Depois do Futuro
3 Capitulo 3
Notas iniciais
O caminho para irmos pegar o avião era bem longe, e da janela eu via o começo de algo terrível, era um dia nublado, o mais terrível e menos esperado acontecimento, estava para acontecer, a terceira guerra mundial não era mais um acontecimento tão longe do presente, talvez mais perto do que esperávamos. Talvez fosse o fim do mundo, mas nós não podemos saber a resposta e nem fazer nada para mudar os fatos, o que podíamos fazer era torcer. Soldados treinando e esperando o pior, e era a única coisa que fazíamos esperar o pior.
Quando acordei, já estava no aeroporto, pronta para entrar naquele maldito avião e ir para a nova cidade. Eu só queria acordar e ver que tudo não passara de um sonho, então, já no avião, comecei a ler, já tinha lido vários livros que contavam como era ou então como foi quando a terceira guerra começou, mas nenhum deles detalhava realmente o que poderia acontecer, pois ninguém sabe o que pode acontecer. Talvez aconteça o fim do mundo, mas, em nenhum lugar se encontrava a resposta de como se preparar para uma guerra ou como se prepara para morrer, pois você apenas... morre.
Escutava musica em quanto meu pai dormia, fiquei imaginando como seria se o mundo acabasse tudo o que o homem fez, tudo o que construíram, seria destruído por... por eles mesmos, e toda a nossa evolução para chegarmos ao que somos hoje, voltaria a acontecer, o ciclo se reiniciaria.
Fiquei pensando se, quando chegasse ao novo colégio, ficaria sozinha, nunca tinha mudado de colégio, estudei no mesmo a minha vida toda, e ficar sozinha não era muito legal, talvez conversar com si mesma não seja uma das atividades preferidas a se fazer. Horas foram se passando e as paginas também, quando eu vi meu livro estava caído no chão e eu tinha dormido, não sei exatamente por quanto tempo, porém quando acordei, meu pai estava me olhando e eu quase tive um “ataque do coração”. Já tínhamos chegado a Miami. Lá era lindo, estava com um sol tão bonito, e um clima tão bom que eu tinha gostado de estar lá. Talvez fosse o ambiente diferente ou a felicidade que continha nele, não sabia ao certo, mas era muito diferente de onde morava, ainda estávamos um pouco longe, não muito de fato, peguei uma caneta esferográfica e comecei a rabiscar um papel, nada em especial, círculos, palavras, não sei ao certo o que queria fazer, então deixei minha mão ser guiada pela minha imaginação, para que fosse desenhando tudo o que viesse na minha mente.
Fiquei, por um minuto pensando o que minhas amigas estavam fazendo, a July provavelmente estava desenhando e a Stella conversando com o irmão, eles eram muito unidos, diferente dos outros irmãos que eu conhecia que geralmente ficam brigando, eu sempre quis ter um, talvez um dia meu pai se case e tenha outro filho, era uma chance bem remota de um acontecimento bem improvável. Estava tão distraída que não percebera que meu avô, o mesmo sorriso largo de sempre, vestia um casaco mesmo estando calor, uma calça jeans e um tênis, estava nos esperando no aeroporto, fiquei feliz em vê-lo, não fazia tanto tempo que não encontrara, porém senti saudades.
No carro dele íamos onde ficava a nossa nova casa, fui passando e olhando paro os lugares que bem provavelmente eu iria frequentar, como a praia ou o shopping. Lá era tão lindo que me senti bem em pensar que, moraria naquela cidade, fiquei olhando as paisagens pela janela do banco de trás enquanto meu pai e meu avô conversavam no banco da frente.
Fomos chegando a casa, e meu avô parou em frente à garagem, eu tinha gostado, ela era branca, de dois andares, com um quintal grande na frente e o nosso vizinho (loiro, lindo, de olhos claros, que, ainda era educado, pois foi nos cumprimentar) que estava fora de casa no momento que nós chegamos foi até meu avô e o cumprimentou, não tinha como aquele momento ficar melhor, talvez se tivesse comida, estava com fome.
