Depois do Futuro
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Não acreditava que aquilo acontecera, não sabia se fora de verdade, não acreditava que eu tinha dito “eu realmente preciso entrar agora” essa frase foi tão patética foi tão... tão “vem aqui e me beije” que eu fiquei com uma incrível vontade de vomitar. Não sabia o que pensar, realmente não sabia se estava gostando dele, talvez fosse algo momentâneo, mas o que eu realmente temia era, e se não fosse algo momentâneo. Antes de me deitar, sentei ao lado da janela e fiquei olhando aquela rua pouco movimentada, que mal passava carros e pessoas, principalmente a esse horário, então olhei para a janela frente a minha e vi o Logan sem camisa andando pelo quarto, de um lado para o outro, não sabia o que ele estava fazendo, mas o quê importa. Ele estava sem camisa. Estava presa aquela visão, como se não pudesse sair daquela maldita janela, então ele percebeu que eu estava lá. Ele percebeu que eu estava olhando para ele. Tinha que sair dali. Ele sorriu, com aquele seu sorriso meigo que me deixava com cara de “boba alegre” e ele acenou. Como eu queria ser invisível naquele momento ou então fingir que não vira nada, mas ele tinha percebido que eu o vi, então acenei de volta e fechei a janela tão rápido que prendi meu dedo. Gritei tão alto que Logan olhou para mim e arregalou os olhos de forma tão estranha, como se estivesse em dúvida com o que acabara de acontecer, que parecia que eu estava morrendo, e estava só que de vergonha. E pra piorar meu pai chegou, eu não conseguia abrir aquela maldita janela e então Logan saiu como se quisesse rir e não pudesse na minha frente. Saí de lá morrendo de vergonha e fui dormir, como se nada tivesse acontecido, preferi acreditar nisso.
Acordei como se nada tivesse acontecido, talvez só quisesse lembrar-me da parte boa do dia de ontem, como seria vê-lo depois do que acontecera, ele perguntaria “tudo bem” ou eu poderia chama-lo de Ed sem ficar estranho? Não sabia de nada, só fui para a aula como se fosse um dia normal, e era.
Estava andando, enquanto mexia no celular, pela rua quando ouvi o som de alguém me chamando. Olhei e vi Ed e Logan, os dois andando um ao lado do outro, Ed estava com o cabelo penteado e mais arrumadinho e Logan com o cabelo bem desarrumado, como era a cara dele.
–Oi. – Disse Logan – Seu dedo já está melhor? – Ele falou dando uma risadinha sarcástica que já conhecia.
–Bem melhor, obrigada. – Disse em um tom sarcástico e soltando uma risadinha. – Pode rir se quiser.
–Do que vocês estão falando? – Ed falou olhando rapidamente para mim, como se fosse uma criancinha perdida em uma conversa de adultos. Ele perguntou enquanto eu apoiava meu braço em seu ombro porque era um pouco mais alta que ele.
–Nada! – Eu e Logan falamos ao mesmo tempo enquanto riamos.
Entramos na sala de aula, sentei ao lado de Lindy e fiquei rabiscando o meu caderno enquanto ela falava com suas outras amigas, não, eu não tinha ciúmes, só queria que ela me perguntasse o que eu tinha feito na noite passada e eu falasse que não fizera nada porque não pretendia contar (sim isso era uma relação estranha). Mas então ela perguntou, e todos aqueles cursos de teatro que eu não fiz deram o resultado que eu não pretendia. Me enrolei e ela ficou me olhando com uma cara estranha, olhando fundo em meus olhos como se quisesse penetrar em minha alma e descobrir a verdade por si só.
Pensei muito mesmo em como eu podia gostar de dois caras ao mesmo tempo e pra piorar, eles eram irmãos. Não sabia o que fazer, antes não gostava de ninguém e agora gosto de dois ao mesmo tempo, isso parece loucura e de fato, era.
Estava distraída em frente ao meu armário, olhando para algumas fotos do filme que eu vira a alguns dias, no meu celular, olhei o elenco e então comecei a olhar fotos de um dos atores, isso era muito a minha cara, quero dizer, sonhar com alguém que eu nunca vou ter, quando me chamaram e eu virei para ver quem era, meu coração bateu mais forte e meus olhos ficaram arregalados talvez de medo, ou talvez, porque um menino bonito estava falando comigo, Logan era com certeza o meu maior desejo.
