Depois do Fim

11 Capítulo 11 - All through the night still it was near morning


Notas iniciais
Olá, tô de volta, morecos. Notas finais, por favor.

Finalmente a sós.

Depois de passar um tempo juntos como costumávamos, o Freddie e o Gibby foram para casa. O Spencer, bem, ele capotou de sono assim que chegamos. Se ele não acordar até amanhã, vamos jogar um balde d'água na sua cabeça e checar se não está em coma.

Carly e eu decidimos colocar os colchões no estúdio e conversar até amanhecer. Os papos precisavam estar em dia pois amanhã seria um longo dia: um dia de encontro de fãs no Groovy Smoothie.

Olhei as horas no celular.

23 horas e 14 mensagens não lidas.

Fui ver o contato e me deparei com o nome que menos esperava: Brad. Todas as mensagens tinham algo como "Sam, preciso falar com você" ou "Por favor, me desculpa, Sam, mas vamos conversar".

Ele achava que eu era idiota?

Soltei um riso sarcástico e a Carly perguntou:

– O que foi?

Mostrei as mensagens do Brad. Ela, por consequência, juntou as sobrancelhas.

– Não acredito! Me deixa falar com ele! – Ela puxou meu celular da minha mão.

– Não, Shay! – Gritei – Deixa assim. – Disse mais calma e peguei o celular de volta.

– Deixar assim? Quem é você e o que fizeram com a Sam Puckett? – Ela perguntou franzindo a testa e se sentou ao meu lado, no colchão.

Eu sorri, e então fiz a pergunta que queria soltar o dia inteiro:

– O que você queria me falar?

– Você também queria falar comigo. – Ela disse divertida.

– As damas primeiro. – Fiz uma quase-reverência e ela revirou os olhos.

Pareceu ajeitar a postura e procurar palavras para começar. Até abriu a boca algumas vezes para falar mas se auto-interrompeu.

Continuei a assistindo ansiosa e ela suspirou.

Eu desviei o olhar e organizei os pensamentos, afinal, eu também tinha falado que precisava contar uma coisa. Uma, não. Várias.

Recapitulei comigo mesma, fazendo um flashback na minha cabeça de todas as coisas importantes que tinham acontecido na última semana.

– Sam, você gosta do Freddie? – Ela perguntou, quebrando o silêncio, e uma parte da minha cara.

– O que? Não! – Respondi quase que automaticamente e sorri amarelo – Por que a pergunta?

– É sério, Sam. – E ela de fato falou sério.

Pensei um pouco mas disse:

– Não sei.

O óbvio. Talvez fosse uma dúvida realmente.

– Então você gosta do Freddie. – Ela alegou, como se quisesse mais convencer a si mesma do que a mim.

– Eu não disse que gostava do Freddie, só não tenho pensado sobre... – Me adiantei, antes que ela parasse o que eu tinha certeza que ela falaria: sobre o beijo.

E em poucos segundos ela disse meio histérica:

– Eu beijei o Freddie, Sam.

Carly notavelmente se penalizou pelo tal feito.

E agora?

Eu já mentalizei a lista de mil formas de responder a isso.

Eu já havia criado até em sonho esse diálogo da Carly confessando que beijou o Freddie.

E agora, em prática, efetivamente não sei como respondê-la. O que dizer? Não estamos em um relacionamento, eu "não sei" se gosto dele e a Carly é a minha melhor amiga, não faria algo para me machucar, por mais que tenha machucado, mesmo sem saber que eu sabia.

Tão complicado!

É numa dessas horas que eu sinto vontade de dar um pause para planificar uma saída ou elaborar argumentos sem que fique constrangedor. Eu preciso notadamente de uns minutos a mais sozinha antes de dar o play.

Lástima que isso não existe. Eu não posso evidentemente mudar de assunto ou fugir disso o tempo inteiro. Alguma hora essa conversa viria à tona.

Às vezes é preciso mexer no curativo e dar uns reparos na ferida.

– Sam. – Ela pronunciou e me envolveu com seus braços.

– Carly, sem essa, eu não ligo. – Eu sussurrei.

Ela me soltou e já se via lágrimas escorrendo em seu rosto. Quão chorona era Carly Shay?

– Não foi nada demais. Eu só senti vontade, sabe, por todos esses anos. – Senti que ela se condenou um pouco, assim respondi:

– Eu sei... – Consenti – Ele sempre gostou de você.

– E eu nunca consegui corresponder e até hoje não o vejo como mais que amigo, quer dizer, como irmão sim, mas, é... – Ela falou e quase a vi terminar a frase com um "só para constar".

– Então não foi nada?

– Talvez uma dívida. – Fez careta – Ele é o Freddie, sabe? É um bom garoto. – Sorriu.

– Um idiota, nerd, sem graça, insuportável e se você não me parar eu posso continuar aqui para sempre enumerando tudo o que ele é. – Completei.

