ele fizera, não foi ele que a beijou, mas também ele não saiu.

–E eu pensei que você não ia se esfregar na minha amiga. Pelo visto nós dois estávamos errados. –depois que eu vi a cara que ele fez fiquei arrependida por cada palavra dita.

–Eu não me “esfreguei” nela! Pra mim você sabia que eu gostava de você! Mas pelo visto você está muito ocupada para perceber, acho que eu me enganei de novo.

Aquelas palavras machucaram o pouco de mim que ainda estava bem, estava prestes a chorar, mesmo não querendo, quando as palavras saltaram da minha boca:

–Eu te odeio!

Sentei no chão da sala logo que encostei a porta, desta vez não pude conter as lágrimas que desciam pelos meus olhos molhando minhas bochechas, por que eu me importava? Eu não sei, só sei que me importava com o que eu não devia estar nem ligando, qual é o problema afinal, estou com um garoto incrivelmente lindo que até alguns segundos tinha certeza de estar apaixonada, um garoto que praticamente todas as garotas dariam tudo para ter o seu amor. Mas, ele me amava? Quero dizer, ele está apaixonado por mim? Aquilo significou alguma coisa para ele também?

Não sabia o que doía mais, o fato de eu não saber nada sobre meus sentimentos ou sobre não ter certeza dos reais sentimentos de Logan sobre mim, se fosse descrever o que eu estava sentindo, poderia dizer que é a pior sensação de dor que alguém pode sofrer, acho que ninguém nem as piores pessoas deviam se apaixonar, esse sentimento indecifrável que toma conta do seu ser inteiro e te coloca de cabeça para baixo, é o pior castigo que alguém pode passar, até o momento em que cheguei aqui, era uma pessoa que sabia cada passo que ia dar, que era feliz e que o coração só servia para a sua real função, bombear sangue. Eu não sabia como a vida de uma pessoa que só se apaixona por atores era boa. Quero dizer, não tinha que me preocupar com nada a não ser pesquisar na internet se ele ainda estava solteiro. Os dois dias que se passaram foram horríveis, não falava com Logan e muito menos com Ed. Nas aulas que fazíamos juntos, ele não olhava na minha cara.

Com todas essas coisas que agora me importavam mais do que as realmente importantes, como, eu não falava mais que umas frases por dia com o meu pai, não visitava mais o meu avô e tudo isso por causa de garotos, como seria mais fácil se eu não os tivesse conhecido.

Fui até a casa do meu avô que por sinal tinha comprado um presente para mim, não demoro nem um pouco para perceber que é um livro, seus olhos brilham enquanto espera que e abra. Quando termino de rasgar o embrulho, leio o título e um sorriso surge em meus lábios ao saber que aquele, era o livro preferido do meu avô. Então leio as palavras em bom som para que ele perceba que eu realmente gostei:

–Vinte mil léguas submarinas. Júlio Verne. Obrigada vovô. –com toda certeza, aquele era um dos meus favoritos.

Então enquanto nos olhamos, eu caminho em direção ao sofá, o telefone toca. Enquanto meu avô atende, fico observando a mobília a minha volta, o sofá preto aconchegante, o tapete que sempre fica empoeirado, a mesinha cheia de livros antigos, fotos de toda a família, vejo a foto do meu pai mais novo ao lado de uma mulher loira que eu tenho quase certeza de que é a minha mãe. Meu avô olha para mim, logo que vejo o seu rosto assustado, levanto.

Não entendo suas palavras no começo, para falar a verdade, ele não me conta nada, simplesmente pega o seu carro e vamos para a minha casa. Geralmente quando meu avô entra no carro ele sempre coloca o CD dos Beatles e cantamos juntos, nesta vez, ele não colocou, o que me fez desconfiar ainda mais que havia alguma coisa errada. Quando chegamos, vi que Eduardo estava no lado de fora, com uma garota, fingi que não vira nada, afinal tinha coisas mais importantes a fazer, porém não consegui conter a raiva que eu senti, entrei o mais rápido que consegui e subi para o meu quarto, claro que eu queria saber o que tinha acontecido de tão grave, mas não consegui resistir à tentação de subir para o meu quarto e espionar os dois, olhando pela janela que agora tinha um adesivo estranho que meu pai comprara a um tempinho, o qual eu não sabia o nome, que me permitia ver lá fora, mas pelo o que eu sei, Eduardo não poderia me ver. Olhei para a menina, reparei em cada detalhe, ela era loira, magra, bonita e parecia mais nova que eu, mas apenas um ano mais nova, ou por aí.

