Notas iniciais
Bom depois de um tempinho... aqui está mais um capítulo! Espero que gostem. Boa leitura!!!

Com todas as minhas forças, esperava ansiosa pelo final do mês. Com o que eu tinha juntado para comprar meus livros, iria comprar minha passagem para finalmente encontrar minha mãe, não esperava que fosse igual a aqueles filmes que o final termina sempre com um “felizes para sempre”. Quando Ed concordou em ir comigo, admito que fiquei um pouco surpresa, quero dizer, uma viajem na qual iremos procurar uma mulher que eu não sei como é fisionomicamente que mora em outra cidade que não é muito perto. Porém depois de conseguirmos tudo o que precisávamos, só faltava comprar a passagem.

Ed falara com um amigo para acoberta-lo, e eu também. Falei com a Lindy e ela disse que caso meu pai ligasse ela falaria sim, que eu saí por alguns dias, três no máximo, com ela. Decidi esconder o fato que eu iria com o Ed, provavelmente ela iria pensar que era uma viajem... “romântica”, o que definitivamente não era, pelo menos para mim.

Quando faltava apenas dois dias para irmos, já havia comprado às passagens. Vários sentimentos me rondavam naquele momento, estava ansiosa, nervosa e com medo. Ed ao contrário de mim ele estava alegre e ansioso. Na aula, nada me passava pela cabeça, nenhum problema surgiria, encontraria minha mãe, voltaria feliz e os meus desejos seriam realizados, bom, gostava de pensar assim para não voltar atrás.

Fui para casa da Lindy no dia em que eu iria viajar, um frio na barriga veio logo que cheguei a sua porta, fiquei um tempinho por lá porque sabia que o meu pai iria ligar. Depois que eu falei que iria para o sítio com ela, ele enfim desligou. Peguei minha mala e fui até o lugar marcado para me encontrar com Ed antes de realmente pegarmos o avião.

Ele já estava lá. Seu sorriso, a me ver, aumentou e ele simplesmente acenou. Fiquei contente em ver que ele estava mesmo lá, não sei o porquê, mas jurava que ele não iria aparecer. Minutos antes de entrarmos no avião, fui até um lugar que eu não sabia especificar o que era e coloquei crédito no meu celular, caso precisasse.

Ao entrarmos no avião, ele me olhou assustado, nunca pensei que ele tivesse medo de altura, nunca havia me contado e eu, nunca tivera outra oportunidade de descobrir isso sozinha. Ele pegou um livro na mochila e eu fiquei o observando lendo, já havia ouvido falar daquele livro, porém nunca lera. Seus sorrisos em algumas páginas e o seu espanto em outras, eu já havia achado aquelas reações ao ler um livro em alguém, em mim, só de vê-lo lendo, me fazia sentir que éramos tão iguais, como se fossemos um só, não romanticamente, é claro.

Ele parou de ler depois de um tempo e ficou me olhando, seus olhos claros me faziam sentir culpada por algo que eu nem fazia ideia de repente ele começou a falar de um assunto que em minha opinião preferia não conversar, claro porque até mesmo antes de menciona-lo, só pela sua expressão, sabia que não era boa coisa.

–Hillary veio falar comigo. –ele começou a falar como se fosse um assunto muito sério a ser tratado. No fim, poderia ser. –Ela me chamou para ir ao baile com ela.

Baile? Que baile? Eu não fazia a menor ideia de que ir ter um baile. Juntando toda aquela cafonice que era ter um baile por um motivo que eu não conhecia, ela, minha amiga pelo que ela diz, havia o convidado, o garoto que eu... ham... NÃO gostava.

“Todo ano a escola faz isso, nesta época do ano tem um baile e mais no final também” Ed continuou a falar depois que eu não respondi nada. “Esse as meninas que convidam os meninos, é uma coisa muito clichê mas no fim, até que pode ser legal.”

–E você... ham... aceitou? –disse tentando parecer o mais sutil que eu consegui o que no fundo não pareci convincente.