Ela torceu o nariz, desacreditando, e continuou:

– Eu beijei o Freddie aqui no estúdio, antes de nos despedirmos pela última vez e antes de descermos...

(POV Carly)

Foi mais impulso do que vontade. Foi o momento. Só me aproximei e beijei o Freddie, como se fosse um adeus ou um sacrifício.

Eu tinha beijado o Freddie Benson.

O nerd que foi mais da metade da vida apaixonado por mim e que eu não dava bola, mas que com um tempo de convivência por causa do webshow, e por ser meu vizinho, se tornou meu melhor amigo. O Freddie que deu o primeiro beijo na Sam e vice-versa. O Freddie que arriscou a própria vida para salvar a minha, o qual namorei por um curto período. O mesmo que foi avisado pela minha melhor amiga, que dizia o odiar, que eu não estava apaixonada por ele e sim que estávamos juntos por conveniência. E a partir dali soube que ela não estava errada, que era verdade e que ela, por mais que tentasse fingir que não, se importava. Passou um bom tempo até que numa noite na escola olhei pela janela um casal se beijando: meus melhores amigos, que diziam se odiar, pela segunda vez. O cara que fez a Sam achar que estava louca pelo simples fato de gostar dele, e ela mesma se internar em um centro psiquiátrico. O garoto que a Sam sempre pegou no pé, seu primeiro beijo e por incrível que pareça, seu relacionamento mais duradouro, e que apesar de todos conflitos e problemas, eu sabia que ela ainda sentia por ele o que nunca sentiu por nenhum outro.

E então um peso foi tirado dos meus ombros assim que me afastei e olhei nos seus olhos. Ele pareceu pensar o mesmo, que nunca daríamos certo.

Ele brincou fazendo uma comemoração e eu sorri.

Então, saímos do estúdio, mas antes de descer:

– Eu sei que era seu sonho. – Falei me gabando e parei em frente a porta.

– Sim, era. – Ele sorriu de lado.

– Era? – Cruzei os braços – Achei que você quisesse isso desde sempre.

– Eu achei que eu queria. – Garantiu.

– Bom, pelo menos você teve o prazer de me beijar. – Joguei os cabelos e pisquei os olhos.

– O Freddie de alguns anos atrás me odiaria se soubesse que eu falei isso. – Ele brincou.

– Ele enlouqueceria se soubesse que namorou Sam Puckett. – Rebati.

– Ele enlouqueceria se soubesse que nunca vai namorar outra pessoa como Sam Puckett.

(Fim do POV Carly)

Então foi isso? Era isso?

E agora, o que eu falo?

Senti minhas bochechas esquentarem e um sorriso querendo aparecer, mas o escondi.

– E ainda bem que não existem outras Sam Puckett no mundo, ou caso contrário, as redes de fastfood seriam extintas. – Falei sem pensar.

Carly riu alto e bateu palminhas.

Depois que parou, viu uma notável confusão estampada no meu rosto, por mais que internamente nem se comparasse com aquela.

– Ele gosta de você, Sam, eu sei que você ainda vai me contar com detalhes a história do Brad, que por acaso foi muito mal contada, mas ele não se arriscaria a entrar numa briga se não tivesse um motivo.

– Eu não tô tão certa se ele gosta, e mesmo que goste, tanto faz.

– Sério? Sério mesmo? Passou da fase "negação" para a "que seja"? Não é uma evolução, é um regresso. – Me fitou com raiva, mas logo falou:

– Tudo bem, eu sei que você precisa pensar em tudo.

Ela enfim pareceu tranquila e deitou, se cobrindo, mas continuou com os olhos arregalados. Conhecia bem aqueles olhos, era minha vez de contar a história.

Por onde começar? Ah, certo, quando o Freddie e eu quase conversamos no telefone sobre uma possível – claramente impossível – volta, no mesmo dia da despedida.

E contei tudo.

Tá, não tudo.

O mais importante.

Porque era insignificante a parte que eu flagrei o beijo e aquilo me feriu. De resto, ela soube até o estilo do brinco que a Candice usava no dia da festa de casais, por mais que eu não soubesse qual.

Contudo, com a ferida reparada e o curativo trocado, fica bem mais fácil cicatrizar agora.

Notas finais
Então, desculpem a demora. Eu prometi a mim mesma que postaria toda terça-feira à noite, e eu vou postar. A verdade é que imprevistos aconteceram e faltou luz, no período da noite, três dias seguidos na minha casa (e em algumas ruas por aqui). Mas tá tudo bem agora, minha mãe já declarou guerra com a celpe, e não vejo como minha mãe entrar em algo assim e perder tão facilmente. T-á t-u-d-o c-e-r-t-o. Desculpem o capítulo pequeno, como aconteceram imprevistos, vou postar outro capítulo amanhã porque já está escrito e esse foi bem pequeno... Sei lá, não achei como juntá-lo com o outro "pedaço" da história, não encaixaria. Enfim, é isso. Beijinhos, até amanhã! Xx