–Aqui... –ele disse enquanto exalava sua confiança, que isso ele tinha de sobra. -eu vou dar uma festa na minha casa hoje à noite enquanto meus pais viajam, espero que você vá, meu irmão pateta vai estar lá.
–Ah, não sei, pode ser. –a minha timidez se destacou nessa fala. -Eu realmente achei que seu irmão fosse estar lá, ele mora lá. -disse com um pequeno sorriso no rosto, sentia que podia ser eu mesma ao lado de Logan, quero dizer, depois do meu ataque de timidez, tinha algo especial com ele.
–Hum educada! – ele disse rindo também. – Espero te ver lá então.
Fiquei admirando seu lindo cabelo sobre o seu maravilho rosto enquanto ele se distanciava. Lindy chegou próxima a mim com uma cara de espantada e animada misturada com um pouco de dúvida, enquanto ainda tinha aquela cara de quem fugiu do sanatório, não pude conter o riso ao olhar para o seu rosto.
–Você estava conversando com Logan Pines? Quero dizer o Logan Pines?–ela perguntou incrédula.
–Sim. Por quê?
–Porque ele simplesmente é o garoto mais popular da escola e sem dizer lindo. – ela dizia isso enquanto eu olhava com aquela cara de “tira os olhos que ele é meu”, meu e de mais quarenta e nove meninas que ele já tinha ficado. –E sem falar que o irmão dele é tão bonito quanto.
Ela começou a falar coisas da qual eu estava totalmente desinteiriçada, talvez para ela a tabela de popularidade fosse importante, mas para mim, não. Não importava que ele estivesse no topo e eu na base, não ligava para isso, não estou pensando que ele vai chegar sobre um cavalo e pedir minha mão, simplesmente isso não vai acontecer e eu sei, apenas quero viver esse sonho enquanto ele dure. Por fim, me liguei no que ela acabara de falar.
–O Ed?- eu disse não conseguindo evitar saber que além de achar o Logan bonito ela gostava do Ed. –Espera, você está apaixonada pelo Ed?
–Não... talvez... um pouco, sei lá, pensei que você não sabia que o Ed era irmão dele, mas como ele anda conosco prefiro que não comente nada quando ele estiver por perto, nem tente ser meu cupido, isso nunca dá certo, porque afinal eu não sou tão apaixonada por ele, eu acho.
Fiquei chocada, espantada e assustada ao mesmo tempo, não sabia que o Ed era o cara dos sonhos dela, bom a culpa não era minha, ou era? O que eu faria se ela descobrisse o meu... ham... “lance” com ele?
Quando saí do banho fiquei pensando em que roupa usar, fui até a janela olhar o que estava acontecendo de fato e diversos convidados iam aparecendo, parecia que brotavam do chão, tinha pessoas do segundo ano do terceiro ano do ensino médio e até universitários, pensei bem, não sabia se queria ir, provavelmente iria ficar isolada em um canto do sofá e resolvi que eu ia sim, de fato, era a minha primeira festa na nova cidade, coloquei uma roupa que ganhara do meu pai e fiquei em frente ao meu espelho.
Olhei cada detalhe, meu cabelo, meu vestido e meu sapato, até que percebi que essa pessoa que se preocupava com roupas e com a aparência, não era eu, não era assim e também não queria me tornar, não me sentia tão bonita, aquela menina ruiva que vira na praça com Logan era muito mais bonita que eu, a única resposta para essa preocupação era muito clara, “meninos”.
Então saí como se fosse corajosa, coisa que definitivamente eu não era, não naquele momento. Entrei e fui muito bem recebida pelo Logan, ele estava mais bonito que o normal, ele me abraçou e me convidou para entrar, é eu não ia ficar ali fora, quando fui cumprimentá-lo, nos atrapalhamos e eu quase o beijei, fiquei vermelha, mas ele deu uma risadinha e não liguei mais para isso. Talvez eu gostasse, mas nãoi alí enquanto todos olhavam.
Pouco tempo tinha se passado e eu só pegara uma limonada para beber e sentara em um sofá, a sala era bem grande, mas não dava para ver quase nada, estava totalmente lotada, tinha pessoas se beijando por todos os lados, que rápidos, aposto que nem sabiam o nome um do outro. Depois fui andando e bisbilhotando lugares, só via adolescentes se beijando por todo lado que andava. Abri uma porta e era um banheiro e tinha uma cara lá dentro, ele me olhou com espanto e eu fiquei morrendo de vergonha, talvez devesse fechar a porta mais rápido, mas não consegui, tinha ficado paralisada de vergonha
–Desculpa. –eu disse depois de fechar porta com pressa e por sorte não prendera meu dedo.
