Depois da Guerra.
17 O meu maior medo. A minha pior dor.
Notas iniciais
2 MESES DEPOIS.
KARINA
Tudo estava em seu estado normal, Pedro a cada dia que passa está ainda mais feliz, aos poucos ele está esquecendo as feridas da guerra, de todas as batalhas em que já esteve, todas as marcas que ficaram marcadas em suas lembranças. E eu coloco grande parte disso na culpa de Sophi, ela quem faz o pai esquecer-se de tudo que passou, não vou dizer que uma parte não é minha, porque estaria mentido, tenho sim uma grande parcela de culpa é não me incomodo. Eu amo Pedro e tudo que quero é vê-lo feliz, mais do que qualquer um, Pedro merece ser feliz para sempre.
– No que você está pensando? – ele trilha beijos na minha barriga, erguendo minha camisola e beijando o vale entre meus seios.
– Para. – falo em meio a risadas. – Sua barba faz cócegas... – ele sorri arteiro, e segura minhas mãos, continua raspando sua barba em minha barriga apenas para me provocar. – Pedro! – tento parecer seria, mas explodo em gargalhadas. – Se você não parar, eu vou...
– Vai o que? – fita meus olhos com intensidade e luxuria contida. Aperto seu quadril com minhas coxas, e empurro o corpo dele para o lado, em seguida pressiono meu corpo sobre o seu. Ele segura minhas coxas com força, apertando minha pele e subindo até meu quadril. Inclino meu rosto e beijo seus lábios, nossas bocas se movimentam lentamente, nossas línguas dançam uma música lenta e erótica.
– Essa posição está me excitando. – olha para mim com um olhar safado e um sorriso desenha-se em seus belos lábios. Seguro minha camisola e ergo para cima, vejo a chama dentro dos seus olhos enquanto eles vagueiam pelo meu corpo. Mordo meu lábio inferior sentindo sua ereção roçar meu sexo. Pedro segura meu pescoço e puxa meus lábios para os dele. Tiro sua camisa rapidamente e trilho beijos em seu peitoral forte e definido.
– Tenho que trabalhar. – pulo para fora da cama e olho para Pedro, ele está ofegante, e muito frustrado, com cara de cachorro abandonado. Claro que fiz isso apenas para provoca-lo. E como previ, deu certo. Pedro avança em minha direção e me puxa para a cama novamente, cobrindo meu corpo com o dele.
– Não vai me deixar assim. – sussurra no meu ouvido, e eu sinto um arrepio percorrer por todo meu corpo. – Não louco dessa forma, maluco por você. – ele beija meus lábios com muita urgência, e desce com mordidas pelo meu pescoço, ombro, clavícula, até o vale entre meus seios. Abocanha meu seio e começa lambe-lo e suga-lo, sua mão concentra-se no meu outro seio.
– Estava blefando, você fica ainda mais faminto quando faço isso. – deslizo minha mão para dentro da sua cueca e seguro seu membro. – E gostoso. – beijo seus lábios. Faço movimentos curtos e lentos, arrancando suspiros de Pedro. Abaixo sua cueca, e ele ajuda. Até nos dois estarmos nus e ansiando por sentir um ao outro de uma vez por todas. Ele segura minha coxa e me penetra, fecho meus olhos sentindo suas estocadas rápidas e fundas, provocando no meu corpo vários espasmos. Pedro gira seu corpo, ficando sob mim, rebolo meu quadril sobre seu membro, gemidos escapam da minha garganta, jogo meu pescoço para trás e continuo rebolando sobre ele cada vez mais rápido.
Pedro senta-se na cama e cola nossos corpos, beija meu pescoço e desce com mordiscadas até meu seio, cravo minhas unhas em sua pele, a deixando marcada com arranhões, mordo o lóbulo da orelha dele e seguro seu queixo trazendo sua boca para minha, nossas línguas dançam uma dança selvagem e erótica. Pedro segura meu quadril e me faz quicar sobre seu membro, meu corpo ferve, sinto-me ainda mais cheia de desejos.
