Depois do Fim
14 Capítulo 14 - We can't back down
Notas iniciais
Estranhei o fato de o número ser desconhecido. Mesmo assim, atendi.
— Alô?
Tentei não soar raivosa, porque eu realmente odiava quando atrapalhavam meus pensamentos assim, tão repentinamente.
— Sammy? — Ouvi uma voz estridente do outro lado da linha.
— Melanie? – Perguntei, assustada.
Melanie me ligando em um dia que não é nosso aniversário ou ação de graças? Alguém só pode ter batido as botas.
— Também te amo. — Ela falou com ironia.
Relaxei o corpo. Com a brincadeira, não deve ter sido nada grave. De qualquer forma, é um tanto preocupante.
— Aconteceu alguma coisa? – Perguntei, ainda desconfiada.
— Sim, aconteceu. Hoje é aniversário da minha melhor amiga! — Ela disse, animada.
— Parabéns para ela. — Falei, entortando a boca.
Ela está ficando louca?
— Sua estraga-prazeres — Ela disse meio sem graça —, eu vou voltar para Seattle... Vou ficar na casa dela por uns dias. Podemos marcar para sair juntas? — Ela deu uma risadinha — Você e o Freddie ainda namoram?
— Sim, podemos, e não, não namoramos. Por quanto tempo você dormiu?
— Ah, eu pensei que já tivessem voltado — Melanie murmurou — Pode chamar ele se quiser.
— O Freddie? — Perguntei, aborrecida — Enfim, quando você vem?
— Segunda-feira, Sammy. Provavelmente umas 14 horas o avião tá pousando.
— Sério? Eu vou estar no aeroporto, é no mesmo horário do embarque da Carls.
— A Carly tá aí? – Ela deu um gritinho. – Que saudades! Diz que eu mandei um beijo.
— Sim, ela veio buscar mais algumas coisas.
— Entendo. – Mel sorriu — Então era só isso mesmo, vou desligar, até amanhã.
Melanie Puckett ainda existia e havia dado um sinal de fumaça. As coisas realmente estavam fora do lugar.
Como vou aguentar a Mel sem a Carly? Preciso mais do que nunca de um plano de fuga.
Decidi tomar um banho para esfriar a cabeça e fiquei de baixo da água até aproximadamente... as pontas dos dedos começarem a enrugar.
Depois saí, escolhi um pijama e decidi virar a noite vendo série. Não conseguiria dormir e não estava com um pingo sequer de sono.
Tentei ligar para a Shay, mas seu celular estava fora de área.
***
Bocejei pela décima quinta vez desde que tinha sentado naquela cadeira dura e desconfortável.
— Bem que eles podiam colocar cadeiras maiores e com almofadas. Isso – apontei para o braço da cadeira – é um insulto. Um insulto!
Carly revirou os olhos.
— Sam, a situação é de vida ou morte e você está se preocupando em cochilar no aeroporto?
— Qual o problema de cochilar em aeroporto? – Perguntou o T-Bo, ajustando a postura e limpando a baba. Tinha tirado um cochilo e continuaria, se eu não tivesse dado um peteleco na sua testa quando eu percebi que a Carly estava enlouquecendo.
Tudo bem, até eu já estava agoniada. Ela não sentava! Estava em pé por um bom tempo, balançando a bendita perna e com os braços cruzados, resmungando palavras indecifráveis.
— Relaxar? Cadê os garotos, Sam? – Ela perguntou, meio chorosa.
— O Spencer vai voltar logo.
Ele só foi buscar o Socko e o Gibby e realmente fazia um bom tempo. Carly embarcaria em minutos.
— Sam, não vai dar tempo!
— Senta! — Puxei-a pelo ombro e ela se sentou, mas o seu tique com a perna insista em continuar.
— A Mel te mandou um beijo.
Ela franziu o cenho.
— A Melanie Puckett?
— Sim, a Mel.
— Você falou com a Mel e não me contou? Onde a Mel tá?
— Ela tá vindo para Seattle, desembarca às 14 horas.
— O quê? – Ela gritou.
— Ela me ligou ontem à noite, eu não esperava, não foi nada planejado... Esqueci de contar.
— Não acredito! Eu acho que nunca mais vou ver a Mel! – Ela começou a se desesperar.
— Ih, não exagera, Shay. Deixa de drama. Se eu soubesse que ia ficar mais nervosa, nem teria contado...
Ela fechou os olhos e fez uma contagem regressiva.
— 5, 4, 3...
— Vai explodir? – Perguntei, um pouco assustada.
Ela abriu os olhos e tentou forçar um sorriso.
— Eu tava tentando me acalmar, mas se explodir resolver isso, eu realmente não me importo.
— Dramática! – Balbuciei.
Logo lembrei que não a tinha contado sobre ontem.
— Carly, ontem o Brad me beijou.
Ela arregalou os olhos em espanto.
— Repete! – Ela estava com uma expressão diferente. Não sabia se era horror, raiva, felicidade ou uma pitada dos três.
