Depois De Tanto Tempo
5 Capítulo 5
Notas iniciais
“Droga, Sebastian. Você tinha que ir fazer compras logo hoje! E me chamar ainda por cima!”
Eu havia concordado de ir fazer as compras do mês com ele, mas justamente quando estávamos voltando, começou a chover. E eu estava completamente ensopado!
“Desculpe-me, Jovem Mestre. Não tinha ideia que choveria. Pelo menos você não ira ficar gripado.” Eu escutei ele dizer atrás de mim, enquanto fechava a porta.
Eu passei minhas mãos pelo meu cabelo para tirar um pouco da água e escutei Sebastian ir para a cozinha, provavelmente para deixar as compras em cima do balcão.
“E daí? Olha o meu estado! As minhas roupas vão demorar dias para secar e-“ Eu estava falando um pouco alto, muito irritado com a situação. Muito irritado até que eu me virei para olhar para o Sebastian enquanto brigava com ele.
Eu estava todo molhado, mas o Sebastian... Bem, devido à água... As roupas dele estavam grudadas em seu corpo. Como se elas já não fossem apertadas o suficiente! Por que eu fui olhar para ele? A camisa preta detalhava todo o seu tronco, e as mangas longas estavam apertadas em seus braços. Ele passou uma mão pelo cabelo para tirá-lo do rosto, e a calça dele... Digamos que lhe favoreciam ainda mais, tanto atrás como na frente. Mas por que eu fui olhar para ele?
“... Eu vou tomar meu banho.”
Eu subi as escadas olhando para baixo, meu rosto quente enquanto me praguejava silenciosamente e eu sabia que Sebastian estava me olhando do primeiro degrau sem entender exatamente o que aconteceu.
Entrei no nosso quarto e tirei minhas roupas molhadas e as joguei em qualquer canto no quarto. Sebastian irá pegá-las depois de qualquer jeito mesmo. Eu entrei no chuveiro – nosso quarto é uma suíte, mas temos dois banheiros acoplados, um com um chuveiro que usamos com maior frequência e outro com a banheira de porcelana, como a que eu tinha na mansão para ocasiões especiais – e já ia abrir a água quente, mas... Depois daquela visão dele é melhor começar com uma água fria... Certo, gelada.
–
“Sebastian, eu já disse! Deixe-me tomar banho!” Depois de algum tempo sozinho no chuveiro, o idiota também entrou e, como sempre, me abraçou e já ia tentar me atrapalhar, mas eu o parei a tempo. E essa já era a quarta vez que ele tentava.
“Então pelo menos me permita ajuda-lo. Se continuar assim vai deixar xampu cair em seus olhos.” Ele gentilmente retirou minhas mãos da minha própria cabeça e as substituiu pelas dele, esfregando-a devagar.
Eu suspirei em puro deleite, fechando meus olhos para me concentrar na sensação, me fazendo esquecer completamente que eu estava irritado com ele — mesmo que depois que eu o vi nas roupas coladas a seu corpo tinha acabado com grande parte da raiva -. Ele sempre faz isso, quando ele sabe que eu estou nervoso com ele, Sebastian faz de tudo para me acalmar, massagens, doces, beijos, e... Mesmo que eu não admita, ele me tem na palma da mão.
“Agora, enxágue.”
Eu virei minha cabeça para trás, tendo uma pequena — e desnecessária — ajuda de Sebastian. Eu passei minhas mãos pelo rosto, tirando a franja que estava grudada a minha testa.
“Seu cabelo cresceu tanto...” Ele murmurou enquanto passava o condicionador pelas pontas do mesmo. Eu ri baixo e me enxaguei novamente, mantendo meus olhos fechados.
“Você é muito reparador. Além do mais, é só nessa forma.”
“Eu só reparo em você.”
E é nesse momento que eu devia ter aberto meus olhos.
Sebastian me beijou, lambendo meu lábio inferior enquanto me empurrava contra a parede do chuveiro. Maldito!
Um gemido saiu da minha garganta quando ele me pegou no colo, colocando minhas pernas a sua volta enquanto desligava a água. Ele me carregou para fora do chuveiro e pegou uma toalha branca, andando até o quarto.
Sebastian me colocou na cama e passou a toalha pelo meu corpo, me deixando tremendo em excitação. Ele gentilmente me rolou para que eu deitasse de barriga para baixo e suspirou.
“Ah, olhe isso Jovem Mestre. Estou me tornando um mordomo terrível. Você ainda está todo molhado. Não podemos te deixar assim não é?”
Ele se apoiou na cama para ficar sobre mim, mas não completamente deitado. Sebastian beijou minha nuca, levemente sugando minha pele, me fazendo arfar nos travesseiros. E ele foi abaixando sua boca pelas minhas costas, traçando minhas vértebras delicadamente.
Eu me arquei ao encontro dos toques, fechando meus olhos para me concentrar na sensação, o pensamento de não deixa-lo fazer algo indo por água abaixo. Sebastian deixava a ponta de sua língua encostar-se à minha pele brevemente antes de continuar se mover para baixo, suas mãos subindo pelas minhas pernas, massageando a parte traseira das minhas coxas. Minhas mãos apertaram o lençol com força em pura antecipação, sabendo o que ele iria fazer em pouco tempo.
“Aqui ainda está molhado.” Ele disse falou baixo e com calma, como se nada estivesse acontecendo, mas eu pude notar que sua voz estava um pouco rouca. Ele lentamente separou minhas nádegas e eu gemi baixo, com a minha cabeça virada para o lado tentando não olhar para baixo.
“Seb-Sebastian... Nng...”
–
“Tem certeza que não quer que eu te acompanhe até o colégio?” Sebastian me perguntou de novo enquanto estávamos de mãos dadas na porta de casa de forma quase provocante. De sábado à noite até essa noite – algumas horas atrás — não paramos por um momento e ele estava meio receoso que eu estivesse meio fraco para ir sozinho.
“Tenho Sebastian. Não se preocupe, vou ficar bem.” Eu o beijei pela décima vez desde que eu tentei sair de casa pela primeira vez, vinte minutos atrás. Ele colocou uma mão na minha nuca, aprofundando nosso beijo deixando que nossas línguas se entrelaçassem.
Eu o empurrei gentilmente e, sem poder evitar, sorri para ele, tirando o cabelo que tinha caído em seus olhos.
“Eu vou ficar bem, idiota. Eu te vejo mais tarde.” E com isso saí andando para o colégio, sorrindo para mim mesmo como uma menina de 11 anos que viu sua paixão da escola.
“Tenha cuidado.” Ele falou alto, e eu sabia que ele ficou me olhando da porta.
–
Chegando ao portão do colégio, eu vi o Alois parado, olhando freneticamente para os lados até que me viu. Ele correu até mim e segurou meu braço, me puxando pelos corredores.
“O que foi Alois?” Eu falei sem entender o que estava acontecendo.
“Você vai ver.” Quando ele virou para falar isso, eu vi que seu rosto estava vermelho, mais do que quando ele viu o Sebastian.
“Aquilo.”
E então eu vi. Um rapaz alto, de cabelos escuros e ombros largos.
“Ele é lindo.” Alois disse ao meu lado num suspiro, olhando para o menino com admiração.
O rapaz entrou em uma sala do ensino médio – pela altura dele, deve estar em seu ultimo ano também – mas não era a minha turma, mas eu tinha outra coisa em mente.
“Não é possível.”
Quando ele virou e ficou de perfil, eu vi seu rosto. Olhos castanhos quase dourados, expressão séria de poucos amigos.
...
Isso já está ficando extremamente ridículo.
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