Notas iniciais
Quero agradecer a recepção que a fic teve. Os comentários e favoritamentos. Amei cada comentários, gente. Muito obrigada. Eu fiquei muito feeliz. Espero que gostem desse cap. Agora vou responder os comentários.

Acordei com o feche de luz batendo em cheio nos meus olhos. Tentei permanecer com eles abertos, mas, a luz era muito forte. Virei meu rosto para o lado e vi Delma, sentada em uma poltrona ao lado da cama. Imediatamente as imagens dela na frente do meu prédio, correndo e me abraçando, vierem em minha cabeça. E as palavras “Ele morreu.” “Meu filho está morto, Karina” começaram a tilintar na minha cabeça.

Isso não pode ser verdade. Eu não posso perdê-lo, não Pedro. O homem que eu amo. Foi um sonho, claro, eu acabei de acordar. Foi um sonho!

Vejo quando Delma abre seus olhos vermelhos e inchados, me lança um sorriso fraco, totalmente sem vida. Ela se aproxima de mim e pega na minha mão. Parece querer me passar todas as forças dela, porem, vejo que já não resta força alguma dentro dela.

– Pedro? – pergunto com a voz fraca. Ela contrai os lábios e seus olhos enchem de lagrimas. Ela maneia a cabeça. Limpa a garganta e aperta minha mão.

– Sei que é difícil Karina. Entretanto, quero que seja forte. Que não fique tão nervosa. – assinto. – Pedro morreu em uma batalha. Ficou preso em um galpão em chamas, o corpo dele foi carbonizado. – à medida que Delma fala, sua voz fica chorosa, vejo que ela esta se mantendo forte.

– Eu não consigo acreditar. Eu não quero acreditar! – exclamo, sentindo lagrimas salgadas descer por minha face e se acumular na minha boca.

– Você não pode ficar nervosa. – Delma me abraça. E eu não consigo entender o porquê dela estar me falando essas coisas, o homem que eu amo acabou de morrer, meu noivo e futuro esposo morreu, ela quer que eu fique como?

– Karina!? – olho para a porta e vejo meu pai e Bianca entrando a passos largos e parando ao lado da minha cama. – O que aconteceu? – pergunta, analisando todo o meu corpo.

– Pedro morreu. – é a única coisa que escapa da minha boca. Não tenho mais forças para dizer qualquer outra palavra.

– Como assim ele morreu? – indaga o mestre Gael.

– Ele estava em um galpão em chamas... – Delma começa a chorar. Imagino o que ela sente, ficar repetindo o que aconteceu com o filho. Ela é mãe, está sofrendo mais do que eu. – Meu filho morreu queimado. – Bianca envolve Delma em um abraço caloroso, afaga as costas dela e tenta acalmá-la.

– Eu sinto muito. – meu pai se aproxima de mim e me abraça. Envolvo os braços no pescoço dele e choro como uma criança. Ele afaga minhas costas e beija o topo da minha cabeça.

[...]

Depois de longos minutos eu consegui me acalmar. Delma e Bianca estavam sentadas no sofá, Bianca segurava a mão dela e murmurava algumas palavras de consolo. Meu pai estava sentado na cama, ao meu lado, ainda continuava abraçada nele. Eu ainda não consigo assimilar tudo isso.

– Como está a paciente? – um homem vestido de branco entra no quarto. Claro que é o medico. Ele alarga um sorriso de consolo no rosto e se aproxima de mim. – Já contou Delma? – olha para a mulher, que limpa as lagrimas do rosto e levanta.

– Ainda não. – responde.

– Falar o que? – questiono, olhando na cara dos dois.

– Karina minha querida. Lembra que eu pedi para você se manter calma? – assinto. – Então... – Delma segura minha mão entre as dela. – Você está grávida. – sinto um nó na garganta e meu coração se aperta.

– Grávida? – pergunto para ter certeza.

– Está esperando um bebe. – confirma. Instintivamente levo a mão na minha barriga, que ainda não mostra nada. Está do mesmo jeito.

– Preciso ir para minha casa! – exclamo. Era o único lugar onde me sentiria perto de Pedro. Perto do pai da minha filha. Aquele lugar ainda tem o cheiro dele, as coisas dele, a presença dele em cada canto.

– Ela já pode ter alta, Doutor? – meu pai pergunta.

– Ela esta bem. Pode sim ir para casa. Porem, ela não pode se estressar. – meu pai assente.

– Ela vai para a minha casa. – fala, com seu modo autoritário ligado.

– Não! Eu vou para o meu apartamento. Quero fica sozinha! – ele me repreende com o olhar. Bianca percebe e antes que ele comece falar, ela apazigua.

– Karina precisa ficar sozinha, pai. – diz, colocando as mãos sobre os ombros do meu pai, que começa a relaxar.

– Essa noite só. – assinto.

– Agora. Por favor, me leva para casa. – ele assente e me ajuda a levantar-se da cama. Todos saem do quarto para eu me vestir. Termino de me vestir e saio do quarto. Meu pai envolve meus ombros e me guia até onde o carro está estacionado.

