Notas iniciais
Obrigada por clicarem! Espero que gostem! Então... boa leitura!

Estava sentada em minha cama olhando algumas fotos sem motivo algum, achei uma que tirara a poucos meses antes, estava com July e Stella. July, ela era linda, com lindos cabelos e olhos pretos, alta e alegre, e era a melhor desenhista que eu conhecia, não que eu conhecesse muitos, mas ela era realmente boa, hilária e muito desastrada, acontecia coisas com ela que ninguém acreditava e eu e Stella sempre nos divertíamos juntas, não por maldade, mas era muito engraçado. Stella era mais ou menos da minha altura, tinha cabelos castanhos e olhos pretos, era divertida, porém tímida em público, conosco não tinha muita vergonha e de vez em quando falava coisas que não fazia sentido (ou pelo menos não para mim e pra July), porém, fingíamos entender e continuávamos a conversa com um sorriso amarelo. Então peguei algumas outras fotos de quando era criança e fiquei pensando “porra, como meu pai me deixava sair de casa assim?”.

Eu morava com meu pai e com a minha avó, ela era como uma mãe para mim, e sempre me fazia passar vergonha em frente aos meus amigos, ela contava coisas constrangedoras aos meus amigos quando alguns colegas iam lá para minha casa e às vezes mostrava como fotos minhas de quando era menor, principalmente aquelas que eu estava... ham... desprovida de roupa.

Já o meu avô, ele morava em outra cidade, tinha se mudado há uns dois anos, e todas as férias íamos visita-lo, e eu adorava aquela cidade, mesmo não conhecendo ninguém, era bom passar um tempo em uma cidade tão legal, ou seja, tinha alguns garotos muito bonitos lá.

Quando cheguei a minha casa, meu pai veio falar comigo sobre um assunto que não me agradou muito, como sempre quando ele queria me contar algo que não era de fato agradável, ele arregalou os olhos, franziu a testa e então ele foi direto ao ponto como ele sempre fazia:

–Sophie, nós vamos nos mudar. — essa frase foi se repetindo na minha cabeça em uma frequência que me fez voltar para a realidade, não queria ter voltado queria ter ficado no meu mundo alternativo onde tem uns cinco meninos lindos brigando por mim, mas isso não era possível.

–Merda! Como assim vamos nos mudar?

No primeiro momento não entendi muito bem, tudo refletia em minha cabeça, não que eu não tenha ficado feliz, mas eu não fiquei. Morava ali desde... desde sempre, e não era boa em fazer amigos, só tinha duas amigas porque talvez elas tivessem que me aturar. Sentiria saudades das minhas amigas, não conseguia me imaginar sem elas, ia ficar sozinha isolada, conversando comigo mesma na nova cidade, ia acabar enlouquecendo de tanta solidão e iria parar em um manicômio, onde eu passaria a tarde tomando chá, eu simplesmente odeio chá. Tinha um mês, um único mês antes de me mudar, ainda não sabia como ia contar para as minhas amigas, ia ser um pouco difícil, não lidávamos bem com a perda. Sabia que não ia ficar muito tempo sem vir aqui, afinal minha avó ia continuar morando nesta mini cidade, eu ia sentir muita falta dela. Vivi minha vida toda com a minha avó, ela me criou, eu a amava muito, claro que tinha algumas merdas que toda avó fazia, principalmente perto de algum conhecido seu. Todas as férias e feriados viria aqui para visita-la, sei disso, mas não seria a mesma coisa.

Tinha acordado de uma noite mal dormida, tive vários pesadelos, um pior que o outro, onde tinha que correr e me esconder para salvar a minha vida, tinha esses pesadelos com frequência, não sabia o real motivo disso. Eram seis e meia da manhã, saí correndo para tomar banho e esperei minhas amigas chegarem lá em casa para irmos para a escola.

