Depois da Guerra.

3 Um Dia Tudo Isso Passa.


Notas iniciais
Espero que leiam as notas iniciais. PESSOAL, EU MUDEI A IDADE DOS DOIS NA SINOPSE, ELES ESTAVA MUITOS VELHOS, E COMO VAI TER UMA PASSAGEM DE TEMPO DE DOIS ANOS, A IDADE IA COMPLICAR, REDUZI SÓ UM POUQUINHO, ESPERO QUE NÃO SEJA PROBLEMA. AGORA, QUERO AGRADECER OS COMENTÁRIOS E A QUEM ESTÁ ACOMPANHANDO E FAVORITOU, EU AMOO MUITO TUDO ISSO. EU AMEI MUITOS OS COMENTÁRIOS E OS ELOGIOS, MUITO OBRIGADA, DE CORAÇÃO. SEM MAIS DELONGAS, BOA LEITURA :*

KARINA

Eu não tenho vontade alguma de abrir os olhos toda a manhã. Queria dormir, dormir e dormir. Sempre quando meus pés deslizam para fora da cama eu sinto meu coração apertar, eu tenho vontade de me encolher toda, e ficar o resto do dia aninhada na minha cama. Com as cobertas sobre todo o meu corpo. Porem, hoje é um dia que eu tenho que me manter forte. Levantar e o pior de tudo sair de casa.

Nunca pensei que fosse perder alguém tão importante na minha vida. Isso já aconteceu, quando minha mãe me colocou no mundo e logo depois morreu. E ai a vida novamente bateu com uma onda gigante no meu corpo e levou a pessoa que eu mais amo no mundo. Pedro, a vida levou Pedro de mim.

Eu ainda tenho que digerir a idéia de levantar para ir para o enterro dele. Depois de duas semanas ainda assimilando que ele estava morto e que nunca mais irá voltar para mim. É como se outra adaga perfurasse meu coração. E como se um mar de água caíssem dos meus olhos novamente. E quando eu penso que não a mais lágrimas para cair dos meus olhos, eu me pego chorando novamente. A única coisa que me dá forças é a criança que carrego dentro de mim.

Pego o celular que toca incessantemente sobre a cômoda ao lado da minha cama. Nem olho no visor, apenas aperto o botão e levo o celular no ouvido. Escuto uma respiração pesada do outro lado, e sei que é meu pai. Ele liga dez vezes ao dia para saber como eu estou, se preciso de algo ou se quero voltar para a casa dele. Eu falo sempre a mesma coisa. “Não! Estou bem, pai. Não quero voltar para casa” Ele sabe que eu minto para ele, sabe que eu não estou bem, e que na verdade eu estou horrível. Totalmente quebrada e sem vida por dentro.

‘Karina?!’ – diz, com a voz fraternal e carregada de preocupação.

– Oi pai. – falo, me levantando e andando até a sala.

‘Como você está?’ – essa pergunta eu respondo muitas vezes no dia. Se não é para ele, é pra Delma, Marcelo, Bianca e até Duca.

– Estou bem, pai. – o escuto respirar fundo do outro lado da linha. Meu pai me conhece sabe que estou mentindo descaradamente para ele.

‘Precisa de alguma coisa?’ – indaga.

– Sim. Preciso de carona. Hoje é o funeral do Pedro. – só Deusa sabe o quanto dizer isso dói em mim. Reprimo a vontade de chorar. – Não quero dirigir e também quero passar a noite na sua casa. – completo.

‘Claro, filhinha. Eu passo ai às dez da manhã.’ – diz, com a voz paternal.

– Okay. Agora vou desligar. Tenho que me arrumar. – falo.

‘Até daqui a pouco. Eu te amo.’ – diz.

– Eu também. – desligo o celular e o deixo sobre a mesa de centro.

Levanto do sofá e me arrasto até o banheiro. Ligo o chuveiro e tiro minhas roupas. Deixo a fumaça da ducha,tomar conta de todo o ambiente, e depois entro em baixo do jato de água morna. Acaricio minha barriga. Esse virou o melhor momento dos meus dias, alisar minha barriga e imaginar como vai ser o rosto da minha pequena, ou do meu pequeno. Sentir-se bem ao me imaginar como mãe.

– Mamãe promete ser a melhor mãe do mundo para você. Sua heroína. – repito isso todos os dias. Por que é isso que eu vou ser, a melhor mãe que essa criança pode ter, sua heroína, conselheira. A pessoa que sempre vai estar quando ela precisar. E quando essa criança estiver maior ela vai saber toda a história do pai dela, o herói que o pai dela foi, vai saber que seu pai salvou vidas e morreu para ajudar os outros.

Saio do debaixo da ducha e desligo o registro. Visto um roupão de banho e saio do banheiro, vou direto para o quarto. Tiro de dentro do guarda roupa um vestido preto. E um casaquinho de seda fina, azul marinho. Uma sapatilha preta com detalhes pratas. Visto minhas roupas intimas e em seguida o vestido. Ele tem as mangas longas. O cumprimento desce por minhas pernas, até as bolas dos meus joelhos. O decote na frente é em formato de U. Coloco o casaco e fecho os botões. Calço minha sapatilha e faço um coque no cabelo. Passo apenas um gloss nos lábios, para não rachar, já que o vento lá fora está gelado.