Ele se apresentou (acho que o nome dele era Logan Pines, fiquei perdida em seus olhos.) meu pai e meu avô entraram para olhar a casa, meu pai me olhou com aquele olhar de “não faça nada de errado e entre logo” e depois sorriu, e eu fiquei lá igual uma boba, não falava com meninos bonitos, não tinha nenhum que eu conhecia, queria parecer legal e interessante, mas não saiu nem um “oi” da minha boca.
–Então... Qual é o seu nome? –ele disse com um lindo sorriso estampado em seus lábios, enquanto fazia uma cara de tímido que eu particularmente achei linda.
Calma ai... essa pergunta eu sabia responder, só que as palavras não saiam da minha boca então fiquei lá parada com cara de pensativa enquanto ele me observava com um olhar de dúvida.
–Sophie McWillson.- Eu finalmente tinha conseguido falar com um menino bonito sem “morrer” de vergonha, quem sabe não fosse tão difícil assim. Agora eu poderia tirar isso da minha listinha de “coisas para fazer antes de morrer”. Nunca percebera que tinha tanta vergonha de falar com desconhecidos ainda mais com aqueles que eu queria conhecer.
–Quantos anos você tem? –acho que ele começou a perguntar coisas para não ficar sem assunto, então comecei a agir com mais naturalidade, o que não deu muito certo.
Ele queria saber a minha idade... Aquele sorriso interno, que aflorava em minha boca, não consegui conte-lo, muito provavelmente era só uma pergunta que se perguntasse a qualquer pessoa que acabara de conhecer.
–Treze...não quatorze... quer dizer quinze. –eu corei e então logo perguntei outra coisa. -E você? – Ele devia ter em torno dos dezesseis aos dezoito.
Ele tinha dezessete anos, começou a falar sobre a cidade, e que eu gostaria de morar aqui, ele era aquele típico vizinho que começa a falar das coisas boas de se morar lá, também disse que tinha um irmão da minha idade, e o nome dele era Eduardo. Começamos a conversar sobre coisas que gostávamos de fazer e descobri que ele não gostava de ler, ele começou a ficar menos perfeito, talvez pelo fato de eu amar a leitura, ninguém é perfeito, tinha quem me acostumar com isso e com ele poderia me acostumar facial, nos livros que eu lera sempre diziam para ser difícil com o garoto, talvez eu tentasse isso, então nos despedimos e eu entrei na minha casa e ele foi para a dele, percebera que tinha um menino na janela enquanto Logan falava comigo, mas não olhei direito para o seu rosto.
Quando entrei, vi que a maior parte da casa já estava arrumada, a sala já estava com os moveis e o mais importante, a cozinha já estava com comida. Meu avô tinha ajeitado tudo para nossa chegada, antes de tudo fui à cozinha e peguei um pacote de biscoito e subi ao meu quarto, vi que tinham pintado de verde, fiquei feliz em saber que meu avô me conhecia de verdade. Então chegaram ao meu quarto e perguntaram onde era para colocar a cama, apontei na direção da parede e comecei a arrumar do meu jeito. Os porta-retratos já estavam de volta perto da minha cama, e todas as minhas fotos com minhas amigas já estava lá e todos os meus urisinhos de pelúcia.
Desci as escadas e comecei a andar pela casa, achei uma pasta jogada, provavelmente era do meu pai, sei que ele não gostaria que eu mexesse, mas como ele não estava e eu não tinha curiosidade nenhuma, abri a pasta o mais rápido possível. Achei cartas, então comecei a ler a que estava por cima e com a letra mais bonita, claro que era de uma mulher e como não era minha, li com um sorriso em meu rosto.