–Bom, eu não falei nem que sim nem que não. –ele ficou me olhando por um tempo, eu queria perguntar o motivo dele não ter dado uma resposta concreta, mas as palavras não saíram da minha boca, como se fosse um ato proibido que eu não pudesse praticar. –Estou esperando uma pessoa me convidar. –ele disse depois parecendo ter notado a pergunta que eu queria fazer.

Se eu dissesse que não entendi o que ele me falou, que não percebi a quem ele estava se referindo eu estaria mentindo, entendi perfeitamente quem essa “pessoa” era. Queria convida-lo, sempre quis, desde o momento em que coloquei os olhos nele, não superficialmente, mas no que ele é por dentro, quero dizer, ele é meu amigo.

Quando chegamos, me senti em um filme, podia jurar que eu até ouvia a música de fundo. Olhei adiante, o sol radiante, pessoas andando, crianças correndo. Fomos andando em direção ao hotel para já deixar a mala.

Quando entramos lá, era uma mistura de várias, coisas, se eu estivesse em um filme como imaginara antes, provavelmente não seria esse hotel aqui que eu estaria. Um senhor mais velho, com mais ou menos um cinquenta e sete anos, chegou mais perto, olhando com um pouco de estranheza e perguntou:

–Vocês vão ficar no mesmo quarto?

Neste instante eu e Ed nos olhamos e tentamos segurar o riso, logo depois balancei a cabeça de um lado para o outro e ele respondeu a pergunta com um sonoro “não”, não que eu não quisesse ficar no mesmo quarto que ele, só que eu não queria.

Saímos com sorrisos tentando escapar de nossas bocas, Ed imitava o senhor e depois ria que não se aguentava mais, aquele sorriso sincero que não se vê muitas vezes.

–Até que não seria uma má ideia, você não acha? –aquele sorriso que algumas vezes ele fazia e eu já conhecia muito bem, voltou. Era um sorriso malicioso que me fazia sorrir.

–Não, definitivamente eu não acho. –e nós começamos a rir.

O lanche de lá era um dos melhores que eu já provara, olhei para o endereço da casa dela e guardei no bolso, iríamos visitar alguns lugares primeiro. Quando chegamos ao shopping, por incrível que pareça, foi Ed que pediu para ir lá primeiro, ele comprou um presente para a mãe, que pelo o que ele disse, fazia aniversário naquela semana.

Paramos em uma daquelas cabines de fotos e eu e ele entramos, depois de diversas caras estranhas que fizemos, tiramos uma foto que eu sabia que guardaria por muito tempo, seu sorriso era de uma maneira tão perfeita daquelas que não conseguimos descrever e seus olhos claros brilhavam como se ele estivesse prestes a chorar.

Na primeira noite, dormi com o endereço em minhas mãos, como eu tinha esperado por tudo aquilo, o sentimento de abraça-la pela primeira vez, de conversar com a minha mãe, esse sentimento me fazia sonhar mais. Quando adormeci, não me lembro de ter sonhado com nada aquela noite, acordei com um sorriso no rosto e com o som de batidas na porta, que seguia com uma palavra que de fato me impressionou “alohomora” era de fato a voz do Ed.

–Desde quando você gosta de Harry Potter? –perguntei com um sorriso no rosto e só depois que ele me olhou de cima para baixo que eu percebi que eu ainda estava com o meu pijama de coelhinho azul.

Depois de trocar de roupa, coloquei uma menos... infantil, eu e Ed descemos para tomar café. Eram nove e meia da manhã, depois de comermos, iríamos direto para visitar minha mãe, o que não demorou muito. Ao caminhar nas ruas um pouco movimentadas, nós não conversamos mais, provavelmente ele percebera que eu precisava daquele silêncio, mentalmente eu me preparava para o que esperar depois de tocar a campainha.