Entrei em outra sala, essa por sorte estava vazia, era uma sala de TV com dois sofás enormes e uma televisão gigante, eu sentei um sofá esperando algo acontecer. Pouco tempo foi se passando e eu já ia sair para ia para minha casa, estava totalmente entediada. Por acaso Eduardo entrou na sala, por acaso nada, era a casa dele, então ele olhou com espanto de que não esperava me ver ali, naquele exato momento.
–Pensei que não tivesse vindo. -Ele me disse com aquele sorriso malicioso que eu tanto gostava. –Não está tão divertido não é? –não entendia sua capacidade de saber o que eu estava pensando apenas olhando para mim. -Somos os únicos aqui com quinze anos. Quer subir para o meu quarto? –ele me olhou como se quisesse a minha companhia.
–Não sei, é seguro? – eu disse rindo enquanto ele me olhava com um olhar sedutor (ou pelo menos era pra ser) só que fracassado.
–Depende. –ele disse rindo enquanto eu ria junto.
Passamos diante aquela barulheira toda, subimos as escadas e entramos, era bem diferente do que eu imaginava, era azul uma das paredes e tinham vários CDs ao lado da sua luminária, vários jogos ao lado de sua TV, mas o que mais me surpreendeu foi a quantidade de livros que tinha, havia de todos os gêneros, eu fiquei viajando pelo quarto de Eduardo Pines, o qual eu passava a minha noite de sexta-feira a noite. Estávamos sentando em sua cama em pleno silêncio enquanto lia o nome dos livros em sua estante, quando ele começou a falar.
–Eu não sou como meu irmão, nem quero ser, eu sei, é difícil de entender, mas não impossível, eu quero ser diferente, quero ser eu mesmo. Eu gosto de ler e escrever gosto de estudar e tirar notas boas, eu gosto de fazer as coisas que meu irmão acha chato, não quero ter uma namorada a cada dia da semana, simplesmente não quero. A única coisa que eu não entendo é como todas as garotas que eu gosto acabam se apaixonando por ele... -Ed falava isso com raiva, mas não esse tipo de raiva, ele estava apenas conversando comigo, porém sentia que não ia ter um final feliz. -... não entendo como você pode se apaixonar por ele. -ele disse olhando fundo em meus olhos castanhos.
Não sei o que me deu e também não entendi o motivo das minhas ações, eu simplesmente me aproximei dele e nos beijamos e todos aqueles livros que diziam “seja difícil com o garoto” não podia fazer nada naquele exato momento, era apena eu e Eduardo. Eu estava confusa sobre os meus sentimentos, não sabia o que fazer, nunca sabia o que fazer.
Quando ele olhou para mim e eu olhei profundo em seus olhos cristalinos disse:
–Eu não amo o Logan. –não sabia se estava mentindo para mim ou só me contando a verdade escondida no findo de toda a minha dúvida. Mas senti que precisava falar aquilo, por algum motivo.
Ele sorriu maliciosamente e eu sorri de volta, aquele era o nosso momento, até meu pai me ligar, então olhei as horas e eram quase três da manhã, atendi o telefone e saí correndo, Ed saiu atrás de mim e me despedi, falei que nos víamos amanhã.
Acordei com o sol no meu rosto, Logan estava deitado na cama como quem não dormiu nem um pouco, não fiquei olhando muito tempo, não queria que as coisas acontecessem como antes, meu dedo estava começando a melhorar, então liguei para Lindy e combinamos de nos encontrar para fazer alguma coisa.
Tomei banho e coloquei uma roupa qualquer, um short azul e uma blusa branca, para tomar café, meu pai estava sentado, com um óculos, com aparência de cansado, como quem trabalhara a semana inteira, ele estava lendo jornal, até eu aparecer. Sentei e ele já começou a falar:
–Então como foi a festa de ontem? Tinha muitos rapazes? – Ele perguntou com um tom de sarcasmo com uma pequena porção de interesse na sua voz.
–Não sei pai, fiquei conversando com a minha amiga. – eu sei que não devia mentir, mas não da pra falar essas coisas com o meu pai, simplesmente não dava para falar que tinha centenas de garotos e vários casais se beijando a cada canto da casa e que subi para o quarto de um menino e nós nos beijamos, provavelmente ele entenderia coisa errada. – Aqui vou sair com a Lindy tá, volto para o almoço.