"Oi meu amor, faz um tempo que não lhe escrevo, então resolvi fazer essa carta, talvez no futuro, quando a lermos, iremos nos lembrar do nosso tempo como adolescente, ou talvez as máquinas já substituíram os seres humanos, não ria isso não está muito longe da realidade, um dia, quando nos casarmos e tivermos filhos, podemos mostrar essa carta à eles e que eles fiquem pensando em nós quando éramos jovens e depois nós ficaríamos mal por nos terem chamados de velhos. Na verdade só passei mesmo para deixar um recado muito importante e quero que você saiba que eu te amo! Recado: O Natal está chegando e quero que você saiba que eu... realmente amo chocolate.
Beijos; Bridget Hoffman."
Ela era a minha mãe, meu pai às vezes me contava sobre ela, como ela era bonita com seus lindos e longos cabelos loiros, como ela era alegre e sonhadora, mas eu sempre queria mais, eu queria ela aqui comigo, para me dar aquele carinho de mãe que me faz falta, sempre que eu pensava nela ficava um pouco com raiva por ela ter me deixado. Meu pai tinha trinta anos e não tinha namorada, e eu também não queria uma madrasta, queria a minha mãe, ninguém nunca a substituiria, isso é dito por todas as crianças que tem uma madrasta.
Peguei minha bolsa com meu celular e com algumas outras coisas que já estavam lá, minha carteira com apenas dez dólares, um batom e uma bala de menta. Comecei a andar por ai, não conhecia completamente acidade, mas não ia muito longe. Deixei um bilhete em cima do meu criado-mudo e fui andando sem saber por onde estava indo e nem onde queria chegar, só andava como se precisasse fazer aquilo, andar.
Estava andando ainda bem perto de casa, olhando para o nada, mas pensando em tudo que acontecera tão rápido que nem dava tempo para pensar no que estava acontecendo, sim, eu sei que é confuso, mas era exatamente o que eu estava sentindo naquele momento. Estava tão detraída que esbarrei em uma moça, ela tinha cabelos loiros e olhos verdes, ela era linda, parecia que eu a conhecia, queria conhecê-la queria que ela sorrisse para mim e que começássemos a conversar, mas na verdade não a conhecia.
–Me desculpe. – Fiquei com tanta vergonha que a única coisa que fiz, foi ajuda-la a pegar as coisas que deixara cair.
–Tudo bem. – Ela me olhou com um olhar sereno que passava tranquilidade e amor. Então ela se apresentou, seu nome era, o mesmo da minha mãe, Bridget, então foi aí que esperei aquele sorriso alegre que transmitisse alegria e olhasse profundamente nos meus olhos e dissesse que era a minha mãe. Ela simplesmente agradeceu e fomos para caminhos diferentes.
Voltei a andar, pensando em diversas coisas incomuns de pensar, por um memento imaginei como seria reencontrar minha mãe, se ela iria gostar de mim? Será que ela tinha se casado de novo? Ela tinha outros filhos? Perguntas que eu não teria respostas.
Olhava para a minha carteira de identidade e lia “Sophie Hoffman McWillson” e eu nunca usava o nome da minha mãe, quando pensava nisso, sempre lembrava que ela me abandonou depois que eu nasci. Lembrava que ela não me amava. Lembrava que sentia sua falta. E era então que eu ficava mais confusa sobre meus sentimentos, não sabia se estava com raiva ou apenas triste por não ter uma mãe, mas não gostava de pensar nela, simplesmente esquecia esse assunto. Meu pai nunca pensou em se casar de novo, acho que ele ainda era apaixonado pela minha mãe, ele ainda tinha fotos dela, nunca me mostrou, pois ele não queria que eu ficasse pensando nela. Começou a chover e voltei para casa andando tão devagar quanto fui. Não me importava com a chuva, gostava dela, gostava de andar com ela caindo sobre a minha pele, tão serene que até fazia cócegas, gostava de andar enquanto ela tocava a minha pele e caia diante os meus olhos.