Odeio hospitais e dei graças quando sai daquele em que estava. Meu pai, só faltou me pegar no colo como uma criança na hora de embarcar no carro. Entrei no carro e me recostei no banco traseiro, vendo a cidade passar rapidamente pelos meus olhos.

– Chegamos. – Bianca diz. – Tem certeza que quer ficar sozinha? – diz, quando estou saindo do carro.

– Tenho. – digo.

Saio do carro e fecho a porta. Meu pai fica ali, até eu entrar no prédio. Pego o elevador e subo até a cobertura, que é onde fica meu apartamento. Abro a porta e está tudo tão vazio, frio, escuro. Porem, o cheiro amadeirado dele, permanece dentro dos cômodos. Eu estou perdida, não sei o que vai ser de mim sem ele, mas, sei de uma coisa. Vou ser uma boa mãe para a criança que carrego.

Tiro meus sapatos e chuto um canto qualquer da sala, me arrasto até o quarto e pego uma toalha. Vou até o banheiro e tiro minhas roupas. Entro em baixo da ducha, e deixo a água percorrer todo o meu corpo.

Tudo ainda é tão surreal. Eu não posso acreditar que perdi Pedro e que estou grávida. Passo a mão na minha barriga e lembro-me de vários momentos nossos. Quando nos conhecemos. A nossa primeira briga. Nossa primeira noite juntos. Minhas pernas começam a tremer e eu me sento embaixo do jato de água morna. Dobro meus joelhos e aninho a cabeça entro minhas mãos.

Derramo todas as lágrimas que ainda restam dentro de mim. A única força que eu tenho, é cuidar do meu filho e amá-lo. Dar amor e carinho ao pequeno ser que carrego dentro do meu ventre. Eu amei o pai dele da forma mais bonita e verdadeira. O bebe que carrego dentro de mim é fruto desse amor verdadeiro. E eu sei que sempre quando olhar no rosto do meu filho ou da minha filha, vou ver o amor que tive pelo seu pai.

[...]

Abro meus olhos e só vejo um cômodo escuro, completamente escuro. Sento na cama, ainda grogue. Eu não me lembro de nada, apenas de um incêndio em um galpão. Não sei como vim parar nesse lugar. As luzes se acendem e um senhor de idade adentra o pequeno quarto.

– Quem é você? – pergunto. Ele começa a resmungar e eu não entendo absolutamente nada do que ele fala.

– Sopa. – uma menina para na porta. – Isso é uma sopa. Coma, vai ajudar você a se fortalecer. – diz. Depois que o homem me entrega um prato com um liquido laranja, e um pedaço de broa de milho.

– Onde eu estou? – indago. A menina sorri.

– Alimente-se. Depois conversamos. – puxa o velho para fora do quarto.

Molho a broa de milho na sopa e como. A sopa não tem o melhor gosto, porem, me sinto com fome. Em poucos minutos o prato esta vazio. Coloco sobre a cômoda ao lado da cama e levanto. Sinto meu corpo inteiro latejar. Minha cabeça dói, parece que está a ponto de explodir.

Paro na frente de um espelho e vejo alguns ferimentos no rosto, eles já estão perto de formar casca. Ergo minha blusa, uma enorme faixa está enrolada em meu abdômen. Em um dos meus braços tem um pequeno queimado.

– Como se sente? – olho para a porta e a menina de antes está encostada no batente.

– Melhor. – respondo.

– Você se lembra de alguma coisa? – busco na minha memória algo, mas, são apenas fragmentos que consigo achar, e um deles é uma mulher de cabelos longos, loira dos olhos azuis. Ela é linda.

– Está tudo muito confuso. – comento, apertando minhas têmporas.

– O medico disse que você bateu a cabeça, quando caiu da janela do galpão que incendiou em uma vila aqui perto. Sorte que eu estava passando e te vi. Você vai ter algumas perdas na memória, mas, logo vai se lembrar de tudo. – explica. – Você sabe seu nome? – se aproxima e para na minha frente.

– Há quanto tempo estou aqui e onde eu estou? – indago.

– Está aqui já faz uma semana, estava em coma, você está em uma vila ao sul no Afeganistão. – responde. – Você sabe seu nome? – indaga novamente.

– Pedro. – sento na cama. A menina senta ao meu lado. – Qual seu nome? Você é brasileira? – pergunto.

– Meu nome é Uzuri. Eu não sou brasileira. Aprendi um pouco de português com saldados brasileiros que protegiam a vila, e fui me aprimorando com o dicionário e livros. – assinto.

– Preciso de um banheiro. – ela levanta e pega minha mão, me guia até um banheiro fora do quarto. Faço minhas necessidades e saio do banheiro.

– Como faço para falar com esses soldados? – pergunto.

– Eles não estão mais aqui. Esqueceram de nós. Essa vila é um nada. Sem água encanada, energia, telefone. Estamos em uma fortaleza.

Coloca as mãos na cabeça me sentindo perdido. Pouca coisa surge em minha memória. Sei que é algo temporário, e que logo vou voltar a se lembrar de tudo. Porem, estou em um lugar no fim do mundo, como vou voltar para casa.

Notas finais
CONTINUEM COMENTANDO. ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA MIM. ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO CAP. P.S. - DESCULPEM OS ERROS. BJOOS ATÉ O PROXIMO.