Arrumo algumas roupas na mochila. Escova de dente e algumas outras coisas. Apago a luz do quarto e me dirijo até a cozinha. Abro a geladeira, entretanto, não tenho vontade de comer, mas não posso me dar a esse luxo, não posso desabar. Tenho que ser forte, para minha gravidez ocorrer bem, até o dia que essa criança vir ao mundo. Pego uma tigela e coloco cereais, aveia e leite. Termino o café e escovo os dentes.

Volto para a sala e olho no enorme relógio na parede, os ponteiros marcam, 10hr:01min. Em seguida escuto um carro buzinar em frente ao prédio. Pego as chaves do apartamento e minha mochila. Apago as luzes e saio do meu apartamento. Pego o elevador e desço até o primeiro andar. Quando as portas se abrem, meu pai está me esperando. Ele corre até mim e me abraça forte. Sinto-me bem nos braços dele, acho que meu pai, é o único que sabe pelo que estou passando. Ele já perdeu uma pessoa que amava muito, minha mãe.

– Um dia tudo isso passa, Ka. – desabo e começo a chorar novamente, as lagrimas caem dos meus olhos naturalmente. Não consigo segura-las. Gael pega minha mochila e em seguida pega na minha mãe, me guiando até onde o carro está estacionado.

Aninho-me no banco traseiro do carro e recosto minha cabeça na janela. Meu pai começa a dirigir. Vejo cada ponto da cidade passar por meus olhos. Mas, apenas um lugar me chama atenção. O parque o maldito parque onde eu e Pedro nos encontramos pela primeira vez.

FlashBack Onn.

Eu odeio me atrasar para o trabalho. Minha chefe é neurótica, ela reclama por cinco minutos de atraso. Ela parece uma bruxa, com aquele enorme nariz, só falta soltar aquelas gargalhadas sombrias.

E alem de tudo, me faz comprar café todos os dias. Eu a odeio, cada dia mais. Eu tenho vontade de despejar o copo de café fervendo na cabeça dela. Sei que não sou assassina, psicopata, mas, essa mulher me faz querer torturá-la.

– Ai droga! – exclamo. Quando sinto o liquido quente derramar por toda a minha camisa. – Isso está quente. – começo abanar meu peito.

– Você enxerga algum palmo a sua frente? – um rapaz está caído na minha frente. Alguns papeis estão caídos ao lado dele.

– Talvez se você olhasse por onde anda, isso não tivesse acontecido. – sei que tudo isso é minha culpa, eu estava perdida no meio dos meus pensamentos, “100 maneiras de matar a minha chefa” e acabei não enxergando o homem. Isso só pode ser castigo! Nunca mais desejo mal a uma pessoa.

– Eu já estou atrasado. Vou acabar perdendo o alistamento. – diz, nervoso. Ele levanta e começa a juntar os papeis do chão. Droga! Não posso deixar ele sozinho, são muitos papeis.

– Desculpa. – digo, depois começo ajudá-lo a juntar os papeis. Ele fica ereto e eu alcanço os papeis para ele, que dá um passo à frente e desliza o pé na grama molhada de café. Seu corpo cai sobre o meu.

– Desculpa. – e a vez dele de dizer. Tento empurrá-lo para o lado, porem ele é um pouco pesado. Os olhos dele se encontram com os meus. E ali, naquele momento, eu vi o quanto aqueles olhos ainda iam me trazer problema. Entretanto, algo me dizia, que no final, os problemas, vão valer a pena.

– Você não estava atrasado? – pergunto, fugindo meus olhos dos dele.

– Sim e muito. – ele levanta, em seguida segura minhas mãos e me ajuda a levantar. – Sua camisa está suja, sinto muito. Os botões também estão abertos, mostrando seu sutiã de renda branca. Eu até não queria olhar, eu não sou um tarado. – engulo em seco e olho para meu peito. Fechos os botões rapidamente.

– Droga a vaca da minha chefa, vai me matar e me demitir por justa causa. – falo.

– Caso ela fazer isso você extravasas. –diz, eu apenas sorrio.

– Preciso ir. – ele assente. Viro-me para sair dali e voltar correndo para o meu apartamento, mas ele segura meu braço, me fazendo virar para ele novamente.

– Qual o seu nome? – pergunta.

– Karina e o seu? – ele queria saber o meu nome, qual o mau em eu saber o dele?

– Pedro. – responde. Assinto e dessa vez saio às pressas, voltando todo o caminho que já tinha feito.

FlashBack Off.

E nesse dia eu fui demitida. Aquela bruxa me demitiu por justa causa, e já que eu estava na rua, sem nenhum tostão no bolso. O que tinha a perder? Antes que ela tomasse o café quentinho que tinha colocado sobre a mesa dela, segundos antes de ser demitida. Eu segurei o copo na minha mão e despejei na cabeça dela.

