Depois do Fim

13 Capítulo 13 - Maybe I'm a crook for stealing your heart away


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, espero que gostem. :3 A música é "love, love, love" de of monsters and men. ~

O Brad me puxou para mais perto e, sem contestar, fechei os olhos e correspondi o beijo.

(...)

Tinha alguma coisa diferente nesse beijo. A textura do cabelo, a maciez do rosto, o tamanho do nariz, aonde as mãos se localizavam, o fato das bocas não encaixarem...

Era só um beijo.

Pensei seriamente em morder a língua dele ou usar o velho truque do "baixou o guarda, baixei suas calças", mas com algumas adaptações. Ao invés de baixar as calças – o que também seria cômico –, o chutaria em um lugar que ele nunca mais esqueceria de Samantha Puckett, por mais que um dia ousasse esquecer.

Ao contrário disso, o esperei pausar o beijo.

E ele parou.

Ele parou o beijo, me olhando com ternura, e a sua respiração estava estranhamente calma.

Merda, maldito dia em que eu esqueci o spray de pimenta.

Sorri falso e cochichei:

– Brad, Brad, Brad.

Ele fazia uma expressão débil e parecia nas nuvens.

Na mesma hora que eu ia continuar, senti uma força puxando meu braço.

Olhei assustada para ver o que era e lá estava eu, sendo arrastada.

– Solta ela. – O Brad ordenou, indignado.

– Me solta, Freds. – Balancei o braço com força, fazendo-o soltar.

Ele se pôs na minha frente com a cara mais intimidadora possível.

– Você quer me dizer o que está acontecendo? – Ele perguntou, cruzando os braços.

– Relaxa, Nerds. – Falei risonha.

– Você vem comigo. – Ele segurou a minha mão, dessa vez de uma forma humana, e andamos o caminho de volta do Groovy Smoothie, mas antes de chegarmos, eu soltei uma gargalhada.

Ele me olhou com indignação.

– Agora deu para me seguir? – Perguntei, ignorando a raiva transparente.

– Sam, você tem noção do que acabou de fazer? Você e o Brad se beijaram. – Ele apontou em direção a praça – Isso é ridículo.

E de repente ele começou a andar em círculos e balançar os braços.

– Você só pode estar louca, Sam.

Depois balançou a cabeça e passou as duas mãos no rosto. Parecia decepcionado.

Eu tentei levar a cena à sério, mas só consegui segurar o riso.

– Eu sei o que aconteceu, eu tava lá. – Eu falei.

– Você beijou o Brad. – Ele repetiu, tentando acreditar nas próprias palavras.

– Você é meu pai, Freddward? Não precisa se preocupar comigo e me tratar como se fosse meu dono.

– Eu não tô te tratando como seu dono, mas bem que você precisa de um.

– Repete. – Dessa vez, eu que cruzei os braços.

Era só o que me faltava.

– Sam, você beijou o cara que te traiu.

– Ele que me beijou! – Alterei o tom.

– Você tem força suficiente para empurrar ele! Não tem? Ou agora eu preciso te seguir para todos os lados porque você perdeu os braços? – Ele gritou.

– Se eu quisesse, eu teria feito, você me conhece. – Bati no meu próprio peito e me aproximei – Eu não preciso de um guarda-costas, ainda mais se ele for você... Bela inutilidade.

– Você tem que parar de acreditar nisso de "Eu sou Sam Puckett" – Ele fez aspas com os dedos –, sabe muito bem que ainda é uma garota e que se eu quiser...

– Você mais do que ninguém sabe que eu não sou "uma garota"! – Interrompi – Você que é só um nerd.

Nossa discussão com certeza continuaria por mais umas décadas, mas de canto dos olhos dava para ver o Brad vindo no nosso sentido. O Freddie percebeu minha desconcentração e direcionaria o olhar em sua vertente...

Mas com o impulso mais bem calculado que fiz, segurei o rosto do Freddie com as duas mãos e o beijei. Ele não exitou e continuou, me puxando pela cintura e fazendo carinho na minha nuca com uma das mãos. Senti todos os pelos do meu corpo eriçarem, meu coração se deslocar, e mesmo com todos os outros órgãos também fora do lugar, a sensação era delirante.