Enquanto isso, eu fiquei reparando no meu quarto. Não era rosa como da maioria das meninas da minha idade, era diferente, depois de vários anos morando naquela casa, aquele quarto era um espelho na minha estranha personalidade, uma parede pintada de verde, vários fotos minhas e das minhas amigas em um quadro pendurado na parede, uma cama de casal, fotos minhas junto ao meu pai e meus avós na cabeceira da minha cama, uma estante enorme cheia de livros que eu já lera, uma TV perto da minha cama e todos os meus ursinhos de pelúcia encostados em meus travesseiros, minhas frases de livros escritas nas paredes, ia demorar para o meu quarto da casa nova ficar igual, não as decorações, mas as coisas malucas que eu vivera ali, na presença das minhas amigas, como quando a July me contara que uma vez ela estava mudando de canal e seu pai estava por perto e já era tarde e então estava passando American Pie e ela ficou corada de tanta vergonha pois o pai ficou a encarando com um olhar repreensivo. Definitivamente nada me fazia querer me mudar para lá, minhas amigas moravam aqui, minhas memórias estavam aqui, minha vida estava aqui, não queria me mudar, mas meu pai foi transferido para Miami, que é uma cidade linda e com praia (mas não ia dar para ir á praia sozinha, ou pior com o meu pai, eu o amo, mas quando ele começa a falar coisas constrangedoras ele não para até eu ficar com tanta vergonha a ponto de querer mudar o meu nome.) meu avô morava lá, o que era um ponto positivo, ele era um segundo pai para mim, ele adorava me levar para tomar sorvete, fazia isso desde que eu tinha uns cinco anos por isso na minha faze de sete anos eu era igual uma bola de yoga e depois começamos a frequentar as livrarias, o que era uma tradição mais atual, tipo com uns nove anos. Ele era muito ocupado, só nos visitava quando estava de férias, isso quando tinha férias.

Minhas amigas tinham chegado, mas vi que Stella não estava lá, então July me disse que ela tinha ficado doente, não fiquei muito preocupada, ela ficava doente com muita frequência, em menos de um mês ela já tinha ido parar no hospital quatro vezes, ela nos dizia que era normal e não falávamos sobre isso, ela realmente não queria falar sobre. July estava muito linda, ela usava uma trança de lado que a deixava com cara de mais velha. Eu ia sempre com a mesma cara de boba alegre, cabelo solto e sem nenhuma maquiagem.

No caminho da escola, vi vários lugares onde um dia já estive, como praças, parques, sorveterias, vi pessoas que conhecia há muito tempo, e então lembrei que iria me mudar, não queria, mas não podia fazer nada, estava pensando sobre isso quando me dei conta que July estava olhando para mim, então ela começou a falar algumas coisas sobre um assunto que eu, no momento, não dava a mínima, não porque o assunto fosse chato ou coisa do tipo, só não estava prestando atenção. Queria contar a ela, mas como eu ia contar, eu não sabia.

–Tudo bem Sophie, pode me contar, que merda que aconteceu dessa vez?

Ela era a minha melhor amiga, claro que eu adorava a Stella também, mas July definitivamente era a minha melhor amiga, com um simples olhar já podíamos saber o que a outra estava sentindo ou pensando, não precisávamos nos comunicar, tínhamos nossa própria língua na qual só nós entendíamos. Ela parou de falar e depois de uns cinco segundos que eu percebi que ela tinha parado de falar, então eu comecei:

–July, eu estava conversando com meu pai e... e ele me disse uma coisa que eu queria falar com você. É o seguinte, meu pai foi transferido e... e... e eu vou me mudar, vou morar em Miami. –disse olhando para ela enquanto ela olhava para mim, vai será pior merda da minha vida.

July me olhou um pouco confusa, estava tentando assimilar tudo o que eu tinha dito, e quando ela tinha finalmente entendido, não falou nada, mas vi que não gostou muito da notícia (é claro, se ela tivesse gostado ia ser estranho).

–Eu virei visitar minha avó sempre e vamos nos ver todas as férias eu te prometo. — eu disse achando que poderia melhorar alguma coisa, o que foi óbvio que não aconteceu, não tinha melhorado nada. Só pensei em como poderia ter caído uma bomba naquele exato momento, e eu ter morrido e cada parte do meu corpo cair em lugares diferentes.

Os últimos quarteirões foram difíceis, ninguém falava nada, mas em fim, chegamos à nossa sala e sentamos em nossas cadeiras, a sala estava diferente, era como se tivesse perdido a vida, a alegria, como July naquele momento. Nós sempre sentávamos juntas, mas daquela vez parecia que ela não estava lá, e o pior de tudo é que eu sabia que a culpa tinha sido minha, bom, minha não, do meu pai, gostava de colocar a culpa nos outros, só um pouco. Saí para ir ao banheiro, eu precisava ficar um tempo sozinha, para poder pensar melhor no que acabara de acontecer e também fazer xixi

Quantas pessoas tinham passado por lá e escrito nas portas coisas como seu nome ou freses bobas sem nenhum sentido, eu queria escrever alguma coisa, mas como qualquer pessoa normal, não tinha levado uma caneta para aquela ocasião. Passaram uns três minutos, então eu decidi voltar para a sala. Era aula de matemática eu adoro matemática, mas quando eu falo isso, me chamam de nerd, o que não era mentira, sentei no meu lugar e comecei a ouvir a professora falar, mas não estava prestando muita atenção era um dos primeiros dias, estava um pouco cansada e queria muito ir para casa dormir por uma semana, ou melhor, queria hibernar e acordar apenas meses depois.