Então era isso, o nosso programa de sábado, ir para a biblioteca. Talvez fosse legal e eu adoro ler, mas não sei se é um programa perfeito para um dia ensolarado de sábado, mas entramos e comecei a olhar para os livros, comecei a ler os títulos e peguei uns três e coloquei na minha mesa.
Quando Lindy ficou “caidinha” pelo bibliotecário, que ironia do que eu tinha dito antes, mas pelo menos ele realmente era bonito e ela do jeito que é já foi falar com o menino, ela não ia espera por Ed, ela é mais do tipo que ataca o menino, literalmente.
–Oi, meu nome é Lindy e o dela e Sophie. –ela disse de forma normal. – Você tem namorada? – nossa! Dessa vez eu quis não estar lá, ela foi tão... tão Lindy. Sabia que ela era atirada, mas não sabia que era tanto, eu até tinha ficado corada, mas o menino riu, então fiquei com menos vergonha. E ele disse olhando no fundo dos olhos de Lindy que “não, não tinha namorada” e percebi que era o momento certo de eu ir embora.
Saí e eles simplesmente não notaram a minha falta como se eu não existisse, bom eu estava com muita fome, queria almoçar e ver meu programa favorito depois do almoço. Fui andando rapidamente como se alguém estivesse me seguindo, mas não tinha ninguém. Comecei a andar novamente até ser consumida pelo desejo de comer o bolo delicioso da padaria ao meu lado (eu não penso só em comida, mas ela está em boa parte dos meus pensamentos). Provavelmente eu não devia comer porque perderia a fome, porém entrei assim mesmo.
Quando entrei na padaria, tinha muitas coisas que eu adoraria comer ali, tinham poucas pessoas naquele momento, tinham algumas no balcão e outras sentadas em mesas espalhadas e algumas moças e crianças sentadas nelas, comendo deliciosas coisas que eu também gostaria de estar comendo. Fui até o balcão, reconheci aquele rosto que se escondia de vergonha, queria rir e falar com ele, mas...
–Meus pais me forçaram a trabalhar aqui para pagar os estragos da festa de ontem, meus pais chegaram mais cedo e... –ele disse com um leve sorriso no rosto enquanto olhava para mim com aqueles olhos de quem realmente gostava de mim, mas era tudo mentira, ele olhava com aqueles olhas para metade das meninas do colégio, eu era apenas a próxima que logo depois seria a esquecida. Eu tinha que me convencer disso.
–Eu não perguntei nada, só quero aquele bolo. – disse com vontade de pedir desculpas, não era sem educação daquele jeito, mas uma frase que Ed falara se repetiu em minha cabeça, “Marie, só mais uma em sua lista” e fiquei imaginando que eu também era, tinha ficado com raiva.
–O que eu fiz desta vez? – ele disse com um cara de preocupado e indignado, como se ele realmente se importasse
–Nada, só quero o bolo. – ele pegou e eu dei o dinheiro.
Saí dali com vontade de chorar como todas as vezes que fazia, mas não ia chorar, eu o conhecia há pouco tempo e ele me enganou, o pequeno conto de fadas da minha vida tinha acabado de terminar.
Quando cheguei a na porta de casa, ouvi a voz de Ed me chamando, mas não queria falar com ninguém, queria deitar no meu quarto, comer bolo enquanto ouvia musicas depressivas. Não o conhecia há muito tempo, não tinha nada com ele, mas pra mim ele era diferente, aqueles olhos azuis que me olhavam de maneira diferente, aqueles cabelos loiros lindos, aquele sorriso confiante que me conquistou no primeiro dia, e quando percebi que pensava nele, decidi parar.
Então tocaram a campainha e meu pai atendeu, ouvi a voz de alguém, mas não sabia exatamente quem, fechei a porta do meu quarto e voltei a ouvir música. E então meu pai começou a gritar:
–Sophie, o Logan está aqui. –como assim o Logan está aqui? Não queria vê-lo, não queria falar com ele, fingi que não ouvira e meu pai apareceu na porta do meu quarto.
–Filha, o Logan está aqui.
–De onde você o conhece? E se ele não for boa companhia para mim? Você já falou com ele? – perguntei com tanto espanto que meu pai assustou.
–Ele às vezes me ajuda em algumas coisas, ele é um bom rapaz.
–Pai eu só vou conversar com ele, não me casar, ainda não preciso da sua benção.
–Ainda? – ele disse com um sorrisinho no rosto.
–Ainda. –confirmei com um sorriso
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