Depois Do Dia Dos Namorados - Parte 4
82 Cap. 082
Flashback
Santana ficou em casa todo o final de semana, com uma supervisão muito constante de seu pai. Somente ela com sua sorte enorme para ter um coração partido no momento exato em que seu pai resolve tirar uma semana para estudar um caso em casa. E não, ela não estava reclamando porque seu pai era o pai chato mais querido do mundo e Santana sabia disso. Mas seria bom poder curtir sua tristeza com sorvete e chocolate como ela via nos filmes e não com frutas água e refeições saudáveis feitas em casa que seu pai insistia em fazê-la comer.
No sábado a tarde tudo que ela queria era se esgueirar para o parque e sentar ver os patos (pensar em Britt), sem ninguém para interferir quando seu pai a viu tentando sair.
— Aonde você pensa que vai mocinha?
— Puck está me esperando... (ela mentiu).
— A verdade Santana (Seu pai pediu com seriedade, mas de uma maneira calma e ela se surpreendeu que ele não estivesse apenas furioso, ele nunca gostou de Puck).
— Apenas ao parque papi... (a menina respondeu baixo, os olhos em qualquer lugar menos no pai).
— Bem, eu realmente posso usar a caminhada para arejar a cabeça... (ele falou pegando um boné do suporte), você se importa se eu me unir a você?
Santana o observou por um minuto, tentando decidir se a pergunta lhe dava alguma opção de resposta.
— Vamos papi... (Santana sorriu percebendo que queria a companhia dele).
Caminharam em silêncio por um longo tempo, passando por corredores apressados e crianças que brincavam com seus cães sem nunca dizer nem uma palavra, apenas apreciando o silêncio entre eles. Quando chegaram perto do lago Antônio respirou profundamente dizendo que estava um pouco cansado e ficou para trás em um dos bancos, apenas observando quando a filha se aproximou da água e tirou alguns pedaços de pães em uma sacola em seu bolso, lançando aos patos para então ficar observando-os por um longo momento.
Não demorou mais de cinco minutos para a menina loira chegar com um olhar triste nos olhos, muito diferente do que era o seu habitual.
— Hei... (Antônio chamou baixo, não querendo chamar a atenção da filha).
— Hei... (Britt respondeu timidamente, a lembrança de seu último encontro ainda fresca em sua mente).
— San queria fazer uma caminhada e eu não quero deixa-la sozinha, mas acabei de receber uma ligação do hospital, você pode ir com ela para casa Britt? (ele perguntou sério, já se levantando e a menina concordou rapidamente, sem nem mesmo pensar). Obrigada Britt... (o médico sorriu). Vou deixar algum dinheiro para o sorvete, Santana tem insistido, mas eu queria garantir que ela tivesse uma boa alimentação primeiro (ele piscou deixando algumas notas na mão da menina antes de se apressar em fugir).
Brittany respirou profundamente olhando a amiga sentada na grama, então olhou o banco aonde Antônio estava sentado antes de decidir ser corajosa e caminhar até Santana.
— Oi... (Ela falou baixo, sentindo seu coração acelerar, algo que não era de todo novidade quando estava ao redor de Santana).
— Oi... (Santana respondeu um pouco surpresa com a companhia).
— Eu estava caminhando e seu pai me pediu para ficar um pouco... (a loira explicou apontando o banco vazio as suas costas e Santana apenas concordou em silêncio). Você ainda está brava comigo?
Santana pensou naquelas palavras, pensou em o que seu pai disse, no que seu coração desejava e como tinham sido dolorosos os dias sem Britt.
— Eu acho que estou apenas triste, mas eu entendo... (ela falou afastando o olhar para o lago). Você tem Artie agora, então eu acho que cheguei muito tarde... Está tudo bem... (ela deu de ombros como se não fosse nada, esconder seus sentimentos era quase uma segunda natureza a esta altura). Quem sabe eu precise de um tempo, mas vai ficar tudo bem B...
— Você quer que eu vá embora? (a loira perguntou sentindo seu coração apertar).
— Não (Santana respondeu com sinceridade voltando para encontrar os olhos azuis). Dói mais quando você não está aqui (ela continuou com sinceridade).
Santana voltou a olhar o lago e Brittany apenas ficou ali com ela em silêncio. Era estranho, mas ao mesmo tempo calmante. Ela podia ficar em silêncio com Santana, elas tinham feito isso muitas e muitas vezes e mesmo que esta não fosse a situação ideal, que Brittany quisesse explicar suas escolhas ela sabia que Santana estava sofrendo e falar não iria fazer seu sofrimento menor.
Elas não falaram muito por um longo tempo. Não quando Santana mandava uma mensagem pedindo que Brittany viesse a noite e dormiam abraçadas, os braços morenos fazendo-a sentir como se nenhum mal no mundo pudesse lhe atormentar, não quando andavam de dedinhos colados no corredor do colégio, não quando a morena começou a namorar o grandalhão de quem Britt não gostava. Elas apenas ficavam perto em silêncio principalmente porque as palavras sempre machucavam mais e era muito difícil ficar longe.
Britt não queria estar com Artie e cada vez que os braços de Santana a seguravam ficava ainda mais claro que o coração da morena ainda estava com ela, então quando o menino a acusou de estar o traindo ela pulou junto e mentiu esperando apenas terminar com todo o sofrimento. Ser chamada de estúpida doeu, mas Santana estava lá, tão fiel como sempre, para segurá-la em seus braços e cuidar de sua melhor amiga como tinha feito sua vida toda. Elas dormiram abraçadas mais uma vez e tudo que Britt queria era beijar os lábios cheios de Santana, mas não seria certo e ela sabia disso.
Santana também não tentou nada. Ela estava fingindo namorar Karovski e mesmo que nunca falassem sobre isso alguma coisa nos olhos da morena dizia que ela estava com medo e Britt não queria ultrapassar, não depois de ter jogado fora o pedido de sua melhor amiga apenas alguns meses antes.
Elas não falaram muito depois do baile. Kurt recebeu sua coroa e Santana ainda estava pensativa quando voltaram para casa. No quarto escuro com as luzes apagadas Britt sentiu os braços morenos abraçarem seu corpo e as lágrimas molharem as costas de seu pijama, mas ainda havia silêncio. Brittany tinha perdido a chance de falar quando Santana teve coragem e a morena estava novamente em sua concha.
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