Tomei banho e troquei de roupa, deitei e fiquei olhando para o teto do meu quarto esperando o meu domingo passar, fazia isso constantemente quando estava entediada, ou simplesmente não queria fazer nada, só deitar e ficar olhando para um ponto fixo, isso me acalmava. Depois de muito tempo, acordei, na verdade nem sabia que tinha dormido, mas estava cansada e era tudo o que eu precisava. Acordei era mais ou menos quatro da manhã, peguei o meu computador e vi que a July estava on-line e comecei a conversar com ela, não fazia muito tempo que sai daquela cidade, mas sentia que quando saia algo incrivelmente inédito acontecia só porque eu não estava lá.
July Thompson, melhor e mais doidas das amigas de todo o mundo, alegre, mas não agitada, divertida e que me fazia rir, como sentiria falta dela, iria visitar a minha avó sempre que pudesse e quando eu voltar lá, claro que irei ver minhas amigas, não era a mesma coisa de se encontrar para ir ao colégio juntas, ou estar com elas no colégio. Teria novas amigas, eu acho, mas nada e nem ninguém substituiria elas. Contei como estava nervosa com o meu primeiro dia de aula na escola nova, e ela contou que já estava com saudades e depois falou que precisava sair e então saiu.
Tentei dormir, não consegui. Aquela sombra de pensamentos que me rondavam e não me deixavam em paz, não conseguia me desligar do mundo, era como se luzinhas brilhando em minha cabeça não me deixando dormir, então peguei um livro e comecei a ler. Lia e não parava mais, era emocionante como cada fato era narrado naquela história, como outros pensamentos foram surgindo na minha cabeça como que eu faria se tivesse no lugar do personagem, e no fim consegui dormir.
Devia ser umas seis e quinze da manha, quando meu despertador tocou me interrompendo daquele maravilhoso sono no qual estava feliz, fui obrigada a me levantar e me arrumar para a escola, era o meu primeiro dia, não seria muito agradável chegar atrasada.
Quando finalmente terminei de me arrumar, peguei minhas coisas e fui para a escola. Não era muito longe de casa, mas também não era perto, apena alguns quarteirões. Fui ouvindo musica e quando percebi já estava no colégio. Eram tantas pessoas, mais novas que eu e a maioria mais velha, fiquei um pouco perdida. Fui entrando sem saber direito onde estava indo, olhei de um lado para o outro, então encontrei com outras meninas que pareciam ter a minha idade e perguntei onde ficava a minha sala, e elas me acompanharam.
Quando cheguei a minha sala, vi que estava um pouco atrasada, todos os alunos já tinham chegado, o professor falou para eu entrar e sentar, então fiz isso o mais rápido que eu consegui, sem parecer que estava correndo. Sentei do lado de uma menina que estava virada para trás perguntando em que página o professor estava, então ela olhou para mim de uma maneira estranha pois não percebera que eu estava ali.
–Página quinze. –ela disse e depois sorriu –Oi meu nome é Lindy Sellers
–Oi. –Simplesmente não sabia o que falar depois, então ela ficou me encarando esperando que eu dissesse o meu nome, então falei – Eu sou Sophie McWillson.
Depois começamos a prestar atenção na aula, quer dizer eu comecei, até ver o livro que ela estava lendo escondido ao invés de copiar o que estava escrito no quadro, era o meu livro favorito então percebi que ela poderia ser minha nova grande amiga, pelo menos para falar de livros. Começamos a conversar sobre o livro e depois sobre outras coisas e descobri que ela morava bem perto da minha casa, quer dizer mais ou menos perto e então o sinal para segunda aula tocou, e me despedi.
Minha aula de inglês tinha começado, sentei em uma cadeira vaga e peguei meus livros, tinha sentado ao lado de um menino, loiro e de olhos claros que desenhava no seu caderno que estava aberto em uma das últimas páginas.