Quando estávamos parados em frente a casa, Ed olhou para mim e eu retribuí o olhar, era uma casa amarela de dois andares e com imensas janelas. Estava nervosa, minhas mãos suavam frio e minhas pernas tremiam. Toquei o interfone e depois de uns dois minutos apareceu uma pessoa na janela, um homem, magro de cabelos castanhos. Então ela era casada, deduzi.

–Desculpe-me, eu poderia falar com a Bridget Hoffman?

Ele me olhou com estranheza e logo falou que não morava nenhuma Bridget Hoffman ali. Decepcionei-me tanto que lágrimas começaram a rolar pela minha bochecha, alguma coisa estava errada, ela tinha passado aquele endereço, porque ela passaria o endereço errado? Ela não passaria, passaria? Quando começara a sair andando ele voltou a falar.

–Ela se mudou a uma semana, acho que não mora mais nesta cidade, o marido arranjou outro emprego e ela e a filha também se mudaram.

Ela era casada e tinha outra filha, aquilo me fizera chorar ainda mais, fomos andando de volta para o hotel, queria sair daquela cidade hoje, mudaria o dia da minha passagem e simplesmente fingiria que isso nunca aconteceu, não era porque eu estava com ciúme, o que de fato eu estava, mas também por ter perdido tempo e no fim nada ter dado certo.

Minhas mala já estavam prontas e nós já íamos entrar no avião, dei uma última olhada para trás, várias crianças correndo para perto de seus pais, aquele sentimento de abandono que eu constantemente sentia, voltou, geralmente eu não era uma pessoa depressiva, porém naquele momento eu estava. Não diria que eu não sou uma pessoa que sonha em viver um romance porque no fundo todos sentem isso, mas eu não gostava de sofrer.

Quando toquei a campainha e meu pai atendeu ele me olhou com espanto, primeiro pelo fato de eu ter voltado mais cedo e também pelos meus olhos estarem vermelhos e inchados. Ele acreditou que eu tinha brigado com Lindy, então apenas alimentem a mentira. Subi diretamente para o meu quarto provavelmente pensara que ficaria sozinha por um tempo o que de fato, não aconteceu. Meu pai apareceu alguns minutos depois, ele segurava um copo com suco que eu chutara que era de maracujá.

Aquela longa conversa sobre “ligue para a sua amiga e converse com ela” me deixou entediada, não havia nenhum problema com ela, eu só queria ficar em paz. Alguns dias daquele feriado se passaram e esse era o último e Lindy me ligou depois e me chamou para ir à sua casa, provavelmente percebera o tom triste em minha voz.

A caminho de lá, encontrei Hillary que parecia que ia explodir de felicidade, não estava a fim de conversar com ela, agora eu conseguia admitir que estava com um pouco de ciúme por ela convidar Ed, eu sabia que eu estava na zona da amizade, mas eu gostava de acreditar que só estava lá porque eu mesma queria. Se Ed aceitasse ir com ela, saberia que ele já havia me esquecido.

Passei correndo, porém ela foi mais rápida e me chamou com um aceno e com um breve sorriso no rosto, então eu me virei, ela falou tantas coisas que eu não consegui assimilar o que ela queria dizer, por fim ela vira que eu estava com pressa e foi para o real assunto:

–Eu estava conversando com minha prima. –sua voz começara a tornar-se alegre novamente. –E ela me deu uma ideia para chamar a atenção do Eduardo. Não irei te contar agora porque eu realmente estou com vergonha, amanhã você vai ver, eu acho.

Aquelas palavras completamente confusas que não faziam o menor sentido na minha cabeça, podia dizer que sim, aquilo me confundira um pouco, primeiro o convite para o baile e agora isso?

Fiquei parada alguns minutos depois voltei a andar com os meus pensamentos me matando de curiosidade, não conhecia Hillary o bastante, mas sabia que ela era capaz de fazer qualquer loucura na frente de todos, por algo que ela realmente queria, e ela realmente queria o Ed.

–Então, o que você acha que ela vai fazer?