–Você acha que é preocupante?

–Por que você quer saber? Não me diga que está apaixonada por ele? Sophie, você já tem o Logan, sossega! –quando liguei para Lindy, esperei que ela me ajudasse, mas no fim das contas ela acabou piorando a situação.

–Claro que não! Eduardo é, ou pelo menos era apenas meu... amigo. –Lindy então começou com um longo discurso sobre “deixar alguns meninos para as amigas” seguido de outro de “pare de dar essa de stalker e deixe o garoto viver”

Curiosa, naquele momento, essa palavra me resumia. Quando desci aquelas escadas, não esperava que aquilo tivesse acontecido, na verdade, nunca esperei que aquilo fosse acontecer, e o pior de tudo, foi que mesmo sabendo o que estava acontecendo, a dor que surgiu no meu peito ao sentir que iria perde-la e que não poderia fazer nada para que aquele final fosse mudado foi a pior sensação do mundo. Não sabia o que esperar, não tinha uma data, poderia acontecer a qualquer momento.

Acho que mesmo depois de todo o tempo em que você vive e que você aprende coisas que na maioria das vezes pode ser inútil, e mesmo com você pensando que coisas ruins só acontecem com você, na verdade acontece com todos, nem todo o seu conhecimento ou sua esperteza podem te ajudar, não importa quantos anos de vida você tenha, cinco ou setenta, você só descobre o quão ruim é perder uma pessoa, depois que você a perde.

Quando meu pai me contou que minha avó estava mal, não pensei que seria nada de mais, porém era muito mais grave do que eu poderia imaginar, ao saber que nem os médicos faziam ideia do que ela tinha, que só sabiam que era grave, e que ela poderia morrer, foi como se uma parte do meu ser tivesse me deixado, como se eu tivesse perdido algum membro.

Não sei quando começou, só sei que desde que o primeiro desastre começou a acontecer, eles não pararam mais. Mesmo depois de que me contaram, não chorei, estava com tanta raiva de tudo o que estava acontecendo que definitivamente não teve espaço algum para a dor.

Não sei se realmente gosto de sofrer ou se aquela visão era o que eu precisava para saber que não tinha nada entre nós, mesmo depois de todas as noticias ruins chegarem aos meus ouvidos, sentei na janela, do mesmo modo que eu estava antes, pode passar pela sua cabeça que eu sou uma menina obcecada por garotos e que mesmo depois de tudo o que acabara de ouvir, eu voltara para observar o Eduardo, entretanto, quando eu sentei e olhei pela janela, meu olhar não foi parar no mesmo local de antes, na verdade não tive certeza se eu estava de olhos abertos ou fechados, pois o que eu olhava me deixava em dúvida se realmente estava vendo ou se minha imaginação criara tudo.

–Então, você descobre o nome dela para mim?

–Ai meu Deus! Você não tem jeito mesmo não, não é? Já não te falei para deixar o menino, e consequentemente a menina também?! Mas... já que eu também quero saber... eu descubro. –Lindy não queria admitir, mas dava para ver em seus olhos que ela estava tão curiosa quanto eu, não pelo mesmo motivo, eu espero.

Aquelas palavras tinham feito enfeito em mim, como se algo que eu precisasse saber estava um passo a frente de ser descoberto.

Posso dizer que o resto da aula, na verdade o resto das aulas foram um tédio, estava começando a achar que Lindy desistira de me dizer o nome, as aulas forma passando e eu já estava começando a ficar nervosa com o tempo que não passava, quando o sinal tocou, foi como se eu pudesse respirar novamente.

Seus cabelos loiros se mexiam tão rapidamente enquanto Lindy vinha correndo em minha direção, seus olhos enormes enquanto demonstrava surpresa e espanto, como se soubesse a reação que eu iria fazer.