–Acho que conheço você de algum lugar. –ele disse enquanto me olhava como se estivesse tentando me reconhecer. -Bom, oi! Meu nome é Eduardo Pines.
–Acho que não, cheguei aqui ontem, quero dizer, na cidade, não conheço ninguém direito. — Falei com muita vergonha, enquanto mal olhava nos seus olhos.
–Tenho quase certeza, mas tudo bem, qual é o seu nome? –ele disse meio que sussurrando para que a professora não brigasse.
–Sophie McWillson. –disse em um tom de voz tão baixo que nem eu praticamente ouvi.
Ele era loiro e seus olhos azuis brilhavam como o céu sem qualquer nuvem, e ele me lembrava alguém, só não lembrava exatamente quem. Então quando ele me pegou olhando em sua direção, com uma cara de pateta, ele com certeza tinha percebido que o reconhecera então com um sorriso no rosto disse enquanto olhava para a professora e depois para mim:
–Eu sou o irmão do Logan, sou seu vizinho.
Então ele começou a falar coisas que eu não ouvira e fiquei pensando no Logan, e como ele era lindo, Eduardo era a miniatura dele, mas eu gostava mais do “original” a aula foi passando muito rápido e logo bateu o sinal do intervalo e saí, fui até o meu armário pegar o meu lanche. O tempo foi passando e a aula também, faltava apenas cinco minutos para o termino da segunda aula e depois era o intervalo, onde procuraria Lindy para não ficar sozinha.
Mas Lindy apareceu correndo até o meu armário com uma maçã na mão e começou a falar comigo sobre diversas coisas, eu gostei dela, ela gostava de muitas coisas que eu gostava e eu tinha que fazer amizades, tinha quinze anos, era horrível andar sozinha, ela falava sobre programas de TV e eu escutava enquanto ela não parava de falar. Então começamos a conversar e diversos assuntos foram surgindo até chegar a um dos nossos assuntos mais frequentes, “meninos”, ela me disse que gostava de um garoto do nosso colégio e que ele não estava nem ai para ela e fiquei pensando por um minuto que seria é claro que eu perguntei quem, mas então Eduardo Pines apareceu e mudamos de assunto, para não ficar constrangedor para ela.
Ele começou a fazer perguntas e eu apenas fiquei olhando naqueles lindos olhos, e senti alguma coisa diferente em mim, mas então de forma muito estranha o assunto principal se tornou... a minha vida. Perguntaram de onde eu era, se eu era filha única, e outras coisas que fui respondendo como se fosse uma criminosa e estivesse em um interrogatório, e então tivemos que voltar aula. Tinha aula de geografia, não conhecia meu professor e não queria chegar atrasada.
Fiquei pensando no Eduardo, como ele era lindo, e engraçado, ele me lembrava seu irmão, pensei nele e quando realmente percebi que pensara nele, disse a mim mesma que era doença.Talvez eu enxergasse o rosto do Logan no rosto do Eduardo. Quer dizer que eu estava gostando do Logan? E... do Eduardo? (Isso foi como estar em um romance desses livros).
Bem provavelmente isso que sentia não era amor, era talvez uma paixão platônica. Acho que estava apressando as coisas, minhas colegas, mais pra conhecidas, diziam que eu tinha que ter um namorado e de repente eu comecei a achar que eu realmente precisava de um. Ficava pensando em possibilidades de “E se eu nunca tiver um namorado? E se ninguém quiser namorar comigo? E se eu ficar solteira e começar a criar gatos?”.
Saímos do colégio e fomos andando. Fui seguindo e sentamos em uma praça na qual fiquei olhando os casais andando por ai, felizes, amados e eu ali sentada com uma menina ao meu lado falando sobre um filme que ela assistira na noite passada, na qual havia mais morte do que na segunda guerra mundial. Eu comecei a ouvir o que Lindy falava, quando Logan apareceu, mas não nos viu, apenas estava lá por acaso.