Rapidamente ele me deita no colchão e sobe sobre mim, seu sexo desliza para dentro de mim novamente, e eu o sinto me penetrar ainda mais fundo. Ele tampa a minha boca e eu a dele. Nossas peles já grudam pelo suor excessivo. Meu corpo está inerte em espasmos. Mordo o ombro de Pedro e ele solta um urro, Sussurra palavras sacanas em meu ouvido e eu Sorrio.
– Mais fundo! – ordeno. E ele ergue minha coxa e dobra meu joelho, pressionando em seu peito, suas estocadas são mais firmes, rápidas e fundas. E isso é delicioso. Fecho meus olhos e mordo meu lábio, acaricio meu seio com uma mão, e com a outra seguro com força o lençol da minha cama. – Isso! – digo com minha voz rouca, fazer amor com Pedro logo de manhã é uma das melhores coisas do mundo.
Atingimos o clímax juntos e exaustos, Pedro tomba o corpo sobre o meu, planta um beijo casto nos meus lábios. Ficamos entrelaçados até que nossas respirações voltem ao normal.
– Sabe o que estava pensando? – murmura ainda ofegante.
– No que? – resmungo, acariciando seus cabelos.
– No nosso casamento. – diz.
– Penso nele todos os dias. – falo. – Está tão próximo. – havíamos marcado a data há alguns dias atrás, agora que Pedro voltou novamente para o mundo dos vivos podemos selar nossa união. Vai ser no campo, em uma casa de festas que alugamos. Sophi está fervorosa, não vê a hora de chegar o grande dia, e confesso que eu também estou muito ansiosa, muito mesmo, entretanto, ao mesmo tempo é um pouco assustador.
Pedro pega minha mão e olha fixamente para o anel de noivado em meu dedo, que ele me deu antes de sua suposta morte. Beija minha mão e sobe com beijos pelo meu braço até minha boca.
– Não vejo a hora de você se tornar minha mulher, Karina Duarte Ramos. Meu sobrenome fica lindo em você. – diz com seus lábios sobre os meus. – Senhora Ramos. – acrescenta, sua felicidade é palpável, e me torna ainda mais feliz.
– E eu não vejo a hora de dizer sim para você. – sussurro. Ficamos um tempo em silencio, apenas escutando o barulho de nossas respirações.
– Você já foi ver seu vestido? – questiona, olhando nos meus olhos.
– Não. Mais vou fazer isso hoje mesmo, depois do trabalho, já que vou sair mais cedo. – minto descaradamente, na verdade eu já comprei o vestido e ele é lindo, mas, ainda tenho um compromisso hoje depois do trabalho, pedi para sair mais cedo, porque eu tenho uma consulta com Dr. Silvana, medica que cuidou do parto de Sophi. E o meu maior medo nessa consulta é o resulto do exame que fiz há duas semanas.
– Vou ver nossa princesa. – Pedro dá um beijo em minha têmpora e então se levanta. Observo seu corpo nu a minha frente, com certeza ele é uma obra de arte. Seus músculos contraindo-se enquanto ele se veste, me fazem suspirar.
– Minha nossa como sou sortuda. – digo no automático, e ele ergue uma das sobrancelhas. – Hum... Vou tomar banho. – levanto e corro até o banheiro, parada na porta olho para Pedro e ele sorri olhando para mim, parece até hipnotizado. – À noite conversamos sobre a minha suposta sorte. – pisco e mando um beijo para ele, entro no banheiro e fecho a porta.
Tomo um banho rápido e visto uma roupa um pouco mais formal para o trabalho, hoje tenho duas visitas ao fórum, dois casos para defender, dois processos cansativos, mas não tão longos. Saio do nosso quarto e cruzo com Sophi e Pedro no corredor, ela já está vestida para a escola.
– Mamãe. – ela pula no meu colo e beija minha bochecha.
– Sophi, você está ficando muito grande para pular assim no meu colo. Posso ficar descadeirada antes dos 40. – digo e ela começa a rir.
– O que é descadeirada, mamãe? – questiona admirada, depois pula do meu colo para o chão.
– Quando machucamos as costas e andamos como corcunda. – falo e ela ri.