— Bom...
Contei a Carly o que havia acontecido desde que ela tinha ido embora. Tentei detalhar tudo e não deixar nada passar.
Falei do Brad me chamando para uma conversa, do Freddie dizendo “Você não tem nada para conversar com a Sam”, dos argumentos fajutos do Brad para uma desejada – por ele – reconquista, e finalmente, da minha pequena vingança. Que começou pelo beijo com o Freddie pouco tempo depois na sua frente.
Ela surtou.
— Não acredito! – Repetiu milésimas vezes. – Vocês vão voltar?!
— Quem?
— Você e o Freddie, Sam!
— Não... E não foi essa a questão. A questão é que eu finalmente arrumei um jeito de me vingar do Brad.
— Eu sei que não é só nisso que você tá pensando. – Ela sorriu de forma maliciosa. – Vai, Sam, assume que você não conseguiu dormir pensando no beijo do Freddie.
— Você está louca, querida. – Brinquei.
— Sam...
— O quê? Eu não pensei nisso, eu juro. Eu só...
— Você pensou. – Ela insistiu.
— Tá, eu meio que pensei, mas no que isso muda? Não muda em nada. Já tentamos antes, não deu certo.
Ela assentiu e me esperou continuar, sabia que eu, hora ou outra, iria tocar no assunto:
— Você sabe que tem uma parcela de culpa... – Falei, mais por um impulso.
E me arrependi no mesmo segundo.
— Eu não quero ser a culpada.
— A culpa foi nossa, na verdade. – Tentei amenizar.
— Essas coisas acontecem.
Seu rosto estava calmo.
Ela parecia ter gostado de não me ver negando que pensei na hipótese e por continuar a conversa sendo sincera.
— Agora tá na hora de tentarem para valer. Sabe, hipoteticamente falando, finge que a primeira vez foi um teste surpresa, vocês não estavam preparados e... deu no que deu. Mas, e agora? Não acha que tá mais que na hora de consertar os erros? Vocês são diferentes, é um fato... Só não acho que isso possa impedir que vocês se gostem, e é injusto não ficarem juntos por medo.
— E se não for para ser? – Falei mais baixo.
Odiava profundamente falar de sentimentos e insegurança, me sentia no mesmo nível que qualquer outra garota e era absurdamente estranho.
— Se não for para ser, não vai ser, mas eu tenho certeza que é. Como eu disse, esse medo é uma injustiça.
Eu pensei por um curto tempo, mas não me deixei levar pelos meus pensamentos. Pareceria que eu estou aceitando a sugestão.
E não que eu não esteja, mas eu não estou.
Definitivamente não estou.
Olhei para um movimento mais a frente, pessoas sendo empurradas e era um visível: os meninos tinham chegado.
Minha expressão era de alívio. Finalmente eles chegaram e finalmente poderíamos mudar de assunto.
Spencer estava suado e assim que nos avistou, apoiou as mãos no joelho e arfou.
— O que foi essa demora? Tentaram trazer o Obama? – Perguntei.
A Carly se levantou e abraçou o Socko, depois foi à vez do Gibby.
— Tentamos trazer o Freddie, mas a Amanda, mãe da Lizzie, ainda não foi buscar a Lizzie.
— Quem teve a idéia idiota de ser babá foi ele, ele que arque com as consequências. – Dei de ombros. – Só é triste ele não estar aqui. Sabe—se lá quando vamos ver a Shay novamente. – Falei meio cabisbaixa.
Ela me abraçou.
— Não é a mesma coisa comer frango frito sem você. – Falou, segurando o choro.
— Não é a mesma coisa comer frango frito da sua geladeira sem você. – Respondi, sorrindo.
Despedimos—nos e a tão indejada hora chegou. Subimos para a plataforma onde pudíamos ver os aviões decolando. Assistir aquilo fazia com que um pedacinho de nós fosse junto para a Itália, era reconfortante, em parte.
Os meninos foram de um por um, até que eu sobrei.
Mexi no celular, coloquei a playlist de músicas no aleatório e brinquei comigo mesma de tentar adivinhar qual seria a próxima música. Era péssima nesse jogo. Tanto que conseguia perder para mim mesma.
— Sam! – Escutei meu nome abafado.
Tirei os fones.
Olhei para trás e lá estava Melanie Puckett, minha irmã gêmea, com seus óculos escuros e seu rabo de cavalo impecável.
Ela deu um sorriso doce, como de costume, e me abraçou até meus ossos estalarem, me fazendo inalar perfume Victoria’s Secret e o deixando impregnado na minha roupa. Será que não podia ser mais forte, não?
— Senti sua falta. – Sussurrei num volume quase inaudível.
— A ida da Carly para Itália realmente te deixou doente, eu sabia! – Ela me afastou se alterando e me olhou nos olhos.
— Eu não falei nada. – Girei apontando – Todos estão de prova. – Sorri.
— Também senti sua falta. – Ela fez biquinho.
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