A professora olhou para mim e ficou me encarando por um bom tempo, só então percebi que ela tinha feito uma pergunta , ela me olhava com um olhar sereno que transmitia felicidade e paz. Ela percebeu que eu não estava muito bem, então disse que eu poderia sair um pouco da sala.

Fiquei um pouco na enfermaria, estava um clima tão agradável, não estava quente nem muito frio, era uma sala grande com umas camas e sofás, tinha alguns armários com muitos remédios. Era toda branca e calma, bom, calma até Samantha Johnson chegar, não sabia o que tinha acontecido, mas ela gritava como se estivesse morrendo. E quando ela chegou mais perto de mim vi que ela tinha se machucado feio, ia com certeza levar uns pontos, tinha sangue descendo pelo rosto dela, meu Deus o que é aquilo, saí desse corpo que não te pertence, Samantha, não parecia ela, parecia que estava possuída, saí de lá correndo.

Voltei da sala, e nem havia percebido que tinha ficado apenas cinco minutos em sala e a aula já estava acabando. Estava me preparando para sair e ir direto para o meu armário pegar o material de inglês, para ir à aula. Estava esperando July aparecer no meu armário para irmos juntas, sempre fazíamos isso, porém não sabia se ela ia aparecer lá, mas ela apareceu e quando falou comigo, não tocou no assunto, achei bom, não queria mais pensar naquilo tudo. Então eu também mudei de assunto, comecei a falar sobre diversos livros e autores que eu gostava e ela também falou, como se nada tivesse acontecido e eu fingi que nada acontecera.

Se não dava para vencê-los junte-se a eles (não é o que todos dizem?). Se eu ia me mudar para Miami de qualquer jeito, comecei a pensar no lado bom de tudo isso, fiquei pensando por um tempo, então a primeira coisa que veio a minha cabeça foi à praia, que eu poderia ir sempre que eu tivesse entediada ou querendo pensar na vida, e ficar ouvindo Stay With Me, não que eu tivesse muito no que pensar, minha vida era bem parada, não tinha um namorado, mau tinha uma vida social.

As aulas foram passando tão rápido que eu praticamente nem percebi que já estava na última aula, então por um minuto fiquei feliz de novo. Eu só queria ir para casa, deitar na minha cama e não pensar em mais nada, só ler até que eu fique cansada e ir dormir, era isso que eu fazia nos fins de semana que eu não tinha nada para fazer.

Quando cheguei à minha casa, deitei na minha cama e fiquei pensando, sobre mim, sobre tudo, sobre o mundo e sobre o que eu significava nele, existia bilhões de pessoas no mundo, e eu apenas era mais uma delas, estava ali deitada naquele momento esperando alguma coisa de especial acontecer.

Todos, um dia sonham viver em um romance lindo que mude a sua vida para sempre ou então viver uma aventura incrível que, quando se lembrar dela, fique até sem fôlego, e que no futuro terá orgulho em contar aos seus filhos, netos e a todos, de verdade o que queria, nem eu mesma sabia, acho que nunca havia planejado muito o meu futuro, sempre deixei as coisas acontecerem naturalmente, sem qualquer intervenção minha, nem mesmo um palpite sobre o acontecimento, sabe, não era algo esperado para acontecer, mas quando acontecia era único e memorável.

Pensar em me mudar nunca tinha passado pelos meus planos, pois eu nem mesmo tinha, mas talvez fosse alguma coisa boa, novas pessoas para conhecer, novos amigos, nova cidade, novos garotos, não que isso importasse, mas importava.

Sentiria muita falta das minhas amigas, das pessoas do meu colégio, de todos. Desde a noticia, comecei a sair mais com minhas amigas, mesmo Stella não podendo acompanhar todos, fomos mais ao shopping, ao cinema, e fizemos um monte de coisas para colocar na memória e não deixar que saia de lá. E o tempo foi se passando e quando percebi, meu quarto não era mais o meu quarto, não tinha nada meu lá, meus porta-retratos, minha cama, meus CDs, meus livros, nada, meu colégio, não era mais o meu colégio e minhas amigas continuam sendo minhas amigas, mas era o momento de dizer tchau. Quando vi todas aquelas pessoas ao meu lado, familiares (na verdade só a minha avó) e as minhas amigas lá, e o carro no qual eu já estava entrando, percebi que dali para frente, tudo seria diferente, que minha vida mudaria, que a minha vida já havia mudado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Podem deixar sugestões, críticas, ideias, comentem. Beijos May Singer!!!