Ele ficou sentado lá como se não tivesse nada para fazer depois da aula, e talvez não tinha, Eduardo se aproximou e sentou ao lado de Lindy e começou a falar uma coisa que não quis ouvir, apenas observava aqueles lindos olhos pensadores do Logan, e de repente apareceu uma menina ruiva e muito bonita e senta perto do Logan, tentei parar de olhar, mas algo não me deixava desviar o olhar era como se fosse um ímã que me prendera naquele olhar , pensei que... quem sabe... fossem amigos, só amigos, sentados em um banco de um praça enquanto caia algumas folhas entre eles, como em cenas de filmes que no final eu sempre ficava irritada de como tudo era perfeito, tinha uma pequena esperança de que eram só amigos. E não eram, eles estavam se beijando, e parecia que ele estava engolindo a menina, quando Eduardo percebera que estava olhando naquela direção ele apenas diz um nome, “Marie” e começa a puxar assunto comigo. Eu me iludi, ele era lindo, loiro e tinha dezessete anos, a menina era ruiva, tinha olhos verdes, era magra e bonita e eu... bem, eu... eu apenas gostava de ler e ficava imaginando que minha vida poderia ser igual a dos livros, acho que isso não era bem uma qualidade. Um dia posso encontrar um bibliotecário careca e magrelo que goste de ler e me case com ele e não precise criar gatos. Estava com fome e resolvi voltar pra casa e Eduardo me acompanhou, conversamos, rimos até Logan chegar perto do irmão:
–Oi. –ele disse com um sorriso estampado no rosto.
Deu vontade de perguntar se ele já acabara de fazer o que estava fazendo, mas só disse um “oi” sem graça.
Sentei com Eduardo em um banco próximo a rua, ela estava calma, não passava quase carro nenhum, então puxei assunto:
–Então... você também tem namorada?- Nossa se era para parecer desinteressada... não consegui , eu aprendi com os milhares de livros que eu já lera que se você gosta de um garoto você tem que mostrar total desinteresse, não que eu gostasse dele. Pelo visto não era uma boa atriz. Eu fiquei morrendo de vergonha de ter feito aquela pergunta que escapou tão rápido que não consegui segurar.
–Não, e você? -ele disse com um pequeno sorriso malicioso no rosto.
–Não, mas Eduardo... –disse quando fui interrompida.
–Pode me chamar de Ed. -ele disse como se fossemos melhores amigos há muito tempo.
–Tudo bem então. – falei totalmente sem graça.
Ele começou a contar histórias engraçadas e rimos juntos, então enquanto ele ria, via em seus olhos que ele estava tão nervoso quanto eu, o que não era pouco. Foi ficando mais tarde e eu resolvi entrar antes que meu pai saísse e me visse ali, teria que procurar um buraco para esconder o meu rosto.
–Tchau Ed, acho que nos vemos amanhã.
–Sophie, espere.
E ele foi se aproximando cada vez mais e quando chegou mais perto, nossos lábios se encontraram, e foi tão doce e romântico, não sei quanto tempo durou mas pareceu que o universo inteiro parou diante de nós, nada acontecia ao nosso redor e quando acabou fiquei corada e não consegui dizer nada e então ele falou:
–Desculpa. –ele disse com aquele ar de que “eu queria fazer isso mesmo e pronto” e com aquele sorriso, o mesmo sorrisinho malicioso de antes.
–Tudo bem. – Eu fiquei tão vermelha que na minha mente até fui comparada com um tomate, e eu ganhei. –Eu realmente tenho que entrar agora.
Tudo acontecera tão rápido, mal tinha chegado e já tinha um problema para me preocupar, Ed era o meu problema, não queria me apaixonar por ele, via em um futuro, nós como amigos, não como... outra coisa, realmente não tinha um dia em que eu tivesse sossego e paz.
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