– Assim? – abaixa o tronco e começa andar em círculos.
– Isso mesmo. – respondo.
– Amor?! – olho para Pedro. – Ela quer uma trança e não sou muito bom com isso. – comenta Pedro com uma feição apavorada.
– Pode deixar que eu faço. – digo, e ele sorri grato e me entrega a maletinha de Sophi, que tem seus objetos de beleza. – Acho melhor você se arrumar para o trabalho, ou vamos nos atrasar. E hoje é seu dia de levar Sophi.
– Você está certa, vou tomar um banho rápido e me vestir. – assinto, pego na mão de Sophi, entramos na sala e eu a coloco sentada no sofá. Pego o pente e começo pentear seus cabelos, ele são longos e estão embaraçados e isso causa reclamações da parte dela.
– Acho que tenho que cortar seu cabelo. – falo brincando e ela me olha apavorada.
– Não. – dá um gritinho. – Quero que meu cabelo fique igual ao da Rapunzel! – exclama autoritária.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – falo. Depois de alisar todos os seus cabelos eu faço a trança que ela pediu. Ela sai correndo como o flash e entra em seu quarto, sigo-a. Vejo ela parada em frente ao espelho que tem sobre sua cômoda.
– Obrigada, mamãe. Estou linda. – fala com a voz doce, bem diferente de antes.
– Está mesmo. – concordo. – Agora vamos tomar café, se não vamos nos atrasar. – pego em sua mãe e nos dirigimos para a cozinha. Pedro toma apenas uma xicara de café e depois come uma maça. Sophi quase derramou achocolatado em sua roupa, sorte que isso não aconteceu, se não nos atrasaríamos e muito.
– Já estamos indo. – comunica Pedro, depois de me ajudar a tirar a mesa. Estou em frente a pia, ele segura a minha cintura e me vira, cola nossos corpos e me beija apaixonadamente. – Vou sentir sua falta.
– Eu também. – o beijo novamente.
– E eu? – fala Sophi, parada atrás do pai, ela faz um beicinho triste que me faz derreter.
– De você? – me agacho em frente a ele. – E vou sentir tanta falta que quando a ver novamente vou lhe encher de beijos. – a abraço forte e lhe dou um beijo estalado na bochecha.
– Eba! – me abraça novamente, bem apertado e depois retribui o beijo. – Vamos papai. – alcança a mão para ele. E os dois saem da cozinha. Termino de organizar a pia e me dirijo até meu quarto, pego minhas coisas e o meu chaveiro. O dia vai ser um pouco longo.
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PEDRO
Depois de deixar Sophi na escola eu fui direto para a lanchonete dos meus pais. Ele anda ainda mais movimentado, então o trabalho aumentou. Quando cheguei ao local ele estava virado da ponta cabeça, meu pai andava de um lado para o outro atendendo os clientes e minha mãe estava concentrada na cozinha. Tomtom estava na aula, então é uma ajuda a menos, fora Elias, o novo garçom que vive de atestado médico.
Vou direto para o banheiro e coloco o uniforme que minha mãe aderiu e ordenou que todos usassem, eu fico ridículo nele, mas ordens são ordens, e eu devo cumpri-las. Ajudo meu pai, e conforme o tempo vai passando o trabalho diminui bastante.
Era quase três horas da tarde e a lanchonete estava as moscas, minha mãe estava sentada em uma mesa. Meu pai estava organizando o caixa, eu estava sentado em um banco e Tomtom estava parada na porta do estabelecimento.
– Filho. – chama meu pai, me aproximo dele. – Faz um favor para mim?
– Claro. – digo.
– Vai até o banco pagar essas faturas? – me entrega uma pilha de papeis. – É algo rápido, pode pegar a moto do delivery. – diz, e eu assinto.
– Okay. – vou até o banheiro e tiro o uniforme ridículo que uso, não vou aparecer no banco usando essas roupas chamativas. Pego as chaves da moto e o capacete. O transito está calmo e o banco não é tão longe, então eu não demoro muito para chegar ao meu destino. E ao contrario do que o meu pai me disse, não vai ser nenhum pouco rápido, já que a fila está enorme. Entro na fila, precisarei de bastante paciência.
