Depois De Tanto Tempo
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“Eu já falei, Sebastian! Eu vou com ou sem você!”
“Jovem Mestre, eu entendo a sua preocupação, mas eu realmente acho desnecessário.”
Nós estávamos no meio de uma discussão a mais de meia hora. E parecia que continuaríamos por mais meia.
Eu havia dito que hoje, sábado, eu iria vigiar o tal encontro do Alois e do Claude, para me certificar que nada de mal ocorreria. Mas Sebastian achava que era bobagem.
“Se você não quer ir, não é da minha conta! Eu vou!”
Nossos gritos ecoavam pela casa. Bom, meus gritos. Ele nunca levantou a voz para mim em todos esses anos.
“Não fique assim, Jovem Mestre. Eu apenas não entendo o porquê você querer ir tanto para vigi-”
“Isso mesmo! Você não entende! E nunca vai entender! Você nunca foi humano para saber e nunca se importou com ninguém que não fosse você!”
Assim que as palavras saíram da minha boca, eu notei seus olhos se estreitarem e seus músculos ficarem mais tensos.
...
Acho que fui um pouco longe demais...
Não! Não fui! Se ele não entende é problema dele, não meu!
“Humph!” E com isso, eu dei as costas para ele e sai pisoteando de casa.
-
Isso é mais chato do que eu pensei que seria.
Faz quase duas horas que eu estou sentado num galho de árvore, assistindo o Alois e o Claude nessa pizzaria da janela. Mas pelo menos nada de errado aconteceu.
Bom, houve sim uma coisa que me chamou atenção.
Pelo que eu pude ver, quando eles estavam com o cardápio, eu notei que o Alois tinha ficado com uma expressão meio angustiada. E eu não fui o único que notou.
Assim que viu, Claude disse algo que pareceu melhorar o humor de meu amigo.
Eu achei muito estranho o Alois de repente ficar assim, sendo que quando eles chegaram, ele parecia muito animado com tudo. Mas deixei passar.
...
O que será que o Sebastian está fazendo?
-
(Atenção! Ponto de vista do Sebastian!)
Mesmo depois que passou tanto tempo, Jovem Mestre...
Você continua o mesmo pirralho, irritante, mimado e teimoso de sempre.
“Eu juro que ele disse isso. Você acha que eu iria mentir para você, minha dama? Nunca. Eu não minto.”
Estava a caminho de ir atrás do meu Jovem Mestre quando eu vi...
Essa beleza rara no meu jardim.
“Miau?”
“É claro que irei atrás dele, minha bela. Que tipo de mordomo eu seria se eu não fosse.” Eu a acariciei mais uma vez antes coloca-la no chão.
“Volte depois e vou te dar um pouco de leite, o que acha?”
“Miau.”
“Ah, gatos são tão sublimes.”
E com isso, eu me despedi de minha nova amiga e fui atrás de meu mestre.
-
(Atenção! De volta ao ponto de vista do Ciel!)
Será que esses dois ainda vão demorar muito?
Tsc... Se pelo menos aquele idiota tivesse vindo para me fazer companhia, eu não iria estar tão entediado.
Será que... Ele ficou irritado com o que eu disse? Eu não vou pedir desculpas se ele ficou!
... Quem eu estou enganando? Eu fui um imbecil.
Eu só queria...
“Ah, finalmente lhe encontrei.”
Virei meu rosto e lá estava ele, de pé na beirada do galho, me olhando sem qualquer expressão.
“Hm.” Eu fiz um barulho baixo com minha garganta e voltei a olhar os dois na pizzaria.
Ouvi ele se aproximar e o encarei com o canto dos olhos, vendo-o se curvar.
“Desculpe-me pela interrupção, mi lorde. Apenas achei que minha presença seria necessária caso algo acontecesse.”
Eu o ignorei por algum tempo e ele continuou em pé do meu lado, mostrando apenas indiferença no seu rosto.
Assim como ele fazia quando eu me transformei.
“Idiota. Vai ficar de pé aí a noite toda ou vai se sentar?”
Ele me olhou surpreso e eu olhei de volta.
“O quê? Não me ouviu? Está ficando surdo além de velho?”
Ele riu baixo e assentiu com a cabeça antes de se sentar ao meu lado, pondo um braço em volta dos meus ombros.
-
“Do que você acha que eles estão falando?” Eu perguntei a Sebastian, que parecia distraído com alguns fios do meu cabelo.
“Eu não faço ideia, Jovem Mestre. Talvez sobre o colégio? Sobre o quê os jovens falam hoje em dia?”
Eu dei de ombros, afinal de contas, também não sabia. Não sou do tipo sociável. Ainda mais com essas mentes fracas de hoje.
“Você notou que, apesar da agradável temperatura, o Sr.Alois está usando uma jaqueta muito pesada? Uma que parece ser completamente desconfortável para o clima de hoje?”
Eu teria rido do ‘Sr.Alois’ se não estivesse reparando no que Sebastian acabou de falar. E era verdade.
Uma jaqueta de lã, quase completamente fechada cobria os braços finos de Alois, deixando apenas o seu pescoço à mostra.
E não era a primeira vez que ele fazia isso. Lembro-me de uma vez que ele esteve na minha numa manhã de sol e ele também estava com uma jaqueta.
“Isso é muito estranho, Sebastian. Ele parece estar suando. Por que ele não tira aquilo? Por que ele está usando essa coisa?”
“Talvez seja especial para ele.”
“Tudo tem um limite. E mesmo se fosse, ele podia simplesmente mantê-la em seu colo.”
Eu olhei de volta para Alois e Claude, que estavam pagando a conta. Bom, hora de ir. Mas...
“Sebastian, é impressão minha, ou Claude está pagando a conta toda?”
Ele assentiu, também se levantando e encarando os dois dentro do restaurante.
“É o que parece.”
“Humph...”
Sebastian se virou para me encarar, pegando uma de minhas mãos na sua.
“Perdoe-me por hoje cedo, Jovem Mestre. Eu apenas queria saber o porquê da sua preocupação com Alois.”
Eu reprimi um sorriso e virei meu rosto para o lado, evitando seus olhos.
“Não há problema, Sebastian.”
Ele sorriu e beijou o lado do meu pescoço, selando nossas desculpas.
“Então, irá me contar?”
Eu suspirei. Devia saber que ele ia perguntar de novo mais cedo ou mais tarde.
“Eu não quero que ele se machuque, Sebastian. Emocionalmente ou fisicamente. Eu sinto que eu devia protegê-lo...”
Ele assentiu, esperando que eu continuasse. Isso é muito embaraçoso de chegar à conclusão, imagine falar em voz alta para outra pessoa — demônio-.
“Não apenas pela morte dele, mas também... Porque ele é o primeiro que eu não tenho vergonha de chamar de amigo.”
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