Flashback

Antonio esperou pacientemente que a esposa saísse antes de caminhar pela casa em direção ao quarto da filha. Fazendo uma pequena careta para o cheiro de sala fechada ele caminhou até a janela e abriu as cortinas escuras deixando a luz entrar antes de abrir as janelas deixando uma lufada de ar fresco penetrar no ambiente.

— Que porra! (Santana reclamou levantando a cabeça do travesseiro, assustando-se quando viu a figura imponente parada em frente a luz). Papi?

— Banho agora mocinha, nós vamos conversar. (O homem falou sem deixar espaço para discussão).

— Papi eu me sinto doente (Santana reclamou com sinceridade).

— E você deve ser, vamos tomar café fora da casa, eu não quero alertar sua mãe sobre suas falas a escola... Deus, como você pode até mesmo se livrar da escola?

— Sue... (Ela resmungou levantando, o pijama comprido folgado demais na cintura fazendo o pai suspirar preocupado).

— Quinze minutos filha... (ele falou devagar olhando a menina com amor).

Xxx

— Eu não estou com fome e realmente me sinto doente papi... (Santana falou assim que entrou com seu pai no pequeno café próximo a escola).

— Ok, mas eu estou com fome, nós precisamos conversar e você vai comer alguma coisa enquanto eu penso em como será o seu castigo por ter faltado aula nos últimos dias... (o médico respondeu tranquilo). Lembre-se, falar a verdade e bom comportamento pode ser um sinal de colaboração... (Antônio continuou com um sorriso gentil e Santana suspirou).

— Quero meus ovos mexidos... (ela disse sentando-se em seu estande tradicional enquanto o pai foi terminar de fazer o pedido no balcão).

Antônio pediu seus ovos e dois chás suaves, sabendo que o estômago da filha não aceitaria o café, então caminhou até seu lugar sentando-se em frente a menina.

— Qual foi o motivo da briga?

— Eu não quero falar sobre isso papi... (Santana respondeu sentindo as lágrimas encherem seus olhos e o pai fingiu não perceber).

Ele estava realmente bom nisso. Bom em fingir não perceber nenhuma das nuances diferenciadas sobre o relacionamento da filha com Britt, não perceber como Santana se enchia de luz quando a menina chegava a sala, ou como seus olhos brilhavam quando estavam juntas, fingir não perceber Santana guardar um pedaço da pizza preferida de Britt na geladeira, uma lasca do chocolate com amendoim, ou caminhar uma quadra a mais para obter o sabor certo de sorvete. Ele estava se acostumando a fingir sobre as pequenas coisas até pegar a filha e a melhor amiga beijando no quintal então quis dizer alguma coisa, mas Fernando sorriu: “Papi, é Santana, se o senhor falar com ela, ela vai se esconder e provavelmente nunca mais vai sair, apenas finja que não viu”. O menino sorriu um sorriso sabido e o pai fingiu.

Ele não sabia se podia fingir não ver sua menininha sofrer.

— Sabe Hija... (Antonio começou olhando para a janela, sabendo que Santana estava ouvindo, mas evitando encontrar os olhos assustados, se ele olhasse aqueles olhos, provavelmente bateria na porta do vizinho e arrancaria Britt de lá para poder entender porque sua menina estava sofrendo tanto). Quando a gente ama alguém nem sempre é fácil. É preciso lutar todos os dias, porque não podemos decidir pela outra pessoa, então é preciso conquistar... E mesmo quando você acha que conquistou, quando você pensa que tem tempo o bastante e que conhece tudo sobre a outra pessoa e que ela te ama mesmo com todos os seus defeitos, ainda existem todas as outras pessoas no mundo e você precisa continuar conquistando-a. Todos os dias. (ele virou para olhar a filha, sem conseguir segurar mais).

Santana estava exatamente como o pai havia imaginado, olhos castanhos assustados observando-o com medo e por um momento ele teve medo de que ela jamais tivesse coragem de lhe dizer. Tão simples. Como ele poderia garantir que jamais deixaria de amá-la?

— Amizades, namoros, não são como amor de papi sabe? (ele sorriu suavemente). Este tipo de amor precisa de mais cuidado Santanita, precisa ser regado todos os dias... Veja, eu vou te amar para toda a vida, não importa o que aconteça, mas mesmo que você e Britt tenham crescido grudadas pelo quadril, é mais difícil quando a gente cresce, é mais difícil escutar, mais difícil perdoar, então quem sabe você precise trabalhar mais se quiser que funcione... (ele continuou com um olhar tranquilo).

Santana sentiu seu coração apertar pensando nas palavras do pai, as lágrimas enchendo seu peito com o choro que ela tinha tentado segurar nos últimos dias, se recusando a chorar porque Britt não a queria, porque Britt tinha escolhido Artie.

— Britt está namorando... (ela deixou escapar com o choro e sem que ela soubesse estava nos braços protetores do pai).

Antônio suspirou profundamente, parte dele querendo apenas descobrir quem no inferno era Artie e então quebrar as pernas do garoto, parte dele querendo passar um bom sermão em Britt e proibi-la de voltar a chegar perto de Santana e parte dele querendo apenas abraçar sua menina e protege-la de qualquer mal que houvesse na terra.

Santana não comeu. Ela não foi a escola. Seu pai passou o dia com ela, cuidando a todo momento se conseguia encontrar Susan no quintal.

Notas finais
Correria pura por aqui meninas... e a verdade é que eu não quero parar, pq se eu parar vou pensar e se eu pensar por muito tempo vou lembrar que nem tudo está perfeito no momento. Não quero falar sobre isso, não quero pensar nisso, então bora correr e aproveitar que todos os professores da faculdade ficaram malucos, pq tenho milhões de trabalhos para colocar em dia. Tenham uma linda semana, cuidado para não ferir o coração de ninguém no caminho, sigam em frente.