Passa-se cerca de 45 minutos, até chagar a minha vez. Mas, enfim, chegou. Pago todas as contas e pego os recibos, guardo em meu bolso. Saio do banco e dou de cara com uma pessoa que eu conheço há muito tempo.
– Ivan?! – ele está com o braço engessado e tem alguns ferimentos no rosto. – O que aconteceu? – indago um pouco preocupado. Nós servimos juntos ao exercito e fomos da mesma equipe, no dia do incêndio no galpão ele tinha ficado na base com outro grupo de soldados. E essa foi a ultima vez que o vi.
– Pedro, nossa cara. Pensei que nunca mais ia lhe ver. Fiquei sabendo que você estava vivo. Fiquei muito feliz com a noticia, mas com as missões não tive tempo de lhe visitar. – ele dá uma pausa para respirar. – Nossa cara, que bom ver que está bem. – acrescenta.
– Ao contrario de você. – digo olhando para seu braço engessado. – O que aconteceu?
– Uma missão em Israel, tínhamos que capturar alguns israelitas que abriram fogo em uma cidade e mataram mais de 20 pessoas. Mas, aconteceu algo errado e eles acabaram sabendo da missão, armaram uma emboscada. Alguns dos nossos companheiros morreram, e dois foram capturados. – diz desolado, vejo toda a tristeza irromper seu olhar. – Estou de licença agora. Mas, logo voltarei para ajudar a capturar os dois agentes que foram capturados pelos rebeldes.
– André estava nessa equipe? – indago, ele abaixa a cabeça e coloca a mão sobre a face.
– Um dia antes ele salvou a minha vida, e no dia seguinte foi ferido e capturado. – diz. – André e Bruno foram capturados pelo grupo de rebeldes.
– André foi ferido e capturado? – respiro fundo e passo as mãos pelos meus cabelos.
– Ele levou um tiro no ombro e outro na perna, conseguiu salvar dois soldados, porem, não conseguiu salvar a si próprio. – sinto algo ruim tomar conta de mim, o mesmo desejo de vingança que senti logo depois de ser resgatado por André.
– Sei como você se sente, se estou vivo, devo isso a André, ele é um verdadeiro herói. – digo. – Foi bom ver você Ivan. Mas agora tenho que ir. Cuide-se. – coloco o capacete e embarco na moto. Começo a dirigir, e não é no rumo da lanchonete e nem da minha casa.
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– Pedro, o que está fazendo aqui? – indaga o tenente Borges. Conheço ele há muito tempo, foi com ele que me alistei para o exercito.
– Quero me voluntariar. – digo e vejo sua expressão mudar, ele está um pouco assustado e impressionado.
– Não posso fazer isso, deixar que você compre o bilhete para a morte mais uma vez! – exclama.
– Não vou morrer. – digo. – Tenho uma divida com André e além de tudo ele é um amigo. Não posso deixar que ele definhe no meio do nada e acabe morrendo.
– Coloquei os melhores soldados nessa missão. – retruca.
– Quero os papeis, aqueles que devo assinar e declarar um monte de coisa. – digo, e ele pondera.
– Não vou deixar que cometa a maior burrada da sua vida. E sua família? – tiro a foto de Sophi e Karina que tenho na minha carteira, olho para a imagem das duas sorrindo, eu as amo, não é justo fazer isso com elas, mas, André salvou minha vida.
– Você não tem escolhas, posso falar com o seu pai. Tenho certeza que ele vai aceitar a minha ajuda.
– Okay! Se é isso que você quer, tudo bem. – ele entra em sua sala e volta com os papeis. – Sabe o que deve fazer. Não vou tentar te convencer o contrario. Você é teimoso mesmo.
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KARINA
Confesso que estou um pouco angustiada com o resultado desse exame, não quero que ele de positivo. É um exame de infertilidade, isso não pode acontecer comigo. Amo ser mãe, e quero mais filhos, mas se esse exame der positivo, todo esse sonho, de ter mais filhos acaba hoje.