–Sophie, quero que me prometa que não vai surtar ou morrer nem mesmo ter um ataque do coração nem nada parecido. –enquanto ela falava meu coração batia mais rápido e minha respiração ficou ofegante, não sabia por que eu estava com tanto medo do nome da garota, só sei que estava apavorada. –O nome dela é Shara Hoffman –agora meu coração já estava apostando uma corrida com o Flash. –e não sei por que eu fui procurar os dados dela e ela é filha... ela pode ser filha da sua mãe!

–Mas, pode não ser, quero dizer, não existe apenas uma Bridget Hoffman no mundo. Na verdade, nem sei por que eu disse aquilo, não tem como ela ser sua irmã, vocês nem ao menos se parecem... –Lindy sempre falava demais quando estava nervosa, ou quando falava com Logan, mas como não era o caso, soube que ela não pensava “e se não for” e sim “e se for”.

–Olhe, Lindy, eu sei que você só está querendo me ajudar, o problema é que você está me deixando mais nervosa ainda... se você acha que eu vou sair por aí procurando minha mãe igual o Q fez com a Margo só porque eu já fiz isso uma vez, fique tranquila, eu não vou... pelo menos por enquanto.

Quanto mais dias se passavam, menos eu sabia a respeito da minha possível irmã, a não ser pela sua aparência esplêndida, seus cabelos loiros e seus lindos olhos azuis, eu não sabia de mais nada. Pelo visto Eduardo tinha me esquecido tão rápido quanto a velocidade da luz, agora seus olhos brilhavam por outra garota, não era mais o meu nome que ficava na ponta da língua e nem era mais comigo que ele tinha sonhos românticos, na verdade ele não me disse nada disso, para falar a verdade, nós não nos falávamos desde aquele dia, mas sempre que eu passava perto dele, ou ia cumprimentar o Josh, seu melhor amigo, o assunto sempre ia para o mesmo caminho, Shara Hoffman.

Contava as horas os dias, as semanas, para finalmente entrarmos de férias, não percebera como esse ano passara rápido, talvez rápido demais, me mudara, conheci o garoto da minha vida, só que depois percebi que ele não era o garoto da minha vida, fiz novas amizades, perdi outras, perdi minha amiga e minha avó ainda estava no hospital, sem nenhuma melhora, meu aniversário estava quase chegando, eu ia fazer dezesseis anos.

–Então você já comprou o seu vestido? –ela estava ansiosa como todos os alunos do colégio, menos eu. Quando contara isso a ela, Lindy achara que eu estava brincando com ela, mas na verdade, mesmo com o lindo vestido que eu tinha comprado, mesmo com o lindo parceiro que eu tinha, mesmo não tendo falado com Logan ha algum tempo, não sentia feliz, não estava ansiosa, eu apenas queria que minha avó bem.

Balancei a cabeça e me virei para frente e coloquei minha mochila no chão e fiquei olhando para frente prestando atenção no que o professor falava. Naqueles cinquenta minutos de aula, vi como se fosse um filme projetado na minha cabeça, várias coisas que tinham acontecido comigo, e naquela aula, senti como se tudo estivesse passando mais rápido.

–Pai! Eu não vou voltar às onze horas! Por favor, eu vou fazer dezesseis anos, o que eu poderia fazer de errado? –quando ele ficou em silêncio, diversas coisas ruins vieram a minha cabeça. –Quer saber, não pense em nada. Eu te ligo.

Então como sempre, ele falou que ia ficar me ligando e quando eu já estava praticamente saindo ele segurou me braço e falou que precisava me contar uma coisa.

–Sophie, eu não queria te contar, eu sempre tive um pouco de receio de quando esse dia chegasse, fomos sempre só nós dois, sei que seu avô e sua avó sempre estiveram conosco, mas, quando eles iam embora, ficávamos apenas nós dois, e eu sempre achei que foi bom assim...

–Pai você vai se casar? –o jeito como minha voz saiu foi como se eu não aprovasse mais eu queria que ele soubesse que não é isso, só que quando fui dizer, fui interrompida.

–Não, claro que não. Pelo menos por enquanto não. Acho melhor ir direto ao ponto. Sua mãe me ligou, ela está aqui em Miami e ela me disse que quer te conhecer, e também quer que você conheça a... a outra... filha dela.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem... Beijos May Singer!