Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 4
81 Cap. 081
Flashback
— Você está melhor? (Antônio perguntou preocupado quando a filha deixou de lado o prato de sopa depois de apenas algumas colheres).
— Ainda sem apetite papi... (Santana se desculpou deitando-se na cama). Acho que eu só preciso dormir um pouco... (Ela continuou ao mesmo tempo que a mãe aparecia na porta).
— Nada? (Maribel perguntou baixo quando o marido estava de saída).
— Algumas colheradas, se isso não mudar vou leva-la ao hospital pela manhã e mandar alguém coloca-la no soro... (ele respondeu sério, passando para a cozinha e a esposa sorriu para a super proteção do pai antes de pegar o telefone).
— Hei Hanna... (Maribel falou tranquilamente para a menininha do outro lado da linha). Sua irmã está em casa? (ela pediu tranquila, sua voz soando distante nos sonhos da filha). Sim querida, obrigada.
A mãe aguardou alguns segundos voltando a falar em seguida enquanto olhava ao redor as fotografias espalhadas pelo quarto, sua menina sorrindo ao lado da melhor amiga.
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Santana sentiu lágrimas quentes molhando as costas de sua camiseta de pijamas e por um segundo achou que estava mais doente do que imaginava, pois tinha o corpo pesado, preso sobre a cama, quase como se estivesse amarrada, e seu pijama estava empapado do que, num primeiro sentimento, ela pensou que era suor.
— San, me desculpe... (a voz chorosa chamou sua atenção e Santana percebeu os braços envoltos em sua cintura).
— Britt? (Santana pediu abrindo os olhos para a escuridão do quarto). Britt? (ela voltou a chamar, conseguindo mover-se o suficiente para virar-se de frente para a loira). B?
— San? (Brittany parecia surpresa e Santana alcançou a lâmpada sobre a mesinha). Sua mãe me pediu para vir... (ela explicou desculpando-se, olhos vermelhos de chorar). Eu ia sair bem cedo, você nem ia saber que eu estive aqui, eu prometo... (a menina continuou de um jeito culpado quase desesperado e Santana pensou nas palavras do pai “Quando a gente ama alguém nem sempre é fácil. É preciso lutar todos os dias, porque não podemos decidir pela outra pessoa, então é preciso conquistar...”).
— Shiuuu... (Santana a silenciou abraçando a amiga com carinho). Está tudo bem... Tudo bem B... (Ela continuou baixinho acalmando a menina que a abraçou de volta, os braços fortes em um aperto como se dele dependesse sua vida).
Doía. Não do quão apertado Britt a segurava, mas estar assim tão perto. Doía saber que Britt não era dela, que tinha escolhido outra pessoa em seu lugar, mas também doía ver sua melhor amiga sofrendo por sua causa, saber que ela era responsável por fazer Britt chorar daquela maneira. Mas também acalmava. O cheiro de Britt continuava o mesmo. Mesmo xampu, sabonete e Brittany, um cheiro que era só dela e que relaxava o coração de Santana desde que ela se entendia como gente.
— Está tudo bem Britt-britt... Vamos apenas dormir está bem? (Santana perguntou conduzindo a menina para deitar novamente na cama, braços e pernas entrelaçados como quando ainda eram crianças, a respiração chorosa de Britt contra seu pescoço até a loira finalmente cair no sono).
A manhã chegou pegando Santana de olhos meio abertos, braços cansados ao redor do corpo que estava caído sobre o seu de maneira possessiva. O sono de Britt não tinha sido tranquilo e depois de acordar várias vezes para garantir a melhor amiga que ainda estava ali e que estava tudo bem Santana apenas desistiu passando a esfregar a ponta dos dedos sobre as costas da bailarina enquanto cantarolava alguma canção suave. Amor era sobre conquistar todos os dias e ela estava disposta a fazer isso...
Xxx
Antônio abriu a porta devagar para encontrar a filha ainda mais cansada que na noite anterior, mas com uma loira dorminhoca sobre seu corpo e um pequeno sorriso nos lábios enquanto cantarolava de olhos fechados. Ele limpou a garganta rapidamente e deixou a bandeja com algumas torradas ao lado da cama enquanto caminhou para abrir a cortina.
— Bom dia hija...
— Papi...
— Eu preciso avisar que o hospital já foi alertado e que vou esperar aqui para ver o fim destas duas torradas e do suco ou nós dois estamos saindo e você vai passar o resto do dia ligada ao soro... (ele falou em um tom tranquilo enquanto sentava na poltrona perto da cama). E não, elas não são para dividir... (ele continuou sério quando Brittany se moveu acordando).
— Bom dia tio... (a loira falou com um sorriso tímido, sem saber ao certo o motivo do pai de sua melhor amiga estar bravo com ela).
— Bom dia Brittany (Antônio falou sem sorrir, os olhos ainda esperando Santana começar a comer).
— Papi! (ela reclamou, seu pai jamais tinha sido menos do que um querido com Britt e não era justo que ele fosse rude bem quando ela estava tentando conquista-la, não que ele soubesse disso).
— Eu... Eu acho que vou para casa... (Brittany falou um pouco assustada). Nós podemos falar depois? (o olhar da menina era praticamente de pânico e tudo que Santana queria era abraçar Britt e garantir que estava tudo bem, mas seu pai tinha olhos de falcão sobre elas).
— Sim Britt, nós podemos falar depois... (a morena fez o melhor para sorrir). Eu vou te mandar uma mensagem...
— Sim Britt, vocês terão muito tempo para conversar quando eu colocar Santana em uma cama no hospital com uma sacola de soro em sua veia... (o pai falou bravo olhando da filha para a bandeja de comida).
— Hei, eu vou comer, ok? (Santana pegou uma das torradinhas e deu uma mordida sorrindo para o pai enquanto tomava um gole de suco para se forçar a engolir). Pronto, comendo.
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