–Eu não sei e também não me interessa, você veio aqui para falar sobre isso mesmo? –Lindy não ficava com raiva de muitas coisas, mas quando eu dava uma de boba apaixonada, aquilo me irritava. Confiava em Lindy por vários motivos, primeiramente porque quando eu pedia para guardar um segredo, ela guardava e depois porque eu achava que ela suspeitava que eu gostava do Ed, o que não era verdade, na verdade isso era uma fato coisa que nem mesmo eu podia confirmar, e nunca falara nada.

Nossa tarde poderia ser resumida em apenas algumas palavras, TV, filmes, pipoca, garotos, conversas, conversas sobre garotos. Mas foi bom passar o dia sentada naquele sofá conversando com ela.

Se eu pudesse falar sobre algo que estava me incomodando nos últimos dias, falaria que, de uma hora para a outra Stella vinha em minha mente, de fato, tinha medo de contar para o meu pai e ele achar que eu estava ficando paranoica ou perturbada e me mandasse para algum tipo de clínica psiquiátrica. Mas sempre que ela aparecia, eu ficava triste novamente, não fazia muitos dias que ela morreu.

Logo assim que me deitei, todas as minhas lembranças da viajem voltaram, fiquei imaginando como era minha mãe, uma vez quando eu era mais nova, já tentara pesquisa-la, mas se você soubesse a quantidade de Bridget Hoffman, que tem por aí, ficaria tão surpreso como eu.

Não poderia falar que um dia me acostumaria com aquela horrível sensação de acordar cedo ou com aquele barulho extremamente insuportável que o meu despertador fazia, porém, antes mesmo de começar a reclamar, eu já estava de pé, depois de um tempo você percebe que não tem solução.

Este dia foi um completo horror, começando pelo fato do meu professor não parar de falar e o intervalo não chegar. Quando finalmente o sinal bateu fazendo com que todos levantassem apressadamente, foi que o real pesadelo começou.

Carrie estava em frente ao armário de Lindy conversando com ela, e a Hillary não estava lá. Depois que elas perceberam a minha presença, Carrie veio em minha direção e me abraçou, se fosse outra pessoa falaria, ou melhor, pensaria que aquilo foi extremamente falso, porém como era Carrie, podia confiar. Ela estava diferente do que realmente era, não sei se era a sua altura, porque ela parecia que tinha crescido, ou seus lindos olhos castanhos carregados de maquiagem, ou ainda sua voz, não percebera o que aconteceu, apenas sabia que estava completamente diferente.

A caminho de onde geralmente ficávamos, percebi diversas coisa que não notara antes, como a sala do jardim da infância era gigante e coberta de brinquedos, o que lembrava o meu quarto de quando eu tinha uns sete anos, percebi também a quantidade de casais andando pelos corredores da escola e alguns se beijando aqui e ali e como quando eu passava pelo banheiro masculino sentia como se seu fosse vomitar.

Não tinha muitas pessoas naquele local e naquela hora, mas as pessoas que estavam lá era suficiente para ver o que estava prestes a acontecer, o espanto no rosto das pessoas misturadas sorrisinhos, me deixou irritada, não acredito que ela fez aquilo comigo, entendo que eu nunca contara a ninguém, mas depois da enorme raiva e angustia que senti ao ver aquela cena, agora eu sabia que mesmo que eu não quisesse eu gostava dele... mais do que eu podia imaginar.

Apenas senti meus olhos lacrimejando e a cena se repassando em minha mente, ela se aproximara dele em dois passos apenas e seus olhos fecharam lentamente, e mais lágrimas desciam pelo meu rosto, Ed estava parado e Hillary estava se aproximando mais e mais, era apenas mais um canto, o lugar que eles estavam, mas parecia que era um palco e quando me vi andando para fora daquele lugar, ouvi várias pessoas gritando como uma torcida em um estádio lotado e a cena voltou a minha cabeça, uma, duas, três vezes e eles lá se... beijando.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem... Beijos May Singer!