Podia não acabar com aquele momento só para não enfrentar o que estaria por vir. Ou porque talvez estivesse gostando mesmo... Só um pouquinho.

Qual seria minha explicação? "Ah, quis fazer você calar a boca"?... Não, essa é velha.

Já sem fôlego, afastei seu rosto e colei minha testa na sua.

Nossa respiração estava completamente fora de ritmo mas isso sim se encaixava, o descompasso.

Era assim que tinha que ser. É assim que tem que ser.

Deixei minhas mãos descerem para seus ombros, e então descolei nossas testas e olhei em seus olhos.

Era possível ficarem ainda mais brilhantes de perto?

Ignorei totalmente qualquer resquício de briga da última sexta-feira, na verdade, era até engraçado saber que o motivo de tudo era eu.

Ele sorriu de lado. E por um momento esqueci totalmente que aquilo tinha sido só uma provocação.

– Então eu sou só um nerd... Entendo. – Ele assentiu.

Eu revirei os olhos.

– Idiota... e eu sou a Sam Puckett. – Dei de ombros.

Eu me afastei e olhei ao redor.

Cenário limpo.

Voltei a atenção para o Freddie, que me fitava.

– Você que precisa parar de baixar sua guarda só porque está perto de garotas... é desdenhar demais, por mais inofensivas que elas pareçam. – Tentei soar ironica, mas eu estava praticamente jogando um tijolo chamado "indireta-direta" contra sua cabeça.

Ele franziu a sobrancelha e consequentemente arregalou os olhos.

– Você...?

– Sim.

– Você sabe que...

– Sim, eu sei. – Eu respirei fundo – E eu preciso sinceramente espalhar para Ridgeway, e se possível, para toda Seattle, que Brad Campbell só tem habilidade com doces, porque com saliva – Balancei o indicador – nenhuma.

– Aprecio sua vontade. – Ele riu. Mas sua expressão ainda era de estranheza, pela mudança repentina de assunto.

Olhei para o céu, porque uma nuvem carregada passava e tinha escurecido o lugar.

– Tá nublado... Acho que vou indo. – Sorri.

Ele assentiu e me puxou para selar a maçã do meu rosto.

– Se cuida, Puckett. – Sussurrou.


***

Ainda domingo, 23h58min, quarto da Puckett

Meu estado era, sem dúvidas, de êxtase. Estava mais ansiosa que nunca para que a Carly voltasse de Yakima e eu pudesse contar tudo, nos mais meticulosos detalhes. Do momento em que ela saiu dando uma piscadela até o "Se cuida, Puckett".

Você só pode estar louca, Sam. Lembrei das palavras do Freddie e concordei com ele.

Tentei me concentrar em qualquer outra coisa, mas o meu beijo com o Benson não saía da minha cabeça e eu não conseguia tirar o sorriso do rosto. Estava parecendo uma garotinha e me odiava profundamente por não conseguir controlar a própria felicidade.

Tinha sido só uma provocação. Ele sabia disso. Eu sabia disso... Não sabia?

"E agora?" Essa pergunta ia e vinha martelando sem parar. Porém tentei ao máximo não criar expectativas. Acho que é o segredo de uma vida sem frustrações. Está nos termos de uso da vida, e quem quis fazê-la de boba, não lendo os termos e os aceitando assim, com certeza não sabe disso. Só é tarde demais para lê-los agora.

Não é ser pessimista, por mais que insistam nisso. Eu sou realista, apenas.

Cansei de ficar jogada na cama olhando para o teto, então liguei a tv.

Meu programa favorito ia começar, e pela primeira vez não consegui prestar atenção em nenhuma piada feita.

Eu não estava ali. Meu tempo havia parado umas horas atrás.

Subitamente Bad Reputation estrondou no quarto, invadindo meu campo de concentração e fazendo meu coração disparar.

O telefone tocava.

Notas finais
Oi, mores. Então batizei o Brad da minha fanfic de "Brad Campbell". Não sei se não me recordo bem ou se realmente não teve sobrenome para ele no iCarly... Mas aqui, ficará assim mesmo. Enfim, comentem!