Procurei a Dr. Silvana há alguns dias, estou tentando engravidar e nada acontece, e digamos que minha vida sexual é bem ativa, não tomo pílulas e nem uso preservativos, mas nada acontece. Sem enjoos, mal estar e meu ciclo não atrasa nenhum mês.
Estou com tanto medo!
– Karina. – Dr. Silvana me chama. Respiro fundo e me levanto, entro em sua sala. – Sente-se, por favor. – diz com um sorriso nos lábios. Faço o que ela pediu.
– Então doutora? – indago nervosa. – Qual o resultado do exame?
– Karina, é um assunto um pouco delicado, porque independente do resultado do exame, algo pode estar acontecendo. – ela consegue me deixar ainda mais tensa.
– Silvana. – digo, já nos conhecemos há muito tempo, posso a chamar assim. – Você está me torturando... – sinto meus olhos marejarem. – Qual o resultado?
– Você está certa. – ela sorri fraco. – O resultado deu negativo, você não é estéril. Sua saúde está perfeita, pode sim ter um filho. Mas... – ela fica em silencio por alguns segundos e isso é mesmo torturante. – Pedro pode ser estéril. – ela pega na minha mão. – Karina seu noivo ficou anos isolado em um local impregnado de doenças, e uma dessas doenças pode ter causado a infertilidade. Mas, eu não estou afirmando isso. Ele também pode fazer o mesmo exame que você. Talvez vocês estejam sem sorte.
– Como vou falar isso para ele? – sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto. – Ele já passou por tantas coisas. – Silvana me entrega um caixa de lenços. – Preciso de ar. – levanto e saio de seu consultório.
Durante o caminho até meu apartamento eu fico pensando em como dizer isso para Pedro. Eu me sinto péssima, parece que a qualquer minuto uma montanha vai cair sobre mim e todo esse sentimento de paz pelo que estamos passando vai ir embora.
Estaciono o carro no estacionamento do edifício que moro. Pego o elevador e paro no meu andar. Ando lentamente até o meu apartamento, pego minhas chaves e abro a porta. Quando entro as luzes da sala estão acessas e Pedro está sentado no sofá.
– Aconteceu alguma coisa. – ele segura um monte de papeis. – Que papeis são esses? – indago. – Onde está a Sophi?
– Precisamos conversar. – ele diz fitando meus olhos.
– Okay. – sento-me ao lado dele, ele coloca a pilha de papeis sobre a mesa de centro e olha para mim novamente. – Você está me assustando.
– André foi capturado por israelitas. – diz. Imediatamente meus olhos enchem-se de agua que logo percorrem pelo meu rosto e encharcam minha camisa. Conheço Pedro o suficiente para saber o que ele vai fazer, e agora entendo o porquê de tantos papeis. E tudo me corrói por dentro, aperta meu peito, me tortura e me faz sentir a pior dor que já senti na minha vida.
– Você vai voltar? – minha voz sai fraca, carregado de angustia e medo. – Você vai voltar para o lugar que te tirou de mim? Que lhe fez perder mais de cinco anos da vida da sua filha? Que me machucou de várias formas? – dou uma pausa, tentando voltar ao normal, o que é impossível. – Para o lugar que te machucou?
A esse ponto, Pedro também está chorando, com o rosto todo marcado por lagrimas. Ele segura minha mão.
– André salvou minha vida, devo a ele.
– E eu? E sua filha? Sua família? Tudo que lhe importa? Não significa nada para você? – sei que posso estar parecendo mesquinha, mas eu já o perdi uma vez, não posso perdê-lo de novo.
– Vocês são tudo o que mais importam para mim. E eu prometo voltar vivo. – Pedro segura meu rosto. – Vou voltar vivo para você, meu amor. Para nossa filha e para nossa família. Eu prometo. – encosta a testa na minha.
– Não pode prometer o que talvez não possa cumprir. – murmuro, em meio a soluços.
– Eu vou cumprir. Eu vou voltar para você, Karina. – ele me beija e a única coisa que consigo fazer é retribuir seu beijo na mesma intensidade, mas o seu gosto é o pior gosto do mundo, é um misto de despedida com dor.