– Chegamos. – meu pai estaciona o carro na frente do seu prédio.

Desembarco e entro no prédio. Ele está logo atrás de mim. Entramos no elevador e ele aperta o botão do andar dele. O elevador sobe e as portas se abrem. Andamos até a porta do apartamento dele, ele abre a porta. Dandara corre e me abraça, em seguida os braços de Bianca me envolvem. Depois Duca e daí o João.

– Como você está princesa? – pergunta Dandara, segurando meu queixo.

– Estou bem. – minto. Estou tão farta de responder essa pergunta. Será que é tão difícil de ver nos meus olhos inchados e vermelhos de tanto chorar, como eu não estou bem? Eles podem apenas ignorar essa pergunta.

– Claro que ela não está bem, mãe. Olha a cara dela. – pelo menos uma bola dentro do João. Sempre gostei desse lado sincero dele. – Vamos apenas ignorar esse tipo de pergunta. Estou cheio de dizer que estou bem, quando na verdade, não estou. Eu perdi meu melhor amigo. Eu não estou bem. – lanço um olhar de alivio para ele que assente com a cabeça.

– Vou levar minhas coisas para o quarto. – digo.

[...]

PEDRO.

Acordei com o barulho da chuva. Estava um calor absurdo, e quando pensei que a chuva fosse resolver esse problema, ela piorou e deixou o clima ainda mais abafado. Uzuri adentra o quarto e coloca, uma xícara de café e pão encima da mesa que tem no canto do pequeno quarto. E também uma capa de chuva.

– Vamos subir as montanhas até as aveleiras. Preciso da sua ajuda, se importa? – pergunta. Eu já estou a duas semanas na casa de Uzuri e o que faço é comer e dormir. Não posso negar ajuda.

– Claro. – respondo.

– Vou esperar você tomar café. – assinto. Ela sorri e sai do quarto.

Levanto e coloco uma camisa velha, que o pai de Uzuri me emprestou. Sento em uma cadeira e tomo rapidamente o café. Enquanto tomo café fico pensando no sonho que estou tendo todas as noites. Com uma mulher loira ela é muito bonita. Eu sempre acordo nervoso, pensando nela, esse é o único rosto que fica grudado na minha mente.

Fecho os olhos e coloco meu cérebro para funcionar, se o rosto dela fica repetindo na minha cabeça, isso quer dizer que ela é uma pessoa importante.

FlashBack Onn

Está tudo tão corrido. Sei que é cansativo ficar andando de um lado para o outro, atendendo os clientes, alguns são chatos, mas outros são bacanas. E por mais que ficar andando de um lado para o outro seja ruim, eu preciso ajudar minha mãe, abrir um restaurante sempre foi o sonho dela. E ver o sorriso dela. Deixa-me incrivelmente feliz.

– Pedro, querido. Atenda a mesa 05. Por favor. – minha mãe diz, assinto e pego uma caneta e o bloquinho de escrever o pedido e me aproximo da mesa cinco.

Vejo um rapaz conversando animadamente com uma garota. Ela é loira, cabelos longos, está de costas para mim. Paro ao lado da mesa.

– Já querem pedir? – nesse momento consigo enxergar o rosto da menina. É a mesma que eu trombei no parque.

– Você?! – ela apenas sorri e olha para o rapaz a frente dela.

Flash Back Off.

Droga! Outro maldito fragmento de memória. Mas, dessa vez o rosto dela ficou nítido. Os lindos olhos, os lábios rosados e os belos cabelos loiros. Eu preciso lembrar o nome dela, se tivemos alguma coisa, eu preciso lembrar-me de tudo, que vivi antes daquele maldito incêndio em um galpão.

– Pedro está pronto? – Uzuri dá leves batidas na porta.

– Já estou indo. – levanto e coloco a capa de chuva. – Vamos. – falo, depois de sair do cômodo.

– Vou te ensinar a colher avelã. Não é difícil, é uma moleza. Temos que colher uma boa quantidade até o meio dia, que é a hora que os fazendeiros se reúnem para comprar os frutos, dos moradores da vila. – explica.

– Esses fazendeiros são da região? – ela assente. – Tem alguma possibilidade de eu sair daqui? – indago.

– No momento? Não. – responde.

Sinto meu peito apertar. Algo grita dentro de mim, tilinta na minha cabeça, me mandando voltar para casa. E eu não lembro nem onde eu moro, de onde sou. Tenho lembranças da minha mãe e de uma mulher loira na minha cabeça. Porem, não me lembro o nome de ambas. Nem da minha própria mãe. Eu estou fodido.

(Favoor, leiam as notas iniciais)

Notas finais
E AI, GOSTARAM? ESPERO QUE SIM. NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR. COMENTÁRIOS ME AJUDA MUUUITO. BJOOS, ATÉ O PROXIMOO. p.s. RESPONDO TODOS OS COMENTÁRIOS, MAS, SÓ DEPOIS DE POSTAR CAP.