Tudo que quero é ficar irada com ele, mandá-lo embora, mas eu o amo demais para isso. Eu amo Pedro de uma forma que não consigo explicar, é muito forte, é verdadeiro. Existem correntes que nos amarram para todo o sempre.
– Quando você vai? – questiono.
– Amanhã, às dez horas da noite.
O meu maior medo. A minha pior dor.
Correr o risco de perdê-lo me torna fraca, não sei se consigo lidar com isso. Mas, agora ele está aqui e eu preciso dele. O beijo intensamente, tiro sua camisa enquanto nos beijamos e ele tira a minha roupa.
Não fazemos sexo, fazemos amor. Não queremos nos afastar, mas às vezes isso é inevitável, por mais que nossos corações estejam carregados de dor, entendemos um ao outro, Pedro é um herói, essa é a natureza dele. Eu o conheci assim e não vou tentar mudar isso.
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Dia seguinte
PEDRO.
Karina tirou folga para passar o dia comigo e Sophi não foi à escola, fiquei um tempo com minha família, minha mãe esta desolada e Tomtom passou o dia trancada no quarto, disse que nunca me perdoará. Meu pai, ele aceitou e se escondeu por debaixo de várias camadas de aceitação. Ainda não tínhamos explicado para Sophi, mas chegou a hora. Já é quase dez da noite, e ela precisa saber que seu pai vai ficar fora por alguns dias.
– O que vuces querem falar? – interroga com os bracinhos cruzados.
– Papai tem algo muito importante para lhe dizer. – digo, e ela olha dentro dos meus olhos. – Lembra quando papai ficou fora por um enorme tempo, e que você não me viu? – ela assente. – Papai estava em uma missão... – meus olhos marejam e minha voz fica embargada. – Para proteger pessoas, eu era um anjo da guarda. Meu trabalho acabou e eles me mandaram voltar para casa, mas, agora eles estão precisando do papai, pessoas precisam de mim...
– Vuce disse que não ia voltar para lá. – ela me interrompe. Karina levanta-se e corre para o banheiro, ela não quer que Sophi a veja chorar.
– Eu sei. Porém, surgiu algo muito grave, e papai vai ter que voltar. Preciso salvar pessoas importantes...
– Tudo bem papai, eu entendo. Vucê é um anjo, pecisa poteger as pessoas e eu sei que mesmo longe, vucê vai esta olhando para mim e para a mamãe. – seguro minha vontade de chorar. – Vucê é meu herói. – ela me abraça forte.
– Papai vai voltar, eu prometo. – digo. Essa é minha promessa, eu voltarei para as pessoas que amo, é uma promessa para eles e para mim. Eu vou voltar. – Eu te amo Sophi.
– Eu também amu vucê, papai. – beija meu rosto.
– Agora fica quietinha aqui que eu vou ver sua mãe. – assente e senta-se no sofá. Levanto e vou até o banheiro, Karina está com os braços apoiados na parede, ela está chorando. Meu Deus, eu não queria faze-la sofrer tanto. Eu a amo.
– Karina... – ela se joga em meus braços e me abraça.
– Dói tanto. Parece que tudo está se repetindo... – murmura. – Você vai mesmo voltar? – fita meus olhos.
– Preciso voltar, porque a mulher que eu amo vai se casar e eu sou o noivo. – tomo seus lábios para os meus, a beijo com todo o amor existente dentro de mim, custe-me o que custar eu voltarei. – E prometo que nunca mais vou voltar para o exercito. – assente, chorando compulsivamente.
– Okay. – beijo sua testa e a abraço novamente.
– Preciso ir agora. Gael vai me levar para o aeroporto, Bianca vai passar a noite com você e Sophi. – digo, e Karina concorda com tudo. – Hey. Eu te amo.
– Eu também. – pego em sua mão e saímos do banheiro, entramos na sala novamente. Dou mais um abraço em Sophi, um abraço demorado. Minha vontade é desabar, mas me mantenho forte, para que elas não desabem. – Eu amo vocês. – pego minha mala e saio, mesmo sabendo que estou deixando as mulheres mais importantes da minha vida.
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